segunda-feira, fevereiro 23, 2009

F ranz Ferdinand - Tonight


Em 2004 surgiu o Franz Ferdinand para o mundo, com seu disco auto-intitulado. Como a maioria das bandas “cool” dos anos 2000 (Strokes, Hives, Artic Monkeys, White Stripes), os escoceses de Glasgow também acabaram entrando no “seleto” grupo de salvadores do Rock, que era revezado de meio em meio ano. Porém a proposta do Franz era um pouco diferente, surgiam ao lado do Bloc Party e Kaiser Chiefs (que também já foram salvadores), e o revival pós-punk “alegre”, e faziam música dançante, ou vai dizer que tu não ficava batendo o pézinho ao ritmo de "Take Me Out"?
Se os dois primeiros discos deles foram um rock dançante, chicletão e cheio de lalala, agora investiram de vez no rock para pista de dança, sem mudar radicalmente. Tonight: Franz Ferdinand é o terceiro disco do grupo e vem após um intervalo de 4 anos desde o segundo álbum You Could Have It So Much Better e entra na mesma, e nova, categoria de “dilema do terceiro disco”.
Bloc Party e The Killers tentaram se reinventar e acabaram com um grande tiro no pé, e o Kaiser Chiefs tentando exatamente a mesma fórmula dos discos anteriores, acabou passando batido. A grande malandragem do Franz foi inovar sem forçar a barra. O resultado é um disco que não fez feio, mas “poderiamos ter algo muito melhor”.
O lance é o seguinte; deixar de lado as guitarras e empunhar sintetizadores e fazer a galera se jogar na pista. Na teoria funciona muito bem, afinal Tonight… nos é apresentado como um disco conceitual sobre uma puta noitada, com caminhadas noturnas (do’oh), baladas alternativas, putaria e bebedeiras. Esse é o espírito na suja e maravilhosa capital escocesa, mas o disco se mostra meio perdido nessa direção.
Não que o primeiro single seja ruim, "Ulysses" é uma baita música, mas ao contrário dos singles inaugurais dos anteriores, não empolga logo de cara, e chega ser “prog” até chegar no seu auge groove funk quando Kapranos chama “I found a new way, baby” e a cozinha pega fogo e todos cantam lalala alegremente. Não é ruim, mas não tem a mesma intensidade que esperavamos.
O disco tem mais altos do que baixos, e a dobradinha "No You Girls" e "Send Him Away" com seu espírito oitentista dançante. Flertando com o pós punk de raíz, do Gang Of Four e Devo, com um Synth-Pop cafona fazem "Twilight Omen" uma das músicas mais estranhas do disco, e uma das mais interessantes. As influências também passam pelo funk carioca em “Can’t Stop Feeling”, mas nada que possa soar mal. "Live Alone" é a personificação da Disco Music e "Lucid Dreams" é um eletro experimental, destaque do disco.
Há maus momentos, onde o grupo quase deixa a peteca cair, principalmente no final do disco, a balada “Katherine Kiss Me”, que faz parte do conjunto da obra e a viajante “Dream Again”, mas também, lá pro final do álbum. Em suma, boas músicas e um grande desafio que se mostra melhor a cada audição, nada que mudará a música, mas que dá boa credibilidade ao quarteto. Download.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Kiss - Alive III


Kiss sempre foi uma das bandas mais energéticas da história! Seus shows eram mais que shows... Na real, eram espetáculos!
Há quem diga que eles nem são músicos, como Carlos Santana, que causou polêmica ao declarar que "Gene Simmons é só um animador de palco"; há também quem diga que eles são músicos, atores, dançarinos e tudo mais. Por fim, considero-os grandes e inteligentes artistas.
Alive III é de 1993. Como supõe, é o terceiro álbum ao-vivo do grupo. Não é um ao-vivo na íntegra, para ser sincero. As músicas foram gravadas em diversos shows da turnê Revenge. Chegou a Disco de Ouro! A maioria das músicas aqui são clássicos absolutos, de várias épocas da banda. Temos lá dos primórdios, como "Deuce" e "Watchin' You", passando pela época do Creatures of the Night, sem esquecer a indispensável "Rock and Roll All Nite", entre outras. Como também não poderia faltar, há as baladinhas que levavam as mulheres à loucura - provavelmente elas também são a razão do Gene alegar já ter comido milhares-, tais como "Forever" e "I Was Made For Lovin' You".
Enfim, não precisa ser grande conhecedor da banda para constatar que esse é um puta álbum! Mais: Além das músicas, há toda uma atmosfera por parte do público, o qual esteve presente do início ao fim, sempre gritando muito.
Essencial para fâs de rock! Riffs marcantes, refrãos grudentos, solos animadores e tudo mais. Isso é KISS! E ao-vivo, ainda por cima - pura energia! Download.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Ignite - Our Darkest Days


Hardcore é um tipo de som relativamente simples de ser feito, mas suas ramificações são complexas. Um grande exemplo é a diferença mais que notável das bandas da Califórnia e de NY. Dessas regiões saíram grupos que estabeleceram os termos, e hoje tem banda da Califórnia fazendo um som na linha NY e vice-versa. Esse papo que todos já ouviram é só para apresentar o Ignite, da Califórnia, cujo som é totalmente na linha de lá (dããã).
Guitarras sujas e não muito pesadas, coros agressivos e gritando expressões em ritmo de ordem, bateria pegadinha e vocal limpo. Limpo demais, até! E isso acaba por ser um diferencial da banda. Semana passada, conversei com um amigo sobre uns sons, e quando surgiu o assunto Ignite, ele disse: "Olha, CD deles eu nunca ouvi. Mas curti muito a parte deles no tributo ao Sick Of It All! Apesar do vocal ser meio metal melódico, ficou foda!". E é a mesma impressão que tenho! O vocal é tão limpo, mas tão limpo, que acaba por trazer lembranças daquelas bandas de metal melódico, as quais, como a maioria de vocês já deve saber, não agradam muito aqui. Diversas bandas boas de hardcore tem vocais limpos, como o Pennywise, por exemplo. Fato é que acaba por ser bem chato de escutar mais que 3 músicas do Ignite, já que minha preferência é vocal agressivo na linha Terror. Como todos podem ver, há um ônus e um bônus em possuir um grande diferencial. Ao menos é marcante, tenho que reconhecer...
Postando mais para atender a um pedido feito no ano passado. Sinsta-se à vontade para baixar e conferir, bem como para fazer algum pedido. Dentro do que for possível, estaremos atendendo. Download.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Motörhead - On Parole


Simplesmente o debut dessa banda que já foi chamada de "a pior do mundo", mas hoje é altamente cultuada, influenciadora, importante e blá blá blá dentro do universo do rock!
E quando se diz rock, não é só porque o termo engloba tudo que há de som que surgiu depois dele (como o metal, por exemplo) aumentando sua potência. Se diz rock justamente porque o Motörhead era um grupo de rock! E aqui, em On Parole.
Criado e gravado em 1975, mas só lançado em 1979, nunca chegou ao ouvido de todos os fãs. O sucesso - provavelmente pelo desenvolvimento da originalidade do conjunto - de Ace of Spades e Overkill sempre deixaram a impressão de que o início da banda foi naquela época, mas realmente não podemos ignorar o passado. Por mais que seja um álbum diferente daquilo que costumamos ouvir do Motörhead, não significa que é ruim. É rock and roll, baby, e com uma forte influência e sonoridade de blues. Aquele estradeiro, sabe? Que devia tocar nos bares de beira da estrada entre o Texas e o Mississippi, na época em que as músicas começavam a ganhar mais velocidade e demais elementos.
A primeira, "Motorhead", começa com um barulho de moto, e não tarda para vir a guitarra suja somada do vocal marcante de Lemmy. Por ser dos primórdios, não era aquele vocal rouco, rasgado e sujo. Era algo mais "gurizão" mesmo, com aquele ar juvenil. A letra e o nome da banda, que são originados de uma gíria, significam algo como "um viciado em speed" (a droga). Entre as demais faixas, "City Kids" é bem empolgante e possui um solo totalmente no feeling do rock! "The Watcher" mostra algo que iria se tornar comum: Introduções de contra-baixo. Nesse som, as linhas de guitarra também são marcantes, principalmente pela produção, a qual incrementou um chorus e um reverb bem notáveis. "Leaving Here" é a mais criativa, com quebradinhas de tempo, arranjos imprevisíveis - e em todos os intrumentos, ainda por cima - e um refrão que não sai da cabeça.
Um fato engraçado envolvendo o álbum: Taylor "Philty Animal" regravou todas as linhas de bateria do ex-baterista Lucas Fox, com exceção de "Lost Johnny", pois estava preso por mau comportamento e desordem (bebendo por aí, aposto...) no dia em que a gravação deveria rolar. Como eles eram ninguém e não havia arrego por parte de qualquer pessoa envolvida no esquema, ficou por isso.
On Parole não é um clássico do rock, muito menos um álbum seminal. Mas foi o primeiro do Motörhead, e os demais só existiram por causa dele. Acredito que merece, ao menos, uma audição cuidadosa, por parte de qualquer um que se considere fã de Motörhead e de outras bandas que surgiram com influência deles, como o Metallica, e até das que surgiram por influência do Metallica, e daí a lista vai longe... É aquele lance: Do Homo Herectus até o Homo Sapiens Sapiens rolou muita coisa, e antes do Herectus ainda teve aquele outro, e aquele outro... Viva Motörhead! Download.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

R.E.M. - Monster


Monster foi o nôno disco do R.E.M. e é até hoje um dos discos mais injustiçados. Após a grande explosão dos anos 90 com Out Of Time e Automatic For The People, o quarteto de Athens resolveu parar um pouco com baladinhas acústicas, piano e bandolim para um disco de "Rock", com aspas mesmo, foi assim que o guitarrista Peter Buck o definiu antes do lançamento.
Gravado de maneira mais xucra, com sessões ao vivo mesmo e um espírito mais esporrento, aumentaram o volume e partiram pra diversão, mas diversão foi a útlima coisa que tiveram. De 92 a 94, período que passaram em estúdio, eles resolveram intercalar com turnês que acarretou em diversos problemas de saúde para os integrantes: aneurisma cerebral para Bill Berry, Mike Mills com cirurgia no intestino e Michael Stipe com hérnia (tudo isso já na turnê do disco).
Durante a gravação do disco, receberam a notícia do falecimento de Kurt Cobain e do ator River Phoenix, dois grandes amigos de Stipe e cia. Monster foi dedicado a Phoenix e a tristonha "Let Me In" em homenagem a Cobain (a guitarra Jag-Stang acabou ficando com Buck).
Falando propriamente do disco, podemos dizer que apenas a primeira canção teve algum sucesso; "What's The Frequency, Kenneth?" figurou em algumas paradas e normalmente compões setlist dos shows do grupo. Temos grandes faixas, "Crush With Eyeliner" rock de guitarra tremolo; "King Of Comedy" experimental mas nem tão pé no saco como as eletro inventices futuras; "Star 69" diretaça e sem frescuras; "Bang and Blame" nervosa e empolgante e "I Took Your Name", um dos grandes destaques do disco.
A grande furada são as músicas vagarosas, herança de experiências passadas, retardam o andamento do disco e te deixa confuso. Com exceção de "Strange Currencies" que é uma balada muito bem feita, pecaram na mistura Pop com texturas distorcidas, mas é em geral um grande disco, uma mudança que foi muito lembrada com o lançamento de Accelerate, ano passado. Download.

The Dismemberment Plan - Emergency & I


O que faz de simples disco a um grande clássico? Milhares de vendas? 3 grandes singles que estouram nas rádios, todo mundo sabe cantar e ainda fazem uma gigantesca turnê? 5 em cada 10 casas tem esse álbum? Mudaram o modo das pessoas pensarem sobre música? Influenciaram meio mundo depois de seu lançamento?
Bom, cada álbum tem sua maneira característica de ser considerado clássico - ou não - e isso depende de várias variáveis (essa foi foda). Independente do que digam, Emergency & I é um clássico, jovens.
Formado em um dos melhores celeiros musicais dos EUA, o D-Plan surgiu em Washington DC., terra natal de Bad Brains, Fugazi e Jawbox. Pegando influência desses três aí, o Plan é um bixo um pouco diferente, e um pouco mais complicado.
O grande mérito do grupo é fazer música experimental, com várias quebradas de ritmo, sessões esporrentas e agitadas, eufórico e nervoso, a ainda assim, conseguindo ter uma acessibilidade pop absurda, deixando se abater pela melancolia momentaneamente. Um verdadeiro disco de rock moderno, super bem acabado e altamente inflamável, chama a anteção por dinâmicas ritmicas cabulosas e uma versatilidade de fugir de rótulos.
Lançado em 99 pela saudosa DeSoto, Emergency & I alcançou proporções gigantes dentro do cenário underground americano, o que garantiu uma turnê com o Pearl Jam, que tal? Outra coisa que esqueci de dizer, é que muitos discos podem ser classificados como "clássicos" quando ninguém os conhece. Estou dando uma chance. Download.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

The Jesus And Mary Chain - Automatic


The Jesus And Mary Chain é uma banda que ficou conhecida pelo barulho. Na verdade, o JAMC é conhecido pelo publico geal mais por nome do que por som, fato. Mas aqueles que já se deram o trabalho de saber o que se trata, acabaram descobrindo que o maior fato na carreira do grupo foi o disco de estréia, um clássico absoluto dentro da música alternativa underground independente caralho a quatro, chamado Psychocandy.
Falar que Psychocandy (85) é um clássico é quase como chuver úmido. Uso excessivo de ditorção e feedback, devido ao uso excessivo de LCD e anfetamina, combinaram com lindas melodias e um clima sinistro, "Just Like Honey" pode ser que seja a música conhecida do disco.
O álbum que seguiu foi chamado de Darklands (87) e algumas coisas mudara. O baterista Bobby Gillespie resolveu largar a barca a se concentrar 100% na sua nova banda Primal Scream (e que banda hein) e o irmãos Reid desaceleraram tudo e o mais incrível, fizeram um disco limpo! Sem barulho! Com baladinha! E o pior de tudo: ficou muito bom!
Toda essa histórinha foi para poupar o serviço de ir até a Wikipedia e dar uma lida mais detalhada até o momento do lançamento de Automatic, terceiro disco do grupo, lançado em 89. Se a formação já tinha ficada capada no disco anterior, aqui eles foram mais longe: apenas a guitarra de William Reid era um instrumento de verdade, baixo e bateria foram gravados com sintetizadores - no maior estilo anos 80 - o que foi um choque maior ainda para o público e crítica.
O que eu posso fazer? é meu disco preferido. A trinca fantástica de abertura, "Here Comes Alice" e seu ritmo sonolento, "Coast To Coast" põe ânimo e doses de distorções massivas, e logo após, "Blues From A Gun", música original de Dylan e como não é novidade, todo cover do homem fica melhor que a original. Uma das músicas mais conhecidas da banda também figura na tracklist, "Head On" foi um dos melhores trabalhos do grupo, que ficou conhecida quando os Pixies resolveram fazer cover, e em terras tupiniquins, foi o Legião Urbana quem gravou, naquele famoso acústico MTV.
20 anos após seu lançamento, o senso comum sobre esse disco mudou muito. Mal entendido na época, é um dos melhores trabalhos da discografia da banda e conseguiu boas notas em críticas de redenção. Aproveite o disco, pois ao vivo é uma bosta. Download.

sábado, dezembro 20, 2008

Napalm Death - Time Waits For No Slave


Napalm Death é o nome que sempre será lembrado pela maioria como o de "banda criadora do grindcore". Apesar de alguns alegarem que já havia uma banda japonesa fazendo isso, ou até que o Terrorizer já tocava antes deles, o Napalm leva o trunfo, e ainda rodeado de alguns fatos estranhos. Por exemplo: lançaram o álbum Scum com duas formações diferentes, uma em cada lado do LP. E nesse clima seguiram... Hoje, já não há sequer um membro original!
Times Waits For No Slave chega 2 anos após Smear Campaign. Na contramão do que muitos imaginavam, ele não segue inteiramente a mesma linha dos álbuns anteriores, que foi de repetir a mesma fórmula constantemente. De início, com a matadora "Strongarm" (porrada do início ao fim em todos os instrumentos, com direito a um ótimo revezamento do vocal gutural com rasgado) e as duas faixas seqüenciais a ela, pode até ser essa impressão dos anteriores. Todavia, do meio ao fim, fica claro que há elementos incomuns na história do grupo, como a adição de breakdowns e de umas passagens mais cadenciadas. A mistura entre os andamentos lentos, mornos ou velozes também é notável, e, francamente, isso não soa bem, pois torna as músicas indefinidas e bem medianas, sem aquele pique que deixa cada vez com mais vontade de escutar, encontrado na maioria dos demais álbuns. E como possui 50 minutos de duração, a maioria deles sem nada demais a acrescentar, o álbum acaba por se tornar demasiadamente decepcionador, vindo do Napalm. Escute "Downbeat Clique" e "Life and Limb" para entender. Lá no fim, ao menos, há mais um pico de empolgação, com "A No-sided Argument", dotada de um dos solos mais legais já registrados por eles.
Infelizmente, esse acaba por ser mais um na lista dos poucos álbuns do Napalm que não serão tão cultuados. É uma pena, pois tenho certeza de que a maioria aqui gostaria de poder presenciar um grandioso lançamento e vê-los tocando pelas terras brazucas, mas fazer o quê se a época do Scum e do Harmony Corruption já passaram? Download.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

It's All Red - Vicious Words From The Heart


Vermelho é a cor que vem à mente quando qualquer tipo de emoção intensa toma conta.
Certamente foi pensando nisso que nomearam banda. Os porto-alegrenses chegam com uma atitude enérgica, ousada e interessante com o debut Vicious Words From The Heart.
Prepare-se para gostar ou repulsar o som deles, porque as referências aos sentimentos não estão só no nome da banda e das músicas, mas nas melodias e estruturas em si, sejam de ódio ou frustração (ao menos soam com essa tonalidade). O lance aqui é recheado de influências, com predominância do death metal, do NY HC e do alternativo. Tudo muito extremo, para lhe deixar com pensamentos extremos. Pegamos, por exemplo, "Poisonous (His darkest wishes made flesh)". Tem uma forte pegada hardcore, passagens com blast-beats, vocal super podrão, coros no melhor estilo gangueiro e um refrão muito limpo, levemente chorado e emotivo. Parece até uma aperfeiçoação de It Dies Today com Throwdown. Para muitos é o fim; a outros, porém, é excelente! Encontro-me na segunda das opções, pois eles conseguiram juntar coisas bem distintas sem agredir os nossos ouvidos. "Inventory Of The Missing Things" possui um refrão super viciante, uma letra excelente e um final contagioso, de tão empolgante! Vão mantendo o clima dessas no CD inteiro, tendo como outro pico a faixa "Crime Room", na qual há a participação de uma excelente vocalista, dividindo tudo na dose exata com o vocalista. A única coisa estranha desse som são uns barulhos que parecem ser uma caixa de "bateria eletrônica". Meio ocultos, mas presentes em vários momentos. "A party is not a party unless someone gets home devastated" é outro destaque, recheada de atraentes linhas de guitarras e um refrão no estilo "hey hey hey", em coro. Para finalizar, "The Arrival Of Ages" dá uma parada para dar mais uma pincelada do grande talento dos guitarristas, onde tocam algumas notas limpas e marcantes. É o mesmo esquema de bandas como o Callisto, ou seja, excelente (na "... And So On" também rola um lance assim).
Atualmente, passaram por uma mudança de formação: Troca do vocalista. Segundo a maioria dos ouvintes, foi para melhor. E o segundo álbum será melhor ainda!
Mesmo com a produção bem crua e levemente abafada, Vicious Words From The Heart mostra uma banda promissora! E isso não é só dito por aqui, como na edição #2 da revista HORNSUP, mas em vários sites gringos. Quer saber mais? Procure, então. Download.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Aphex Twin - Windowlicker


Richard D. James, vulgo Aphex Twin, é um dos mais bem-sucedidos artistas do ramo eletrônico. Considerado por muitos como o criador do "IDM" (isso já foi explicado em um post do Monolake), além de um dos principais criadores do "ambient techno" (escute o álbum Selected Ambient Woks), foi eleito "a mais influente e criativa figura da música eletrônica contemporânea - pelo jornal inglês The Guardian.
Windowlicker, EP lançado em 1999, é uma boa amostra de tudo isso. Começamos pela faixa-título: Temos de tudo aqui! Ambient, glitch, experimentalismo, IDM e até algo futurístico! Sim, futurístico! Já se vão quase 10 anos, mas a sonoridade continua mais que atual. Essa faixa será a trilha sonora do meu verão. Predomina um clima sexy, graças às vozes femininas que sussuram em coro, com leves batidas e uma linha de baixo eletrônico bem charmosa. Como é uma música super-progressiva, logo vão aparecendo os "glitches" (barulhos estranhos, como se fossem 'erros' de algum programa ou equipamento, distorção digital, reverse, etc), que ficam até o fim, e na última parte temos uma sonoridade distorcida ao extremo, com batidas camufladas e altamente viciante! Sem dúvida alguma, é um clássico da discografia dele! Mas não pára por aí, não. "ΔMi−1 = −αΣn=1NDi[n][Σj∈C{i}Fij[n − 1] + Fexti[n−1]]" (vai saber o que é isso?! Seria a fórmula dele para compor?!) é uma mistura de drum and bass bem rápida, com muitos glitches, vozes e sons indescritíveis. Por fim, "Nannou" é como uma viagem ao passado, mais precisamente até o dia em que você abriu uma caixinha de música e ouviu aquele sonzinho limpo, como o de um piano, a tocar.
Foi criado um vídeo para a faixa-título, dirigido por Chris Cunningam (esse cara faz cada obra!), que rendeu um prêmio de melhor vídeo no Brit Awards 2000. Esse vídeo é uma paródia para com os artistas de rap que vivem naquele estilo 'rico'. No clipe, dois rappers estão passeando até encontrar duas mulheres, as quais se recusam a entrar no carro deles. Discussão vai e vem, o carro deles acaba atropelado pela limusine de 38 janelas, onde está Richard, que logo sai do carro e começa a dançar. Se eu for contar o clipe inteiro, vai longe! Procure no youtube que vale a pena! Além disso, diversas imagens são perturbadoras, e há também cenas bem picantes - fatos que levaram o vídeo a ser censurado.
Windowlicker soa como um trabalho original e ousado, muito adiantado para a época em que foi feito, permanecendo assim até os dias de hoje. Download.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Boards Of Canada - The Campfire Headphase


Hoje, a postagem será alternativa. Faz tempo que não rola uma assim, então decidi traduzir as opiniões dos ouvintes que postaram na página do BoC, na Last fm, alguns comentários sobre as minhas faixas favoritas:

Chromakey Dreamcoat: "Meu irmão não tem nada em comum comigo quando o assunto é música - ele escuta hardcore e metal. Mas quando escutei essa música no Ipod dele, tive que sorrir".

Satellite Anthem Icarus: "Eu adoro essa música! Passei um mês em uma pequena ilha, e eu e meu amigo Charles deitávamos na praia durante a noite e ficávamos escutando essa música várias vezes, refletindo sobre nossas vidas. Ela tem um lugar especial no meu coração!".

'84 Pontiac Dream: "Música para fumar... E da melhor!"

Slow This Bird Down: "Meu filho de 6 anos gosta dessa música porque 'tem sons que parecem dinossauros' ".

Essas são só alguns exemplos. O álbum todo é bem longo e agradável, com uma sonoridade meio 70/80 nas baterias, atmosferas super relaxantes, algumas guitarras, violões e muito mais! Vale a pena baixar ou comprar! Download.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Sam Alone - Dead Sailor


Sam Alone é um nome novo, mas a pessoa por trás dele já está na cena há tempo. Quem? O Apolinário (mais conhecido como "Poli"), da hardcoreana banda portuguesa chamada Devil In Me.
Entretanto, o som do Sam Alone, como sugere a bela capa, é um countryzão no melhor estilo americano, aquele que quando se escuta dá para imaginar o cara tocando e cantando a música num boteco qualquer do Texas. Carregadas principalmente pela marcante e expressiva voz de Poli, bem como do eterno companheiro violão, as músicas ainda apresentam guitarra, harmônica (gaita de boca), bateria e percussões, entre outros, tudo muito equilibrado pela tracklist, deixando o disco soando bem variado do início ao fim.
É difícil sintetizar através das minhas humildes palavras o que Poli conseguiu fazer. Tente imaginar a letra mais sincera que você poderia escrever sobre o mundo ou sobre si mesmo. Pense em acordes de violão que encaixam-se perfeitamente nisso. Para finalizar, cante sem medo ou vergonha, literalmente solte a voz. Consegue imaginar tudo isso? Pois bem, ele conseguiu fazer exatamente isso. Esse mar de sentimentos são perfeitamente expressados no refrão de "Deathproof", na letra e na harmônica de "Demons" e na altamente influenciada por Johnny Cash, "Pills and Ghosts".
Se você procura por uma música que seja adequada para ir refletir sobre sua vida ao olhar o pôr-do-sol, ou simplesmente fumar um cigarro e beber um Jack Daniels - por sinal, há uma citação referente a esse sagrado whiskey em "Sinner" -, Dead Sailor é a melhor opção. Download.

terça-feira, novembro 25, 2008

Between The Buried And Me - Colors Live


Haja cabeça! Não contentes em "apenas" lançar Colors, no ano passado, um álbum conceitual, super trabalhado, ultra-progressivo e mega-técnico (ufa, achei que não acabava a lista), BTBAM decide dar o passo mais ousado de toda a carreira: Um DVD ao-vivo com o Colors executado na íntegra, além de tocarem, depois disso, músicas dos outros álbuns. Se alguém ainda não entendeu, é como se o Pink Floyd tocasse o The Wall inteiro, sem pausas, e depois ainda incrementasse algumas músicas do Piper At The Gates Of Dawn e do Wish You Were Here. Agora ficou claro, não? E por mais que pareça impossível, não é. Conseguiram reproduzir as músicas com enorme fidelidade, não pulando um arranjinho sequer, mostrando todos os músicos (6, no total) muito focados e empenhados no trabalho. Se fosse fazer a resenha no mesmo estilo das músicas, teríamos um livro de bolso. Se alguém quiser escutar death metal, hardcore, blues, Queen e mais uma leva de bandas progressivas, aqui está tudo reunido em um só. "Sun Of Nothing" deixa isso claríssimo, assim como "Ants Of The Sky"! Mas para quem é fã de algo mais brutal e épico, "Informal Gluttony". A quem prefere pancadaria (quase) total, "Decade of Statues". O resto fica a seu critério, pois essas músicas passando de 10 minutos são bem propícias à libertação da imaginação. Para fãs de arte (quem se restringe 'só' à música, pode não entender bem), esse é um trabalho marcante e que merece ser conferido com atenção total!
Download: CD 1 . CD 2.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Asian Dub Foundation - Punkara


Uma coisa que me irrita profundamente na música são “artistas engajados” e isso não é de hoje. Desde os tempos mais remotos, décadas atrás, artistas tentavam usar a música para fazer do mundo um lugar melhor. Só tentavam… muita conversa mole e pouca ação. Hoje como exemplo maior temos o U2, que acha que cantando No More! No More! de "Sunday Bloody Sunday" podem fazer diplomacia entre qualquer país, ou Sting, do falecido-recém-ressuscitado-com-fim-próximo Police, que de alguma forma, pretendia cantar "Roxane" até que ninguém mais cortasse uma árvore sequer na Amazônia.
Só que há bandas que conseguem fazer músicas realmente engajadas, com um discurso realmente palpável, pois quem não lembra do Rage Against The Machine? Apesar das boas letras, que os deixaram muito conhecidos, a maioria realmente apenas se importa com a música, principalmente em uma terra que se fala português e além do mais, quem se importa com letra? Bom, música não precisa ser necessariamente poesia, não precisa nem ter uma letra, mas eu devo dizer, que com uma letra boa fica BEM MAIS AFUDÊ (ainda mais quando tu entende). Apresento-lhes o coletivo Asian Dub Foundation.
Iniciado nas idas dos anos 90 em Londres, o grupo surgiu de forma interessante: Em uma série de Workshops para ensinar música eletrônica para crianças asiáticas em Londres, começaram as primeiras batidas do ADF, que esse ano chegam ao seu sexto disco, esse mesmo, chamado Punkara.
Para aqueles que não conhecem, o Asian Dub faz hoje uma das misturas mais sensacionais da música “moderna”. Eles tem com base a música eletrônica, mas fogem totalmente desse universo: suas influências variam desde o Punk (evidente em guitarras e Ideologias) até música ambiente, e muito notável a experimentação com os ritmos asiáticos, indiano, árabe e dos balcãs, assim como o evidente flerte com ritmos mais “grooveados”, hip hop, ragga e dub, só para explicar o nome.
É um disco bom, que continua na luta contra o racismo dentro da cultura nacionalista britânica, e que dissemina a idéia para todos os lugares, onde esse tipo de burrice, é realidade. Um disco pesado como o ótimo Enemy Of The Enemy, e melhor que o anterior, Tank, um disco que passou batido, e que eu não costumo ouvir e nem dar indicações.
O problema mesmo é por ter altos e baixos, músicas fudidamente boas, Super Power, que abre o disco é o convite pra festa-salada-musical, uma mistura bem afinada de cordas indianas com guitarras, tu vai querer até dançar. E como não poderia ser diferente, o destaque total para o cover de Stooges: "NO FUN"!!! PORRA, e como se não bastasse, os ingleses ainda conseguiram com que a lenda viva IGGY POP cantasse junto. Influência clara do grupo, fizeram uma versão ao estilo eletro-folk-dub com o aval de Pop, simplesmente inexplicável.
Ao mesmo tempo, o disco não tem o mesmo brilho de outros anteriores, muito se deve a troca de vocalista, saíu Deeder Zaman, um dos jovens que o grupo descobriu no início da história, por Al Rumjen, também de origem oriental, tocava em uma banda de Ska Punk chamada King Prawn. Apesar do ótimo background, quem acompanha o conjunto sentiu uma perca, mas sem nunca deixar de apoiar e fugir da briga.
Fiéis as origens, sempre incendiários e com discurso na ponta da língua, chamam atenção por ser um dos poucos grupos extremamente politizados que falam “coisa com coisa” e que ainda assim, tem um som bom pra caramba. Mesmo se tu não tiver nem aí pra letra… Dance Revolution. Cada vez mais o som do ADF se encaixa em nossa época. Nada de politicagem chinfrin. Download.

terça-feira, outubro 21, 2008

Bison B.C. - Quiet Earth


Banda iniciante, mas muito promissora! Isso foi dito no post do Mastodon (não por mim, mas...), e o que aconteceu?
Quatro rapazes canadenses formam o Bison B.C., essa banda cujo som é, de certo modo, um pouco inovador. Ok, todos aqui já escutaram thrash metal e bandas com vocais "plagiados" do Mastodon, eu sei, porém a maneira como esses caras fazem tudo isso, soa um tanto quanto original. É o thrash metal mais sujo e pesado dos últimos tempos! Sem dúvidas pela produção à la Sludge Metal, totalmente saturada de peso e distorção. Mas aí é que está o grande lance, pois, como já falei, eles não tocam sludge, mas, sim, thrash metal, e incrivelmente com algumas escalas e solos de blues (!!!), bem como passagens recheadas de loucura (Stoner Metal? provável) e alta progressão em algumas faixas.
Quiet Earth nos mostra uma banda fazendo um som bom e com maestria, fatos que melhorarão com o passar do tempo, pois certamente farão muitos shows e tocarão com mais freqüência. No momento, contudo, é um pouco de exagero falar que se trata de algo grandioso, mas está a caminho. Enquanto isso, vá escutando a pegadona "Dark Trowers", ou, quem sabe, viaje com a longa e estranha "Wendigo Pt. 1 (Quest For Fire)". Download.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Blind Melon - For My Friends


Blind Melon pode ser considerada como uma banda de One-hit Wonder, pois quem não lembra de "No Rain" e guria coitada vestida de abelha?
Pra quem deu uma passo a frente e resolver conhecer a banda, se deparou com uma baita trabalho e musicos profissas. O primeiro disco deles é uma mistura perfeita entre Folk, Country, Swingado Rock. Como estavamos nos anos 90, chamavamos de rock alternativo.
Conheceram a fama muito rápido e logo, recebemos a notícia que o vocalista Shannon Hoon tinha morrido de overdose, mesmo depois de ter prometido parar após o nascimento de sua filha, Nico Blue.
A notícia que mais me deixou apavorado foi que em 2006 eles resolveram voltar, mesmo sem Hoon. O mesmo que o Alice in Chains fez, e o que o Queen anda aprontando, porém eles não gravaram um disco. O Blind Melon sim.
O nome do novo vocalista é Travis Warren, que cantava numa banda chamada Rain Fur Rent. For My Friends saiu do forno esse ano e passou mais despercebido que a volta de Zack De La Rocha aos estúdios. Um disco que continua exatamente onde eles pararam, das melodias psicodélicas e acústicos bem feitos, passando pela melancolia até a alegria em questão de acordes, mas sem o mesmo feeling.
A primeira coisa que veio a mente quando me deparei com esse disco foi: Contrato com Gravadora. Informações verificadas, eles lançaram o disco de maneira independente e não se tratava de lançamento por cabestro. Parece que a banda realmente se juntou pelo espírito de Jam Band que eles têm, meter o pé na estrada e fazer shows, pois dinheiro é o que eles não vão conseguir como no auge dos anos 90.
Provavelmente não irão conseguir muitos fãs novos, já esperado, mas com certeza vão fazer a alegria de alguns, que assim como eu, ainda gostam deles, mesmo sem o carisma de Hoon. Download.

dEUS - Vantage Point


dEUS é uma das poucas bandas belgas que conheço, e a única de rock. As outras todas são de Metal, um dos bom produtos oriundos dessa terra, assim como o chocolate de Bruxelas (Equivalente a Gramado no RS).
Nunca botei muita fé neles, mas sempre achei interessante o nome e principalmente a grafia estilizada. Finalmente, esse ano eles chamaram a atenção pela música e não pelo nome: Vantage Point é com certeza um dos discos de 2008 que eu mais escutei e ainda não saíu do meu carro.
As influências são as mais variadas, desde Free Jazz ao Kraut do Can, até a bizarrice do Zappa ao barulho do Velvet Underground. Essas influências eram bem mais evidentes nos discos anteriores, Vantage Point tem uma atmosfera mais calma, bebendo fortemente na veia pop, com alguns traços de post-grunge e viva os rótulos!
Tendência Pop bem balanciada com experimentalismo, de eltrônicos e ritmos oitentistas. Música agradável e que deixa qualquer Coldplay no chinelo, não é por menos que foram a primeira banda de rock belga e ter contrato com uma gravadora major. Até hoje não consegui achar uma resenha que passasse o real espírito da música do dEUS, e com certeza não será essa, além dos clichês sobre a Bélgica e influências, é claro. Download.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Rosetta - The Cleansing Undertones Of Wake/Lift


Quem lembra do álbum Wake/Lift, da Rosetta? Pois bem, logo na primeira faixa já fica claro que possui um "quê" a mais. É difícil, mas quem escuta música com bastante atenção percebe que o álbum é recheado de samples e sons de fundo. The Cleansing Undertones Of Wake/Lift é exatamente isso! Todos os samples, atmosferas, ruídos e o que você imaginar que foi adicionado às músicas do grupo.
Deve-se priorizar algo desde o início: A ordem das músicas aqui, bem como de cada sample nas composições, não coincidirá se tocada junto ao álbum normal. Segundo a banda, isso é proposital. Como resultado de todo esse 'background', temos um disco totalmente experimental, feito apenas dos ruídos, distorções, microfonias, samples agradáveis de ambient, dissonâncias, ou seja, é ambient/noise. A priori, quando soube desse álbum, imaginei algo diferente e mais agradável. É isso, mas não em alto grau. A parte noise comanda quase o tempo todo, bem como o experimentalismo. Não é o álbum mais adequado para ouvir e relaxar, mas certamente pode render uma trip, se você estiver sob o efeito de álcool ou drogas. As músicas vão de 9 a 11 minutos. Nada disso será usado novamente, segundo declaração banda, por questões de ética e respeito aos ouvintes, o que, convenhamos, é uma atitude digna.
Tentar explicar mais é em vão. Assim como é difícil achar uma agulha em um palheiro, é difícil explicar um CD que não contém instrumentos, ritmo, ou qualquer característica definida. Resumidamente: Um álbum igual à capa. Download.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Intronaut - Prehistoricisms


Intronaut é o nome de uma das mais novas e experientes bandas do atmospheric sludge. Nova pois seus primeiros trabalhos são datados de 2006, experiente pelo fato de, até pouco tempo atrás, ter possuído um ex-membro de grandes nomes do death metal mundial, das bandas Impaled e Exhumed, o qual passou grande conhecimento aos restantes membros, além de possuírem uma quantidade bem considerável de materiais.
Prehistoricisms é o seu segundo full-lenght, sucessor do bom e bonito Void. Na introdução "Primordial Soup", a banda nos apresenta uma bela guitarra limpa, junta a sons flutuantes típicos do estilo ambient/atmospheric, dando uma leve pincelada do que é aprimorado em músicas como "The Literal Black Cloud" e "Prehistoricisms". Só que nessas e nas demais há um algo a mais, e quem conhece o estilo já deve imaginar, que são as bases de baixo e guitarra totalmente saturadas de peso e distorção, geralmente bem monotônicas, vocal agressivo e bateria lenta e socada. Uma das características que mais surpreende nesse novo álbum dos californianos, é que ousaram-se a incrementar certa velocidade alta em algumas faixas, e até um solo de bateria em "Any Port". Também seria injusto não falar da épica, tranqüilizante (na primeira parte) e super-progressiva "The Reptilian Brain", recheada de sitar e percussões no melhor clima indiano (já ouviu Ravi Shankar? Muito similar!) no início, alternando somente para um instrumental limpo, e quebrando tudo ao fim em seus quase 17 minutos de duração, fechando o disco de uma maneira totalmente inesperada!
Ao escutar Prehistoricisms diversas vezes, a conclusão a qual se chega é que a Intronaut vem de vez para conquistar seu merecido espaço dentro do estilo, ainda mais por apresentar certas inovações. É um belíssimo álbum, sem dúvida alguma o melhor já lançado por eles! Download.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Trivium - Shogun


Pois bem, chegou ao fim a expectativa por um novo álbum do Trivium, que pode ser representada por um dos discos mais esperados por 25% dos contribuintes do blog, ou seja, eu. E como não poderia ser diferente, esse vai ser mais um texto similar a todos os outros que se pode encontrar na internet sobre o disco, que contenham as palavras: Jovens, Metallica e Chute na bunda - em todos os idiomas, sem exceções.
Começamos pelo maior clichê: Seguindo as tendências das revistas britânicas (Pois os americanos eram muito bundões para assumir), o Trivium era cotado para ser a nova promessa metálica em 2005, quando lançaram o disco Ascendancy, fortemente influênciado pelo metalcore americano e com alguns traços mais Thrash "melódico", em suma, um belo disco, mas longe de originalidade e uma grande simpatia com a crítica.
No ano seguinte a promessa do Trivium ser um dos grandes nomes do metal mudou: passaram a ser chamados de o novo Metallica. The Crusade, o disco de 2006, explorou muito mais a parte melódica da banda, no quesito melodia mesmo e não no sentido perjorativo. Memorável trabalho de riffs, num estilo meio Thrashcore, com as linhas vocais limpinhas, que muita vezes lembravam nosso amigo Hettfield.
Pra mais aprendizado, na turnê do Crusade, o Trivium deu uma banda pelos Estados Unidos e Europa umas duas vezes, com bandas do calibre de: Maiden, Metallica (o de verdade), Korn, Arch Enemy e Machine Head. No final do ano, ainda ganharam o prêmio de uma revista, de melhor banda ao vivo e toda essa bagagem fez aumentar a experiência e a confiança, que foi facilmente enganada por arrogância.
Final de contas é que o Trivium não virou o novo Metallica, pois o próprio Metallica fez isso (Death Magnetic, mané). O Trivium fez algo mais difícil, mas não sei se mais importante, que foi gravar pela primeira vez um disco com a própria cara da banda, sem nenhuma comparação ou estilo genérico.
O primeiro grande passo, foi o chute na bunda do produtor Jason Suecof, que trabalhava com ele desde o primeiro disco, o terrível Ember to Inferno, por um sujeito mais experiente, Mr. Nick Raskulin, que trabalhou com o Foo Fighters, Mondo Generator, Rush e Velvet Revolver. As declarações da banda eram algo do tipo "Queremos pegar os melhores ingredientes dos álbuns e fazer um disco completo". O baixista Paolo foi ainda mais longe "The Crusade foi um disco que sôa pequeno, queremos fazer um Cd pra chutar todas as bundas".
Ainda mesmo em 2007 começaram as gravações para o anunciado Shogun, que agora, já deve estar chegando nas lojas de todo o mundo, e que nos HD's, chegou há mais tempo. Então vamos pro que interessa.
Shogun é definitvamente o trabalho mais bem feito até agora pelo quarteto americano da Flórida, e isso não significa que seja o melhor. As declarações pré-gravações foram levadas bem a sério e o que temos aqui são os riffs matadores do Crusade, com mais alguma complexidade e perigo e os altas doses de gritos, peso e velocidade do Ascendancy, um bom jeito de chutar o teu traseiro.
Mas ao mesmo tempo, é um disco difícil de se engolir, devido as mudanças drásticas que ocorrem no "andar da carroagem", a passagem da porrada, pro leve, pra mais porrada ainda, dificulta certa vezes, até estar de acordo com a proposta. Certamente alguns fãs de metal não se sentiram muito a vontade com a idéia, pois certas musiquinhas tem forte apelo POP, isso mesmo, refrão grudentinho e tal, e depois andamentos meio desconcertantes. Falando assim até parece mais uma banda genérica, mas logo no início eu disse "Originalidade", não se esqueçam.
As estruturas foram elevadas a uma nível mais alto, e os riffs, meu deus, os riffs.. é um cima do outro, que se misturam entre os coros em várias camadas ou até vocais semi-guturais, que é quando o peso se solta e a bateria é socada sem dó, chamando o espírito headbanger pra balançar o cabelo, mesmo que não tenha.
Mas como nem tudo são flores, ou espadas Hanzo, Shogun é um disco que contém alguns pontos fracos, algumas músicas que não empolgam TANTO, mas que não deixam a peteca caír - os pontos altos dominam e compensam - "Krisute Gomen" é uma abertura devastadora, com andamentos que beiram o Death, uma experiência sem precendentes, qual foi escolhido para ser o primeiro single do disco, que logo dão espaço pra "Torn Betwenn Scylla and Charybdis", que logo de cara, virou uma das minhas favoritas, graças às melodias alá Amon Amarth. Os outros singles escolhidos foram "Into The Mouth Of Hell We March", legalzinha e chicletona (acabou parando na trilha sonora da série Madden NFL) e "Down From The Sky", outro grande ponto alto, intensa e viciante.
A parte musical já foi absorvida totalmente por mim, e já é um grande candidato para meu top 10 pessoal, pro final do ano, mas o que eu ainda não consegui consilhar foi a arte do disco e seu nome, com o conjunto da obra. No disco anterior, tinhamos um conceito, muito interessante por sinal, que eram todas músicas sobre Seriais Killers (?), e agora a única música que consigo ligar ao tema Japa, é a última faixa, um épico de 11 minutos que leva o nome do disco. Bom, talvez seja a mesma idéia do Powerslave do Maiden, onde a capa, nome do disco e todo o palco está ligada a apenas uma música... espero estar errado sobre isso.
É sim o disco mais desafiador deles, e mais ambicioso, uma maneira de acabar com todas as suspeitas sobre o talento da jovem banda e tentar firmar mais ainda no terreno metálico, mostrando toda a devoção da banda pelo bom e velho metal. Agora, só espero e torço, para que consigam a mesma popularidade e êxito, ou até mais ainda, que obteram no disco anterior, as chances são grandes e eu continuo apostando violentamente neles. Download.