terça-feira, abril 28, 2009

Aphex Twin - Come To Daddy


Aphex Twin é um artista que já me surpreendeu demais... Hoje - e constantemente - me surpreende mais ainda. Quanto mais se escuta seus trabalhos com atenção, mais detalhes vão surgindo! E por mais que se conheça outros artistas, parece que cada vez mais o som dele soa original.
O primeiro trabalho que escutei foi o Selected Ambient Works 85-92. Não despertou muito interrese e ainda não desperta, sendo que o considero como o "menos bom" entre todos que ouvi. Com Windowlicker, por outro lado, o conceito mudou! São trabalhos de datas longínquas, portanto fica óbvia e lógica a diferença. Com o álbum que leva seu próprio nome, conseguiu fazer algo excepcional e à frente de seu tempo! Portanto será postado em breve e não falo mais dele até lá. I Care Because You Do e Drukqs também marcam, bem como esse maravilhoso Come To Daddy.
A faixa homônima na versão "Pappy" é uma loucura! Drum and bass e breakcore comendo solto, samples vocais muito alterados, um som distorcido e eletrônico semelhante a uma guitarra e todos aqueles arranjos imprevisíveis oriundos da mente brilhante de Richard David James estão aqui - com a originalidade que só ele tem, diga-se de passagem e mais uma vez. Na seqüência, "Flim" apresenta aquele clima mais suave do início de carreira, com agradáveis notas de teclado e atmosferas. Não por isso que as batidas sumam. Mixar batidas velozes com atmosferas suaves sempre fora uma grande qualidade dos trabalhos do Aphex Twin, e provavelmente é nesse EP que elas estão melhor evidenciadas. Ainda a respeito dessa música, ela é realmente muito marcante e até nostálgica! Estava escutando-a com uma moça e conversando a respeito. Perguntei a ela se tinha saudades de sua infância ao escutar essa faixa, pois eu tenho. Ela concordou comigo. Como se não fosse o bastante, as batidas possuem aquela sonoridade "glitch", falhada, quebrada, fato meio inusitado no geral, mas já comum para o Aphex Twin. A obra mais ousada, marcante, exótica e única, porém, não é nenhuma dessas. "Bucephalus Bouncing Ball" é seu nome, e, como sugere, imita sons de bolas pulando, chocando-se, percorrendo um caminho e tudo mais. Mas nada do que eu escreva aqui atingirá o mesmo impacto que a música em sua cabeça se apreciada com a devida atenção e com fones de qualidade. Toda a programação, a progressão, o cuidado no modelar as batidas, o dom em alterar as freqüências, passar os filtros corretos, fora a criatividade que talvez seja o grande mérito de Richard e que o faz trabalhar sob diversos outros pseudônimos (AFX, Gak, Caustic Window, Polygon Window, entre outros); tudo, tudo isso é inatingível através das letras!!! Como último destaque, cito "Funny Little Man". Richard possui uma forte obsessão pelo bizarro! Além de estar totalmente evidenciado em suas capas e vídeo-clipes, temos aqui nos efeitos das vozes. Por ora soa caricato, em outras, todavia, perturbador! Como pôde ele fazer isso em 1997 e tudo soar tão futurista até hoje?
Não é à toa que ele é considerado a figura mais influente no ramo da eletrônica de todos os tempos! Seus diversos fãs, de todos os lugares do mundo e apreciadores dos mais diversos estilos, também não surgiram do nada ou por puro marketing (aliás, o marketing dele parece nadar contra a maré! Tudo é tão incomum...). Tudo de bom que você ver/ouvir/ler a respeito dele é merecido! No mais, só escutando para realmente ter noção do que se trata. Download.

terça-feira, abril 21, 2009

Iggy Pop - Naughty Little Doggy


Até hoje não sei muito bem por que esse disco acabou se tornando um dos meus preferidos de toda a enorme carreira do seu James Osterberg Jr. aka Iggy Pop. Fora os clássicos de 77, Lust For Life e The Idiot, eu poderia muito bem escolher Blah Blah Blah ou Brick By Brick do hit "Candy", que também são considerados clássicos, ao contrário de Naughty Little Doggy que passa quase imperceptível dentro da discografia e é quase ignorado totalmente pela crítica.
De algum modo eu até concordo que o disco não é lá um 5 estrelas, mas pro inferno com toda essa conversa mole. Naughty Little Doggy é o décimo primeiro disco de Pop e tem as músicas mais roqueiras de toda a carreira, por isso faz eu ter um carinho tão especial por ele (tanto o disco quanto O cara), também pela boa produção, tipicamente anos 90: Hard Rock guitarrísticamente bem feito.
Sou da seguinte opinião: se a primeira música do disco for boa, 50% de chances de tu gostar do disco. Isso é totalmente relativo, mas eu gosto mesmo é de dar o play pela primeira vez e logo de cara, encher os ouvidos com música boa. "I Wanna Live" tem extamente esse papel, guitarra simples e viciantes, baixo encorpado, bateria esperta e um clima fanfarrão. "Knucklehead", um Hard Rock de primeira, "Innocent World", faz o estilo clássico de Pop e "Heart Is Saved", que é um punk rock urgente são os maiores destaques.
Já a parte negativa, são três músicas que não são um pé no saco, são na verdade uma tacada de baseball no meio das bolas: "Outta My Head", uma bad trip mística, "Shoeshine Girl", uma tentativa frustada de fazer um épico acústico e "Look Away", um tributo a Johnny Thunders, que não chega a ser ruim, mas é chata. Poderia ser simplesmente apagadas e teríamos um disco maravilhoso. Como não dá pra apagar do disco - em mp3 pode muito bem fazer isso se achar pertinente - o jeito é passar essas músicas e chutar o pau da barraca nas outras. Download.

segunda-feira, abril 20, 2009

Sigur Rós - We Play Endlessly


Não sou a pessoa que mais gosta de compilações, coletâneas e o diabo a 4. Na verdade, tô bem longe disso, acho quase sempre uma grande besteira e injusto, mas tem gente que gosta, principalmente quando quer conhecer uma banda nova, ou quando quer aquele sucesso. Resolvi selecionar We Play Endlessly por duas razões: A maneira qual foi lançado e também pelo primeiro motivo, se alquém quiser conhecer, achei uma boa maneira de conhecer.
Só para se tornar padrão como todas as reviews de Sigur Rós, sim, eles são da Islândia, e dá para dizer que talvez sejam o único produto de lá, além da Björk. Pulando a mesmice, essa coletânea saiu num encarte do jornal inglês The Independent, e foi compilado pela própria equipe jornalística, junto com uma matéria sobre a invasão do grupo, com seu som hipnótico dentro do continente Europeu, uma bela matéria.
O grupo despontou como um dos grandes nomes do Post-Rock e tem uma fórmula única de fazer música. Fugindo do padrão, eles começam cantando em islandês mesmo, que fica evidente aí em baixo, no nome das músicas, e contam com os mais diferentes tipos de instrumentos, usando as mais variadas estruturas musicais, daí o termo “hipnótico”, por todo o minimalismo desenvolvido e envolvido.
A coleção conta com músicas do último disco do grupo, lançado ano passado, Með suð í eyrum við spilum endalaust, da obra prima Takk, de 2005 e mais de um EP e de uma coleção de B-Sides. O início do disco ficou matador, mas como eu disse que toda a coleção é injusta, ficaram devendo músicas do Ágætis byrjun, a não ser que tenha sido algo contratual, mas ainda acaba sendo um bom disco. Tão bom, que acabou sendo um dos downloads mais procurados e rumores de uma versão “de gravadora” mesmo. Serve basicamente pra conhecer o maravilhoso som do grupo. Dwnld.

Bob Mould - Life And Times


Todo mundo deve ter um herói dentro da música, e Bob Mould poderia ser facilmente uma das pessoas que eu mais admiro no ramo. Nos anos 80, foi o frontman da fundamental banda Hüsker Dü e nos 90, passou pra não menos importante, mas menos conhecida, Sugar. Mestre em esccrever letras profundas, introspectivas e ácidas, seu maior mérito é o senso melódico, de conseguir fazer a músicas mais barulhenta em algo até assobiável.
Life And Time já é seu nôno disco de carreira solo, que começou lá em 88-89, no lançamento da obra Workbook. Durante várias experimentações e viagens em alguns discos durante os anos 90 e iníco dos anos 2000, desde 2005 ele vem acertando a mão, fazendo discos de tirar o chapéu. Life And Time faz parte de um trinca que poderíamos chamar de “fodástica”, Body Of Song (2005), District Line (2008 - e um dos destaques do ano passado) e agora esse disco que falo.
Se o disco lançado ano passado provou mais uma vez que eles estava vivo e chutando várioas traseiros, esse novo disco vem só para relembrar-nos disso, porém algumas vezes, parece que estamos ouvindo o mesmo disco, pode ser ruim ou não. A velha história do “de volta as raízes”, as “eletronicidades” ficaram escassas e viva as guitarras: “Argos” é o que mais se aproxima da carreira dele com o Dü, ou então um B-Sides do Sugar. Preferindo gastar o disco inteiro em mid-tempos ou em algumas baladas, é um disco com senso melódico mais que apurado, coisa de mestre, e pretensão Pop, que poderia tocar em qualque rádio e fazer sucesso.(IN)felizmente, tu vai escutar isso só em alguma college-radio.
Comemorando o aniversário de 20 anos do lançamento do seu primeiro disco, discão, diria eu, Sr. Mould nos traz mais um belo presente, lançado novamente pela ANTI- e sem nenhuma perspectiva de receber versão nacional. Toda a experiência do cara para mais momentos de diversão. Dwnld.

Mono - Hymn to the Immortal Wind


Post-Rock ou pós rock, é, para mim, um dos genêros mais fudidos dentro de todos os gêneros e subgeneros que levam junto a definição “rock”. Se tu não sabe do que se trata, te apresento minha amiga Wikipedia. Depois que tu entra pra esse universo “mágico” de uma nova visão sobre musica alternativa, tu começa a buscar cada vez mais nomes.
Nos útlimos (2 - 3) anos, os grandes acabaram lançando discos “fracos”, Explosions In The Skye, Mogwai e 65daysofstatic, bandas novas abrem espaço, e os japoneses do Mono já não são mais tão novos assim, estão perto de fazer seus 10 anos de estrada e fizeram um disco arrebatador e talvez até o melhor de sua carreira.
Fazer músicas compridas já deixou de ser algo ambicioso faz tempo, mas eles ainda conseguem usar essa fórmula, misturando guitarras estridentes com passagens cinemáticas, eles conduzem com maestria a tênue linha entre barulho e melodia, guiados pelo mestre Steve Albini, que ficou no cargo de produtor. Da fúria do nosso guitarra-baixo-bateria, passam em instantes para a beleza de pianos, percussões, metalofones e uma orquestra inteira (!). Definitivamente, um álbum pra se escutar na tranquilidade, nas suas passagens de tensão monstruosas até a beleza épica. É só escutar e fazer um filme na tua cabeça. Dwld.

Brutal Truth - Evolution Through Revolution


Nome de respeito no cenário do grindcore mundial, visto que surgiram em 1990 e, de lá para cá, lançaram pérolas do gênero, como Sounds of the Animal Kingdom e o debut Extreme Conditions Demand Extreme Responses. Além disso, splits com outras bandas grandes também fazem parte da história do grupo. Como exemplos podemos citar Spazz (power violence infernal), Melvins (pais do sludge, para muita gente) e Converge (uma loucura além de rótulos, mas popularmente dita como "mathcore").
Tudo de positivo que é dito acerca da banda é justo, basta lembrarmos que uma das principais cabeças do grupo é Dan Lilker, ninguém menos que um dos mais experientes músicos do cenário metálico/hardcore dos EUA, mais lembrado por seu belo trabalho no Nuclear Assault.
Evolution Through Revolution chega mais de 10 anos após o último full, mas não que esse tenha sido o último lançamento. De qualquer modo, a espera compensou! Temos a oportunidade de conferir um grindcore bem sujo, ríspido e com toques experimentais, tudo feito de um modo bem atraente! Fora o que já era tradicional do grupo, temos a adição de uns solos bem rock and roll, passagens com instrumentos desconexos um dos outros (como se cada um tocasse traços de determinado estilo), jazz técnico e muito mais. A faixa que melhor exprime tudo isso é "Semi-Automatic Carnation", vide sua linha de bateria e as atmosferas da produção de estúdio. Ainda na questão do experimentalismo, temos muito efeito em alguns vocais, a ponto de deixá-los soando eletrônicos, sem esquecer das guitarras de trás para frente (escute com atenção e perceberá! São poucos esses momentos, mas eles existem). Outro fato notório é que devido à modernidade da produção, conseguiram deixar o contra-baixo como uma aperfeiçoação daquele típico dos anos 80 (mais para médio do que grave, com muita sujeira de fundo)! No mais, pancadarias como a primeira faixa "Sugardaddy", a estranha "Detached" e a humorística "Bob Dylan Wrote Propaganda Songs" rendem picos de empolgação na audição do disco.
Um bom álbum, numa ánalise geral. Dão-nos o que era esperado - velocidade, brutalidade, certa técnica e experimentalismo -, só que de uma maneira não muito convencional. Bom! Sinal de que a banda conseguiu se reciclar sem perder a essência. Indispensável a quem aprecia uma sonoridade voraz! Download.

domingo, abril 19, 2009

Condo Fucks - Fuckbook


Condo Fucks é o nome que o trio de nova Jersey, Yo La Tengo, resolveu retomar ano passado para matar o tempo de forma diferente. Usando os nomes fictícios Georgia Condo (bateria), Kid Condo (guitarra), and James McNew (baixo) o grupo fez algo bem pretensioso e inesperado.
Já que foram uma das importantes bandas do underground americano, acabaram descanbando pro lado do post-rock e alternatividades mais complexas, deixando o rock e o folk mais de lado e investindo em ótimas produções e, durante o alto dos anos 90, lançaram um disco de covers, chamado de Fakebook.
Na contramão dos últimos trabalhos do grupo, Fuckbook (referências já ditas) pode ser considerado como: Um chute no cu. São 11 músicas covers, em sua grande maioria, de artistas sessentistas na linha de Richard Hell, Slade, Small Faces, Kinks, Troggs e até Beach Boys, impressas da maneira mais garageira e crua possível. O disco foi gravado ao vivo em estúdio e é uma tosqueira só, poderia chamar isso tranquilamente de Nihilismo musical.
Logo de início, pode parecer ruim de se ouvir e realmente é. Guitarra suja e distorcida com muito barulho, que vai dando momentos de mais melodia, em meio aos barulhos agudos de pratos, igualzinho aquela k7 da tua banda. Interessante pra quem é fã, Fuckbook é um dos grandes lançamentos da Matador este ano, justamente por ser inesperado.`Dwld.

…And You Will Know Us By The Trail Of Dead - The Century Of Self


O Trail of Dead foi uma das maiores surpresas no início dos anos 2000 para os fãs de Pixies, Sonic Youth, Fugazi e Superchunk. Uma banda que fazia um som ensurdecedor, com punch, com melodia NOISE e discos inteligentíssimos, tirando ainda a mística por trás de todas suas apresentações.
De Sources & Tags pra esse Century Of Self já se passaram 7 anos e dois discos pelo meio. Com acusações de terem perdido o fio da meada, ou pecado na criatividade, esse novo disco divide opiniões. A investida de soar épicos no meio do Noise Rock acabou se tornando algo quase visual, surge aí então o tal Art Rock, que até hoje não entendi muito bem.
No geral, achei um disco bem balanceado, viagens progressivas com flertes Glam, passagens épicas dão trégua a barulheiras desenfreadas. A grande diferença é que os momentos mais melódicos, mais calmos e elaborados predominam pelo menos em metade do disco. Não que isso seja ruim, até um pouco longe disso, o que vai determinar a validade disso é o ouvinte. Eu, como fã, achei o disco de certa forma inconsistente, muito balanceado, entre o esporro e a melodia bem trabalhada, porém, de uma visão mais crítica, o disco se apresenta mais completo que os anteriores, líricamente e conceitualmente.
Nota importante: Essa capa foi toda desenhada a mão, com uma caneta BIC pelo vocalista Conrad Keely. Acho que foi isso que fez eu dar uma nota maior, pois a única coisa que eu posso falar a respeito é: Faltou destruição. DL.

quarta-feira, março 25, 2009

Russian Circles - Russian Circles


Sempre tive curiosidade quando lia o nome "Russian Circles". Escutava algumas bandas instrumentais, suaves e, por conseqüência (novas regras ortográficas são para ignorantes e editoras interessadas em encher o bolso! Aqui ainda se usa trema!!!) agradáveis, na linha Red Sparowes, e sempre via "Russian Circles" como um nome relatado. Decidi conferir, pois imaginei que fosse algo frio como o inverno russo ou com características do mesmo país... Algo de se escutar sozinho, por aí.
A princípio, conheci esse EP homônimo com o nome de December. Não sei exatamente o porquê, mas circulam versões com esse nome adentro da internet - o que é um erro. Logo na primeira audição são perceptíveis vários elementos interresantes! As músicas são somente instrumentais, geralmente de longa duração, nas quais o trabalho do trio é bem progressivo - e o melhor: de uma maneira atraente! Há beleza, há o obscuro, há a lentidão, há a velocidade... Existem melodias suaves e a flutuarem sozinhas, porém também há as escalas, arranjos e demais passagens técnicas, matemáticas (o que leva muitos a classificar o som como "math rock") ou de qualquer outro termo que designe um certo nível de complexidade. A isso, conseguem mixar um bom feeling, vide "Death Rides A Horse", com um solo emocionante! Apesar de ser constituído somente por quatro faixas, beira os trinta minutos de duração; de fato, um tempo "certo". Com isso, dá para tirar boas bases e impressões da estréia do grupo.
Atualmente, já lançaram dois CD's, um single e um split.
Eles têm se destacado também pelos shows. Além de abrirem para nomes como Minus The Bear e Pelican, há quem diga que os rapazes entram numa "psicodelia", de tanto usar pedais, samples e variados efeitos que só acrescentam algo a mais do que já podemos conferir aqui nos registros de estúdio.
Uma curiosidade: No último disco, Station, de 2007, o contra-baixo foi gravado por Brian Cook, ex-baixista do Botch (embrião do mathcore, banda de crucial importância, apesar de permanecer no "anonimato"), já que o baixista original deixou o conjunto.
Audição recomendadíssima! Principalmente em dias frios ou à noite. Escute e entenda. Em breve tem mais! Download.

sábado, março 14, 2009

The Replacements - Tim


Tu pode até não conhecer o Replacements, mas eu posso te garantir que eles foram uma das bandas mais importantes do cenário americano nos anos 80. Vindo de Minneapolis, o seleiro de outras boas bandas, em 1984 eles lançaram um dos grandes clássicos do rock alternativo pelo selo TwinTone, chamado de Let It Be, e melhor que fazer um clássico é fazer dois clássicos!
Let It Be chamou a atenção de quem estava ligado no assunto e viu aquela manda punk e mal acabada se aventurando em outros mares, misturando country, melodias e baladinhas, tudo com aquela estética DIY para não perder a pose.
Mas de que adianta lançar um baita discão se tu não tem nem dinheiro pra se.. alimentar? Não que eles estivesse passando fome, mas toda a grana de turnê, era usada para mais turnê, custo de gravações e conserto de instrumentos. A decisão foi conjunta banda/gravadora: é hora de passar pra uma major. Proposta já existiam, pelo interesse que surgiu no lançamento desse disco que já citei duas vezes o nome e o escolhido foi a Sire, subsidiária da Warner.
Nada mal, quem mandava na Sire era o sir Seymour Stein, que era manager dos Ramones e influente na nata musical nova iorquina, ele escalou nada mais, nada menos que Tommy Ramone para ser produtor do novo disco do Replacements, e aí nascia o segundo clássico do grupo, chamado simplesmente de Tim.
O resultado foi uma batalha de egos entre o líder Paul Westerberg, que acabou descobrindo em si mesmo um compositor facinante, e o guitarrista Bob Stinson, cada vez mais bêbado e drogado, só queria saber de tocar música alta e barulhenta. No fim, conseguiram dosar ambos lados no disco, com uma produção superior a todos os trabalhos anteriores, num disco rebelde e instrospectivo e um tanto quanto sincero.
Aquela banda juvenil agora tinha amadurecido, mostrando boa parte de uma influência que não era comum ver em jovens punks, de rock clássico, um pouco de Big Star, um pouco de Chuck Berry, um pouco de Bruce Springsteen e um pouco de Rolling Stones, além de Clash e Pistol, totalmente evidentes. Baladinhas para alguns momentos solitários em "Swingin' Party" e "Here Comes A Regular", que seria uma grande surpresa, caso não existisse Let It Be. "Hold My Life" abre o disco de maneira urgente ao estilo da banda, "Kiss Me On The Bus" é música adolescente apaixonado e a suja e apavorante "Dose Of Thunder", que foi a única música composta por todos.
Logo após o lançamento de Tim, Stinson (Bob) foi chutado do grupo, pois achavam que já não conseguia tocar ao vivo as músicas "menos rock" e estava muito bêbado para tentar. Esse foi o grande auge e a banda mais completa musicalmente, apesar de surgirem as comuns acusações de "se vendeu se vendeu mimimi" de alguns fãs. Download.

quarta-feira, março 11, 2009

Tardy Brothers - Bloodline


"Porra! Obituary total esse som, principalmente o vocal". Cinco minutos mais tarde veio a lembrança do sobrenome, bem como a associação com o presente momento: "Mas claro! Quem mais além de John Tardy tem esse vocal?".
A quem não sabe, os irmãos Tardy (John, vocais; Donald, bateria) fundaram uma banda em 1984, batizada de Xecutioner, que mais tarde viria a mudar seu nome para Obituary e ajudar a moldar o que seria o death metal, no fim dos anos 80/início dos 90, juntamente com os conterrâneos Morbid Angel e Deicide.
Bloodline é o primeiro trabalho sob esse nome. Segundo os próprios, esse nada mais é que o primeiro de muitos! Todavia, por fatos que estão para acontecer, dá para sacar a jogada por trás desse "projeto": Dar uma prévia do que pode ser o novo álbum do Obituary!
Apesar de terem lançado um álbum há pouco tempo atrás, já anunciaram um novo para meados de junho desse ano. E alguém arrisca chutar quem vai lançar o dito cujo? O mesmo selo que está a lançar os Tardy Brothers. As músicas são relativamente legais e um tanto quanto diferenciadas do Obituary, se bem que o vocal de John é único. Apresentam-nos andamentos geralmente mornos, nem lentos nem velozes; guitarras grooveadas (mas sem as palhetadas secas dos grooves modernos), estruturas repetitivas e faixas longas. Com exceção de "Deep Down", a qual é dotada de uma pegada thrash, com direito a bateria socada vorazmente e solos apocalípticos, bem como de "Wired", onde tudo é à base de guitarras sem distorção (belíssimas e agradáveis) e uns solos na manha (bem inesperado, mas acaba por ser uma surpresa boa), as demais faixas soam muito similares às demais, tornando a audição do álbum - como um todo - levemente cansativa e desnecessária. Não chega a despertar aversão, mas também não há picos de boas emoções (fora as duas exceções citadas anteriormentes). Em suma, "medíocre" é a palavra que melhor descreve o álbum (lembre-se: Isso não equivale a ruim, mas, sim, a mediano).
Como já foi dito e deve ser frizado novamente, esse álbum não é nada mais que um "aperitivo" para o que está a vir do Obituary! Segundo o próprio John, ele está empolgado como há tempos não estava! E adivinhem, para completar a lógica, quem gravou as guitarras? Ralph Santolla (atual Obituary; ex-Deicide, Death e Iced Earth) e Jerry Tidwell (tocou com eles na época do Xecutioner).
A quem é maníaco por Obituary e pelo death metal em geral dos anos 90, resta aguardar, é claro, escutando os Tardy Brothers. Download.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf


Falar mal de uma banda sem conhecer é a coisa mais comum que existe, e durante muito tempo foi o que eu fiz sobre o Queens Of The Stone Age. Para mim, a banda anterior de Josh Homme, o Kyuss, foi sempre a banda que importou e o QOTSA era apenas mais uma bandinha.
Eu sempre soube que eles eram e ainda são, um dos maiores nomes do rock nos anos 2000. Via muita gente falando bem deles, e gente de respeito, até que resolvi engolir o orgulho e ouvir que que esses caras tinham pra oferecer...
Songs For The Deaf foi o terceiro disco do coletivo de Josh Homme, lançado em 2002 após o aclamado Rated R, que fez bastante barulho na mídia na época, principalmente por causa do Rock In Rio 3 e a vinda do grupo pra cá. Acredito que a formação do grupo fez com que esse álbum fosse considerado a obra definitiva da banda: Josh Homme frontman, guitarra e voz, Nick Olivieri, que formou o Mondo Generator, no baixo e voz, Dave Grohl, ex-Nirvana e Foo Fighters, na bateria e ainda Mark Lanegan, do Screaming Trees com voz e guitarras adicionais, além de outros vários convidados como Dean Ween, do Ween e Chris Goss, do stoner Masters Of Reality.
A verdade é que o QOTSA avançam um estágio, em comparação ao Kyuss. Saem do Stoner, que eles mesmo "criaram" e partem para uma mistura entre garage rock, hardcore punk, prog metal, hard rock que acaba sendo taxado de rock, ou metal, alternativo. O álbum é uma grande piada, onde existe a possibilidade de ser até conceitual - pela músicas passarem como uma rádio, com direito a DJ's e apresentadores - surgiu a hipótese que seria uma viagem de carro pela Califórnia. Ou de camionete, como sugere o clipe de "Go With The Flow".
Um disco cheio de músicas empolgantes, desde o chute no cu inicial de nome bem bolado "You Think I Ain't Worth A Dollar, But I Feel Like A Milionaire", o hit pop vencedor de Grammy "No One Knows", a porrada "First It Giveth" e a psicodélica com bateria Black Flag "A Song For The Dead". Mas pra quem não gosta muito, lá pelo fim do disco começa a ficar enjoativo, mas nada que atrapalhe.
Ao lado das grandes bandas do anos 2000, o QOTSA é a que melhor representa o rock chute na bunda, divertido e empolgado e esse é para mim, e para muitos outros, o grande trabalho. Download.

Fucked Up - The Chemistry Of Common Life


Em 2008, passei mais da metade do ano reclamando que não havia nenhum bom lançamento de Punk Rock. Digamos que, todas bandas do estilo que eu gostava ou conhecia, me decepcionaram. Bom, isso aconteceu até eu conhecer os Canadenses do Fucked Up.
Uma das gratas surpresas do ano passado, o Fucked Up, fez para mim um dos melhores álbuns do estilo em anos e não é para pouco. Hoje em forma de quinteto, a banda tem uma mistura perfeita entre o hardcore oitentista nervoso, lembrando nomes mais extremos como Neggative Approach e Negative FX, com noise-rock e enormes progressões, de músicas enormes e improvisações barulhentas, com senso melódico e ritmico, levando tudo a um novo nível.
Tanto o som quanto o grupo têm uma estética Anarquista e nihilista, desde shows arrazadores com direito a vocalista peladão, ao pseudo-nomes adotados como Pink Eyes (conjuntivite), Mustard Gas (gás de mostarda), Concentration Camp (campo de concentração) e Young Governor (jovem regulador), letras que atravessam aquele campo reinvindicativo e reclamão, são substituídos por letras inteligentes, puramente irônicas e ácidas, que lidam com questões filosóficas e históricas.
The Chemistry Of Common Life é um disco quase épico, eu chego até me emocionar ao falar. Lançado em Outubro do ano passado, pelo selo indie Matador, me surpreendeu pela capacidade de conseguir inovar e agradar, sem forçar a barra e soar de forma natural. Músicas monstruosas como a abertura "Son The Father" fazem fãs do velho hardcore ficar de boca aberta e ao mesmo tempo impressionados com a mistura com o noise-rock, das longas passagens de pura distorção. Passagens estilo "interlúdio" fazem o disco soar como uma grande obra progressiva, mas ao mesmo tempo Punk e agressiva, ao mesmo nível, lembrando o impactante e clássico Zen Arcade do Hüsker Dü, primeiro banda punk a se atravar fazer isso.
Eu podeira escrever muito mais a cerca da banda, que hoje já é um dos grandes hypes na América do Norte, aparecendo em programas de TV, fazendo shows com Jello Biafra e membros do Cro-Mags e Dinosaur Jr, mas prefiro deixar pra ti tirar próprias conclusões. Uma banda que é muito mais além do hype. "No Epiphany", "Days Of Last", "Black Albino Bross", a mistura perfeita entre melodia, barulho e cacetadas, porra! Porra! Download, PORRA!

Oasis - (What's The Story?) Morning Glory


Quem diria, Oasis aparecer por aqui um dia, hein? Quem diria, eu ouvir Oasis um dia? Então que as coisas mudam, e esse disco acabou caindo na minha mão e numa escutada descompromissada acabei descobrindo o porquê do Oasis já ter sido a maior banda do mundo, apesar disso ter durado pouco.
Se um dia eles chegaram a esse posto, muito eles devem a esse cdzinho. Com o primeiro disco, de 94, conseguiram firmar o nome no cenário underground britânico, tá ligado, anos 90 e britpop, né? O golpe de misericórdia veio no ano seguinte e este Morning Glory é um disco onde metade das músicas são singles, e o melhor, bem sucedidos.
O som do Oasis não é a coisa mais gênial (e original) do mundo, e tu já deve ter notado isso, mesmo que tenha escuta apenas uma vez. Influência de rock sessentista pode ser confundido com cópia ou falta de criativdade, e isso depende do ponto de vista. Acho que o grande mérito deles foi fazer algumas músicas simples musicalmente, com algumas letras que fazem o pessoal cantar junto, num pop/rock que empolga e um senso de melodia sem igual.
Gosto da produção desse disco e da composição. Ele tem um som diferente, uma atmosfera típica de uma banda inglesa, um som "nublado". As vezes acho que a equalização do meu som está definida como "banheiro", mas não está. Também é legal a mudança do estilo "rockstar" do outro disco, pra algo mais refinida, uso de cordas, teclados e gaita de boca.
"Roll With It", "Some Might Say", "Don't Look Back In Anger" e "Champagne Supernova". Tu pode não gostar de Liam ou Noel Gallagher, mas tem que admitir que eles mandaram em metade dos anos 90, para alguns com a música, ou para outros, só com as declarações e cobertura midiática 24 horas. Só mais uma informação que pode ser crucial na hora de decidir ouvir esse disco: "Wonderwall" é desse cd. Donwload.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Primal Scream - XTRMNTR


Se David Bowie é conhecido como camaleão pelas suas diversas versões de visuais, o Primal Scream seria um equivalente se tratando de música e não aparência. Tendo Bobby Gillespie como figura central, ele formou o grupo logo após sair da bateria do Jesus & Mary Chain e desde então vem contando com várias formações, várias colaborações e comanda uma das bandas mais fantásticas dos últimos 20 anos.
Começando num indie pop oitentista genérico, muito semelhante a sua ex-banda, o Primal Scream ganhou reconhecimento com o lançamento do clássico dos clássicos Screamadelica. Captando o movimento que vinha de Manchester no final dos anos 80, o início das raves, esse disco marcou o encontro do rock independente com a música eletrônica, acid house e muito ecstasy. Em 91, no Reino Unido, quem não tinha Screamadelica, tava por fora de tudo.
Pois bem, agora é hora de falar do meu preferido, ao invés do clássico-mor. XTRMNTR ou Exterminator, foi uma guinada brusca no som. Após passarem pelo funk e melodias americanas (Give Out But Don't Give Up) e o eletro dub com krautrock atmosférico cheio de perseguições e paranóias (Vanishing Point), Bobby Gillespie contou com o ex-baixista dos Stone Roses, Mani, na parte criativa e do mestre Kevin Shields, do My Bloody Valentine, que entrou quase como membro fixo do grupo.
A banda publicou que havia parado com o uso pesado de drogas, mas paz foi a última coisa que tivemos. O resultao foi um disco predominantemente eletrônico e agressivo. Não só musicalmente, pois as letras também eram pra encomodar, de forma política, atacando o governo britânico. Participações especiais fizeram parte do disco; além de Kevin Shields, os Chemical Brothers e Bernard Sumner do New Order.
"Kill All Hippies" inicía o disco de maneira vindicativa, dando o mood que o disco vai ter daqui pra frente. "Accelerator" é a junção do MBV com o Primal Scream, nos primeiros três segundos tu já sabe que aquela guitarra tem dono, sir. Kevin Shields. Para quem tem ouvidos fortes, distorção fora do comum. "Swastika Eyes" é o motivo de eu amar esse disco. Ritmo acelerado, barulhos, samples, loucuras. Enfim, um baita disco pra uma noitada perigosa. Download.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Sonic Youth - Murray Street


O Sonic Youth é há tempos uma das minhas bandas preferidas e Murray Street acabou sendo o meu primeiro disco "de verdade" deles e por isso tem um valor maior pra mim (não para venda), por ter me acompanhado por vários lugares e por muito tempo.
Lançado em 2002, na época em que eles eram um quinteto, as gravações do álbum tiveram uma pausa devido aos ataques ao World Trade Center, que teve um impacto brutal na banda e no processo de gravação. Primeiro que o estúdio do grupo era(é) localizado muito perto do atentado (Murray é o nome da rua) e deu um choque enorme dos integrantes, que no dia ficaram trancados, cada um em localidades diferentes.
Sendo assim, o impacto na parte criativa, fez com que o o grupo acalmasse um pouco as loucuras e barulheiras presentes do anterior, NYC Ghosts and Flowers e Murray Street fosse aclamado pela crítica como a volta a boa forma. Bom, a primeira vez que eu escutei, não sabia nada disso e fiquei pensando como que, mesmo num álbum calmo, eles conseguiam ser barulhentos e experimentais.
São apenas 7 músicas mas parece que levam uma eternidade para acabar. "Radical Adults Lick Godhead Style" fala sobre os artistas do anos 60/70 e é a que mais lembra a época dourada do início dos 90's, com riffs desestruturados e ao mesmo tempo, hipnotizantes e 1 min de pura improvisação, que é puro barulho. Tempo depois, fui ver no encarte que essa música teve participação de ninguém menos que Neil Young como co-compositor.
Destaque também para a punk "Plastic Sun", cantada por Kim num ritmo Riot Grrrl, que dura pouco mais de 2 minutos contrastando com "Karen Revisited" e "Sympathy For The Strawberry" que juntas, contabilizam em torno de 20 minutos ao total. A boa recepção do álbum resultou na boa sequência chamada Sonic Nurse.
Outro fato que faz tanto gostar desse disco é a capa. É um dos poucos discos que consegue me passar uma sensação. É como uma propaganda de Mentos, passa um gosto de.. menta. Não sei explicar. Só sei explicar que a capa não tem nada a ver com o título, e que uma das crianças na capa, era Coco Hayley, filha de Thurston e Kim. Download.

Editors - An End Has A Start


O Editors vêm do Inglaterra, da midland Birmingham e praticam o melhor do Pós-Punk. O "melhor do Pós-Punk" pois foram capazes de pegar o melhor de cada parte de suas influências, que passam pelos conterrâneos do Echo & The Bunnymen e Joy Division, e que não podia ser diferente, e um pouco do movimento do outro lado do Pacífico, seja o antigo do R.E.M. início de carreira, ou do revival nova iorquino dos Strokes e The Walkmen.
O quarteto surgiu em 2002 quando estudavam Tecnologia da Música na Universidade e já tiveram outros nomes antes de chegar no atual, como: Pilot, The Pride e Snowfield. Ainda com os outros nomes tiveram um certo reconhecimento dentro da mídia inglesa e em 2004 mudaram de vez para Editors, um ano de lançar o aclamado The Back Room, primeiro disco do grupo.
An End Has A Start veio em 2007 e foi um grande destaque do ano. Lembro que eu via em todo lugar na Irlanda e em milhares de blogs. o primeiro contato que eu tive foi na viagem de volta para o Brasil, onde escutei o cd inteiro no avião e realmente achei sem sal. Que bom que eu tive uma segunda chance.
Eles conseguiram chegar em um outro nível, aplicando mais camadas e mais atmosfera na música, com riffs realmente viciantes e sintetizadores grudentos, fazendo um meio termo entre melancolia e melodia, conseguiram resumir em um disco reflexivo e noturno. A voz de Tom Smith lembra muito a de Ian Curtis e com certeza, deixaria ele orgulhoso.
Um álbum que dividiu opiniões, encontram-se reviews chineleando e outros, assim como o meu, exaltando a produção mais caprichada e o avanço musical do grupo. Cada um acha o que quer, como deveria ser em todos os casos. Download.

F ranz Ferdinand - Tonight


Em 2004 surgiu o Franz Ferdinand para o mundo, com seu disco auto-intitulado. Como a maioria das bandas “cool” dos anos 2000 (Strokes, Hives, Artic Monkeys, White Stripes), os escoceses de Glasgow também acabaram entrando no “seleto” grupo de salvadores do Rock, que era revezado de meio em meio ano. Porém a proposta do Franz era um pouco diferente, surgiam ao lado do Bloc Party e Kaiser Chiefs (que também já foram salvadores), e o revival pós-punk “alegre”, e faziam música dançante, ou vai dizer que tu não ficava batendo o pézinho ao ritmo de "Take Me Out"?
Se os dois primeiros discos deles foram um rock dançante, chicletão e cheio de lalala, agora investiram de vez no rock para pista de dança, sem mudar radicalmente. Tonight: Franz Ferdinand é o terceiro disco do grupo e vem após um intervalo de 4 anos desde o segundo álbum You Could Have It So Much Better e entra na mesma, e nova, categoria de “dilema do terceiro disco”.
Bloc Party e The Killers tentaram se reinventar e acabaram com um grande tiro no pé, e o Kaiser Chiefs tentando exatamente a mesma fórmula dos discos anteriores, acabou passando batido. A grande malandragem do Franz foi inovar sem forçar a barra. O resultado é um disco que não fez feio, mas “poderiamos ter algo muito melhor”.
O lance é o seguinte; deixar de lado as guitarras e empunhar sintetizadores e fazer a galera se jogar na pista. Na teoria funciona muito bem, afinal Tonight… nos é apresentado como um disco conceitual sobre uma puta noitada, com caminhadas noturnas (do’oh), baladas alternativas, putaria e bebedeiras. Esse é o espírito na suja e maravilhosa capital escocesa, mas o disco se mostra meio perdido nessa direção.
Não que o primeiro single seja ruim, "Ulysses" é uma baita música, mas ao contrário dos singles inaugurais dos anteriores, não empolga logo de cara, e chega ser “prog” até chegar no seu auge groove funk quando Kapranos chama “I found a new way, baby” e a cozinha pega fogo e todos cantam lalala alegremente. Não é ruim, mas não tem a mesma intensidade que esperavamos.
O disco tem mais altos do que baixos, e a dobradinha "No You Girls" e "Send Him Away" com seu espírito oitentista dançante. Flertando com o pós punk de raíz, do Gang Of Four e Devo, com um Synth-Pop cafona fazem "Twilight Omen" uma das músicas mais estranhas do disco, e uma das mais interessantes. As influências também passam pelo funk carioca em “Can’t Stop Feeling”, mas nada que possa soar mal. "Live Alone" é a personificação da Disco Music e "Lucid Dreams" é um eletro experimental, destaque do disco.
Há maus momentos, onde o grupo quase deixa a peteca cair, principalmente no final do disco, a balada “Katherine Kiss Me”, que faz parte do conjunto da obra e a viajante “Dream Again”, mas também, lá pro final do álbum. Em suma, boas músicas e um grande desafio que se mostra melhor a cada audição, nada que mudará a música, mas que dá boa credibilidade ao quarteto. Download.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Kiss - Alive III


Kiss sempre foi uma das bandas mais energéticas da história! Seus shows eram mais que shows... Na real, eram espetáculos!
Há quem diga que eles nem são músicos, como Carlos Santana, que causou polêmica ao declarar que "Gene Simmons é só um animador de palco"; há também quem diga que eles são músicos, atores, dançarinos e tudo mais. Por fim, considero-os grandes e inteligentes artistas.
Alive III é de 1993. Como supõe, é o terceiro álbum ao-vivo do grupo. Não é um ao-vivo na íntegra, para ser sincero. As músicas foram gravadas em diversos shows da turnê Revenge. Chegou a Disco de Ouro! A maioria das músicas aqui são clássicos absolutos, de várias épocas da banda. Temos lá dos primórdios, como "Deuce" e "Watchin' You", passando pela época do Creatures of the Night, sem esquecer a indispensável "Rock and Roll All Nite", entre outras. Como também não poderia faltar, há as baladinhas que levavam as mulheres à loucura - provavelmente elas também são a razão do Gene alegar já ter comido milhares-, tais como "Forever" e "I Was Made For Lovin' You".
Enfim, não precisa ser grande conhecedor da banda para constatar que esse é um puta álbum! Mais: Além das músicas, há toda uma atmosfera por parte do público, o qual esteve presente do início ao fim, sempre gritando muito.
Essencial para fâs de rock! Riffs marcantes, refrãos grudentos, solos animadores e tudo mais. Isso é KISS! E ao-vivo, ainda por cima - pura energia! Download.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Ignite - Our Darkest Days


Hardcore é um tipo de som relativamente simples de ser feito, mas suas ramificações são complexas. Um grande exemplo é a diferença mais que notável das bandas da Califórnia e de NY. Dessas regiões saíram grupos que estabeleceram os termos, e hoje tem banda da Califórnia fazendo um som na linha NY e vice-versa. Esse papo que todos já ouviram é só para apresentar o Ignite, da Califórnia, cujo som é totalmente na linha de lá (dããã).
Guitarras sujas e não muito pesadas, coros agressivos e gritando expressões em ritmo de ordem, bateria pegadinha e vocal limpo. Limpo demais, até! E isso acaba por ser um diferencial da banda. Semana passada, conversei com um amigo sobre uns sons, e quando surgiu o assunto Ignite, ele disse: "Olha, CD deles eu nunca ouvi. Mas curti muito a parte deles no tributo ao Sick Of It All! Apesar do vocal ser meio metal melódico, ficou foda!". E é a mesma impressão que tenho! O vocal é tão limpo, mas tão limpo, que acaba por trazer lembranças daquelas bandas de metal melódico, as quais, como a maioria de vocês já deve saber, não agradam muito aqui. Diversas bandas boas de hardcore tem vocais limpos, como o Pennywise, por exemplo. Fato é que acaba por ser bem chato de escutar mais que 3 músicas do Ignite, já que minha preferência é vocal agressivo na linha Terror. Como todos podem ver, há um ônus e um bônus em possuir um grande diferencial. Ao menos é marcante, tenho que reconhecer...
Postando mais para atender a um pedido feito no ano passado. Sinsta-se à vontade para baixar e conferir, bem como para fazer algum pedido. Dentro do que for possível, estaremos atendendo. Download.