sábado, dezembro 20, 2008

Napalm Death - Time Waits For No Slave


Napalm Death é o nome que sempre será lembrado pela maioria como o de "banda criadora do grindcore". Apesar de alguns alegarem que já havia uma banda japonesa fazendo isso, ou até que o Terrorizer já tocava antes deles, o Napalm leva o trunfo, e ainda rodeado de alguns fatos estranhos. Por exemplo: lançaram o álbum Scum com duas formações diferentes, uma em cada lado do LP. E nesse clima seguiram... Hoje, já não há sequer um membro original!
Times Waits For No Slave chega 2 anos após Smear Campaign. Na contramão do que muitos imaginavam, ele não segue inteiramente a mesma linha dos álbuns anteriores, que foi de repetir a mesma fórmula constantemente. De início, com a matadora "Strongarm" (porrada do início ao fim em todos os instrumentos, com direito a um ótimo revezamento do vocal gutural com rasgado) e as duas faixas seqüenciais a ela, pode até ser essa impressão dos anteriores. Todavia, do meio ao fim, fica claro que há elementos incomuns na história do grupo, como a adição de breakdowns e de umas passagens mais cadenciadas. A mistura entre os andamentos lentos, mornos ou velozes também é notável, e, francamente, isso não soa bem, pois torna as músicas indefinidas e bem medianas, sem aquele pique que deixa cada vez com mais vontade de escutar, encontrado na maioria dos demais álbuns. E como possui 50 minutos de duração, a maioria deles sem nada demais a acrescentar, o álbum acaba por se tornar demasiadamente decepcionador, vindo do Napalm. Escute "Downbeat Clique" e "Life and Limb" para entender. Lá no fim, ao menos, há mais um pico de empolgação, com "A No-sided Argument", dotada de um dos solos mais legais já registrados por eles.
Infelizmente, esse acaba por ser mais um na lista dos poucos álbuns do Napalm que não serão tão cultuados. É uma pena, pois tenho certeza de que a maioria aqui gostaria de poder presenciar um grandioso lançamento e vê-los tocando pelas terras brazucas, mas fazer o quê se a época do Scum e do Harmony Corruption já passaram? Download.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

It's All Red - Vicious Words From The Heart


Vermelho é a cor que vem à mente quando qualquer tipo de emoção intensa toma conta.
Certamente foi pensando nisso que nomearam banda. Os porto-alegrenses chegam com uma atitude enérgica, ousada e interessante com o debut Vicious Words From The Heart.
Prepare-se para gostar ou repulsar o som deles, porque as referências aos sentimentos não estão só no nome da banda e das músicas, mas nas melodias e estruturas em si, sejam de ódio ou frustração (ao menos soam com essa tonalidade). O lance aqui é recheado de influências, com predominância do death metal, do NY HC e do alternativo. Tudo muito extremo, para lhe deixar com pensamentos extremos. Pegamos, por exemplo, "Poisonous (His darkest wishes made flesh)". Tem uma forte pegada hardcore, passagens com blast-beats, vocal super podrão, coros no melhor estilo gangueiro e um refrão muito limpo, levemente chorado e emotivo. Parece até uma aperfeiçoação de It Dies Today com Throwdown. Para muitos é o fim; a outros, porém, é excelente! Encontro-me na segunda das opções, pois eles conseguiram juntar coisas bem distintas sem agredir os nossos ouvidos. "Inventory Of The Missing Things" possui um refrão super viciante, uma letra excelente e um final contagioso, de tão empolgante! Vão mantendo o clima dessas no CD inteiro, tendo como outro pico a faixa "Crime Room", na qual há a participação de uma excelente vocalista, dividindo tudo na dose exata com o vocalista. A única coisa estranha desse som são uns barulhos que parecem ser uma caixa de "bateria eletrônica". Meio ocultos, mas presentes em vários momentos. "A party is not a party unless someone gets home devastated" é outro destaque, recheada de atraentes linhas de guitarras e um refrão no estilo "hey hey hey", em coro. Para finalizar, "The Arrival Of Ages" dá uma parada para dar mais uma pincelada do grande talento dos guitarristas, onde tocam algumas notas limpas e marcantes. É o mesmo esquema de bandas como o Callisto, ou seja, excelente (na "... And So On" também rola um lance assim).
Atualmente, passaram por uma mudança de formação: Troca do vocalista. Segundo a maioria dos ouvintes, foi para melhor. E o segundo álbum será melhor ainda!
Mesmo com a produção bem crua e levemente abafada, Vicious Words From The Heart mostra uma banda promissora! E isso não é só dito por aqui, como na edição #2 da revista HORNSUP, mas em vários sites gringos. Quer saber mais? Procure, então. Download.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Aphex Twin - Windowlicker


Richard D. James, vulgo Aphex Twin, é um dos mais bem-sucedidos artistas do ramo eletrônico. Considerado por muitos como o criador do "IDM" (isso já foi explicado em um post do Monolake), além de um dos principais criadores do "ambient techno" (escute o álbum Selected Ambient Woks), foi eleito "a mais influente e criativa figura da música eletrônica contemporânea - pelo jornal inglês The Guardian.
Windowlicker, EP lançado em 1999, é uma boa amostra de tudo isso. Começamos pela faixa-título: Temos de tudo aqui! Ambient, glitch, experimentalismo, IDM e até algo futurístico! Sim, futurístico! Já se vão quase 10 anos, mas a sonoridade continua mais que atual. Essa faixa será a trilha sonora do meu verão. Predomina um clima sexy, graças às vozes femininas que sussuram em coro, com leves batidas e uma linha de baixo eletrônico bem charmosa. Como é uma música super-progressiva, logo vão aparecendo os "glitches" (barulhos estranhos, como se fossem 'erros' de algum programa ou equipamento, distorção digital, reverse, etc), que ficam até o fim, e na última parte temos uma sonoridade distorcida ao extremo, com batidas camufladas e altamente viciante! Sem dúvida alguma, é um clássico da discografia dele! Mas não pára por aí, não. "ΔMi−1 = −αΣn=1NDi[n][Σj∈C{i}Fij[n − 1] + Fexti[n−1]]" (vai saber o que é isso?! Seria a fórmula dele para compor?!) é uma mistura de drum and bass bem rápida, com muitos glitches, vozes e sons indescritíveis. Por fim, "Nannou" é como uma viagem ao passado, mais precisamente até o dia em que você abriu uma caixinha de música e ouviu aquele sonzinho limpo, como o de um piano, a tocar.
Foi criado um vídeo para a faixa-título, dirigido por Chris Cunningam (esse cara faz cada obra!), que rendeu um prêmio de melhor vídeo no Brit Awards 2000. Esse vídeo é uma paródia para com os artistas de rap que vivem naquele estilo 'rico'. No clipe, dois rappers estão passeando até encontrar duas mulheres, as quais se recusam a entrar no carro deles. Discussão vai e vem, o carro deles acaba atropelado pela limusine de 38 janelas, onde está Richard, que logo sai do carro e começa a dançar. Se eu for contar o clipe inteiro, vai longe! Procure no youtube que vale a pena! Além disso, diversas imagens são perturbadoras, e há também cenas bem picantes - fatos que levaram o vídeo a ser censurado.
Windowlicker soa como um trabalho original e ousado, muito adiantado para a época em que foi feito, permanecendo assim até os dias de hoje. Download.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Boards Of Canada - The Campfire Headphase


Hoje, a postagem será alternativa. Faz tempo que não rola uma assim, então decidi traduzir as opiniões dos ouvintes que postaram na página do BoC, na Last fm, alguns comentários sobre as minhas faixas favoritas:

Chromakey Dreamcoat: "Meu irmão não tem nada em comum comigo quando o assunto é música - ele escuta hardcore e metal. Mas quando escutei essa música no Ipod dele, tive que sorrir".

Satellite Anthem Icarus: "Eu adoro essa música! Passei um mês em uma pequena ilha, e eu e meu amigo Charles deitávamos na praia durante a noite e ficávamos escutando essa música várias vezes, refletindo sobre nossas vidas. Ela tem um lugar especial no meu coração!".

'84 Pontiac Dream: "Música para fumar... E da melhor!"

Slow This Bird Down: "Meu filho de 6 anos gosta dessa música porque 'tem sons que parecem dinossauros' ".

Essas são só alguns exemplos. O álbum todo é bem longo e agradável, com uma sonoridade meio 70/80 nas baterias, atmosferas super relaxantes, algumas guitarras, violões e muito mais! Vale a pena baixar ou comprar! Download.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Sam Alone - Dead Sailor


Sam Alone é um nome novo, mas a pessoa por trás dele já está na cena há tempo. Quem? O Apolinário (mais conhecido como "Poli"), da hardcoreana banda portuguesa chamada Devil In Me.
Entretanto, o som do Sam Alone, como sugere a bela capa, é um countryzão no melhor estilo americano, aquele que quando se escuta dá para imaginar o cara tocando e cantando a música num boteco qualquer do Texas. Carregadas principalmente pela marcante e expressiva voz de Poli, bem como do eterno companheiro violão, as músicas ainda apresentam guitarra, harmônica (gaita de boca), bateria e percussões, entre outros, tudo muito equilibrado pela tracklist, deixando o disco soando bem variado do início ao fim.
É difícil sintetizar através das minhas humildes palavras o que Poli conseguiu fazer. Tente imaginar a letra mais sincera que você poderia escrever sobre o mundo ou sobre si mesmo. Pense em acordes de violão que encaixam-se perfeitamente nisso. Para finalizar, cante sem medo ou vergonha, literalmente solte a voz. Consegue imaginar tudo isso? Pois bem, ele conseguiu fazer exatamente isso. Esse mar de sentimentos são perfeitamente expressados no refrão de "Deathproof", na letra e na harmônica de "Demons" e na altamente influenciada por Johnny Cash, "Pills and Ghosts".
Se você procura por uma música que seja adequada para ir refletir sobre sua vida ao olhar o pôr-do-sol, ou simplesmente fumar um cigarro e beber um Jack Daniels - por sinal, há uma citação referente a esse sagrado whiskey em "Sinner" -, Dead Sailor é a melhor opção. Download.

terça-feira, novembro 25, 2008

Between The Buried And Me - Colors Live


Haja cabeça! Não contentes em "apenas" lançar Colors, no ano passado, um álbum conceitual, super trabalhado, ultra-progressivo e mega-técnico (ufa, achei que não acabava a lista), BTBAM decide dar o passo mais ousado de toda a carreira: Um DVD ao-vivo com o Colors executado na íntegra, além de tocarem, depois disso, músicas dos outros álbuns. Se alguém ainda não entendeu, é como se o Pink Floyd tocasse o The Wall inteiro, sem pausas, e depois ainda incrementasse algumas músicas do Piper At The Gates Of Dawn e do Wish You Were Here. Agora ficou claro, não? E por mais que pareça impossível, não é. Conseguiram reproduzir as músicas com enorme fidelidade, não pulando um arranjinho sequer, mostrando todos os músicos (6, no total) muito focados e empenhados no trabalho. Se fosse fazer a resenha no mesmo estilo das músicas, teríamos um livro de bolso. Se alguém quiser escutar death metal, hardcore, blues, Queen e mais uma leva de bandas progressivas, aqui está tudo reunido em um só. "Sun Of Nothing" deixa isso claríssimo, assim como "Ants Of The Sky"! Mas para quem é fã de algo mais brutal e épico, "Informal Gluttony". A quem prefere pancadaria (quase) total, "Decade of Statues". O resto fica a seu critério, pois essas músicas passando de 10 minutos são bem propícias à libertação da imaginação. Para fãs de arte (quem se restringe 'só' à música, pode não entender bem), esse é um trabalho marcante e que merece ser conferido com atenção total!
Download: CD 1 . CD 2.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Asian Dub Foundation - Punkara


Uma coisa que me irrita profundamente na música são “artistas engajados” e isso não é de hoje. Desde os tempos mais remotos, décadas atrás, artistas tentavam usar a música para fazer do mundo um lugar melhor. Só tentavam… muita conversa mole e pouca ação. Hoje como exemplo maior temos o U2, que acha que cantando No More! No More! de "Sunday Bloody Sunday" podem fazer diplomacia entre qualquer país, ou Sting, do falecido-recém-ressuscitado-com-fim-próximo Police, que de alguma forma, pretendia cantar "Roxane" até que ninguém mais cortasse uma árvore sequer na Amazônia.
Só que há bandas que conseguem fazer músicas realmente engajadas, com um discurso realmente palpável, pois quem não lembra do Rage Against The Machine? Apesar das boas letras, que os deixaram muito conhecidos, a maioria realmente apenas se importa com a música, principalmente em uma terra que se fala português e além do mais, quem se importa com letra? Bom, música não precisa ser necessariamente poesia, não precisa nem ter uma letra, mas eu devo dizer, que com uma letra boa fica BEM MAIS AFUDÊ (ainda mais quando tu entende). Apresento-lhes o coletivo Asian Dub Foundation.
Iniciado nas idas dos anos 90 em Londres, o grupo surgiu de forma interessante: Em uma série de Workshops para ensinar música eletrônica para crianças asiáticas em Londres, começaram as primeiras batidas do ADF, que esse ano chegam ao seu sexto disco, esse mesmo, chamado Punkara.
Para aqueles que não conhecem, o Asian Dub faz hoje uma das misturas mais sensacionais da música “moderna”. Eles tem com base a música eletrônica, mas fogem totalmente desse universo: suas influências variam desde o Punk (evidente em guitarras e Ideologias) até música ambiente, e muito notável a experimentação com os ritmos asiáticos, indiano, árabe e dos balcãs, assim como o evidente flerte com ritmos mais “grooveados”, hip hop, ragga e dub, só para explicar o nome.
É um disco bom, que continua na luta contra o racismo dentro da cultura nacionalista britânica, e que dissemina a idéia para todos os lugares, onde esse tipo de burrice, é realidade. Um disco pesado como o ótimo Enemy Of The Enemy, e melhor que o anterior, Tank, um disco que passou batido, e que eu não costumo ouvir e nem dar indicações.
O problema mesmo é por ter altos e baixos, músicas fudidamente boas, Super Power, que abre o disco é o convite pra festa-salada-musical, uma mistura bem afinada de cordas indianas com guitarras, tu vai querer até dançar. E como não poderia ser diferente, o destaque total para o cover de Stooges: "NO FUN"!!! PORRA, e como se não bastasse, os ingleses ainda conseguiram com que a lenda viva IGGY POP cantasse junto. Influência clara do grupo, fizeram uma versão ao estilo eletro-folk-dub com o aval de Pop, simplesmente inexplicável.
Ao mesmo tempo, o disco não tem o mesmo brilho de outros anteriores, muito se deve a troca de vocalista, saíu Deeder Zaman, um dos jovens que o grupo descobriu no início da história, por Al Rumjen, também de origem oriental, tocava em uma banda de Ska Punk chamada King Prawn. Apesar do ótimo background, quem acompanha o conjunto sentiu uma perca, mas sem nunca deixar de apoiar e fugir da briga.
Fiéis as origens, sempre incendiários e com discurso na ponta da língua, chamam atenção por ser um dos poucos grupos extremamente politizados que falam “coisa com coisa” e que ainda assim, tem um som bom pra caramba. Mesmo se tu não tiver nem aí pra letra… Dance Revolution. Cada vez mais o som do ADF se encaixa em nossa época. Nada de politicagem chinfrin. Download.

terça-feira, outubro 21, 2008

Bison B.C. - Quiet Earth


Banda iniciante, mas muito promissora! Isso foi dito no post do Mastodon (não por mim, mas...), e o que aconteceu?
Quatro rapazes canadenses formam o Bison B.C., essa banda cujo som é, de certo modo, um pouco inovador. Ok, todos aqui já escutaram thrash metal e bandas com vocais "plagiados" do Mastodon, eu sei, porém a maneira como esses caras fazem tudo isso, soa um tanto quanto original. É o thrash metal mais sujo e pesado dos últimos tempos! Sem dúvidas pela produção à la Sludge Metal, totalmente saturada de peso e distorção. Mas aí é que está o grande lance, pois, como já falei, eles não tocam sludge, mas, sim, thrash metal, e incrivelmente com algumas escalas e solos de blues (!!!), bem como passagens recheadas de loucura (Stoner Metal? provável) e alta progressão em algumas faixas.
Quiet Earth nos mostra uma banda fazendo um som bom e com maestria, fatos que melhorarão com o passar do tempo, pois certamente farão muitos shows e tocarão com mais freqüência. No momento, contudo, é um pouco de exagero falar que se trata de algo grandioso, mas está a caminho. Enquanto isso, vá escutando a pegadona "Dark Trowers", ou, quem sabe, viaje com a longa e estranha "Wendigo Pt. 1 (Quest For Fire)". Download.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Blind Melon - For My Friends


Blind Melon pode ser considerada como uma banda de One-hit Wonder, pois quem não lembra de "No Rain" e guria coitada vestida de abelha?
Pra quem deu uma passo a frente e resolver conhecer a banda, se deparou com uma baita trabalho e musicos profissas. O primeiro disco deles é uma mistura perfeita entre Folk, Country, Swingado Rock. Como estavamos nos anos 90, chamavamos de rock alternativo.
Conheceram a fama muito rápido e logo, recebemos a notícia que o vocalista Shannon Hoon tinha morrido de overdose, mesmo depois de ter prometido parar após o nascimento de sua filha, Nico Blue.
A notícia que mais me deixou apavorado foi que em 2006 eles resolveram voltar, mesmo sem Hoon. O mesmo que o Alice in Chains fez, e o que o Queen anda aprontando, porém eles não gravaram um disco. O Blind Melon sim.
O nome do novo vocalista é Travis Warren, que cantava numa banda chamada Rain Fur Rent. For My Friends saiu do forno esse ano e passou mais despercebido que a volta de Zack De La Rocha aos estúdios. Um disco que continua exatamente onde eles pararam, das melodias psicodélicas e acústicos bem feitos, passando pela melancolia até a alegria em questão de acordes, mas sem o mesmo feeling.
A primeira coisa que veio a mente quando me deparei com esse disco foi: Contrato com Gravadora. Informações verificadas, eles lançaram o disco de maneira independente e não se tratava de lançamento por cabestro. Parece que a banda realmente se juntou pelo espírito de Jam Band que eles têm, meter o pé na estrada e fazer shows, pois dinheiro é o que eles não vão conseguir como no auge dos anos 90.
Provavelmente não irão conseguir muitos fãs novos, já esperado, mas com certeza vão fazer a alegria de alguns, que assim como eu, ainda gostam deles, mesmo sem o carisma de Hoon. Download.

dEUS - Vantage Point


dEUS é uma das poucas bandas belgas que conheço, e a única de rock. As outras todas são de Metal, um dos bom produtos oriundos dessa terra, assim como o chocolate de Bruxelas (Equivalente a Gramado no RS).
Nunca botei muita fé neles, mas sempre achei interessante o nome e principalmente a grafia estilizada. Finalmente, esse ano eles chamaram a atenção pela música e não pelo nome: Vantage Point é com certeza um dos discos de 2008 que eu mais escutei e ainda não saíu do meu carro.
As influências são as mais variadas, desde Free Jazz ao Kraut do Can, até a bizarrice do Zappa ao barulho do Velvet Underground. Essas influências eram bem mais evidentes nos discos anteriores, Vantage Point tem uma atmosfera mais calma, bebendo fortemente na veia pop, com alguns traços de post-grunge e viva os rótulos!
Tendência Pop bem balanciada com experimentalismo, de eltrônicos e ritmos oitentistas. Música agradável e que deixa qualquer Coldplay no chinelo, não é por menos que foram a primeira banda de rock belga e ter contrato com uma gravadora major. Até hoje não consegui achar uma resenha que passasse o real espírito da música do dEUS, e com certeza não será essa, além dos clichês sobre a Bélgica e influências, é claro. Download.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Rosetta - The Cleansing Undertones Of Wake/Lift


Quem lembra do álbum Wake/Lift, da Rosetta? Pois bem, logo na primeira faixa já fica claro que possui um "quê" a mais. É difícil, mas quem escuta música com bastante atenção percebe que o álbum é recheado de samples e sons de fundo. The Cleansing Undertones Of Wake/Lift é exatamente isso! Todos os samples, atmosferas, ruídos e o que você imaginar que foi adicionado às músicas do grupo.
Deve-se priorizar algo desde o início: A ordem das músicas aqui, bem como de cada sample nas composições, não coincidirá se tocada junto ao álbum normal. Segundo a banda, isso é proposital. Como resultado de todo esse 'background', temos um disco totalmente experimental, feito apenas dos ruídos, distorções, microfonias, samples agradáveis de ambient, dissonâncias, ou seja, é ambient/noise. A priori, quando soube desse álbum, imaginei algo diferente e mais agradável. É isso, mas não em alto grau. A parte noise comanda quase o tempo todo, bem como o experimentalismo. Não é o álbum mais adequado para ouvir e relaxar, mas certamente pode render uma trip, se você estiver sob o efeito de álcool ou drogas. As músicas vão de 9 a 11 minutos. Nada disso será usado novamente, segundo declaração banda, por questões de ética e respeito aos ouvintes, o que, convenhamos, é uma atitude digna.
Tentar explicar mais é em vão. Assim como é difícil achar uma agulha em um palheiro, é difícil explicar um CD que não contém instrumentos, ritmo, ou qualquer característica definida. Resumidamente: Um álbum igual à capa. Download.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Intronaut - Prehistoricisms


Intronaut é o nome de uma das mais novas e experientes bandas do atmospheric sludge. Nova pois seus primeiros trabalhos são datados de 2006, experiente pelo fato de, até pouco tempo atrás, ter possuído um ex-membro de grandes nomes do death metal mundial, das bandas Impaled e Exhumed, o qual passou grande conhecimento aos restantes membros, além de possuírem uma quantidade bem considerável de materiais.
Prehistoricisms é o seu segundo full-lenght, sucessor do bom e bonito Void. Na introdução "Primordial Soup", a banda nos apresenta uma bela guitarra limpa, junta a sons flutuantes típicos do estilo ambient/atmospheric, dando uma leve pincelada do que é aprimorado em músicas como "The Literal Black Cloud" e "Prehistoricisms". Só que nessas e nas demais há um algo a mais, e quem conhece o estilo já deve imaginar, que são as bases de baixo e guitarra totalmente saturadas de peso e distorção, geralmente bem monotônicas, vocal agressivo e bateria lenta e socada. Uma das características que mais surpreende nesse novo álbum dos californianos, é que ousaram-se a incrementar certa velocidade alta em algumas faixas, e até um solo de bateria em "Any Port". Também seria injusto não falar da épica, tranqüilizante (na primeira parte) e super-progressiva "The Reptilian Brain", recheada de sitar e percussões no melhor clima indiano (já ouviu Ravi Shankar? Muito similar!) no início, alternando somente para um instrumental limpo, e quebrando tudo ao fim em seus quase 17 minutos de duração, fechando o disco de uma maneira totalmente inesperada!
Ao escutar Prehistoricisms diversas vezes, a conclusão a qual se chega é que a Intronaut vem de vez para conquistar seu merecido espaço dentro do estilo, ainda mais por apresentar certas inovações. É um belíssimo álbum, sem dúvida alguma o melhor já lançado por eles! Download.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Trivium - Shogun


Pois bem, chegou ao fim a expectativa por um novo álbum do Trivium, que pode ser representada por um dos discos mais esperados por 25% dos contribuintes do blog, ou seja, eu. E como não poderia ser diferente, esse vai ser mais um texto similar a todos os outros que se pode encontrar na internet sobre o disco, que contenham as palavras: Jovens, Metallica e Chute na bunda - em todos os idiomas, sem exceções.
Começamos pelo maior clichê: Seguindo as tendências das revistas britânicas (Pois os americanos eram muito bundões para assumir), o Trivium era cotado para ser a nova promessa metálica em 2005, quando lançaram o disco Ascendancy, fortemente influênciado pelo metalcore americano e com alguns traços mais Thrash "melódico", em suma, um belo disco, mas longe de originalidade e uma grande simpatia com a crítica.
No ano seguinte a promessa do Trivium ser um dos grandes nomes do metal mudou: passaram a ser chamados de o novo Metallica. The Crusade, o disco de 2006, explorou muito mais a parte melódica da banda, no quesito melodia mesmo e não no sentido perjorativo. Memorável trabalho de riffs, num estilo meio Thrashcore, com as linhas vocais limpinhas, que muita vezes lembravam nosso amigo Hettfield.
Pra mais aprendizado, na turnê do Crusade, o Trivium deu uma banda pelos Estados Unidos e Europa umas duas vezes, com bandas do calibre de: Maiden, Metallica (o de verdade), Korn, Arch Enemy e Machine Head. No final do ano, ainda ganharam o prêmio de uma revista, de melhor banda ao vivo e toda essa bagagem fez aumentar a experiência e a confiança, que foi facilmente enganada por arrogância.
Final de contas é que o Trivium não virou o novo Metallica, pois o próprio Metallica fez isso (Death Magnetic, mané). O Trivium fez algo mais difícil, mas não sei se mais importante, que foi gravar pela primeira vez um disco com a própria cara da banda, sem nenhuma comparação ou estilo genérico.
O primeiro grande passo, foi o chute na bunda do produtor Jason Suecof, que trabalhava com ele desde o primeiro disco, o terrível Ember to Inferno, por um sujeito mais experiente, Mr. Nick Raskulin, que trabalhou com o Foo Fighters, Mondo Generator, Rush e Velvet Revolver. As declarações da banda eram algo do tipo "Queremos pegar os melhores ingredientes dos álbuns e fazer um disco completo". O baixista Paolo foi ainda mais longe "The Crusade foi um disco que sôa pequeno, queremos fazer um Cd pra chutar todas as bundas".
Ainda mesmo em 2007 começaram as gravações para o anunciado Shogun, que agora, já deve estar chegando nas lojas de todo o mundo, e que nos HD's, chegou há mais tempo. Então vamos pro que interessa.
Shogun é definitvamente o trabalho mais bem feito até agora pelo quarteto americano da Flórida, e isso não significa que seja o melhor. As declarações pré-gravações foram levadas bem a sério e o que temos aqui são os riffs matadores do Crusade, com mais alguma complexidade e perigo e os altas doses de gritos, peso e velocidade do Ascendancy, um bom jeito de chutar o teu traseiro.
Mas ao mesmo tempo, é um disco difícil de se engolir, devido as mudanças drásticas que ocorrem no "andar da carroagem", a passagem da porrada, pro leve, pra mais porrada ainda, dificulta certa vezes, até estar de acordo com a proposta. Certamente alguns fãs de metal não se sentiram muito a vontade com a idéia, pois certas musiquinhas tem forte apelo POP, isso mesmo, refrão grudentinho e tal, e depois andamentos meio desconcertantes. Falando assim até parece mais uma banda genérica, mas logo no início eu disse "Originalidade", não se esqueçam.
As estruturas foram elevadas a uma nível mais alto, e os riffs, meu deus, os riffs.. é um cima do outro, que se misturam entre os coros em várias camadas ou até vocais semi-guturais, que é quando o peso se solta e a bateria é socada sem dó, chamando o espírito headbanger pra balançar o cabelo, mesmo que não tenha.
Mas como nem tudo são flores, ou espadas Hanzo, Shogun é um disco que contém alguns pontos fracos, algumas músicas que não empolgam TANTO, mas que não deixam a peteca caír - os pontos altos dominam e compensam - "Krisute Gomen" é uma abertura devastadora, com andamentos que beiram o Death, uma experiência sem precendentes, qual foi escolhido para ser o primeiro single do disco, que logo dão espaço pra "Torn Betwenn Scylla and Charybdis", que logo de cara, virou uma das minhas favoritas, graças às melodias alá Amon Amarth. Os outros singles escolhidos foram "Into The Mouth Of Hell We March", legalzinha e chicletona (acabou parando na trilha sonora da série Madden NFL) e "Down From The Sky", outro grande ponto alto, intensa e viciante.
A parte musical já foi absorvida totalmente por mim, e já é um grande candidato para meu top 10 pessoal, pro final do ano, mas o que eu ainda não consegui consilhar foi a arte do disco e seu nome, com o conjunto da obra. No disco anterior, tinhamos um conceito, muito interessante por sinal, que eram todas músicas sobre Seriais Killers (?), e agora a única música que consigo ligar ao tema Japa, é a última faixa, um épico de 11 minutos que leva o nome do disco. Bom, talvez seja a mesma idéia do Powerslave do Maiden, onde a capa, nome do disco e todo o palco está ligada a apenas uma música... espero estar errado sobre isso.
É sim o disco mais desafiador deles, e mais ambicioso, uma maneira de acabar com todas as suspeitas sobre o talento da jovem banda e tentar firmar mais ainda no terreno metálico, mostrando toda a devoção da banda pelo bom e velho metal. Agora, só espero e torço, para que consigam a mesma popularidade e êxito, ou até mais ainda, que obteram no disco anterior, as chances são grandes e eu continuo apostando violentamente neles. Download.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Gang Green - Another Wasted Night


Gang Green foi (ou é, pois o fim não é algo declarado) uma banda oriunda de Boston, lá dos anos 80, que tocava aquele hardcore sujo e divertido, sem muito peso, mas com muita atitude, já que seu fundador, Chris Doherty, tinha apenas 15 anos.
Another Wasted Night, CDzinho lançado pelos meados de 1997, é uma coletânea cujas músicas são datadas de 1984 a 1988. A primeira impressão é estranha. O vocal é agudão e incomum no estilo, obviamente devido a idade de Chris. Modestamente, o melhor que ele fez foi ir tocar guitarra nos Jerry's Kids, posteriormente, pois seu vocal é, no mínimo, bizarro. Mas as músicas são ótimas! Temos como exemplo a empolgante "Alcohol", que foi coverizada pelos alemães bêbados do Tankard e pelos finlandeses malvados do Impaled Nazarene. No mais, várias composições simples e atraentes, com exceção das que fecham o álbum, pois parecem uma tentativa frustrada de tocar um country.
Atualmente, após diversas mudanças de formação no período dos anos 90, a banda encontra-se num constante hiato. Pelo que se sabe, o último show (ou um dos últimos) realizou-se em 2005. Há rumores de que Chris esteja em estúdio compondo músicas novas. Por enquanto, o lance é escutar as antigas, que não são uma maravilha completa, nem serviram como base de inspiração para diversas bandas, mas são severamente boas naquilo que se propõem a ser! Download.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Callisto - Noir


Vem da Finlândia essa banda cujo estilo não é novidade para ninguém, mas o modo como compõem, ah, esse, sem dúvidas, será uma bela novidade.
Callisto engloba-se dentro daquela proposta chamada de sludge metal, atmospheric sludge, post-metal, post-rock, e tantos outros. É até engraçado, pois cada vez mais, a cada dia, surgem bandas que mixam vários gêneros e sub-gêneros, e ainda chegará o dia em que não existirá mais rotulagem, exatamente porque o rótulo vai parecer uma equação química, de tão extenso, assim como essa frase foi. Retomando, os rapazes, nas passagens agressivas, como dá para suspeitar, lembram bandas como Cult of Luna e Intronaut, mas, nas passagens limpas, confesso que conseguem ser Callisto. E essa sonoridade Callisto mistura jazz de saxofone, instrumentos tradicionais, mas com sonoridades diferentes, quem sabe até modelos alternativos (o contra-baixo usado em certa passagem de "Folkslave" possui uma tonalidade incomum), teclado que executa tanto atmosferas como arranjos... É bom parar de falar, pois o melhor a se fazer é escutar com fones de ouvido e tentar entender tudo. Óbvio que algumas bandas já fizeram algo parecido (Yakuza é um forte exemplo), mas, definitivamente, há algo no som do Callisto que marca demais e soa inovador.
Noir é o segundo longa duração do conjunto, lançado em 2006. Um fato muito curioso: Dizem que antigamente o som do grupo era super bruto e veloz, numa mistura de metal com hardcore. A mudança ocorreu no álbum anterior, True Nature Unfolds, onde a banda começou a executar o estilo de hoje. Em Noir, segundo os especialistas (devo me omitir, pois ainda não escutei o primeiro), direcionaram-se a um som mais dinâmico e progressivo. Do início ao fim, é um álbum excelente! Prende muito o ouvinte. Tendo quase uma hora de duração, é raro o fato de possuir apenas uma leve parte desagradável: A introdução de "Pathos", onde o teclado executa algo estranho de explicar. Mas o que realmente importa são as partes boas, as quais aparecem em grande estilo, como podemos conferir com o sax de "Wormwood" (segundo a minha namorada, possui um clima totalmente cosmopolita), as melodias lindas e memoráveis das guitarras em "The Fugitive", a já citada mais acima devido ao contra-baixo, e certamente a que trará uma enorme nostalgia a quem jogou Chrono Trigger, "Folsklave" (alguém se lembra da floresta que se cruzava para chegar ao castelo? Nela tocava uma música, a qual o Callisto fez uma semi-cópia, proposital ou não, pelo que me soa). "A Close Encounter" possui um instigante solo de flauta, se não estou enganado, é aquela faluta oriental, similar às dos "encantadores de serpentes". Isso é só um pouco do que podemos conferir, porque, acredite, há bem mais.
Um álbum maravilhoso, aconselhável a escutar sozinho, para relaxar e refletir. Download.

terça-feira, setembro 09, 2008

Amon Amarth - Twilight Of The Thunder God


Ô, mas que surpresa agradável!
Não sabia que os suecos do grande grupo Amon Amarth lançariam um disco novo. Imaginei que poderia acontecer, mas pelo que podemos conferir em With Oden On Our Side, confesso que não me entusiasmei em acompanhar as atividade da banda. Bom, mas o que importa é que eles voltam com força total, investindo novamente naquilo que os consagrou (apesar de a alta velocidade ainda estar presente em grande parte do disco).
Mas você sabe o que os consagrou? Foram aquelas melodias de guitarras lindas de chorar! Aquelas que apesar de serem melódicas, não soam apelativas nem manjadas. Os ritmos de bateria em "marcha", algo que não é comum entre bandas de death metal e muito menos de metal melódico. Por essas e outras que o Amon Amarth vem, há anos, conquistando diversos fãs pelo mundo. Essa sonoridade certamente é algo que os caras tiram do frio da alma, do fundo da crença e do país natal. Ainda há vários solos, para o delírio dos mais fãs. Outro fator importante é o vocal, que ficou bem encorpadão.
Numa análise geral, mais um ótimo álbum na carreira deles, ficando pau a pau com um Versus The World, por exemplo. Destaques? Difícil, mas, convenhamos, ao escutar o solo de "No Fear For The Setting Sun", a guitarra limpa de "The Hero" e o refrão de "Guardians of Asgaard" posso dizer que senti fortes momentos de inspiração! Nada mau para um 7º álbum, hein?
Que continue assim, para que cada vez mais as pessoas tenham o prazer de escutar uma banda memorável como essa! Download.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Boards Of Canada - Trans Canada Highway


O duo Boards of Canada, ao contrário do que se pensa, não são canadenses, mas, sim, escoceses. Os irmãos Michael e Marcus (nascidos respectivamente em 1970 e 1971) iniciaram a carreira em 1987, estando na ativa até os dias de hoje.
Trans Canada Highway, lançado em 2006, é um lindo EP, e foi por ele que conheci o duo. Um fato curioso: O álbum foi lançado no dia 06/06/2006 (o tal dia 666, assim como o Stench of Redemption, do Deicide), para manter uma relação com outro álbum do grupo, o Geogaddi, o qual possui 66 minutos e 6 segundos de duração total. Tudo não passa de brincadeiras para mexer com os ouvintes e com os os fanáticos, como os próprios membros afirmaram (as zoeiras iniciaram após sugestão do presidente do selo). Sua sonoridade é flutuante! Abre com "Dayvan Cowboy", música na qual já temos a essência das outras músicas: Fortes e agradáveis atmosferas de ambient, batidas eletrônicas suaves e samples de guitarra entre outros instrumentos.
Certa vez vi um amigo falando que o som dos BoC era nostálgico... De fato! Aqui na região onde moro, havia um canal de TV que passava uns documentários velhos pra cacete (mas na época que foram feitos deveriam ser os top), e "Skyliner" tem uns sons muito semelhantes às intros daquilo. Escutar determinadas passagens é como entrar num túnel do tempo! Fecha com um remix de "Dayvan Cowboy", apresentando-a mais suave, mais camuflada e mais longa.
Certamente o primeiro de alguns deles que virão aqui para o blog. Se você aprecia tudo que foi dito logo acima, baixe agora e divirta-se! Download.

terça-feira, setembro 02, 2008

Soilent Green - Inevitable Collapse In The Presence Of Conviction


Falta pouco para acabar o ano, mas já há como perceber que alguns álbuns ficarão no top dos melhores. O Soilent Green é uma das bandas que conseguirá tal proeza, e o mais curioso de tudo é que eles, por lógica, já deveriam estar enterrados há muito tempo. Por quê? Em 2004, o baixista cometeu suicídio ou foi assassinado (a única certeza é que foi uma das duas hipóteses). Em 2005, durante o Furacão Katrina, o vocalista original foi uma das vítimas fatais. Isso é só uma pequena parte do que aconteceu com os caras, pois houve diversas outras coisas, mas eles estão aí, firmes e fortes.
Invevitable Collapse In The Presence Of Conviction, lançado há poucos meses atrás, é um grande marco na carreira do Soilent Green. Além de possuir excelentes músicas, marca a mudança de selo, dessa vez trabalhando com a Metal Blade, e foi produzido pelo mestre Erik Rutan (atual Hate Eternal, ex-Morbid Angel). A fórmula é a mesma dos outros álbuns, aquela que ninguém sabe explicar direito, a qual uns dizem "deathgrind com sludge", "brutal death com punk", entre outros. O esquema não é catar rótulos, mas, sim, pegar as pinceladas de tudo que há e tentar organizá-las aqui, mais ou menos assim: Riffs e escalas totalmente à la Black Sabbath, passagens de puro grindcore instrumental, partes de tempo quebrado e arrastado, vocal agressivo. Por aí...
As melhores faixas são "Antioxidant" e "A Pale Horse And The Story Of The End", pois são as que mais empolgam. Algumas versões contam também com um cover do Exhorder, mas não é o caso dessa do download. Vale a pena conferir!
Quem conhece sabe, e quem não conhece também sabe - nesse último caso sabe o que está perdendo. Download.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Motörhead - Overnight Sensation

Longo tempo se passou, porém estou de volta com um cd do Motörhead. Não se deixe enganar pela capa - convenhamos que até mesmo uma capa preta é mais "atraente" que a cara dos três seres que ali estão. Pelo menos o Lemmy tá escondendo a verruga, virando a cabeça um pouco pro lado...
Overnight Sensation é um belo álbum, que não deve nada aos demais já gravados pelo tiozão/motoqueiro/caminhoneiro Lemmy. Sucessor do Sacrifice, foi a volta da banda à formação de power trio, com um guitarrista a menos. Foi o primeiro cd original do Motörhead que eu comprei (estava barato na época =D) e não me arrependi de forma alguma. Certamente, foi um dos cds que mais escutei em toda minha vida... e isso deixa marcas em qualquer um. Pra você pode não ser a mesma coisa, mas quando eu ouço "Civil War", é isso. Essa é a música que eu preciso para a vida. Eu posso ficar sem o AC/DC, até mesmo sem o Metallica (tá bom, sem o Kill 'Em All não dá pra ficar)... mas ficar sem Mötorhead? Não... ouvindo uma música como essa é que você percebe porque é que essa banda têm o respeito que têm, e porque, apesar de todos esses anos, eles ainda têm respaldo no mundo do rock'n'roll, fazendo ótimos álbuns, que é pra não deixar os fãs parados.
Esse cd aqui tá bem longe de ser considerado pela crítica em geral como um dos melhores do Mötorhead, porém para mim, é um dos melhores que já ouvi em toda minha vida... Em "I Don't Believe a Word", Lemmy muda um pouco o tom de voz e canta com uma voz mais limpa - imagine você que essa é a balada do cd (se é que podemos dizer que um cd desses TÊM uma balada). "Eat The Gun" lembra muito Sodom, não só pela temática de guerra, mas também pelo instrumental, rápido e pesado. Incrível como uma banda como o Mötorhead infuenciou toda uma geração de bandas, e abriu portas para gêneros inexistentes como o thrash metal. Se não fosse pelo vocal bêbado do Lemmy, com certeza o mundo hoje não teria tanta graça (pelo menos para mim, não!). Mas para mim a melhor faixa do cd ainda está por vir, a última, "Listen To Your Heart", que tem até um violãozinho acústico no meio... Como é que músicas como essa são "esquecidas" no tempo? Como é que uma música dessas não recebeu a atenção que deveria? É uma música linda, e acho que não estou exagerando... pois pra mim, essa música marcou demais... mais até que muita música que não pode faltar num show do próprio Mötorhead, singles de outras bandas boas... deu pra entender a idéia...
Enfim, é um belo álbum, variando bastante entre estilos, inclusive, porém dentro dos limites do que o Mötorhead faria... - músicas rápidas, músicas mais lentas, palhetadas thrash, bateria nervosa, vocal rabugento... Com certeza, se eu fosse pra uma ilha deserta e pudesse escolher apenas 5 cds pra levar, esse era um que não poderia faltar. Download.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Red Sparowes - Aphorisms


Red Sparowes, até onde sei, foi a primeira super banda do estilo que chamam de post-rock, mas, para mim, isso aqui vai além de rótulos, e caso fosse para dar-lhes um, eu diria tranqüilamente: Atmosférico. E por quê uma super banda? Porque foi fundada por membros do Isis e Neurosis, em 2003. Infelizmente, há pouco tempo atrás, Josh Graham, do Neurosis, deixou o grupo, e Aphorisms foi todo composto sem o mesmo.
Havia escutado um EP deles com outra banda do gênero, a Gregor Samsa, e achei muito lindo. Não exitei antes de conferir este Aphorisms, pois, pelo que tinha lido a respeito, a sonoridade e as músicas estavam ótimas, e realmente estão. Apesar de possuir somente 3 faixas, todas tem uma boa duração, e nada é encheção de lingüiça, acabando com uma duração de 17 minutos. Fisicamente falando é isso, todavia, se você já conhece as bandas da raiz e as demais do gênero, certamente sabe que dá para ir muito além ao ouvir essas músicas, e o desprendimento com a percepção do tempo ocorre logo nos primeiros acordes. Não é à toa que posto esse álbum numa sexta-feira, porque sei que todo mundo chega cansado do trabalho, ou cansado de qualquer coisa que tenha ocorrido no decorrer da semana, e escutar uma banda como essas serve de remédio. "We left the apes to rot, but find the fang grows within" (não se assustem com os títulos, pois são apenas títulos) abre em grande estilo, com linha de guitarra lembrando muito o espetacular e último álbum do Isis, In The Absence Of Truth. Reina uma calmaria absoluta, mesmo com a execução dos instrumentos sendo "intensa". A guitarra é limpa, há uma atmosfera tranqüila de ambient ao fundo (similar às do Oceanic), e todos os instrumentos fazem algo bonito. Quanto aos outros sons, não sei o que falar, apenas digo que os títulos são apavorantes! "Error has turned animals into men, and to each the fold repeats" (o que pode, no fundo, ser verdade) e "The fear is excruciating, but therein lies the answer".
Certamente um daqueles materiais em que nada se compara à audição. E se você é como eu e o Lincoln Hawk, que aprecia essas bandas e mais outras do naipe de Explosions In The Sky, aqui está um presente. Download.