Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

James Horner - Apocalypto (OST)


James Horner é um compositor americano. Suas obras destinam-se ao cinema e à orquestra. É ganhador de vários prêmios consagrados da imprensa americana, tendo, como maior destaque, ganho dois Academy Awards pelo trabalho realizado no filme Titanic, em 1997.
Apocalypto é um filme de 2006, dirigido e escrito pelo célebre Mel Gibson. Retrata a vida do povo Maia - incluindo costumes, crenças, hierarquias, etc. - antes da chegada do "homem branco" à América do Sul, só que de uma maneira nada genérica, bem diferente daquela que deve transitar pela sua cabeça ao ler essas míseras linhas de resumo (não estou lhe subestimando, apenas acho que três linhas não são o suficiente para explicar um filme desta magnitude).
O enredo é tão fascinante! A aventura passa por diversas fases, tendo como ápice a "caçada" realizada pelos Maias, logo após um suposto "sinal" enviado pelos deuses, no qual as coisas deveriam melhorar. Só que acontece exatamente o contrário, e eis que surge um grande confronto entre "fé" e "fatos", o que leva a um final surpreendente! Não só isso: As maquiagens, efeitos especiais e demais fatores acerca de uma obra recheada de profissionalismo estão presentes e dignas de nota. Obviamente, o motivo de toda essa é explicação é simples: De que adiantaria tudo isso, se a trilha sonora não conseguisse expressar o ambiente no qual o filme roda? Aí é que entra o trabalho de James Horner.
Diferente do que costuma fazer (trabalhar exclusivamente com orquestras ou música celta), teve de se adaptar ao mundo das batidas tribais, das atmosferas de ambient e dark ambient (afinal, momentos "dark" são constantes na jornada do filme), dos sons ambientais (tais como pássaros, insetos), cânticos e invocações indígenas, flautas e muito, mas muito mais. Uma enorme variedade, da qual muitos desistiriam. Pois ele conseguiu! A trilha sonora dá uma ênfase às imagens, deixando tudo com aquele ar de "ótima combinação".
O efeito total só é sentido ao olhar o filme. Escutar o CD avulsamente também é ótimo, mas dá outra sensação. Isso é algo interessante: Consegue causar efeitos diversos na mente do ouvinte. Quem não se interessa por filmes, quero dizer, quem se interessa apenas pela música, terá em mãos um álbum bom para meditar ou refletir. Aqueles costumes milenares, manifestados de várias maneiras (uma delas é a música), estão aqui. Algo que supera o tempo! E certamente rende muita discussão, mas não vem ao caso. Não à toa ganhou duas indicações ao Oscar no quesito de "som".
Veja o filme! E baixe o CD para apreciar com atenção. Apenas isso. Download.

Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf


Falar mal de uma banda sem conhecer é a coisa mais comum que existe, e durante muito tempo foi o que eu fiz sobre o Queens Of The Stone Age. Para mim, a banda anterior de Josh Homme, o Kyuss, foi sempre a banda que importou e o QOTSA era apenas mais uma bandinha.
Eu sempre soube que eles eram e ainda são, um dos maiores nomes do rock nos anos 2000. Via muita gente falando bem deles, e gente de respeito, até que resolvi engolir o orgulho e ouvir que que esses caras tinham pra oferecer...
Songs For The Deaf foi o terceiro disco do coletivo de Josh Homme, lançado em 2002 após o aclamado Rated R, que fez bastante barulho na mídia na época, principalmente por causa do Rock In Rio 3 e a vinda do grupo pra cá. Acredito que a formação do grupo fez com que esse álbum fosse considerado a obra definitiva da banda: Josh Homme frontman, guitarra e voz, Nick Olivieri, que formou o Mondo Generator, no baixo e voz, Dave Grohl, ex-Nirvana e Foo Fighters, na bateria e ainda Mark Lanegan, do Screaming Trees com voz e guitarras adicionais, além de outros vários convidados como Dean Ween, do Ween e Chris Goss, do stoner Masters Of Reality.
A verdade é que o QOTSA avançam um estágio, em comparação ao Kyuss. Saem do Stoner, que eles mesmo "criaram" e partem para uma mistura entre garage rock, hardcore punk, prog metal, hard rock que acaba sendo taxado de rock, ou metal, alternativo. O álbum é uma grande piada, onde existe a possibilidade de ser até conceitual - pela músicas passarem como uma rádio, com direito a DJ's e apresentadores - surgiu a hipótese que seria uma viagem de carro pela Califórnia. Ou de camionete, como sugere o clipe de "Go With The Flow".
Um disco cheio de músicas empolgantes, desde o chute no cu inicial de nome bem bolado "You Think I Ain't Worth A Dollar, But I Feel Like A Milionaire", o hit pop vencedor de Grammy "No One Knows", a porrada "First It Giveth" e a psicodélica com bateria Black Flag "A Song For The Dead". Mas pra quem não gosta muito, lá pelo fim do disco começa a ficar enjoativo, mas nada que atrapalhe.
Ao lado das grandes bandas do anos 2000, o QOTSA é a que melhor representa o rock chute na bunda, divertido e empolgado e esse é para mim, e para muitos outros, o grande trabalho. Download.

Fucked Up - The Chemistry Of Common Life


Em 2008, passei mais da metade do ano reclamando que não havia nenhum bom lançamento de Punk Rock. Digamos que, todas bandas do estilo que eu gostava ou conhecia, me decepcionaram. Bom, isso aconteceu até eu conhecer os Canadenses do Fucked Up.
Uma das gratas surpresas do ano passado, o Fucked Up, fez para mim um dos melhores álbuns do estilo em anos e não é para pouco. Hoje em forma de quinteto, a banda tem uma mistura perfeita entre o hardcore oitentista nervoso, lembrando nomes mais extremos como Neggative Approach e Negative FX, com noise-rock e enormes progressões, de músicas enormes e improvisações barulhentas, com senso melódico e ritmico, levando tudo a um novo nível.
Tanto o som quanto o grupo têm uma estética Anarquista e nihilista, desde shows arrazadores com direito a vocalista peladão, ao pseudo-nomes adotados como Pink Eyes (conjuntivite), Mustard Gas (gás de mostarda), Concentration Camp (campo de concentração) e Young Governor (jovem regulador), letras que atravessam aquele campo reinvindicativo e reclamão, são substituídos por letras inteligentes, puramente irônicas e ácidas, que lidam com questões filosóficas e históricas.
The Chemistry Of Common Life é um disco quase épico, eu chego até me emocionar ao falar. Lançado em Outubro do ano passado, pelo selo indie Matador, me surpreendeu pela capacidade de conseguir inovar e agradar, sem forçar a barra e soar de forma natural. Músicas monstruosas como a abertura "Son The Father" fazem fãs do velho hardcore ficar de boca aberta e ao mesmo tempo impressionados com a mistura com o noise-rock, das longas passagens de pura distorção. Passagens estilo "interlúdio" fazem o disco soar como uma grande obra progressiva, mas ao mesmo tempo Punk e agressiva, ao mesmo nível, lembrando o impactante e clássico Zen Arcade do Hüsker Dü, primeiro banda punk a se atravar fazer isso.
Eu podeira escrever muito mais a cerca da banda, que hoje já é um dos grandes hypes na América do Norte, aparecendo em programas de TV, fazendo shows com Jello Biafra e membros do Cro-Mags e Dinosaur Jr, mas prefiro deixar pra ti tirar próprias conclusões. Uma banda que é muito mais além do hype. "No Epiphany", "Days Of Last", "Black Albino Bross", a mistura perfeita entre melodia, barulho e cacetadas, porra! Porra! Download, PORRA!

Oasis - (What's The Story?) Morning Glory


Quem diria, Oasis aparecer por aqui um dia, hein? Quem diria, eu ouvir Oasis um dia? Então que as coisas mudam, e esse disco acabou caindo na minha mão e numa escutada descompromissada acabei descobrindo o porquê do Oasis já ter sido a maior banda do mundo, apesar disso ter durado pouco.
Se um dia eles chegaram a esse posto, muito eles devem a esse cdzinho. Com o primeiro disco, de 94, conseguiram firmar o nome no cenário underground britânico, tá ligado, anos 90 e britpop, né? O golpe de misericórdia veio no ano seguinte e este Morning Glory é um disco onde metade das músicas são singles, e o melhor, bem sucedidos.
O som do Oasis não é a coisa mais gênial (e original) do mundo, e tu já deve ter notado isso, mesmo que tenha escuta apenas uma vez. Influência de rock sessentista pode ser confundido com cópia ou falta de criativdade, e isso depende do ponto de vista. Acho que o grande mérito deles foi fazer algumas músicas simples musicalmente, com algumas letras que fazem o pessoal cantar junto, num pop/rock que empolga e um senso de melodia sem igual.
Gosto da produção desse disco e da composição. Ele tem um som diferente, uma atmosfera típica de uma banda inglesa, um som "nublado". As vezes acho que a equalização do meu som está definida como "banheiro", mas não está. Também é legal a mudança do estilo "rockstar" do outro disco, pra algo mais refinida, uso de cordas, teclados e gaita de boca.
"Roll With It", "Some Might Say", "Don't Look Back In Anger" e "Champagne Supernova". Tu pode não gostar de Liam ou Noel Gallagher, mas tem que admitir que eles mandaram em metade dos anos 90, para alguns com a música, ou para outros, só com as declarações e cobertura midiática 24 horas. Só mais uma informação que pode ser crucial na hora de decidir ouvir esse disco: "Wonderwall" é desse cd. Donwload.

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

Last Warning - Throughout Time


Quebrando um intervalo de 8 anos desde o último lançamento, os italianos do Last Warning - não os confunda com uma banda hc/Oi! de mesmo nome - iniciaram 2009 com Throughout Time.
É o típico caso desagradável de comentar, porém necessário: Trata-se de uma banda fazendo algo já feito por diversas outras em diversas vezes, só que com uma qualidade inferior.
Como declaram por aí (vide MySpace, principalmente), possuem influências de Dream Theater e Stratovarius. Pois bem, captam as influências e executam algo parecido (praticamente 'idêntico' no vocal). Além disso, uma ou outra passagem soa exatamente como o Iron Maiden dos anos 80.
Todos esses fatores geram um álbum de heavy metal progressivo e levemente melódico, com músicas de longa duração, refrãos dobrados, teclados sinfônicos e todos os demais elementos que compõem um álbum para fâs de heavy metal moderno e antigo.
O problema é que tudo soa muito, mas muito genérico. Nada além do que já ouvimos diversas vezes, sem um toquezinho a mais, ou qualquer fator de natureza diferente. Portanto, a audição acaba soando demasiadamente chata e desnecessária, visto que tudo aqui já foi feito e de maneira melhor.
A não ser que você seja um maníaco por Dream Theater e Stratovarius, daqueles que já escutaram tudo de ambas as bandas e não conseguem ficar sem algo parecido enquantos eles não lançam material inédito, esse disco aqui acaba por ser desnecessário. Download.

Primal Scream - XTRMNTR


Se David Bowie é conhecido como camaleão pelas suas diversas versões de visuais, o Primal Scream seria um equivalente se tratando de música e não aparência. Tendo Bobby Gillespie como figura central, ele formou o grupo logo após sair da bateria do Jesus & Mary Chain e desde então vem contando com várias formações, várias colaborações e comanda uma das bandas mais fantásticas dos últimos 20 anos.
Começando num indie pop oitentista genérico, muito semelhante a sua ex-banda, o Primal Scream ganhou reconhecimento com o lançamento do clássico dos clássicos Screamadelica. Captando o movimento que vinha de Manchester no final dos anos 80, o início das raves, esse disco marcou o encontro do rock independente com a música eletrônica, acid house e muito ecstasy. Em 91, no Reino Unido, quem não tinha Screamadelica, tava por fora de tudo.
Pois bem, agora é hora de falar do meu preferido, ao invés do clássico-mor. XTRMNTR ou Exterminator, foi uma guinada brusca no som. Após passarem pelo funk e melodias americanas (Give Out But Don't Give Up) e o eletro dub com krautrock atmosférico cheio de perseguições e paranóias (Vanishing Point), Bobby Gillespie contou com o ex-baixista dos Stone Roses, Mani, na parte criativa e do mestre Kevin Shields, do My Bloody Valentine, que entrou quase como membro fixo do grupo.
A banda publicou que havia parado com o uso pesado de drogas, mas paz foi a última coisa que tivemos. O resultao foi um disco predominantemente eletrônico e agressivo. Não só musicalmente, pois as letras também eram pra encomodar, de forma política, atacando o governo britânico. Participações especiais fizeram parte do disco; além de Kevin Shields, os Chemical Brothers e Bernard Sumner do New Order.
"Kill All Hippies" inicía o disco de maneira vindicativa, dando o mood que o disco vai ter daqui pra frente. "Accelerator" é a junção do MBV com o Primal Scream, nos primeiros três segundos tu já sabe que aquela guitarra tem dono, sir. Kevin Shields. Para quem tem ouvidos fortes, distorção fora do comum. "Swastika Eyes" é o motivo de eu amar esse disco. Ritmo acelerado, barulhos, samples, loucuras. Enfim, um baita disco pra uma noitada perigosa. Download.

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Sonic Youth - Murray Street


O Sonic Youth é há tempos uma das minhas bandas preferidas e Murray Street acabou sendo o meu primeiro disco "de verdade" deles e por isso tem um valor maior pra mim (não para venda), por ter me acompanhado por vários lugares e por muito tempo.
Lançado em 2002, na época em que eles eram um quinteto, as gravações do álbum tiveram uma pausa devido aos ataques ao World Trade Center, que teve um impacto brutal na banda e no processo de gravação. Primeiro que o estúdio do grupo era(é) localizado muito perto do atentado (Murray é o nome da rua) e deu um choque enorme dos integrantes, que no dia ficaram trancados, cada um em localidades diferentes.
Sendo assim, o impacto na parte criativa, fez com que o o grupo acalmasse um pouco as loucuras e barulheiras presentes do anterior, NYC Ghosts and Flowers e Murray Street fosse aclamado pela crítica como a volta a boa forma. Bom, a primeira vez que eu escutei, não sabia nada disso e fiquei pensando como que, mesmo num álbum calmo, eles conseguiam ser barulhentos e experimentais.
São apenas 7 músicas mas parece que levam uma eternidade para acabar. "Radical Adults Lick Godhead Style" fala sobre os artistas do anos 60/70 e é a que mais lembra a época dourada do início dos 90's, com riffs desestruturados e ao mesmo tempo, hipnotizantes e 1 min de pura improvisação, que é puro barulho. Tempo depois, fui ver no encarte que essa música teve participação de ninguém menos que Neil Young como co-compositor.
Destaque também para a punk "Plastic Sun", cantada por Kim num ritmo Riot Grrrl, que dura pouco mais de 2 minutos contrastando com "Karen Revisited" e "Sympathy For The Strawberry" que juntas, contabilizam em torno de 20 minutos ao total. A boa recepção do álbum resultou na boa sequência chamada Sonic Nurse.
Outro fato que faz tanto gostar desse disco é a capa. É um dos poucos discos que consegue me passar uma sensação. É como uma propaganda de Mentos, passa um gosto de.. menta. Não sei explicar. Só sei explicar que a capa não tem nada a ver com o título, e que uma das crianças na capa, era Coco Hayley, filha de Thurston e Kim. Download.

Editors - An End Has A Start


O Editors vêm do Inglaterra, da midland Birmingham e praticam o melhor do Pós-Punk. O "melhor do Pós-Punk" pois foram capazes de pegar o melhor de cada parte de suas influências, que passam pelos conterrâneos do Echo & The Bunnymen e Joy Division, e que não podia ser diferente, e um pouco do movimento do outro lado do Pacífico, seja o antigo do R.E.M. início de carreira, ou do revival nova iorquino dos Strokes e The Walkmen.
O quarteto surgiu em 2002 quando estudavam Tecnologia da Música na Universidade e já tiveram outros nomes antes de chegar no atual, como: Pilot, The Pride e Snowfield. Ainda com os outros nomes tiveram um certo reconhecimento dentro da mídia inglesa e em 2004 mudaram de vez para Editors, um ano de lançar o aclamado The Back Room, primeiro disco do grupo.
An End Has A Start veio em 2007 e foi um grande destaque do ano. Lembro que eu via em todo lugar na Irlanda e em milhares de blogs. o primeiro contato que eu tive foi na viagem de volta para o Brasil, onde escutei o cd inteiro no avião e realmente achei sem sal. Que bom que eu tive uma segunda chance.
Eles conseguiram chegar em um outro nível, aplicando mais camadas e mais atmosfera na música, com riffs realmente viciantes e sintetizadores grudentos, fazendo um meio termo entre melancolia e melodia, conseguiram resumir em um disco reflexivo e noturno. A voz de Tom Smith lembra muito a de Ian Curtis e com certeza, deixaria ele orgulhoso.
Um álbum que dividiu opiniões, encontram-se reviews chineleando e outros, assim como o meu, exaltando a produção mais caprichada e o avanço musical do grupo. Cada um acha o que quer, como deveria ser em todos os casos. Download.

F ranz Ferdinand - Tonight


Em 2004 surgiu o Franz Ferdinand para o mundo, com seu disco auto-intitulado. Como a maioria das bandas “cool” dos anos 2000 (Strokes, Hives, Artic Monkeys, White Stripes), os escoceses de Glasgow também acabaram entrando no “seleto” grupo de salvadores do Rock, que era revezado de meio em meio ano. Porém a proposta do Franz era um pouco diferente, surgiam ao lado do Bloc Party e Kaiser Chiefs (que também já foram salvadores), e o revival pós-punk “alegre”, e faziam música dançante, ou vai dizer que tu não ficava batendo o pézinho ao ritmo de "Take Me Out"?
Se os dois primeiros discos deles foram um rock dançante, chicletão e cheio de lalala, agora investiram de vez no rock para pista de dança, sem mudar radicalmente. Tonight: Franz Ferdinand é o terceiro disco do grupo e vem após um intervalo de 4 anos desde o segundo álbum You Could Have It So Much Better e entra na mesma, e nova, categoria de “dilema do terceiro disco”.
Bloc Party e The Killers tentaram se reinventar e acabaram com um grande tiro no pé, e o Kaiser Chiefs tentando exatamente a mesma fórmula dos discos anteriores, acabou passando batido. A grande malandragem do Franz foi inovar sem forçar a barra. O resultado é um disco que não fez feio, mas “poderiamos ter algo muito melhor”.
O lance é o seguinte; deixar de lado as guitarras e empunhar sintetizadores e fazer a galera se jogar na pista. Na teoria funciona muito bem, afinal Tonight… nos é apresentado como um disco conceitual sobre uma puta noitada, com caminhadas noturnas (do’oh), baladas alternativas, putaria e bebedeiras. Esse é o espírito na suja e maravilhosa capital escocesa, mas o disco se mostra meio perdido nessa direção.
Não que o primeiro single seja ruim, "Ulysses" é uma baita música, mas ao contrário dos singles inaugurais dos anteriores, não empolga logo de cara, e chega ser “prog” até chegar no seu auge groove funk quando Kapranos chama “I found a new way, baby” e a cozinha pega fogo e todos cantam lalala alegremente. Não é ruim, mas não tem a mesma intensidade que esperavamos.
O disco tem mais altos do que baixos, e a dobradinha "No You Girls" e "Send Him Away" com seu espírito oitentista dançante. Flertando com o pós punk de raíz, do Gang Of Four e Devo, com um Synth-Pop cafona fazem "Twilight Omen" uma das músicas mais estranhas do disco, e uma das mais interessantes. As influências também passam pelo funk carioca em “Can’t Stop Feeling”, mas nada que possa soar mal. "Live Alone" é a personificação da Disco Music e "Lucid Dreams" é um eletro experimental, destaque do disco.
Há maus momentos, onde o grupo quase deixa a peteca cair, principalmente no final do disco, a balada “Katherine Kiss Me”, que faz parte do conjunto da obra e a viajante “Dream Again”, mas também, lá pro final do álbum. Em suma, boas músicas e um grande desafio que se mostra melhor a cada audição, nada que mudará a música, mas que dá boa credibilidade ao quarteto. Download.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Certain Time - Turn On Your Lights


Completando dois anos de existência neste mês de Janeiro que se passou, os paranaenses da Certain Time finalmente conseguem dar um grande passo na carreira: Lançam o primeiro EP!
Após divulgarem o trabalho próprio por um longo tempo apenas com a música "Nossa Força", numa versão quase demo, o EP vem bem diversificado e profissional.
Algumas músicas são gritadas em inglês, outras em português. A execução está bem mais concisa, basta escutar a atual versão de "Nossa Força", além de que a produção deu uma grande ênfase a todos os instrumentistas, bem como uma tonalidade atraente à sonoridade em geral. A obra também transita por caminhos extremos, tendo como introdução uma faixa somente de piano, a qual dá seqüência à "Your Inheritance", longa, trabalhada e bem pesada. "Sofra em Silêncio" é dotada de um poderoso breakdown! As palavras gritadas em português simplesmente ficam na mente. "Suffocation" aparece na metade do registro, num clima bem inimaginável. Ela é limpa, linda, relax e quase unicamente instrumental, mas tem algumas linhas vocais dignas um espaço em alguma rádio. Não que seja comercial, mas seria bonito se ganhasse uma boa divulgação.
De fato, muita gente vai torcer o nariz! Outros gostarão. Um fato bem ambíguo... Mais algo que não pode deixar de ser dito: As guitarras em "Nossa Força", começando ao 1:02 minutos e indo até 1:21, são memoráveis demais!
Num país onde grande parte das bandas deste estilo só surgiram por uma "moda rebelde" ("sou deathcore, vou pegar muitas minas"), é extremamente legal ver uma banda fazendo algo sincero e por gosto. Ouça os refrãos, os solos, várias das passagens com as guitarras em destaque e entenda! A parada aqui é de verdade. Download.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Trap Them - Seizures In Barren Praise


"Banda iniciante, mas que pode render ótimos frutos se continuar desempenhando seu trabalho. Se poder fazer isso mais rápido, melhor, pois, caso contrário, o mercado engole e já era." - Isso foi dito em janeiro do ano passado, pouco depois de lançarem Séance Prime.
Os frutos começam a aparecer! Esse álbum aqui foi lançado no final do ano passado, ou seja, o intervalo do EP para o CD foi curto, todavia o material é ótimo!
Pois bem, manteram a mesma fórmula, mas com alguns upgrades. Suspeito que muito do que está aqui é pura influência do produtor Kurt Ballou (Converge). Há traços mais presentes da caoticagem, do mathcore, da insanidade e das anomalias musicais. O mais surpreendente de tudo é que esses traços estão bem escondidos no meio do crustcore e do grind - o que já era tradicional. Uma surpresa: A última faixa possui um clima totalmente sludge, denso e carregado ao limite. Não, não é do atmosférico, é do tradicional mesmo, só que com uns toques de hospício! Impressionante como conseguem tais feitos.
Os rapazes mantêm, também, a mesma linha de progressão e conceito: Músicas com nomes em meio a dias, contados de uma maneira desorientada, algo realmente confuso. E mesmo que você mude a ordem das faixas, tentando estabelecer uma relação cronológica, a tentativa acaba por ir direto pro ralo, visto que "pulam" alguns dias e misturam vários distantes num mesmo som ("Day Twenty Three: Invertopia/ Day Thirty, Class Warmth").
Um trabalho diferenciado, cuja atenção do ouvinte deve ser dobrada ou triplicada na hora de conferir. Depois desse, acredito que o Trap Them vai começar a ganhar mais atenção, isso porque agradará ao fâs de crust, math, hardcore moderno e tudo mais! Quer dizer, não é algo que muitas bandas conseguem, mas eles têm a fórmula exata! Download.

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

PsyOpus - Odd Senses


Resenhar e escutar trabalhos de avant-garde sempre é um desafio! Como consta na explicação do termo: "... esse maior fluxo de liberdade e criatividade faz com que o resultado apresente rendimentos abstratos sob forma de regime estranho e estruturas anormais." Portanto, há albuns do gênero que nunca foram compreendidos. Outros demoraram anos. Alguns outros apenas meses. Quanto a Odd Senses, no momento, é um mistério. Percebemos, de longe, que se trata de algo excepcional! Mas há como termos certeza de que realmente captamos tudo?
Desde Ideas of Reference, de 2004, o PsyOpus nos apresenta um trabalho bem inortodoxo e anômalo. Em suma, algo super experimental. Our Puzzling Encounters Considered, de 2007, é um álbum totalmente original. Mesmo com traços comuns dentro do "mathcore", apresenta
vários toques únicos. Os principais - como a maioria dos fâs já devem saber - devem-se às linhas de guitarra de Chris "Arpmandude" Arp.
Com esse novo registro, voltam mais pesados. Foram adicionados diversos outros elementos, bem como um vocalista mais extremo (o cara manda até uns guturais, coisa que antes se ouvia pouco). O trabalho da guitarra é o mais complexo já escutado! Power-chords são pouco utilizados. Tudo gira em torno das maluquices de Arp. Suas técnicas de tapping, arpejos, hammer-ons, pull-ofs, tudo muito veloz e etc (fora outras técnicas mais incomuns), são o que guiam as músicas. Outros diferencias estão presentes nas faixas "Boogeyman" (com samples vocais de diversas pessoas, como se fosse uma história contada de diversos pontos de vista), "Imogen's Puzzle Pt. 3" (dica: escute ela em seu player ao mesmo tempo que escuta a parte 1 em outro player), "A Murder To Child" (9 minutos de um jazz chapante, com muitos toques orquestrais e muitos efeitos psicodélicos de estúdio). Para finalizar quebrando tudo, há uma bônus track de 20 minutos! Entre as diversas coisas ditas nela, há uma frase do tipo "Você sabe, Chris... Essas letras são idiotas!".
Já disse e repito: Um álbum a frente do nosso tempo! Sei que demorará até entendermos realmente qual é o seu objetivo. O jeito é ir escutando. Mas uma coisa que afirmo: Vai ficando melhor e mais revelador a cada audição! Download.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Throne Of Katarsis - Helvete: Det Iskalde Mørket


Evoluir, modificar-se ou expandir-se. São "opções" que a natureza impõe a nós, à música, aos demais seres vivos e a diversas outras coisas com o passar do tempo.
Throne of Katarsis é um grupo de black metal, porém não se restringe ao BM genérico que andamos conferindo na maioria dos lançamentos, de um tempo para cá. Dentre as "opções" ali citadas, acabaram por mergulhar de cabeça nas três. Modificam e expandem o estilo, a ponto de evoluí-lo, sem dúvida alguma. Com músicas que chegam aos 17 minutos, acrescentam um clima fúnebre e atmosférico (funeral black metal? pode ser...) à pancadaria e sujeira tradicional do estilo. Falando da estrutura musical, a guitarra executa, na maior parte do tempo, algo veloz, caótico e super denso, com notas quase imperceptíveis, de tanta sujeira. O vocal é urrado, agoniante, como se o vocalista estivesse prestes a morrer. Quanto ao baixo e à bateria, parecem distantes. Isso na gravação, eu digo. Paira um clima realmente macabro e perturbador no ar, como se estivessem tocando em um bunker, castelo ou igreja. Em meio a tudo isso, há espaço para orações e invocações típicos de uma missa negra. Um e outro traço de folk e 'metal épico' também dão as caras, mas sem perder o clima melancólico em momento algum.
Como diriam os gringos, esses caras aqui sãos os "trvest of the trve"! Música realmente extrema, feita para pessoas extremas, sem meio termo. Aprecie ou regurgite! Download.

Sábado, Fevereiro 14, 2009

Bluetech - Phoenix Rising


Conheço o som do Bluetech há certo tempo. Lembro-me de estar iniciando a exploração do mundo ambient/downtempo (com batidas), recheado ainda por outras influências, como o dub, entre outros.
Aí o encontrei, com os álbuns Elementary Particles e Prima Materia. Os dois são bons exemplos de música relaxante, 100% eletrônica, mas incrivelmente com um bom feeling - o que é uma raridade em se tratando de som puramente mecânico, não?
Hoje, em 2009, após certo tempo lançando álbuns sob outros pseudônimos, Evan volta a utilizar o nome Bluetech, e Phoenix Rising é, possivelmente, seu melhor álbum de todos os tempos!
Fez aqui algo que não senti em seus registros anteriores: Prende o ouvinte do início ao fim, em todas as faixas (as quais estão com inteligentes níveis de progressão).
A variedade de samples e instrumentos é outro fator digno de nota: As linhas de bateria continuam bem programadas, as atmosferas em ótima quantidade, há também bastante teclado e piano, alguns vocais femininos, camuflados e tranqüilizantes, bem como os efeitos de echo, reverb, filtros e tudo mais.
Tudo isso é juntado com maestria! O resultado da fusão varia de faixa para faixa. "What The Night Reveals", como supõe o nome, tem uma clima noturno, cosmopolita, assim como "A Delicate Mistery". Resido em um local privilegiado, de onde tenho vista para uma grande cidade, a quilômetros de distância, da qual só vejo as luzes, juntamente com uma região interiorana e pouco habitada. Eu fico sentado aqui na minha janela, de madrugada, só contemplando essas paisagens, agraciado pelo vento que sopra nesse morro. Esse álbum vem sendo a minha trilha sonora para esses momentos de reflexão e relaxamento.
Outro fato interessante ao redor do álbum são as questões místicas. Entre elas, a quantidade de cópias lançadas: 777. Outro fato humilde - porém valioso - é que Evan compartilhou o álbum na internet. Apesar da qualidade lançada por ele ter sido de 128 kbps, o que vale é a intenção.
Para terminar, "Invocation (The Fire Within)" é dotada de um clima instigante, deveras surreal e até "new age".
Outra coisa que me deixa a pensar: Segundo os ouvintes do Last.FM, o som é também "psychill". Como há diversos elementos psicodélicos, todavia suaves e relaxantes, acredito que seja uma boa definição! Mas nada substitui a audição, é claro.
A quem aprecia um bom ambient, mas acaba pegando no sono pela ausência de batidas, Bluetech deve relaxar e manter acordado, já que possui certa intensidade, sem perder a tranqüilidade. Minha trilha sonora para apreciar a noite (inclusive a de hoje, que logo mais chegará)... Download.

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Charles Bronson - Youth Attack!


Um álbum de profunda ligação entre título e musicalidade! Violenta e intensa como a performance do falecido Charles Bronson; enérgica, cheia de revolta e com a força da juventude! Assim é a musicalidade desse grupo surgido em 1994!
Power violence, grindcore, punk, crossover e thrashcore são rótulos que tentam explicar a mistura energética e atraente executada pelo grupo até meados de 1997. Tudo muito em vão, já que tocam isso e mais algo. Justamente por isso são ícones, assim como o power-trio Spazz (marcantes pelo ataque vocal em dose tripla), pois alcançaram um enorme nível de originalidade, mesmo tocando algo relativamente simples. A caracterísitca mais memorável deles, por outro lado, não é a enorme fusão de estilos velozes e furiosos, mas sim o timbre e a performance do vocalista Mark McCoy. Parece-se com um moleque de 13 anos, em plena puberdade, brabo com alguma coisa, gritando e desafinando como um bebê insano! Não só a execução é veloz, mas também a duração das canções. Das 20, apenas uma chega a 1 minuto.
Youth Attack! foi o último álbum deles. Por alguma razão, é também o mais cultuado e conhecido. O fim do grupo nunca foi algo muito bem explicado, mas também não vem ao caso, já que deixaram um bom legado, sem esquecer o fato de que Mark fez parte de diversas outras bandas, posteriormente.
Uma curiosidade: O Spazz tem uma música chamada "Hardcore before Mark McCoy was emo semen". Quanto aos diversos samples presentes no álbum, a maioria deles foi extraída de filmes do Charles Bronson.
Rápido e ríspido, empolgante e energético, cru e sujo, veloz e furioso. Isso é Charles Bronson! Download.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Cannibal Corpse - The Bleeding


O Cannibal Corpse pode se orgulhar de ser uma das únicas bandas a conseguir um enorme reconhecimento em uma época na qual o death metal apresentava seus primeiros registros!
The Bleeding foi lançado após o clássico Tomb Of The Mutilated. Numa análise geral, gosto mais dele do que da maioria dos álbuns, pois realmente não há um som meia-boca. "Fucked With A Knife" atinge uma atmosfera insana e empolgante! Enquanto cada guitarrista executa algo técnico e distinto do outro, Alex Webster mete uns tapões nas cordas graves de seu contra-baixo e Chris Barnes manda aquele vocal rasgado tão poucas vezes escutado em outra banda parecida. Lembro-me direitinho de quando tinha uns 13 anos e ainda não era fâ de som mais pesado, que ouvi essa faixa e realmente não me atraíu. Mas o tempo passa, as coisas mudam e hoje ela é indispensável nas audições de Cannibal. "Striped, Raped and Strangled" é outra faixa memorável e digna de nota! Seus versos de guitarra são relativamente simples, mas super memoráveis! O vocal fica abafado com um efeito de estúdio, e há versões em que a bela Tori Amos empresta um tostão da sua voz - algo que resulta em uma surpresa, já que não se costuma ouvir mulheres sussurando com vozes sexy em metal podreira! Em contrapartida, segundo leitores aqui do blog, essa versão é uma sacanagem iniciada via internet! Agora faz sentido, não? :D
Não é à toa que esse álbum atingiu essa sonoridade especial. Foi o primeiro com o guitarrista Rob Barrett (ex-Malevolent Creation), além de contar com Jack Owen (que gravou outras pérolas, mas hoje encontra-se no Deicide) e um Alex Webster inspirado, com direito a passagens únicas do contra-baixo, nas quais toca com seu clássico estilo "três dedos" e sem palheta. Enfim, quem já assistiu a algum material ao-vivo sabe do que falo. E por qual motivo será que foi ele quem gravou o baixo no último petardo do Hate Eternal? ;)
Após esse álbum, Barnes saiu da banda e formou o Six Feet Under, dando lugar a George "Corpsegrinder" Fisher, ex-Monstrosity (atualmente também grita no Paths Of Possession).
Atualmente, o Cannibal Corpse possui mais de 15 álbuns e 20 anos de carreira! Há poucos dias atrás, lançaram Evisceration Plague. Não resta dúvida de que o registro aparecerá aqui. Aguardem! Por enquanto, apreciem essa porrada datada de 1994. Download.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Rumpelstiltskin Grinder - Living For Death, Destroying The Rest


O nome dessa banda levou-me de volta à infância. Lembrei de um livro que li, no qual um dos personagens principais se chamava "Rumpelstiltskin". Era um doende, desses bem clichê... Enfim, a idéia do nome fica clara ao escutar o som: Tocam velozmente, de um modo bem sujo, agressivo e tudo mais, mas com alguns traços melódicos, similares a essas diversas bandas as quais sempre abordam temas como os "Rumpelstiltskins" da vida. Sim, estou falando de metal melódico.
Living For Death, Destroying the Rest é o segundo full-lenght desses americanos da Pennsylvania, cuja carreira iniciou-se em 2002. É uma banda que atrai a atenção de qualquer um, principalmente quando se põe o CD a tocar. Os rapazes detonam um som difícil de definir, devido à variedade de estilos presentes. Mas falando resumidamente, seria um crossover do cão! E cheio de humor negro, ainda por cima. Ah, e claro, com influências de metal melódico. O que deixa tudo mais louco que um prato de lasanha com abacate, se é que me entendem. Mas apesar de ser uma mistura difícil de imaginar, as músicas são altamente empolgantes, cativantes e memoráveis! O disco merece atenção especial em faixas como "Brainwasher C. 1655" (onde detonam uma rifferama viciante, magníficos solos em dupla e um excelente ataque vocal), "Beware The Thrash Brigade" (digna de transformar-se em um clássico do estilo! Escute e entenda). Não desmerecendo nenhuma faixa, obviamente, pois todas são boas, em maior ou menos escala.
Além de demonstrarem uma grande habilidade e conhecimento da causa em juntar vários estilos de metal com hardcore/punk, os Rumpelstiltskin Grinder marcam pela severa dose de humor, tanto liricamente como sonoramente! Pode não ser uma banda que agradará a todos, mas possuem uma ótima característica para chegar lá: Originalidade. E isso deve ser valorizado! Vá atrás que vale a pena. Downloads: Parte 1. Parte 2.

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

General Surgery - Corpus In Extremis: Analysing Necrocriticism


Barulheira pura para alguns, música indispensável para a vida de outros. Goregrind, ou seja, grindcore com letras sangrentas, enfim.
Com aproximadamente 20 anos de carreira, esse é só o segundo CD dos suecos sanguinários do General Surgery.
Como no registro anterior, Left Hand Pathology, executam um som derivado de Carcass e Impaled. Sim, é genérico, mas é bom, pois pegam o que já foi feito de melhor dentro do estilo.
Há uma leve diferenciada em algumas faixas, vendo que incluíram alguns solos de guitarra bem trabalhadinhos. Uma ou outra passagem mais cadenciada e mórbida também
aparece, mas o brilho do álbum está na fórmula tradicional: Blast-beat, dois vocais ao mesmo tempo, guitarras e baixo super-velozes, tudo isso em sons que não chegam aos dois minutos!
Criam picos de adrenalina em músicas como "Decedent Scarification Aesthetics" e "Ichor", devido à tamanha energia que emana da fusão de todos os instrumentos tocando o mais rápido que conseguem! Todavia, numa análise geral, o álbum deixa um pouco a desejar. Algumas horas tudo parece nada mais que encheção de lingüiça, matação de tempo, ou seja lá qual a expressão mais adequada à situação. Desse jeito, honestamente, seria melhor terem lançado mais um split ou EP só com as melhores faixas.
Corpus In Extremis - Analysing Necrocriticism é um bom álbum, mas todos esperavam algo um pouco melhor, devido à experiência e demais fatores acerca da banda. Download.

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Dreamshade - To The Edge Of Reality


Isso é que é um exemplo de crescimento rápido! Com apenas dois anos de banda, os suíços vêm detonando um death melódico bem na linha dos conterrâneos nórdicos, só que com uma sonoridade e composições totalmente profissionais!
Se você gosta de Children of Bodom e Imperanon, tem que conferir esses aqui o quanto antes.
As composições seguem aquela linha: Longa duração (geralmente de 5 a 6 minutos), muito trabalho de guitarra em dupla, solos, passagens sinfônicas no teclado, vocal rasgado e ocasionalmente bem gutural, etc. O melhor de tudo é que as linhas melódicas das guitarras não são extremamente melódicas, e os moleques ainda emendam vários power chords, fazendo um bom revezamento entre peso e harmonia. Pecam quando tentam impor o teclado (bem infantil, por sinal! Parece aquelas batalhas de desenho japonês), mas ganham pontos com o som da bateria! Simplesmente esmagador! Os dois bumbos são sempre notáveis, sem contar quando o baterista soca o braço no china - é pra deixar atordoado, de tanta paulada.
De uma maneira levemente progressiva, conseguem explorar bem as coisas que criam com a experiência que possuem. A tendência é só melhorar, visto que andaram tocando no Metalcamp (grande festival da Eslovênia). Vamos esperar por mais! Quem sabe não estamos diante de um nome promissor? Download.

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Buckcherry - Buckcherry


Logo no primeiro refrão você já sente aquela vibração animadora do rock, depois percebe que o Buckcherry era uma banda totalmente junkie!
Como esse é o primeiro disco, presume-se que eles já tinham o perfil de rockstar antes da grande fama. Enfim, no 15 temos "Crazy Bitch", um puta hino, mas hoje é só sobre o Buckcherry.
"Lit Up" é o nome desse som citado antes, com esse refrão junky e viciante! O solo, então, adrenalina pura! Fico fascinado com bandas que conseguem me deixar assim, pois não são muitas. Buckcherry me anima, as guitarras tem uma sujeira agradável, o baixo é presente, o batera tem feeling enquanto Josh Todd é um grande vocalista - de performance memorável, auditivamente como visualmente! "Crushed" tem uma letra muito sincera: "Now the music fans are restless, as they watch the stage show live; Oh, the countdown brings you closer, underneath the stars; And when we come they want it louder, love my fucking job; Oh yeah!" Ela expressa com seus acordes, refrãos e tudo mais, toda a felicidade que os músicos sentiram na situação que inspirou esse som! É incrível sentir-se bem como eles cantam! Mas um verso bem veloz, um refrão com várias vozes, e tudo sincronizado de uma maneira energética, "Dead Again" é o som! "Check Your Head" começa como uma tentadora balada, mas depois vira uma 'tristeza animada', haha! A guitarra grita, esmirilha o alto-falante na intro estridente de "Dirty Mind", pois o solo esse é destruidor! Após ele, o ataque vocal de um Josh Todd chapado é fulminante! Ele consegue expressar claramente as ordens que grita em "if I told you once, I'll tell you again!". Related é assim, ó: "YEAAHHH! *Solo de guitarra fodido* (verso acabando com um puta slide) e... "And I'm, well I'm still related ...", um refrão tão cativante! Tanto que já escutei essa faixa umas 10 vezes no mesmo dia!
Pode não ser um clássico do rock para a imprensa, nem para a maioria das pessoas ao redor do mundo. Mas em tão pouco tempo, tornou-se para mim um clássico do rock e um dos poucos álbuns que ainda escuto no estilo! Difícil imaginar o que eu estaria cantando aqui no meu quarto para me animar, se não o som deles... Download.

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Thrice - The Alchemy Index Vols. I & II - Fire & Water


O Thrice, no início da carreira, era a típica bandinha de adolescente 12/13 anos que acha que curte hardcore. Pronto, falei. Quem duvida, apenas deve escutar o The Artist In The Ambulance (ou algum nome assim... Sinceramente, não faço questão de saber ao certo).
The Alchemy Index Vols. I & II - Fire & Water, felizmente, é um trabalho muito além disso tudo. Possui uma atmosfera totalmente diferente, talvez por ser conceitual, mas, independente, soa muito maduro e criativo. É por isso que este é o único álbum deles que escuto.
Esse disco já foi pedido aqui... Dezenas de vezes, falando francamente. Enfim, merece muita atenção antes de ser resenhado, e esse é o motivo da demora.
A primeira parte fala sobre o fogo. É relativamente suja e pesada, mas nem por isso oculta as melodias. Há todo um esquema experimental além das músicas, o qual está focado na produção, com efeitos pouco comuns no vocal, certos feedbacks e demais efeitos nas guitarras, entre outros, como filtros e equalizadores. A estrutura musical em si também foge do padrão genérico da maioria das bandas que se ouve por aí, e principalmente do de início da carreira deles. Vamos começar falando de "The Messenger": Possui efeitos eletrônicos na bateria, vocais bem agressivos e uma guitarra limpa, cujo som flutua. A parte do fogo, como dá para supor, é dotada de certo peso. Continuamos a perceber isso em "The Flame Deluge", suja e arrastada. A partir daí (depois dessa), começa a água. Aqui tudo é bem mais relax (sim, porque no fogo temos muitas partes melódicas, mas não como aqui)! Batidas mais camufladas, pouca distorção, entre outros. "Night Diving" é a melhor música dessa parte e também do CD! Possui uma forte influência de atmospheric sludge com ambient, tanto que no Last.FM a galera diz que esse som é totalmente influenciado pelo Isis. Não há como discordar. Em suma, é um som como diz o nome: Para escutar de noite e mergulhar nas agradáveis melodias, só curtindo a temperatura amena que a noite nos proporciona. "Open Water" tem um clima de chill-out, ambient eletrônico, por aí. É suave, agradável e adequada para relaxar. Como quase todas da parte da água, de fato. O álbum é encerrado com "Kings Upon The Main", dotada de um clima que me lembrou Pink Floyd. Acredito que seja por causa dos vocais, mas é difícil afirmar. Talvez lembre pelo experimentalismo, também.
Mais do que uma mudança expressiva na carreira do conjunto, esse foi o melhor álbum deles! Ano passado lançaram os volumes III e IV, mas o disco ficou bem sem graça. Ao menos é o que me recordo, pois quase todas as músicas são (quase só) no violão e etc... Mas preciso ouvir com mais atenção, de fato. Não xingue! Seja civilizado. E baixe esse trabalho aqui, caso não conheça. Eu recomendo, assim como me recomendaram. Download.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Kiss - Alive III


Kiss sempre foi uma das bandas mais energéticas da história! Seus shows eram mais que shows... Na real, eram espetáculos!
Há quem diga que eles nem são músicos, como Carlos Santana, que causou polêmica ao declarar que "Gene Simmons é só um animador de palco"; há também quem diga que eles são músicos, atores, dançarinos e tudo mais. Por fim, considero-os grandes e inteligentes artistas.
Alive III é de 1993. Como supõe, é o terceiro álbum ao-vivo do grupo. Não é um ao-vivo na íntegra, para ser sincero. As músicas foram gravadas em diversos shows da turnê Revenge. Chegou a Disco de Ouro! A maioria das músicas aqui são clássicos absolutos, de várias épocas da banda. Temos lá dos primórdios, como "Deuce" e "Watchin' You", passando pela época do Creatures of the Night, sem esquecer a indispensável "Rock and Roll All Nite", entre outras. Como também não poderia faltar, há as baladinhas que levavam as mulheres à loucura - provavelmente elas também são a razão do Gene alegar já ter comido milhares-, tais como "Forever" e "I Was Made For Lovin' You".
Enfim, não precisa ser grande conhecedor da banda para constatar que esse é um puta álbum! Mais: Além das músicas, há toda uma atmosfera por parte do público, o qual esteve presente do início ao fim, sempre gritando muito.
Essencial para fâs de rock! Riffs marcantes, refrãos grudentos, solos animadores e tudo mais. Isso é KISS! E ao-vivo, ainda por cima - pura energia! Download.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Ignite - Our Darkest Days


Hardcore é um tipo de som relativamente simples de ser feito, mas suas ramificações são complexas. Um grande exemplo é a diferença mais que notável das bandas da Califórnia e de NY. Dessas regiões saíram grupos que estabeleceram os termos, e hoje tem banda da Califórnia fazendo um som na linha NY e vice-versa. Esse papo que todos já ouviram é só para apresentar o Ignite, da Califórnia, cujo som é totalmente na linha de lá (dããã).
Guitarras sujas e não muito pesadas, coros agressivos e gritando expressões em ritmo de ordem, bateria pegadinha e vocal limpo. Limpo demais, até! E isso acaba por ser um diferencial da banda. Semana passada, conversei com um amigo sobre uns sons, e quando surgiu o assunto Ignite, ele disse: "Olha, CD deles eu nunca ouvi. Mas curti muito a parte deles no tributo ao Sick Of It All! Apesar do vocal ser meio metal melódico, ficou foda!". E é a mesma impressão que tenho! O vocal é tão limpo, mas tão limpo, que acaba por trazer lembranças daquelas bandas de metal melódico, as quais, como a maioria de vocês já deve saber, não agradam muito aqui. Diversas bandas boas de hardcore tem vocais limpos, como o Pennywise, por exemplo. Fato é que acaba por ser bem chato de escutar mais que 3 músicas do Ignite, já que minha preferência é vocal agressivo na linha Terror. Como todos podem ver, há um ônus e um bônus em possuir um grande diferencial. Ao menos é marcante, tenho que reconhecer...
Postando mais para atender a um pedido feito no ano passado. Sinsta-se à vontade para baixar e conferir, bem como para fazer algum pedido. Dentro do que for possível, estaremos atendendo. Download.

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Fukt MP3 Storage recomenda: HORNSUP #5

Entrevistas: In This Moment, Head, Trap Them, Fim do Silêncio, Born From Pain, Switchtense, Ponto Nulo no Céu, Satisfire, Ekoa.

Resenhas de CDs: 44.

Resenhas de shows: Underoath, Face To Face, Comeback Kid, Confronto, Fim do Silêncio.

Sorteio de CDs: Seita, Ekoa, Error, Hargos, On Thursday We Leave.

Download em: www.hornsup.net OU aqui!