terça-feira, maio 20, 2008

Between The Buried And Me - Alaska


Bandas de metal progressivo são chatas, fritadoras de escalas, quase sempre têm grande ligação com o metal melódico, não têm feeling e por aí vai, em aproximadamente uns 80% dos casos. BTBAM está entre os 20% restantes, que conseguem usar mais a agressividade e impor grande feeling, com arranjos inteligentes e tudo mais que é preciso para fazer música boa.
É uma das poucas bandas de metal progressivo, que eu conheço, que tem absurda agressividade em suas músicas. Tudo é um trabalho completamente imprevisível quando executado, mesclando bem o death metal, o heavy, levemente o melódico e também o hardcore, fazendo, assim, esse som que encanta muita gente.
Alaska é considerado como o melhor álbum deles, e isso pela maioria dos fãs. Não à toa. Suas músicas longas e incrivelmente trabalhadas conseguem prender à audição, algo que é bem raro quando se trata de bandas mais, como posso dizer, "firulentas". Isso ocorre porque as firulas do BTBAM não são manjadas, mas sim inteligentes. A maioria dos arranjos são de tirar o chapéu. Somada a essa magnitude, está a produção, destacando bem as duas guitarras, o baixo, a bateria, o teclado e o vocal, ou seja, a banda inteira. É escutar para se surpreender! Citar músicas é injustiça total, mas para vocês terem noção uma leve noção da progressão, leiam: "Alaska" começa com um solo de guitarra bem técnico, em seguida tem uma levada mais death e depois transita pelo hardcore moderno. "All Bodies" tem um infeliz refrão à la Manowar, melodias felizes e, na seqüência, um incrível tapa na orelha ocasionado por blast-beats. "Selkies: the Endless Obsession" tem uma incrível passagem de blues, lindos solos capazes de transportar o ouvinte e mais partes gloriosas. É aquele álbum que por mais que alguém tente descrever, não conseguirá.
Between The Buried And Me é uma banda que merece o espaço que vem conquistando, pois seus músicos são muito competentes e suas músicas são grandes obras. Hoje em dia, após o lançamento de Colors, isso está mais que evidente. Download da obra.

segunda-feira, maio 19, 2008

Impaled - The Last Gasp


Impaled é uma banda americana, da Califórnia, que sempre foi adepta do mais nojento e repulsivo goregrind. São extremamente notáveis por suas letras envolvendo acidentes médicos, patologia, insanidade, assassinato e tudo que tenha "gore" no meio.
The Last Gasp, de 2007, é o quarto álbum dos sanguinários. A capa é tão nojenta que eu fiz a fineza de nem botar link nela, apenas deixei-a armazenada no servidor para que você possa clicar e ver essa montagem feia, doentia, que dá vontade de regurgitar o feijãozinho do domingo. Mas o Impaled é uma banda de fatos ambígüos, já que por outro lado a sonoridade do grupo é audível. Nem sempre foi (ah, as demos, hehehe!), mas aqui é, e muito. A começar pela produção, que deixou tudo num volume muito legal. Sem querer desviar do assunto, mas vi uma propaganda numa revista que dizia (em inglês): "Esqueça o que você conhece sobre death metal, Impaled é matador!". Propaganda enganosa! As guitarras são sujas e não possuem peso, a bateria parece punk, o baixo também não é lá muito grave. Claro que todos apelam no merchandise, mas aonde quero chegar com isso? Quero dizer que esse álbum é goregrind dos bons, muito mais pra sujo que pesado, com influências do bom punk rock e derivados, e com poucos traços de death metal. As únicas características extremamente marcantes de metal são os solos (dignos de nota, por sinal) e os vocais rasgadões ou guturais.
Basta escutar a primeira faixa, "G.O.R.E.", ou "The Visible Man", que tem intro apenas de baixo e bateria para compreender. Quer empolgação? Escute "Sickness Is Health".
Para amantes de uma tosqueira maquiada, esse é um ótimo álbum. Agora, se você quer algo tosco e podre, vá escutar To Separate The Flesh From The Bones e não enche o saco nos comentários. Download.

sexta-feira, maio 16, 2008

Atreyu - Visions


É (um triste) fato que nos dias de hoje o Atreyu faz um som chato. Já vi até as revistas gringas e especializadas em música amaldiçoando os caras por causa do estilo de som. Até hoje me pergunto se a mudança brusca de som foi por opção dos caras ou por demanda da gravadora. Mas o que mais surpreende, é que no passado - passado mesmo, aproximadamente 10 anos atrás - os rapazes executavam um tipo de som muito diferente, algo que remetia a uma banda de hardcore iniciante e de garagem, e que buscava uma aproximação com o metal. Onde conferimos isso? Em Visions e, de certo modo, em Fractures In The Facade Of Your Porcelain Beauty.
Visions é o EP de estréia da banda, lançado em 1998 por um selo extremamente desconhecido, que hoje é considerado como uma raridade, pois, até na época, só era vendido em shows. Sua sonoridade é bem pouco produzida, e a qualidade das composições é similar às de uma banda amadora. E por mais que alguns se enganem, é aí que está um dos melhores materiais do Atreyu. Escutamos a banda tocando com gosto, pois o batera senta o pau com vontade, geralmente só no "tu-pa-tu-pa-tu-pa", o vocalista manda um gutural feio e bem gritado, o guitarrista prefere power-chords velozes e pesados a melodias, e por aí vai. Passa bem longe daquele som que os tornou famosos em álbuns como The Curse e A Death-Grip On Yesterday. É claro que gosto desses álbuns também, mas há momentos que a vontade de escutar algo menos profissional e certinho é maior. Logo na intro, com a música "As The Line Between Machinery And Humanity Blurs", são executadas batidas tribais, microfonias na guitarra, e vocais guturais. Algo meio macabro, mas que depois descamba para o HC (instrumental apenas, vale ressaltar) com vocais guturais. "Love Is Illness" é a melhor do EP! Linha instrumental empolgante e coros furiosos deviam deixar a adrenalina nas alturas durante o show. Gosto de todas as músicas aqui, mas é bom dizer também que o EP termina com "Dinosaurs Became Extinct (And You Are A Fossil)", som que mescla bem aquela linha californiana (veloz e com vocais limpos) com uma atmosfera mais brutal dos vocais gritados.
Uma lástima, uma pena, dá dó escutar Lead Sails Paper Anchor, o último álbum deles. Visions é bem único, já que no outro EP eles já foram remoldando levemente o estilo. Mas chega de conversa, baixa ae e curte uma banda fazendo um som sincero e diferente. Download.

quinta-feira, maio 15, 2008

Coldworker - Rotting Paradise


Após o infeliz final do Nasum, o baterista e multi-instrumentista Anders Jakobson fundou o Coldworker. Com apenas dois álbuns até o presente momento (Rotting Paradise é o segundo), a banda vem sendo descoberta aos poucos, principalmente pelos fãs do Nasum. Apesar de ter sido fundada em 2005, já demonstra um trabalho extremamente maduro e interessante, e logicamente isso se deve ao fato de possuir músicos experientes em sua formação.
Rotting Paradise é um belo exemplo da mistura perfeita entre o grindcore e o death metal. Sabe quando uma banda consegue juntar dois estilos com maestria e domínio completo, ou seja, quando sabe o que está fazendo? É isso que conferimos aqui. Com músicas recheadas de velocidade, notas moídas, vocais sem pausa e demais elementos de grindcore, somando os arranjos que somente quem tem muita técnica consegue executar, leves decadências de velocidade durante a execução, músicas com mais de 3 minutos e tons guturais no vocal, que como todos devem saber são elementos comuns entre as bandas de death, o álbum prende à audição e passa aquela vontade de ouvir novamente algumas das composições. Geralmente, isso se deve a arranjos simples, repentinos e rápidos, mas que fazem a completa diferença, porque, fala aí, quem não curte esperar uma virada da bateria sozinha, chegando do nada, ou uma parada geral para a guitarra mandar aquela linha de power-chords velozes e empolgantes? Todo mundo que escuta música com atenção gosta, fato. E esses ditos arranjos ocorrem por vezes em diversas das 12 músicas que compõem o álbum em seus 38 impiedosos miuntos.
Se você é fã de grindcore ou death metal, deve conferir esse CD, pois certamente lhe agradará. E se você é como eu, fã de ambos, não perca tempo e corra atrás do original, pois esse é digno de se ter na coleção de originais. Download.

quarta-feira, maio 14, 2008

Daïtro - Laisser Vivre Les Squelettes


Daïtro é uma banda francesa de emocore verdadeiro/screamo verdadeiro muito pouco conhecida aqui nas terras brasileiras. Arrisco a dizer que até pelo mundo não são muito conhecidos, pois a única fonte de informações seguras é o site da banda. Fora isso, não há nada realmente confiável.
A sonoridade é bem atraente, pois as músicas transitam por passagens rápidas de puro hardcore (quase um power-violence, por isso que alguns chamam a banda de emo-violence, porque é a mesma coisa só que com letras emotivas) a outras mais calmas e relaxantes. Ou quase isso. Enquanto o instrumental toca lindas e agradáveis notas, o vocalista se esgüela, grita a ponto de desafinar, algo completamente sofrido. Não há técnica de rasgado ou gutural, apenas o grito sofrido e insandecido, tipo uma banda que postei aqui esses dias, a La Quiete. Mas não pensem que o som seja similar. De fato, há semelhanças, e até quem curte Daïtro gosta de La Quiete, mas há, também, diferenças gritantes na sonoridade de ambas.
Laisser Vivre Les Squelettes é um bom álbum, mas tem hora para ser apreciado. Suas músicas, na maioria, são geralmente lentas e depressivas, com passagens que propõem ótimos momentos para uma reflexão. Um dos pontos mais interessantes é que o álbum é todo gritado em francês, o que acaba soando muito diferente aos nossos ouvidos. O francês parece uma língua delicada, não? Diria até que "estilosa". É lindo ouvir o cara gritando com elegância! E a duração das músicas também varia muito. Podem ter tanto 2 ou 3 minutos quanto 9 ou 10. Gostei e recomendo, principalmente para quem acha que emocore é Fresno e My Chemical Romance! Baixe e perceba a diferença gritante entre pop distorcido e emo.
Detalhe: Só achei a capa em GIF. Salve no seu computador que ela deve se mexer.
Download.

terça-feira, maio 13, 2008

Corrosion Of Conformity - Wiseblood


  Corrosion Of Conformity é uma banda de diversas faces, surgiram no auge do Hardcore americano, nos anos 80, entraram numa fase de mistura com o Thrash Metal, que logo depois ficou mais evidente, e logo após, passaram para um lance mais Heavy Metal, Stoner/Sludge, saca?
  Podemos dizer que eles têm dois disquinhos clássicos, Animosity, para galera do Crossover é uma jóia rara, e para o pessoal mais novo, o que vale mesmo é Deliverance, que inaugurou a fase Stoner, e é realmente, um baita discão.
  Wiseblood é dessa mesma safra, lançado em 96, é quase uma extensão do anterior, e já citado, Deliverance. Tem gente diz que ele não tem o mesmo brilho do anterior, mas isso, pra mim, é papo furado, só por que todo mundo paga um pau fudido pro outro disco, fazem esse ser desmerecido, por um motivo besta.
   Não há novidades de um pro outro, mas a "mesmice" garante a diversão da galera. Desde o início, com "King Of The Rotten", os malucos já te deixam meio por dentro, do que vai rolar dalí pra frente. Altas doses de riffs molengões e viajantes, bateria firme, um som parecido com o do Down (Pepper Keenan, guitarrista e vocalista do CoC, é um dos membros deste conjunto musical de rock pauleira do Mr. Anselmo), porém, um pouco mais alegre. Tem até lugar pra uma músiquinha mais porrada, a faixa 12, "Fuel", uma paulada na nuca, enquanto as outras seguem uma ordem, de groove e solos sacanas.
   Ainda em tempo, o disco leva o mesmo nome de um livro de uma autora Americana, sulista, logo, fazemos uma relação com o Southern Rock, que vêm dessa mesma região. Não li o livro, mas descobri na wikipedia (uau!), e que não muda em nada a audição. Já outra coisa que eu li na página é muito interessante, James Hetfield, que é bruxo da banda, faz uma participação em uma músicas "Mans Or Ash", uma músiquinha meia boca, porém, não foi creditado no disco, o mesmo que acontece no primeiro disco do Danzig: rolo de direitos autorais.
   Só pra ter alguma conclusão, pra ilustrar tudo o que eu disse: Esse é um disco injustiçado, ofuscado pelo sucesso do antecessor e meio bombardeado pela crítica, opiniões a parte, acho um baita cd, e garante a alegria da massa. Escute com volume alto, ou com o fone cravado no ouvido. Download.

Technical Itch - Raised By Evil / Demon


A cada álbum, EP, remix ou qualquer música que ouço e que seja fruto da mente de Mark Caro*, eu fico mais convencido de uma coisa: O cara sabe - e muito - bem como fazer um darkstep. Se você não recorda, já foram dadas explicações sobre o estilo quando postei os álbuns Death Jazz e Diagnostics.
Raised By Evil / Demon, lançado em 2006, possui apenas as duas faixas que levam o nome do EP. Saiu em CD e em vinil, tudo via Penetration Records (selo do próprio Mark Caro). "Raised By Evil" é um drum and bass aterrorizante, pois vai além disso. Os efeitos sombrios, tensos e assutadores são os mais elevados que eu já ouvi em alguma música dele. Apesar desse ser um material curto, conferimos tudo em grande excesso. É interessante ressaltar também que "Raised By Evil" possui uns sons aterrorizantes que são iguais (iguais mesmo, nem de longe é similar) a uns que aparecem na intro do game Resident Evil: Director's Cut, na parte do filme em que Joseph encontra uma mão morta segurando uma arma, pouco antes de ser atacado por um cachorro. Alguém mais lembra disso? Porra, Mark Caro ripou o áudio do game! Hahaha! Já "Demon" não é tão macabra, pois possui até uns samples de música ambiente, todavia esses não duram muito tempo, porque são soterrados pela bateria intensa. Há também uma voz macabra, limpa e grave, similar àquelas que ouvimos em deuses ou demônios de filmes. O baixo nesse som é pesadão, tão grave que acaba soando sujo. Vários dos efeitos despertam a curiosidade, o que é um ponto forte que me faz escutar várias vezes a música.
Disquinho bem legal! Recomendo a quem ainda não conhece, pois essa é a melhor forma de conhecer: Através de um material curto e considerado bom. E se você já curte (como é o caso de algumas pessoas que comentaram aqui, como o Mute e o Matias), mergulha de cabeça na piração do tio.
Download.
*Não confundir com o americano envolvido com o cinema.

segunda-feira, maio 12, 2008

High On Fire - Blessed Black Wings


   Era bem provavel que a parceria entre Matt Pike e Steve Albini não acabasse bem e é exatamente isso que aconteceu, neste disquinho muito fudido, chamado Blessed Black Wings, o terceiro disco do High On Fire, lançado em 2004.
   High On Fire é a banda que surgiu das cinzas da histórica banda Doom/Stoner Sleep, de onde vem o guitarrista, líder ,e hoje, vocalista da banda, Matt Pike, aquele citado logo acima. Steve Albini é um dos grandes nomes do underground, famoso por projetos inusitados como o Big Black, o Rapeman e o atual Shellac, mas também, por seu dom de produtor musical, de dar aquele toque de barulheira, doses de experimentação e deixar tudo sôando "bem". 
   Aqui o resultado não poderia ser diferente, juntando os magrões, com o ex-baixista do Melvins, Joe Preston, e o baterista Des Kensel, o cd sôa quase como um revival do Metal casca grossa dos anos 80. Largando de mão o som de sua banda anterior, o High On Fire tem mais ou menos a mesma proposta do Dave Grohl com o Probot, porém com muito mais identidade, ou diríamos, com identidade. Influências claras de Venom, Motörhead e Slayer, com riffs cabulosos pra caralho, em ritmos infurecidos, cozinha furiosa, caixa seca e pratos barulhentos.
   Alguns caracterizam como Stoner, já outros falam em Sludge, e não deixa de ser mentira em algumas passagens, mas eu chamaria mesmo de Metal Fudido. Fazia tempo que não escutava algo do gênero que tirasse realmente o fôlego; "Devilution" e seu ritmo destruidor; "Blessed Black Wings", faixa-título de riff sinistro, e "Anointing Seer", de clima meio Doom e bateria metralhando. Pra quem gosta dos estilos ditos acima, ou tá procurando um trabalho pesado de boa qualidade, vai de cabeça, altamente recomendado: Download.

Exhumed - Garbage Daze Re-Regurgitated


O Exhumed é uma banda americana que mescla bem o goregrind (o mesmo que grindcore, porém com letras sobre mutilação e derivados de sangue) com o death metal. Porém, neste post, a proposta é diferente. A intenção aqui é mostrar sons de bandas de rock, thrash, hardcore old school e semelhantes em versão grindcore/death metal. Mas como? Oras, com o Exhumed tocando.
Garbage Daze Re-Regurgitated é um álbum formado só por covers (alguns são dos mais inusitados, por sinal). Os caras pegaram músicas de bandas como The Cure, Metallica, Samhain, Led Zeppelin, Pentagram e Amebix (para não citar as mais desconhecidas) e fizeram versões sujas, pesadas, toscas e, é claro, com vocais guturais ou extremamente rasgados e muita, mas muita velocidade. Em resumo, é um álbum bem divertido! Muito legal conferir músicas de estilos bem diferentes ao da banda sendo executadas em versões adaptadas.
Álbum muito bom para conhecer a banda. Além disso, uma amostra de que há como modificar (quase) qualquer música. Download.

Nine Inch Nails - The Slip



"Obrigado por seu contínuo e leal apoio durante os anos - este é por minha cota"

Trent Reznor

Mais uma iniciativa brilhante do baixinho, e mais um disco lançado indenpendente, via internet. o Download pode ser feio direto do site da banda e não vamos colocar link em servidor.

Clica aqui, faz o cadastro, e receba o link do download em seu e-mail, podendo escolher o tipo de qualidade de arquivos, com direito a todo o material de arte gráfica e letras, em um pdf. Não é querer pelar saco, mas esse cdzinho ficou melhor que o Year Zero e quase tão legal quanto o With Teeth.

Acho que esse cd merecia estar em todos os blogs de MP3.

sábado, maio 10, 2008

Born Of Osiris - The New Reign


Como pode algo soar genérico e inovador? Surpreendente e normal? Concreto e abstrato? Cada vez mais eu fico crente de que (quase) nada é impossível dentro da música. E tudo isso aí são características do som do Born Of Osiris, banda americana que já existe há alguns anos, mas que antes se chamava "Rosecrance" (fora os outros nomes antes desse). The New Reign, debut dos rapazes, lançado em 2007, consegue fazer essa mistura surreal. Bases simples e genéricas, características do hardcore moderno (aquelas bem "tam-tam-tam-taram-tam", manja?), são fundidas a arranjos de outro mundo, técnicos e repentinos, inteligentes e sofisticados, realmente inovadores. Em todas as músicas há elementos que surpreendem, mas você também terá aquela sensação de "já ouvi isso antes", inclusive no próprio CD, pois esseé o único pecado do álbum: Bases muito iguais e repetitivas. Mas são essas partes normais que se juntam aos arranjos e passagens atmosféricas abstratas. Sim, leitor(a), passagens, porque a banda possui um tecladista. E como você pode supor pelo nome,a banda possui enorme influência da história e da cultura egípcia. A história está no nome e nas letras, e a cultura na música. Não há registro gravado (óbvio) da época em que o reino egípcio predominava sobre os povos, mas há sons e instrumentos que têm o poder de transportar o ouvinta àquela época, exatamente como conferimos em músicas como "Abstract Art" (a melhor e também a que arrepia os cabelos do braço com um teclado completamente único) e "Empires Erased". E se você notar certa semelhança com The Faceless, saiba que é pelo fato do guitarrista do The Faceless ter gravado as guitarras aqui. Ah, e o cara que produziu o Akeldama é o mesmo.
Born Of Osiris é épico, técnico, massacrante e inovador! Vale a pena conferir. Uma pena, contudo, que o álbum tem apenas 22 minutos.

sexta-feira, maio 09, 2008

The Tony Danza Tapdance Extravaganza - Danza II: The Electric Boogalo


The Tony Danza Tapdance Extravaganza... Hahaha! Logo de cara, antes mesmo de ouvir o som, eu já imaginei: Lá vem mais uma banda insana, provavelmente de mathcore. Só que para minha surpresa, não é só "mais uma banda insana de mathcore", e sim uma das melhores que eu já tive o prazer de ouvir.
A começar por terem muito peso nos sons (o que não é muito comum, já que a maioria das bandas investe mais em sujeira), os cowboys já ganham pontos. Depois, por irem a fundo
na exploração dos arranjos, ou mesmo de qualquer parte da música, com guitarras mega técnicas e caóticas, velozes e agudas, algo completamente irredigível! E veja bem, não são simples escalas, nem coisas que se ouve por aí todo dia. Passa longe, por exemplo, daquele som mecânico e sem feeling de um (eca) Dream Theater. E o resto dos instrumentos não ficam atrás. Bateria bem grind, oscilando também entre o hc moderno, contra-baixo gravíssimo, ousado até quando acompanha algumas bizarrices das guitarras. Enfim, é de tirar o chapéu! Porém, como era de se esperar, há um grande detalhe que remete a outras bandas. Sabe aquele vocal na linha The Acacia Strain, Hatebreed e derivados? Pois bem, é o que ouvimos aqui. Um vocal inquestionavelmente igual ao dessas bandas e de congêneres.
Danza II: The Electric Boogaloo, em suma, é um ótimo álbum. E é até engraçado, pois possui um enredo. Começa com uma intro de personagens conversando, que no meio do álbum reaparece, e que volta a dar as caras no final, com um massacre de serra elétrica dentro do bar (o núcleo da estória). E nessa faixa que encerra, escutamos um country de qualidade, com violão comendo solto naquele clima texano. O, beleza!
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quinta-feira, maio 08, 2008

Destinity - The Inside


Destinity é uma banda francesa que se arrisca em inovar, de certo modo. Tocar heavy metal com vocais death e passagens sinfônicas de teclado (bem orquestrais; aliás, possui até uns coros nessa linha) não é novidade para ninguém, mas o modo como esse álbum foi produzido é uma novidade, sim.
A princípio, o instrumental é na linha do heavy, porém com a produção encorpada, acabou soando bem agressivo, sem cair naquela mesmice dos anos 80 que, hoje em dia, soa sem sal. O vocal principal é gutural e sujo, mas nos refrãos surgem coros de ópera. O melhor de tudo mesmo é a produção, com uma sonoridade bem original, dando aquela pitada extra ao álbum, já que as músicas não são lá grandes coisas. Não chegam a ser ruins, mas ficam muito na mediocridade. Possui certo trabalho e os músicos são competentes, mas falta algo que prenda mais à audição, pois lá pela quinta música você perceberá que o álbum em si é praticamente igual do início ao fim.
Inteligente e atual, mas sem músicas gloriosas, portanto não é aquele álbum que vai mudar a vida de alguém, ou sequer chegar perto disso. Simplesmente mais um entre muitos, mas com uma produção melhor. E levando em consideração que já é o 6º álbums dos caras, é difícil imaginar uma explosão mundial. Triste...
Download.

Bob Mould - District Line


Pra quem não sabe, ou não lembra, Bob Mould foi guitarrista e vocalista de uma das mais importantes bandas do underground, o Hüsker Dü, ao lado de Greg Norton e Brant Hart e nos anos 90, comandou outra ótima banda, chamada apenas de Sugar.
A carreira solo começou antes mesmo do surgimento do Sugar, em 88, logo após o fim do Hüsker, diz ele que ficou limpo e no mesmo estante botou a mão na massa, e iniciou as composições, do mesmo jeito que faz hoje: sozinho.
Uma de suas maiores virtudes é a habilidade de fazer melodias matadoras, desde o início da carreira vemos (ou ouvimos) isso, com um apelo pop disfarçado. Ao lado desse senso melódico incrível, está a vontade de sempre inovar e experimentar, e são esses doi elementos que ficam bem claros dentro da carreira solo desse careca sem vergonha.
Bem de boa, se ele quizesse fazer um disco pra vender horrores, era só ele arrumar uma gravadora um pouco maior que suas músicas fariam o resto, mas como isso é a última coisa que ele faria, fico me perguntando se essas experimentações são mesmo intencionais, ou apenas pra dar nós na cabeça de alguns. Durante os anos 90, quando o Alt Rock era Hype, passou a sua pior época, lutando contra o "Rock Alternativo" e mantendo a ética independente, mesmo não tocando o velho hardcore meloso.
District Line, lançado esse ano (pelo selo ANTI- de propriedade da Epitaph e sem previsão de versão nacional), já é o sétimo disco da carreira solo e até agora, um dos melhores trabalhos que eu ouvi. Com quase toda a gravação por conta de Mould, o disco sôa coeso, cada acorde no lugar certo, e claro, melodias destruidoras, um disco de Rock. Não é "de volta às origens", mas pelo menos, há várias guitar songs fudidas, de tirar o chapéu, com alguns ritmos meio alucinantes, com um pop meio "chiclézão", misturado com alguns elementos eletrônicos, e o melhor: Tudo na dose certa.
Pra não esquecer, como banda de apoio, Mould chamou Brendan Canty, ex-Fugazi para a bateria e Amy Domingues para tocar Violoncello, que eu não faço a mínima idéia de quem seja, mas é esperado alguma turnêzinha. Enfim, baita discaço, faz o download e diz ae.

quarta-feira, maio 07, 2008

Bloodlined Calligraphy - They Want You Silent


Essa é banda mais pesada que eu conheço cuja formação possui uma vocalista gritando horrores. E nem ousem vir aqui falar de Arch Enemy! Infelizmente, Bloodlined Calligraphy ainda é um pouco desconhecida, porém muito competente. Já deram as caras por aqui, no ano passado, quando postaram o álbum Ypsilanti, mas é hoje que vocês conhecerão o melhor álbum da banda.
Lançado em 2005, esse CD é um exemplo de hardcore moderno (com algumas notáveis pitadas de metal) que deveria ser seguido por outras bandas. Sólido e sujo, veloz e lento, com alguns vocais limpos e muitos gritados, e sempre empolgante. É aquela fórmula de NY, com muitos breakdowns e guitaras pesadonas, mesclada com a boa e velha fórmula da Califórnia, veloz e não muito pesada, ainda somando os arranjos metálicos e técnicos. Já começa quebrando tudo com "...Know When To Fold'em", música que apresenta, primariamente, o vocal limpo e, repentinamente, o extremamente gutural. "A Variety Of Damage", a segundona, já mostra o breakdown extremamente arrastado e pesado, com o vocal mais pesado possível, deixando muitos homens no chinelo. E o disco vai rolando com cada música mostrando uma particularidade. Todavia é meu dever fazer uma referência à música "Not Another Teen Love Song", pois é a mais marcante de todas.
Além de ser mais um tapa na cara de quem não acredita que mulheres possam ter um espaço na cena da música pesada, é também um álbum que quebra outros tabus, como "metal e hardcore não se misturam".
Download.

terça-feira, maio 06, 2008

HORSE the band - The Mechanical Hand


Quando ousadia, força de vontade, criatividade e outros adjetivos necessários para uma banda obter sucesso são juntados, não há outro resultado a não ser o merecido sucesso. E é por isso e pela originalidade que a HORSE the band é uma banda que vem obtendo uma enorme popularidade ao redor do mundo. Possivelmente os criadores do nintendocore (se não são, pelo menos mostraram o estilo para a maioria das pessoas), os rapazes são altamente notáveis por fazer uma mistura muito boa entre a maioria dos estilos terminados em "core" (hard, old e new school; math; post; alguns traços de grind...) com um teclado que executa igualmente a sonoridade 8-bits de video-games como o Nintendinho e o Super Nintendo.
The Mechanical Hand, de 2005, é o terceiro CD deles - ignorando a demo, EP's, DVD e tudo mais. Mostra a banda em um de seus melhores momentos, esbanjando criatividade em músicas progressivas e surpreendentes. Para deixar tudo ainda melhor, a produção é completamente 5 estrelas, deixando todos os instrumentos muito audíveis e com uma sonoridade única para cada um, de modo que você percebe claramente cada arranjo individual. O vocal altera muito entre o limpo e o gritado frenético, com uma interpretação muito expressiva e descontraída, às vezes até teatral, e isso combina muito com as passagens de video-game do teclado. Tudo muito original, de fato, mas não dá para deixar de falar do teclado. Galera, esse tecladista é muito bom. Escute "The House Of Boo", pois nesse som o cara faz igual aquela parte em que o Mario está dentro da casa fantasma. E vejam bem, não é sampleado, é tocado mesmo! Sem falar nas diversas passagens que o cara cria com a sonoridade 8-bit, pois nem tudo é cópia dos games. Melhor música do CD, disparadamente. É um clima simplesmente empolgante e nostálgico! Aliás, está esperando o que para conferir também algumas músicas como "Birdo" e "Octopus On Fire"? "Manateen" e sua passagem à la Side Pocket também é para emocionar.
HORSE the band merece a sua atenção. Bandas originais assim são pérolas nos dias de hoje. Altamente recomendado. Download.

segunda-feira, maio 05, 2008

La Quiete - La Fine Non È La Fine


Se você ainda tem aquele conceito inteiramente errado sobre emocore, aquele que está na mente da maioria das pessoas, graças às afirmações e informações erradas que a Mtv e os demais canais fornecem, faça a gentileza de baixar esse CD e escutar com atenção.
La Quiete é uma banda italiana de emocore verdadeiro ou emo-violence. Seu som é caracterizado desse modo por ser gritado de maneira desesperada (não há técnica de gutural ou rasgado, os gritos são literalmente gritados), possuir aquela sonoridade semelhante ao hardcore old school (muito sujo e pouco pesado), bateria frenética que executa até blast-beats, guitarras caóticas ou bem harmoniosas, e por aí vai. É um tipo de som que esmaga muitas bandas de heavy metal, pois é hardcore. A única diferença são as letras, que possuem conteúdo emocional em vez de protesto. E confesso que é até difícil achar informações e músicas deles na net, pois o som é totalmente underground. Com certeza passa longe de tudo que as pessoas costumam chamar de "emo" hoje em dia. Por falar nisso, esse rótulo está associado somente a coisas ruins, e isso é uma pena.
Baixe o álbum e mude sua opinião. Mas, por favor, não vamos começar a discutir sobre os álbuns que já foram postados aqui e chamados de screamo ou emocore e que não têm ligação com esse (Alesana, por exemplo). Não posso mudar o mundo. Às vezes tenho que usar uma linguagem que todos (ou a maioria) entendam. Espero que compreendam. Até breve! Logo logo postarei Daïtro, uma banda do mesmo estilo, porém vinda da França.

domingo, maio 04, 2008

Sleep - Sleep's Holly Mountain

Vindos da cidade de San Jose, a capital do Vale do Silício, na Califórnia, o Sleep, é considerado, hoje, como um dos mais importantes nomes do Stoner Metal, que foi muito bem desenvolvido no início dos anos 90, nessa região da América do Norte, e que reflete até hoje, na música pesada.
A banda nasceu a partir da cinzas de uma banda de nome estranho: Asbestosdeath, que tocava uma mistura de Sludge e Punk (e que tiveram a discografia relançada recentemente). Com a entrada do jovem Matt Pike, nas guitarras, trocaram o nome pra Sleep e em forma de um power trio fudido (Al Cisneros no baixo e vocal e Chris Hakius na bateria), lançaram este, Sleep's Holly Mountain, segundo disco, em 1993, via Earache Records.
Tido por muitos como um dos pilares do Stoner Metal, ao lado de outros clássicos da mesma época, Blues For The Red Sun do Kyuss e Spine Of God do Monster Magnet, estes cdzitos podem ser considerados como a base pra quase tudo que veio depois. Com forte influência do Doom Metal, as vezes parece que os riffs de Pike foram feito pelo Mr. Iommi, do Sabbath, e por isso, a banda era muito comparada com o Saint Vitus, outros seguidores ortodoxos do Black Sabbath.
As rifferamas pesadas e no estilo "monolítico", bem marcadas e lentas, deixam o disco com um clima meio mofado e nebuloso, talvez, devido a fumaça que a banda fazia, que ficam bem clara nas letras e principalmente, na capa (olha ali as folinhas de Cannabis). Junto temos, uma bateria sequinha, meio coadjuvante, altas doses de groove, devido ao peso destilado pelo baixo e a guitarra, e muita viagem musical.
A banda conseguiu uma base de fãs fiéis imensa, porém para os padrões de uma banda, que se encontra no underground do underground, e devido as atitudes anti comerciais (o espírito anti social fica claro no som), a banda entrou em colapso e outros passaram a frente. Felizmente, hoje Matt Pike tem uma das bandas mais afude do cenário de música pesada, que é o High On Fire, que misturou todo o clima Doom com velocidade e um pouco de agressão, e é considerado "Herói", dentro do circuito Stoner/Doom, mas não está nem perto de alcançar a popularidade de Josh Homme e Dave Wyndorf, assim como os dois estão longe de alcançar a mesma habilidade com as cordas de Pike. Download.

sexta-feira, maio 02, 2008

Iron Madness - Slaughter Shiver

Iron Madness é o nome artístico de Ziv Viner, músico/produtor de dark psytrance. É um artista bem novo cuja carreira também é iniciante, já que Slaughter Shiver, lançado em 2007, é o seu único álbum até o presente momento.
A sonoridade é simplesmente alucinante e carismática. Como pode-se supor pelo nome do estilo, efeitos macabros, samples de filmes de terror, atmosferas obscuras e demais elementos sombrios são fundidos à velocidade e o ritmo característico do psytrance, resultando em um som que tende a agradar tanto os fãs da música eletrônica até os que não gostam da mesma. Por ser bem o oposto daquelas melodias bonitinhas e alegres, a música acaba por prender mais à audição. Ao ser escutado em um aparelho de som potente, pode causar aceleração cardíaca e até desencadear calafrios e diversas reações. Particularmente, creio que é o tipo de som ideal para tocar numa festa rave. Fico imaginando o que acontece com quem toma um doce e começa a escutar esses sons explodindo nos speakers... Cacete, deve ser muito insano! Mas não pense que é um filme de terror, pois está longe disso. Nem todas as músicas seguem a linha dark. Se você tem um ouvido atento, perceberá uma ou outra com um andamento mais tradicional. Ah, e claro, não fique esperando um atentado sonoro. É apenas um tipo de som eufórico e obscuro, nada arrastado e depressivo. Ok?
Sinta-se à vontade para baixar e apreciar o trabalho desse cara que, na minha modesta opinião, merece um espaço na cena mundial de DJ's e produtores renomados. E prova disso é que suas músicas já foram parar em diversas coletâneas. Mas é isso, 1 hora e 15 minutos de pura psicodelia dançante. Acha pouco?
Download.

quinta-feira, maio 01, 2008

X - Los Angeles

Não, nao estamos falando de uma banda de metal japonesa, estariamos se os mesmo nao tivessem mudado seu nome para X Japan (para evitar estes problemas). Nem de nenhum projeto nerd de musica alternativa. Estamos falando de uma das melhores bandas ja surgidas na califórnia. Exene Cervenka, John Doe, Billy Zoom, DJ Bonebrake são o time da banda formada em 1977. Destes, os dois primeiro dividiam os vocais, o terceiro a guitarra e o DJ tocando a bateria. Apesar do pouco sucesso mainstream eles foram, sem sombra de dúvidas aquelas bandas que fazem a história de uma cidade, neste caso Los Angeles, nome do cd e nome de música. Música esta que foi responsável para que o grupo ganhasse a chave da cidade. É pouco ou quer mais? X é lindo, Exene e John Doe dividem lindos vocais, embalados por guitarras rock'n'roll e baterias simples e, ao mesmo tempo, completas. É difícil de explicar o que se sente quando se escuta este notório grupo de punk rock. Eu, por exemplo, sinto como se estivesse na Los Angeles de 1930, dentro de um livro beat de John Fante, numa tarde quente e seca. A voz de Exene realmente é inconfundível e extremamente bonita, compondo tudo da maneira que deve ser. "Los Angeles" é extremamente viciante, linda, perfeita (ja coverizada pela melhor banda da história da terra: Descendents). Além dela, temos "Adult Books" (versão demo) ja coverizada por Sublime, "Your Phone's Off The Hook, But You're Not", "Soul Kitchen", "Sex And Dying In High Society" e muitas outras, todas candidatas a hits. Minha favorita é "I'm Coming Over (Demo)", linda, rapida, punk rock de verdade com um vocal perfeito. É um album de hits, indescritível, lindo, obrigatório para qualquer criança queira se achar o senhor punk rock.
Baixe, escute e se apaixone por uma das mais importantes bandas que ja sairam daquela bendita terra americana de merda. E agradeça nos comentários, ou você acha que é facil procurar por "x" nos mecanismos de busca? :)
Baixe! e comente :}