terça-feira, junho 30, 2009

Converge - Jane Doe


Converge, resumidamente falando, é uma super banda. Não, não estou falando de uma banda formada por músicos de diversas outras bandas e cuja reunião resulta em algo grandioso - embora o som deles, principalmente neste álbum em questão, seja deveras grandioso. Digo isso porque todos seus integrantes são dotados de diversos talentos!
Jacob Bannon, além de ter uma voz rara e muita expressão, é consagrado artista visual - efetuando até algumas capas do próprio Converge -, ativista pró-vegetariano e muito mais. Algumas bandas para as quais ele realizou trabalhos (desde capas a logos ou algum tipo de design): Disfear, Poison The Well, Modern Life Is War, Goatwhore e dezenas de outras. Kurt Ballou, além de dominar a guitarra e o teclado, canta em certas ocasiões e já é um consagrado produtor! Bandas com as quais trabalhou: Torche, Misery Index, Genghis Tron, Trap Them e muitas outras. Nate Newton, o baixista, também é guitarrista e vocalista em outros dois projetos: Old Man Gloom (com Aron Turner, do Isis, e Jay Randall, do Agoraphobic Nosebleed) e Doomriders. Ben Koller, baterista, pode ser o enigmático baterista do United Nations.
A banda surgiu em 1990 e, de lá para cá, já lançou sete álbuns (fora as várias demos, um EP e diversos splits com nomes do calibre de Brutal Truth)! O oitavo é planejado para ser lançado em vinil neste mesmo ano em que estamos vivendo pelo selo Deathwish Inc. (pertencente a Jacob) e em CD pela Epitaph. Jane Doe é o quinto e fora lançado em 2001.
É completamente difícil fazer uma resenha minuciosa acerca da musicalidade e dos demais fatores que influenciaram o álbum. Há uma presença predominante do hardcore punk, mas há também arranjos bem complexos, quebradas de tempo e uma caoticagem tradicional do mathcore. O vocal de Jacob é extremamente gritado e chega a soar distorcido, dando um certo ar de noise. As composições são dotadas de muito sentimento! E independente do tipo, seja algo raivoso ou um profundo lamento, a síntese de todos eles contribui para o bom decorrer das canções. Cada vez que escuto, uma atmosfera diferente é abosrvida. Acredito que seja devido à enorme quantidade de "informação" aqui presente. Por isso, visto que são alguns meses escutando o disco, recuso a fazer algum tipo de julgamento ou algo mais minucioso. Prestou atenção em tudo que foi dito logo acima? Pois bem, acredito que isso lhe dará uma base do talento dos músicos. Só acrescentando, andei escutando o álbum You Fail Me e não senti a mesma intensidade de Jane Doe. De fato, esse foi considerado por muitos dos fãs como o ápice do Converge! Sem mais, baixe (ou compre) e seja feliz! Download.

quarta-feira, junho 17, 2009

Future Of The Left - Travels With Myself And Another


Surgido das cinzas do Mclusky, uma das bandas mais geniais e desconhecidas dos anos 2000, e que cometeram um dos maiores acertos musicais deste tempo, o matador Mclusky Do Dallas, o Future Of The Left também vem de Cardiff, País de Gales e faz um som bem parecido, o que deve ser encarado como algo bom. Muito bom.
Esse aí já é o segundo disco do grupo, que mudou apenas de baterista, de uma encarnação para a outra, que resultou em pequenas mudanças, botando um pouquinho de melodia e um pouco mais de polidez ao Noise Rock chute na cara.
Que a verdade seja dita, esse disco é uma maravilha, eu poderia resumir apenas em "Pegue essa merda logo e escuta BEM ALTO!".
Ironia e humor negro é pouco pra esses três magrões loucos. Eu poderia passar o dia escutando "Throwing Bricks At Trains", e eu até já tentei, não consegui por que tive que sair. só mais uma coisa: YOU NEED SATAN MORE THAN HE NEEDS YOU. Aqui.

quinta-feira, junho 04, 2009

Jesu - Why Are We Not Perfect?


Ao escutar este EP do Jesu, muitos pensamentos bons transitam em minha mente. O que me deixa mais feliz é saber que o grande cérebro por trás da banda é Justin Broadrick - um dos primeiros membros do Napalm Death e posteriormente do Godflesh. Mas por quê tanta felicidade? Pelo 'simples' fato de que aprecio em demasia tanto grindcore e som extremo em geral quanto som extremamente leve, mais precisamente música ambient. Portanto, fico feliz de ver que os caras de bandas assim também demonstram interesse em outras áreas da música, como eu, arriscando-se numa carreira assim. É uma maneira de se sentir menos isolado deste mundo, acredite...
Why Are We Not Perfect? contém as mesmas músicas que foram lançadas no split EP com o Eluvium, sendo que a única diferença é a adição de versões alternativas para duas das três faixas. Dizem que esse é o registro mais "acessível" da banda. Admito que só conheço esse material (no momento) e, em decorrência disso, não posso opinar sobre a questão. As únicas afirmações que posso fazer são: Sim, é um material acessível a um público grande, pois é bem leve e deveras agradável de apreciar. A outra é que, independente de tudo isso, temos em mãos um dos materiais de ambient mais cativantes dos últimos tempos! Há muitas atmosferas, vocais oníricos, suaves linhas de bateria e muito experimentalismo na manipulação do som em geral. Como audição obrigatória, indico a faixa título, visto que é tão serena que dá sono (no bom sentido, obviamente).
Justin é quem faz tudo, acredito eu. Somente para a apresentação ao-vivo que necessita de outros músicos. Garanto que todos conhecem o ditado "Quer bem feito? Faça você mesmo!". É, faz sentido. Muitas das "one man band" de hoje em dia executam algo muito interessante...
Frizo novamente: Jesu é uma dessas e é extremamente cativante! O EP em questão agradará de cara, sendo que a tendência é melhorar com o tempo. Download.

segunda-feira, maio 25, 2009

Zombi - Spirit Animal


Poucas são as informações que encontramos a respeito deste duo americano de música progressiva e instrumental, mas, em contrapartida, cheia de detalhes e de riqueza é a música deles.
Ambos os músicos tocam sintetizadores (vários modelos, mas todos são 'arquétipos', ou seja, dos primeiros modelos, aqueles que soam "levinhos" se comparados aos de hoje). Depois, um foca no baixo (Steve Moore, o qual inclusive tem ainda uma carreira solo) e o outro (A.E. Paterra) na bateria.
Por mais que a descrição dê uma ideia de limitação, a realidade ao reproduzir as músicas é bem ao contrário. Com faixas que vão de 6 a 17 minutos, conferimos muita variação de clima, progressão, criatividade e emoção. Exatamente isso: Emoção. Há uma questão mais forte envolvendo a musicalidade deles, e isso é até um tanto quanto difícil de descrever, entretanto leia títulos como "Cosmic Powers" e "Spirit Warrior" para ter uma ideia do que os inspira a compor. Algumas passagens melódicas, recehadas de atmosfera dos synths, acompanhadas da leve bateria e das boas levadas do baixo passam uma sensação tranquila e gostosa, tornando Spirit Animal um bom álbum para aqueles momentos em que queremos escutar apenas som instrumental! A priori, um lançamento muito interessante para quem aprecia bandas de rock progressivo e instrumental, bem como aquele clima de Pink Floyd, Yes, Rush...
A sensação final absorvida através da audição do álbum deve ser similar a de entrar num "buraco de minhoca" e cair no finalzinho dos anos 70, na era pré-digital, e se deliciar com as maravilhas "modernas". Download.

domingo, maio 17, 2009

Q And Not U - No Kill No Beep Beep


Preconceito com nomes de bandas foi sempre algo que me acompanhou vida a fora, mas é algo engraçado. Toda vez que eu ouço algo que eu achava com nome babaca, acabo achando algo interessante, e talvez esse seja um dos maiores exemplos: Q And Not U.
Nascidos em um dos melhores seleiros de bandas da américa, Washington DC, eles também fizeram parte do cast de uma das melhroes gravadoras independentes de lá, a Dischord, que moral hein? E como não podia ser diferente, são grandes seguidores do Fugazi.
Seguidores mas não copiões. Esse quarteto pega toda a energia do Fugazi e combina com várias dinâmicas ritmicas, dançantes, melodicas, guitarristicamente complicadas que resultam em quase um Math Rock. Realmente, é difícil de classificar o som do Q And Not U, mas até o rótulo Dance-Punk já foi usado, e apesar de soar besta, chega a fazer sentido: Uma banda de atitude punk, com uma puta energia, fazem um indie pop agressivo com batidas quebradas e dançantes, sem o uso de teclados e eletronicidades.
No Kill No Beep Beep tem um nome pior ainda que o da banda, mas foi o disco que me fez abrir os olhos para eles, pela honestidade e qualidade do trabalho; um amontoado de clichés que faz parecer com algo totalmente novo, uma sonoridade que gruda logo de cara e algo que tu vai adorar ou odiar, de fato.
Da curta carreira, de 98 a 2005, esse foi o primeiro de 3 discos e talvez seja o melhor deles, mesmo assim não é nenhum clássico. Apesar de ter várias músicas afudê, como a primeira e frenética "Line In The Sand", que por fim descamba pra um funk cheio de distorção ou então "Hooray For Humans", pós punk enérgico lotado de riffs complicadinhos e quebras de ritmo, tem a má companhia de outras nem tão legais quanto, como a número 5, "Kiss Distinctly American", uma calmaria que não só deixa a peteca cair, como ainda chuta ela longe. Mas por fim, acredito que as músicas boas ainda acabam por salvar o disco, e bem. Que me diz? Download.

quinta-feira, maio 14, 2009

Isis - Wavering Radiant


Eis aqui um exemplo de banda que prefere investir novamente em algo diferente a se repetir!
Ao contrário do que a maioria esperava, o Isis não fez mais um In The Absence of Truth. Calma! Isso não quer dizer que voltaram a fazer som completamente sujão na linha do The Red Sea, mas há algo que será dito logo de cara, mais a frente, e que possui semelhança, de certo modo, com essa época. Ainda a respeito deste "diferente", não é nada mais que um aprofundamento de determinados traços e a volta a outros, mais precisamente estou me referindo à grande exploração do lado harmonioso e a reutilização de muitos vocais agressivos, bem como certas passagens bem agressivas do instrumental e mais experimentalismo de estúdio que em qualquer outro disco deles.
O álbum abre com "Hall of the Dead", música dotada de várias passagens de teclado e com uma pincelada do que será apresentado bem mais a fundo pela frente - harmonia e agressividade numa fusão extrema. É estranho que ela soe "morna", não pendendo para nenhum dos lados, mas a idéia torna-se compreensível na faixa seguinte, "Ghost Key". A obra começa com suaves guitarras, muito agradáveis e memoráveis, explorando por muito tempo só as lindas melodias. Em seu decorrer, apresenta versos recheados do vocal grave de Aaron Turner, sendo que determinada parte possui muitos efeitos de estúdio, deixando principalmente o reverb no talo, efetuando, assim, um experimento que soa como "alguém a gritar numa caverna"! É mais um momento muito marcante da música, só não sendo mais que a já citada introdução. No decorrer do álbum a fórmula vai sendo repetida - bem repetida - o que causa certa estranheza, já que eles costumavam variar mais as músicas. Ainda temos, como nos álbuns anteriores, uma faixa puramente ambient. Ela é a faixa-título, emendada com a anterior e com a seguinte. Definitivamente não é a melhor deles, visto que é um tanto quanto monótona - as dos outros álbuns tinham vários elementos -, mas é bem relax e agradável, como dá para supor. "Threshold of Transoformation" encerra o álbum com maestria, envolvida com bastante peso na primeira parte (tem quase 10 minutos de duração), de uma maneira como não se ouvia desde Oceanic (lançado em 2002)! Além disso, enquanto o instrumental se aventura em diversas melodias nas guitarras e escalas ousadas no baixo, existem diversos vocais podrões - beirando o black metal - "ocultos" por filtros da produção, numa demonstração muito bem-sucedida de experimentalismo. Seu final apresenta um "estéreo" das guitarras competindo pela nota mais bonita.
Pois bem, apesar de se atreverem a irem bem afundo em misturar as melodias com mais agressividade, Wavering Radiant não tem o mesmo feeling dos outros álbuns, fato que nos impede daquele "apego" como há para com os outros. Refiro-me àquele "quê" épico e um tanto quanto inexplicável contido nos registros anteriores, os quais davam gosto de apreciar, sendo perceptíveis logo na primeira escutada.
Em contra-partida, Jeff Caxide é responsável por manter uma bela característica do Isis: Aquele contra-baixo destacado! Quem conhece sabe muito bem do que estou falando. Quem não conhece, deve, portanto, escutar o álbum ou tentar imaginar dois contra-baixos gravados: Um normal e outro mais "acústico", flutuante, com um som agudo e grave ao mesmo tempo, sempre tocando somente em passagens memoráveis! Mesmo tocando também no Red Sparowes e no Spylacopa, fica extremamente evidente que é no Isis onde ele despeja seu verdadeiro talento.
Percebe-se que temos em mão mais um CD excepcional! Possui mais prós do que contras, por assim dizer. Conforme fora bem expresso, não é aquele que agradará logo de cara, muito menos o melhor deles, todavia que tem seu enorme valor, revelando a cada audição vários detalhes novos e, com tempo, sendo absorvido com mais facilidade. Em decorrência disso, vai ficando mais agradável e atraente. Lembre-se: Para tanto são necessárias várias audições minuciosas. Dwnld.

quarta-feira, maio 13, 2009

Kylesa - Static Tensions


O que esperar de uma banda com dois bateristas? Aliás, além disso também há três vozes, duas masculinas e uma feminina. Mais ainda: O que será que uma banda desse porte faz em seu quarto CD? Pois saiba que somente escutando Static Tensions você compreenderá!
Notórios por essas características e também pela complexidade de suas criações, Kylesa surgiu em 2001, na cidade de Savannah, Georgia, EUA. Contando com membros já experientes da cena local nos anos 90 e tirando o nome de um ensinamento budista (kilesa mara), a banda sabe - e muito bem - o que faz!
Temos elementos de hardcore old-school, peso tradicional de sludge, vocais passando desde os agudos desesperados, furiosos graves e também os belos e suaves da guitarrista Laura, bem como muitos efeitos de rock psicodélico dos primórdios e stoner metal dos tempos modernos. Não obstante, o método de gravação das baterias é muito notável, pois cada uma toca em um lado - com fones de ouvido dá para perceber cada detalhe diferente, seja uma virada ou um kick a mais. A constante mudança de ritmos na bateria impõe um clima brusco, pois da pancadaria tudo pode tranquilamente mudar para batidas rítmicas e tribais! Em decorrência de tudo isso, podemos encaixar a banda no ramo do metal avant-garde, sem dúvida alguma. Todas as faixas são bem distintas umas das outras, o que vai prendendo à audição, pois jamais cai na mesmice. Como destaques, é justo mencionar a pegada faixa de abertura, "Scapegoat", devido à empolgação que passa com seu memorável verso de guitarra e pelo "duelo" dos bateristas na intro, sem esquecer o momento de experimentalismo psicodélico ocasionado por diversos efeitos de produção numa guitarra que se transforma em vento, voltando a ser guitarra, voltando a ser vento... "To Walk Alone" encerra o álbum em grande estilo! As baterias rítmicas e tribais servem como uma base para as guitarras limpas, na primeira parte da música, as quais deixam pairando um clima de música oriental. Em seguida, entra a distorção, mas não saem as batidas tribais, para o vocal chegar saturado de efeito e com uma guitarra flutuante sobre ele! Sempre é difícil descrever esses elementos de psicodelia, por isso nada como ouvi-los e experimentar das mais diversas sensações. Isso é só para você ter uma noção, pois todas as faixas apresentam algo interessante, em maior ou menor escala.
Dois bateristas, três vocalistas, diversos estilos musicais em síntese e... Ah! Já está mais que explícito o quanto essa banda merece ser conferida! Não perca tempo e vá atrás, pois vale a pena. Download.

terça-feira, maio 12, 2009

Callisto - True Nature Unfolds


Poucas são as bandas que tem o dom de agradar em cheio logo numa primeira audição. Callisto é uma das que conseguem efetuar tal proeza - e olha que não digo isso isoladamente, visto que conheço mais pessoas cuja experiência foi idêntica a minha.
Pois bem, ela ocorreu com o álbum Noir. Nele, além de tocarem aquele sludge/doom saturadão com melodias atmosféricas - também feito com maestria por nomes como Rosetta e Intronaut -, incrementam diversos outros instrumentos, os quais ocasionam em um flerte com determinados estilos. O sax, por exemplo, deixa um clima de jazz pairando. A flauta, em contrapartida, recorda estilos musicais dos primórdios da humanidade. Ainda poderia citar minuciosamente vários outros fatores que os tornam uma excelente banda a se conhecer e explorar, porém vou diretamente a este álbum em questão.
True Nature Unfolds foi o primeiro full-lenght, lançado em 2004. Apresenta-nos uma parede sonora composta de uma euforia sentimental! Nas melodias melancólicas das guitarras, no desespero do vocal, através das pontes do teclado e dos maravilhosos solos de sax podemos sentir uma mistura de tristeza, romantismo, agonia, frustrações, amor e raiva! Após a intro, cujos samples lembram muito os projetos de música ambient de todo o mundo, temos "Blackhole", uma música bem pesada, na veia dos primeiros trabalhos deles (os quais eram mais hardcore e menos atmosféricos). Não tarda e "Limb Diasporas" já vem com uma introdução limpa, baseada em guitarras memoráveis, inegavelmente marcantes devido à facilidade com que penetram em nossas mentes! Essas simples palavras poderiam resumir, em suma, o que é a obra como um todo, todavia deve ser dito mais: "Storm" é um pedaço de arte! São 9 minutos muito viajantes, indo das mais arrastadas e melancólias melodias ao peso bruto do doom, com maravilhosos vocais femininos, depois substituídos por guturais completamente urrados e rasgados de doer a garganta! Como outro destaque, cito a intro de "Caverns of Kafka", bem como seu riff e a fascinante linha geral do teclado (linda em demasia). Ok, a música por completo é ótima.
Recentemente, após mudanças de membros, lançaram o álbum Providence. Notório por soar diferente do seu antecessor, mais ainda desse aqui em questão, é um álbum na "lista de espera" para ser postado.
No momento, contudo, True Nature Unfolds e Noir são ótimos discos para explorar! Não só por serem muito bons, mas porque ficam melhores conforme você vai se acostumando com as músicas, já que elas são longas e trabalhadas, a ponto de quando você "decorar" a linha de um instrumento, poder perceber alguma novidade vinda de outro. A quem preza por detalhes, mas não exatamente por música completamente detalhista, eis aqui um som de primeira qualidade. Quem procura por um som reflexivo, emocionante e capaz de realizar a catarse, deve mergulhar de cabeça! Download.

terça-feira, abril 28, 2009

Aphex Twin - Come To Daddy


Aphex Twin é um artista que já me surpreendeu demais... Hoje - e constantemente - me surpreende mais ainda. Quanto mais se escuta seus trabalhos com atenção, mais detalhes vão surgindo! E por mais que se conheça outros artistas, parece que cada vez mais o som dele soa original.
O primeiro trabalho que escutei foi o Selected Ambient Works 85-92. Não despertou muito interrese e ainda não desperta, sendo que o considero como o "menos bom" entre todos que ouvi. Com Windowlicker, por outro lado, o conceito mudou! São trabalhos de datas longínquas, portanto fica óbvia e lógica a diferença. Com o álbum que leva seu próprio nome, conseguiu fazer algo excepcional e à frente de seu tempo! Portanto será postado em breve e não falo mais dele até lá. I Care Because You Do e Drukqs também marcam, bem como esse maravilhoso Come To Daddy.
A faixa homônima na versão "Pappy" é uma loucura! Drum and bass e breakcore comendo solto, samples vocais muito alterados, um som distorcido e eletrônico semelhante a uma guitarra e todos aqueles arranjos imprevisíveis oriundos da mente brilhante de Richard David James estão aqui - com a originalidade que só ele tem, diga-se de passagem e mais uma vez. Na seqüência, "Flim" apresenta aquele clima mais suave do início de carreira, com agradáveis notas de teclado e atmosferas. Não por isso que as batidas sumam. Mixar batidas velozes com atmosferas suaves sempre fora uma grande qualidade dos trabalhos do Aphex Twin, e provavelmente é nesse EP que elas estão melhor evidenciadas. Ainda a respeito dessa música, ela é realmente muito marcante e até nostálgica! Estava escutando-a com uma moça e conversando a respeito. Perguntei a ela se tinha saudades de sua infância ao escutar essa faixa, pois eu tenho. Ela concordou comigo. Como se não fosse o bastante, as batidas possuem aquela sonoridade "glitch", falhada, quebrada, fato meio inusitado no geral, mas já comum para o Aphex Twin. A obra mais ousada, marcante, exótica e única, porém, não é nenhuma dessas. "Bucephalus Bouncing Ball" é seu nome, e, como sugere, imita sons de bolas pulando, chocando-se, percorrendo um caminho e tudo mais. Mas nada do que eu escreva aqui atingirá o mesmo impacto que a música em sua cabeça se apreciada com a devida atenção e com fones de qualidade. Toda a programação, a progressão, o cuidado no modelar as batidas, o dom em alterar as freqüências, passar os filtros corretos, fora a criatividade que talvez seja o grande mérito de Richard e que o faz trabalhar sob diversos outros pseudônimos (AFX, Gak, Caustic Window, Polygon Window, entre outros); tudo, tudo isso é inatingível através das letras!!! Como último destaque, cito "Funny Little Man". Richard possui uma forte obsessão pelo bizarro! Além de estar totalmente evidenciado em suas capas e vídeo-clipes, temos aqui nos efeitos das vozes. Por ora soa caricato, em outras, todavia, perturbador! Como pôde ele fazer isso em 1997 e tudo soar tão futurista até hoje?
Não é à toa que ele é considerado a figura mais influente no ramo da eletrônica de todos os tempos! Seus diversos fãs, de todos os lugares do mundo e apreciadores dos mais diversos estilos, também não surgiram do nada ou por puro marketing (aliás, o marketing dele parece nadar contra a maré! Tudo é tão incomum...). Tudo de bom que você ver/ouvir/ler a respeito dele é merecido! No mais, só escutando para realmente ter noção do que se trata. Download.

terça-feira, abril 21, 2009

Iggy Pop - Naughty Little Doggy


Até hoje não sei muito bem por que esse disco acabou se tornando um dos meus preferidos de toda a enorme carreira do seu James Osterberg Jr. aka Iggy Pop. Fora os clássicos de 77, Lust For Life e The Idiot, eu poderia muito bem escolher Blah Blah Blah ou Brick By Brick do hit "Candy", que também são considerados clássicos, ao contrário de Naughty Little Doggy que passa quase imperceptível dentro da discografia e é quase ignorado totalmente pela crítica.
De algum modo eu até concordo que o disco não é lá um 5 estrelas, mas pro inferno com toda essa conversa mole. Naughty Little Doggy é o décimo primeiro disco de Pop e tem as músicas mais roqueiras de toda a carreira, por isso faz eu ter um carinho tão especial por ele (tanto o disco quanto O cara), também pela boa produção, tipicamente anos 90: Hard Rock guitarrísticamente bem feito.
Sou da seguinte opinião: se a primeira música do disco for boa, 50% de chances de tu gostar do disco. Isso é totalmente relativo, mas eu gosto mesmo é de dar o play pela primeira vez e logo de cara, encher os ouvidos com música boa. "I Wanna Live" tem extamente esse papel, guitarra simples e viciantes, baixo encorpado, bateria esperta e um clima fanfarrão. "Knucklehead", um Hard Rock de primeira, "Innocent World", faz o estilo clássico de Pop e "Heart Is Saved", que é um punk rock urgente são os maiores destaques.
Já a parte negativa, são três músicas que não são um pé no saco, são na verdade uma tacada de baseball no meio das bolas: "Outta My Head", uma bad trip mística, "Shoeshine Girl", uma tentativa frustada de fazer um épico acústico e "Look Away", um tributo a Johnny Thunders, que não chega a ser ruim, mas é chata. Poderia ser simplesmente apagadas e teríamos um disco maravilhoso. Como não dá pra apagar do disco - em mp3 pode muito bem fazer isso se achar pertinente - o jeito é passar essas músicas e chutar o pau da barraca nas outras. Download.

segunda-feira, abril 20, 2009

Sigur Rós - We Play Endlessly


Não sou a pessoa que mais gosta de compilações, coletâneas e o diabo a 4. Na verdade, tô bem longe disso, acho quase sempre uma grande besteira e injusto, mas tem gente que gosta, principalmente quando quer conhecer uma banda nova, ou quando quer aquele sucesso. Resolvi selecionar We Play Endlessly por duas razões: A maneira qual foi lançado e também pelo primeiro motivo, se alquém quiser conhecer, achei uma boa maneira de conhecer.
Só para se tornar padrão como todas as reviews de Sigur Rós, sim, eles são da Islândia, e dá para dizer que talvez sejam o único produto de lá, além da Björk. Pulando a mesmice, essa coletânea saiu num encarte do jornal inglês The Independent, e foi compilado pela própria equipe jornalística, junto com uma matéria sobre a invasão do grupo, com seu som hipnótico dentro do continente Europeu, uma bela matéria.
O grupo despontou como um dos grandes nomes do Post-Rock e tem uma fórmula única de fazer música. Fugindo do padrão, eles começam cantando em islandês mesmo, que fica evidente aí em baixo, no nome das músicas, e contam com os mais diferentes tipos de instrumentos, usando as mais variadas estruturas musicais, daí o termo “hipnótico”, por todo o minimalismo desenvolvido e envolvido.
A coleção conta com músicas do último disco do grupo, lançado ano passado, Með suð í eyrum við spilum endalaust, da obra prima Takk, de 2005 e mais de um EP e de uma coleção de B-Sides. O início do disco ficou matador, mas como eu disse que toda a coleção é injusta, ficaram devendo músicas do Ágætis byrjun, a não ser que tenha sido algo contratual, mas ainda acaba sendo um bom disco. Tão bom, que acabou sendo um dos downloads mais procurados e rumores de uma versão “de gravadora” mesmo. Serve basicamente pra conhecer o maravilhoso som do grupo. Dwnld.

Bob Mould - Life And Times


Todo mundo deve ter um herói dentro da música, e Bob Mould poderia ser facilmente uma das pessoas que eu mais admiro no ramo. Nos anos 80, foi o frontman da fundamental banda Hüsker Dü e nos 90, passou pra não menos importante, mas menos conhecida, Sugar. Mestre em esccrever letras profundas, introspectivas e ácidas, seu maior mérito é o senso melódico, de conseguir fazer a músicas mais barulhenta em algo até assobiável.
Life And Time já é seu nôno disco de carreira solo, que começou lá em 88-89, no lançamento da obra Workbook. Durante várias experimentações e viagens em alguns discos durante os anos 90 e iníco dos anos 2000, desde 2005 ele vem acertando a mão, fazendo discos de tirar o chapéu. Life And Time faz parte de um trinca que poderíamos chamar de “fodástica”, Body Of Song (2005), District Line (2008 - e um dos destaques do ano passado) e agora esse disco que falo.
Se o disco lançado ano passado provou mais uma vez que eles estava vivo e chutando várioas traseiros, esse novo disco vem só para relembrar-nos disso, porém algumas vezes, parece que estamos ouvindo o mesmo disco, pode ser ruim ou não. A velha história do “de volta as raízes”, as “eletronicidades” ficaram escassas e viva as guitarras: “Argos” é o que mais se aproxima da carreira dele com o Dü, ou então um B-Sides do Sugar. Preferindo gastar o disco inteiro em mid-tempos ou em algumas baladas, é um disco com senso melódico mais que apurado, coisa de mestre, e pretensão Pop, que poderia tocar em qualque rádio e fazer sucesso.(IN)felizmente, tu vai escutar isso só em alguma college-radio.
Comemorando o aniversário de 20 anos do lançamento do seu primeiro disco, discão, diria eu, Sr. Mould nos traz mais um belo presente, lançado novamente pela ANTI- e sem nenhuma perspectiva de receber versão nacional. Toda a experiência do cara para mais momentos de diversão. Dwnld.

Mono - Hymn to the Immortal Wind


Post-Rock ou pós rock, é, para mim, um dos genêros mais fudidos dentro de todos os gêneros e subgeneros que levam junto a definição “rock”. Se tu não sabe do que se trata, te apresento minha amiga Wikipedia. Depois que tu entra pra esse universo “mágico” de uma nova visão sobre musica alternativa, tu começa a buscar cada vez mais nomes.
Nos útlimos (2 - 3) anos, os grandes acabaram lançando discos “fracos”, Explosions In The Skye, Mogwai e 65daysofstatic, bandas novas abrem espaço, e os japoneses do Mono já não são mais tão novos assim, estão perto de fazer seus 10 anos de estrada e fizeram um disco arrebatador e talvez até o melhor de sua carreira.
Fazer músicas compridas já deixou de ser algo ambicioso faz tempo, mas eles ainda conseguem usar essa fórmula, misturando guitarras estridentes com passagens cinemáticas, eles conduzem com maestria a tênue linha entre barulho e melodia, guiados pelo mestre Steve Albini, que ficou no cargo de produtor. Da fúria do nosso guitarra-baixo-bateria, passam em instantes para a beleza de pianos, percussões, metalofones e uma orquestra inteira (!). Definitivamente, um álbum pra se escutar na tranquilidade, nas suas passagens de tensão monstruosas até a beleza épica. É só escutar e fazer um filme na tua cabeça. Dwld.

Brutal Truth - Evolution Through Revolution


Nome de respeito no cenário do grindcore mundial, visto que surgiram em 1990 e, de lá para cá, lançaram pérolas do gênero, como Sounds of the Animal Kingdom e o debut Extreme Conditions Demand Extreme Responses. Além disso, splits com outras bandas grandes também fazem parte da história do grupo. Como exemplos podemos citar Spazz (power violence infernal), Melvins (pais do sludge, para muita gente) e Converge (uma loucura além de rótulos, mas popularmente dita como "mathcore").
Tudo de positivo que é dito acerca da banda é justo, basta lembrarmos que uma das principais cabeças do grupo é Dan Lilker, ninguém menos que um dos mais experientes músicos do cenário metálico/hardcore dos EUA, mais lembrado por seu belo trabalho no Nuclear Assault.
Evolution Through Revolution chega mais de 10 anos após o último full, mas não que esse tenha sido o último lançamento. De qualquer modo, a espera compensou! Temos a oportunidade de conferir um grindcore bem sujo, ríspido e com toques experimentais, tudo feito de um modo bem atraente! Fora o que já era tradicional do grupo, temos a adição de uns solos bem rock and roll, passagens com instrumentos desconexos um dos outros (como se cada um tocasse traços de determinado estilo), jazz técnico e muito mais. A faixa que melhor exprime tudo isso é "Semi-Automatic Carnation", vide sua linha de bateria e as atmosferas da produção de estúdio. Ainda na questão do experimentalismo, temos muito efeito em alguns vocais, a ponto de deixá-los soando eletrônicos, sem esquecer das guitarras de trás para frente (escute com atenção e perceberá! São poucos esses momentos, mas eles existem). Outro fato notório é que devido à modernidade da produção, conseguiram deixar o contra-baixo como uma aperfeiçoação daquele típico dos anos 80 (mais para médio do que grave, com muita sujeira de fundo)! No mais, pancadarias como a primeira faixa "Sugardaddy", a estranha "Detached" e a humorística "Bob Dylan Wrote Propaganda Songs" rendem picos de empolgação na audição do disco.
Um bom álbum, numa ánalise geral. Dão-nos o que era esperado - velocidade, brutalidade, certa técnica e experimentalismo -, só que de uma maneira não muito convencional. Bom! Sinal de que a banda conseguiu se reciclar sem perder a essência. Indispensável a quem aprecia uma sonoridade voraz! Download.

domingo, abril 19, 2009

Condo Fucks - Fuckbook


Condo Fucks é o nome que o trio de nova Jersey, Yo La Tengo, resolveu retomar ano passado para matar o tempo de forma diferente. Usando os nomes fictícios Georgia Condo (bateria), Kid Condo (guitarra), and James McNew (baixo) o grupo fez algo bem pretensioso e inesperado.
Já que foram uma das importantes bandas do underground americano, acabaram descanbando pro lado do post-rock e alternatividades mais complexas, deixando o rock e o folk mais de lado e investindo em ótimas produções e, durante o alto dos anos 90, lançaram um disco de covers, chamado de Fakebook.
Na contramão dos últimos trabalhos do grupo, Fuckbook (referências já ditas) pode ser considerado como: Um chute no cu. São 11 músicas covers, em sua grande maioria, de artistas sessentistas na linha de Richard Hell, Slade, Small Faces, Kinks, Troggs e até Beach Boys, impressas da maneira mais garageira e crua possível. O disco foi gravado ao vivo em estúdio e é uma tosqueira só, poderia chamar isso tranquilamente de Nihilismo musical.
Logo de início, pode parecer ruim de se ouvir e realmente é. Guitarra suja e distorcida com muito barulho, que vai dando momentos de mais melodia, em meio aos barulhos agudos de pratos, igualzinho aquela k7 da tua banda. Interessante pra quem é fã, Fuckbook é um dos grandes lançamentos da Matador este ano, justamente por ser inesperado.`Dwld.

…And You Will Know Us By The Trail Of Dead - The Century Of Self


O Trail of Dead foi uma das maiores surpresas no início dos anos 2000 para os fãs de Pixies, Sonic Youth, Fugazi e Superchunk. Uma banda que fazia um som ensurdecedor, com punch, com melodia NOISE e discos inteligentíssimos, tirando ainda a mística por trás de todas suas apresentações.
De Sources & Tags pra esse Century Of Self já se passaram 7 anos e dois discos pelo meio. Com acusações de terem perdido o fio da meada, ou pecado na criatividade, esse novo disco divide opiniões. A investida de soar épicos no meio do Noise Rock acabou se tornando algo quase visual, surge aí então o tal Art Rock, que até hoje não entendi muito bem.
No geral, achei um disco bem balanceado, viagens progressivas com flertes Glam, passagens épicas dão trégua a barulheiras desenfreadas. A grande diferença é que os momentos mais melódicos, mais calmos e elaborados predominam pelo menos em metade do disco. Não que isso seja ruim, até um pouco longe disso, o que vai determinar a validade disso é o ouvinte. Eu, como fã, achei o disco de certa forma inconsistente, muito balanceado, entre o esporro e a melodia bem trabalhada, porém, de uma visão mais crítica, o disco se apresenta mais completo que os anteriores, líricamente e conceitualmente.
Nota importante: Essa capa foi toda desenhada a mão, com uma caneta BIC pelo vocalista Conrad Keely. Acho que foi isso que fez eu dar uma nota maior, pois a única coisa que eu posso falar a respeito é: Faltou destruição. DL.

quarta-feira, março 25, 2009

Russian Circles - Russian Circles


Sempre tive curiosidade quando lia o nome "Russian Circles". Escutava algumas bandas instrumentais, suaves e, por conseqüência (novas regras ortográficas são para ignorantes e editoras interessadas em encher o bolso! Aqui ainda se usa trema!!!) agradáveis, na linha Red Sparowes, e sempre via "Russian Circles" como um nome relatado. Decidi conferir, pois imaginei que fosse algo frio como o inverno russo ou com características do mesmo país... Algo de se escutar sozinho, por aí.
A princípio, conheci esse EP homônimo com o nome de December. Não sei exatamente o porquê, mas circulam versões com esse nome adentro da internet - o que é um erro. Logo na primeira audição são perceptíveis vários elementos interresantes! As músicas são somente instrumentais, geralmente de longa duração, nas quais o trabalho do trio é bem progressivo - e o melhor: de uma maneira atraente! Há beleza, há o obscuro, há a lentidão, há a velocidade... Existem melodias suaves e a flutuarem sozinhas, porém também há as escalas, arranjos e demais passagens técnicas, matemáticas (o que leva muitos a classificar o som como "math rock") ou de qualquer outro termo que designe um certo nível de complexidade. A isso, conseguem mixar um bom feeling, vide "Death Rides A Horse", com um solo emocionante! Apesar de ser constituído somente por quatro faixas, beira os trinta minutos de duração; de fato, um tempo "certo". Com isso, dá para tirar boas bases e impressões da estréia do grupo.
Atualmente, já lançaram dois CD's, um single e um split.
Eles têm se destacado também pelos shows. Além de abrirem para nomes como Minus The Bear e Pelican, há quem diga que os rapazes entram numa "psicodelia", de tanto usar pedais, samples e variados efeitos que só acrescentam algo a mais do que já podemos conferir aqui nos registros de estúdio.
Uma curiosidade: No último disco, Station, de 2007, o contra-baixo foi gravado por Brian Cook, ex-baixista do Botch (embrião do mathcore, banda de crucial importância, apesar de permanecer no "anonimato"), já que o baixista original deixou o conjunto.
Audição recomendadíssima! Principalmente em dias frios ou à noite. Escute e entenda. Em breve tem mais! Download.

sábado, março 14, 2009

The Replacements - Tim


Tu pode até não conhecer o Replacements, mas eu posso te garantir que eles foram uma das bandas mais importantes do cenário americano nos anos 80. Vindo de Minneapolis, o seleiro de outras boas bandas, em 1984 eles lançaram um dos grandes clássicos do rock alternativo pelo selo TwinTone, chamado de Let It Be, e melhor que fazer um clássico é fazer dois clássicos!
Let It Be chamou a atenção de quem estava ligado no assunto e viu aquela manda punk e mal acabada se aventurando em outros mares, misturando country, melodias e baladinhas, tudo com aquela estética DIY para não perder a pose.
Mas de que adianta lançar um baita discão se tu não tem nem dinheiro pra se.. alimentar? Não que eles estivesse passando fome, mas toda a grana de turnê, era usada para mais turnê, custo de gravações e conserto de instrumentos. A decisão foi conjunta banda/gravadora: é hora de passar pra uma major. Proposta já existiam, pelo interesse que surgiu no lançamento desse disco que já citei duas vezes o nome e o escolhido foi a Sire, subsidiária da Warner.
Nada mal, quem mandava na Sire era o sir Seymour Stein, que era manager dos Ramones e influente na nata musical nova iorquina, ele escalou nada mais, nada menos que Tommy Ramone para ser produtor do novo disco do Replacements, e aí nascia o segundo clássico do grupo, chamado simplesmente de Tim.
O resultado foi uma batalha de egos entre o líder Paul Westerberg, que acabou descobrindo em si mesmo um compositor facinante, e o guitarrista Bob Stinson, cada vez mais bêbado e drogado, só queria saber de tocar música alta e barulhenta. No fim, conseguiram dosar ambos lados no disco, com uma produção superior a todos os trabalhos anteriores, num disco rebelde e instrospectivo e um tanto quanto sincero.
Aquela banda juvenil agora tinha amadurecido, mostrando boa parte de uma influência que não era comum ver em jovens punks, de rock clássico, um pouco de Big Star, um pouco de Chuck Berry, um pouco de Bruce Springsteen e um pouco de Rolling Stones, além de Clash e Pistol, totalmente evidentes. Baladinhas para alguns momentos solitários em "Swingin' Party" e "Here Comes A Regular", que seria uma grande surpresa, caso não existisse Let It Be. "Hold My Life" abre o disco de maneira urgente ao estilo da banda, "Kiss Me On The Bus" é música adolescente apaixonado e a suja e apavorante "Dose Of Thunder", que foi a única música composta por todos.
Logo após o lançamento de Tim, Stinson (Bob) foi chutado do grupo, pois achavam que já não conseguia tocar ao vivo as músicas "menos rock" e estava muito bêbado para tentar. Esse foi o grande auge e a banda mais completa musicalmente, apesar de surgirem as comuns acusações de "se vendeu se vendeu mimimi" de alguns fãs. Download.

quarta-feira, março 11, 2009

Tardy Brothers - Bloodline


"Porra! Obituary total esse som, principalmente o vocal". Cinco minutos mais tarde veio a lembrança do sobrenome, bem como a associação com o presente momento: "Mas claro! Quem mais além de John Tardy tem esse vocal?".
A quem não sabe, os irmãos Tardy (John, vocais; Donald, bateria) fundaram uma banda em 1984, batizada de Xecutioner, que mais tarde viria a mudar seu nome para Obituary e ajudar a moldar o que seria o death metal, no fim dos anos 80/início dos 90, juntamente com os conterrâneos Morbid Angel e Deicide.
Bloodline é o primeiro trabalho sob esse nome. Segundo os próprios, esse nada mais é que o primeiro de muitos! Todavia, por fatos que estão para acontecer, dá para sacar a jogada por trás desse "projeto": Dar uma prévia do que pode ser o novo álbum do Obituary!
Apesar de terem lançado um álbum há pouco tempo atrás, já anunciaram um novo para meados de junho desse ano. E alguém arrisca chutar quem vai lançar o dito cujo? O mesmo selo que está a lançar os Tardy Brothers. As músicas são relativamente legais e um tanto quanto diferenciadas do Obituary, se bem que o vocal de John é único. Apresentam-nos andamentos geralmente mornos, nem lentos nem velozes; guitarras grooveadas (mas sem as palhetadas secas dos grooves modernos), estruturas repetitivas e faixas longas. Com exceção de "Deep Down", a qual é dotada de uma pegada thrash, com direito a bateria socada vorazmente e solos apocalípticos, bem como de "Wired", onde tudo é à base de guitarras sem distorção (belíssimas e agradáveis) e uns solos na manha (bem inesperado, mas acaba por ser uma surpresa boa), as demais faixas soam muito similares às demais, tornando a audição do álbum - como um todo - levemente cansativa e desnecessária. Não chega a despertar aversão, mas também não há picos de boas emoções (fora as duas exceções citadas anteriormentes). Em suma, "medíocre" é a palavra que melhor descreve o álbum (lembre-se: Isso não equivale a ruim, mas, sim, a mediano).
Como já foi dito e deve ser frizado novamente, esse álbum não é nada mais que um "aperitivo" para o que está a vir do Obituary! Segundo o próprio John, ele está empolgado como há tempos não estava! E adivinhem, para completar a lógica, quem gravou as guitarras? Ralph Santolla (atual Obituary; ex-Deicide, Death e Iced Earth) e Jerry Tidwell (tocou com eles na época do Xecutioner).
A quem é maníaco por Obituary e pelo death metal em geral dos anos 90, resta aguardar, é claro, escutando os Tardy Brothers. Download.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf


Falar mal de uma banda sem conhecer é a coisa mais comum que existe, e durante muito tempo foi o que eu fiz sobre o Queens Of The Stone Age. Para mim, a banda anterior de Josh Homme, o Kyuss, foi sempre a banda que importou e o QOTSA era apenas mais uma bandinha.
Eu sempre soube que eles eram e ainda são, um dos maiores nomes do rock nos anos 2000. Via muita gente falando bem deles, e gente de respeito, até que resolvi engolir o orgulho e ouvir que que esses caras tinham pra oferecer...
Songs For The Deaf foi o terceiro disco do coletivo de Josh Homme, lançado em 2002 após o aclamado Rated R, que fez bastante barulho na mídia na época, principalmente por causa do Rock In Rio 3 e a vinda do grupo pra cá. Acredito que a formação do grupo fez com que esse álbum fosse considerado a obra definitiva da banda: Josh Homme frontman, guitarra e voz, Nick Olivieri, que formou o Mondo Generator, no baixo e voz, Dave Grohl, ex-Nirvana e Foo Fighters, na bateria e ainda Mark Lanegan, do Screaming Trees com voz e guitarras adicionais, além de outros vários convidados como Dean Ween, do Ween e Chris Goss, do stoner Masters Of Reality.
A verdade é que o QOTSA avançam um estágio, em comparação ao Kyuss. Saem do Stoner, que eles mesmo "criaram" e partem para uma mistura entre garage rock, hardcore punk, prog metal, hard rock que acaba sendo taxado de rock, ou metal, alternativo. O álbum é uma grande piada, onde existe a possibilidade de ser até conceitual - pela músicas passarem como uma rádio, com direito a DJ's e apresentadores - surgiu a hipótese que seria uma viagem de carro pela Califórnia. Ou de camionete, como sugere o clipe de "Go With The Flow".
Um disco cheio de músicas empolgantes, desde o chute no cu inicial de nome bem bolado "You Think I Ain't Worth A Dollar, But I Feel Like A Milionaire", o hit pop vencedor de Grammy "No One Knows", a porrada "First It Giveth" e a psicodélica com bateria Black Flag "A Song For The Dead". Mas pra quem não gosta muito, lá pelo fim do disco começa a ficar enjoativo, mas nada que atrapalhe.
Ao lado das grandes bandas do anos 2000, o QOTSA é a que melhor representa o rock chute na bunda, divertido e empolgado e esse é para mim, e para muitos outros, o grande trabalho. Download.