quarta-feira, março 25, 2009

Russian Circles - Russian Circles


Sempre tive curiosidade quando lia o nome "Russian Circles". Escutava algumas bandas instrumentais, suaves e, por conseqüência (novas regras ortográficas são para ignorantes e editoras interessadas em encher o bolso! Aqui ainda se usa trema!!!) agradáveis, na linha Red Sparowes, e sempre via "Russian Circles" como um nome relatado. Decidi conferir, pois imaginei que fosse algo frio como o inverno russo ou com características do mesmo país... Algo de se escutar sozinho, por aí.
A princípio, conheci esse EP homônimo com o nome de December. Não sei exatamente o porquê, mas circulam versões com esse nome adentro da internet - o que é um erro. Logo na primeira audição são perceptíveis vários elementos interresantes! As músicas são somente instrumentais, geralmente de longa duração, nas quais o trabalho do trio é bem progressivo - e o melhor: de uma maneira atraente! Há beleza, há o obscuro, há a lentidão, há a velocidade... Existem melodias suaves e a flutuarem sozinhas, porém também há as escalas, arranjos e demais passagens técnicas, matemáticas (o que leva muitos a classificar o som como "math rock") ou de qualquer outro termo que designe um certo nível de complexidade. A isso, conseguem mixar um bom feeling, vide "Death Rides A Horse", com um solo emocionante! Apesar de ser constituído somente por quatro faixas, beira os trinta minutos de duração; de fato, um tempo "certo". Com isso, dá para tirar boas bases e impressões da estréia do grupo.
Atualmente, já lançaram dois CD's, um single e um split.
Eles têm se destacado também pelos shows. Além de abrirem para nomes como Minus The Bear e Pelican, há quem diga que os rapazes entram numa "psicodelia", de tanto usar pedais, samples e variados efeitos que só acrescentam algo a mais do que já podemos conferir aqui nos registros de estúdio.
Uma curiosidade: No último disco, Station, de 2007, o contra-baixo foi gravado por Brian Cook, ex-baixista do Botch (embrião do mathcore, banda de crucial importância, apesar de permanecer no "anonimato"), já que o baixista original deixou o conjunto.
Audição recomendadíssima! Principalmente em dias frios ou à noite. Escute e entenda. Em breve tem mais! Download.

sábado, março 14, 2009

The Replacements - Tim


Tu pode até não conhecer o Replacements, mas eu posso te garantir que eles foram uma das bandas mais importantes do cenário americano nos anos 80. Vindo de Minneapolis, o seleiro de outras boas bandas, em 1984 eles lançaram um dos grandes clássicos do rock alternativo pelo selo TwinTone, chamado de Let It Be, e melhor que fazer um clássico é fazer dois clássicos!
Let It Be chamou a atenção de quem estava ligado no assunto e viu aquela manda punk e mal acabada se aventurando em outros mares, misturando country, melodias e baladinhas, tudo com aquela estética DIY para não perder a pose.
Mas de que adianta lançar um baita discão se tu não tem nem dinheiro pra se.. alimentar? Não que eles estivesse passando fome, mas toda a grana de turnê, era usada para mais turnê, custo de gravações e conserto de instrumentos. A decisão foi conjunta banda/gravadora: é hora de passar pra uma major. Proposta já existiam, pelo interesse que surgiu no lançamento desse disco que já citei duas vezes o nome e o escolhido foi a Sire, subsidiária da Warner.
Nada mal, quem mandava na Sire era o sir Seymour Stein, que era manager dos Ramones e influente na nata musical nova iorquina, ele escalou nada mais, nada menos que Tommy Ramone para ser produtor do novo disco do Replacements, e aí nascia o segundo clássico do grupo, chamado simplesmente de Tim.
O resultado foi uma batalha de egos entre o líder Paul Westerberg, que acabou descobrindo em si mesmo um compositor facinante, e o guitarrista Bob Stinson, cada vez mais bêbado e drogado, só queria saber de tocar música alta e barulhenta. No fim, conseguiram dosar ambos lados no disco, com uma produção superior a todos os trabalhos anteriores, num disco rebelde e instrospectivo e um tanto quanto sincero.
Aquela banda juvenil agora tinha amadurecido, mostrando boa parte de uma influência que não era comum ver em jovens punks, de rock clássico, um pouco de Big Star, um pouco de Chuck Berry, um pouco de Bruce Springsteen e um pouco de Rolling Stones, além de Clash e Pistol, totalmente evidentes. Baladinhas para alguns momentos solitários em "Swingin' Party" e "Here Comes A Regular", que seria uma grande surpresa, caso não existisse Let It Be. "Hold My Life" abre o disco de maneira urgente ao estilo da banda, "Kiss Me On The Bus" é música adolescente apaixonado e a suja e apavorante "Dose Of Thunder", que foi a única música composta por todos.
Logo após o lançamento de Tim, Stinson (Bob) foi chutado do grupo, pois achavam que já não conseguia tocar ao vivo as músicas "menos rock" e estava muito bêbado para tentar. Esse foi o grande auge e a banda mais completa musicalmente, apesar de surgirem as comuns acusações de "se vendeu se vendeu mimimi" de alguns fãs. Download.

quarta-feira, março 11, 2009

Tardy Brothers - Bloodline


"Porra! Obituary total esse som, principalmente o vocal". Cinco minutos mais tarde veio a lembrança do sobrenome, bem como a associação com o presente momento: "Mas claro! Quem mais além de John Tardy tem esse vocal?".
A quem não sabe, os irmãos Tardy (John, vocais; Donald, bateria) fundaram uma banda em 1984, batizada de Xecutioner, que mais tarde viria a mudar seu nome para Obituary e ajudar a moldar o que seria o death metal, no fim dos anos 80/início dos 90, juntamente com os conterrâneos Morbid Angel e Deicide.
Bloodline é o primeiro trabalho sob esse nome. Segundo os próprios, esse nada mais é que o primeiro de muitos! Todavia, por fatos que estão para acontecer, dá para sacar a jogada por trás desse "projeto": Dar uma prévia do que pode ser o novo álbum do Obituary!
Apesar de terem lançado um álbum há pouco tempo atrás, já anunciaram um novo para meados de junho desse ano. E alguém arrisca chutar quem vai lançar o dito cujo? O mesmo selo que está a lançar os Tardy Brothers. As músicas são relativamente legais e um tanto quanto diferenciadas do Obituary, se bem que o vocal de John é único. Apresentam-nos andamentos geralmente mornos, nem lentos nem velozes; guitarras grooveadas (mas sem as palhetadas secas dos grooves modernos), estruturas repetitivas e faixas longas. Com exceção de "Deep Down", a qual é dotada de uma pegada thrash, com direito a bateria socada vorazmente e solos apocalípticos, bem como de "Wired", onde tudo é à base de guitarras sem distorção (belíssimas e agradáveis) e uns solos na manha (bem inesperado, mas acaba por ser uma surpresa boa), as demais faixas soam muito similares às demais, tornando a audição do álbum - como um todo - levemente cansativa e desnecessária. Não chega a despertar aversão, mas também não há picos de boas emoções (fora as duas exceções citadas anteriormentes). Em suma, "medíocre" é a palavra que melhor descreve o álbum (lembre-se: Isso não equivale a ruim, mas, sim, a mediano).
Como já foi dito e deve ser frizado novamente, esse álbum não é nada mais que um "aperitivo" para o que está a vir do Obituary! Segundo o próprio John, ele está empolgado como há tempos não estava! E adivinhem, para completar a lógica, quem gravou as guitarras? Ralph Santolla (atual Obituary; ex-Deicide, Death e Iced Earth) e Jerry Tidwell (tocou com eles na época do Xecutioner).
A quem é maníaco por Obituary e pelo death metal em geral dos anos 90, resta aguardar, é claro, escutando os Tardy Brothers. Download.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf


Falar mal de uma banda sem conhecer é a coisa mais comum que existe, e durante muito tempo foi o que eu fiz sobre o Queens Of The Stone Age. Para mim, a banda anterior de Josh Homme, o Kyuss, foi sempre a banda que importou e o QOTSA era apenas mais uma bandinha.
Eu sempre soube que eles eram e ainda são, um dos maiores nomes do rock nos anos 2000. Via muita gente falando bem deles, e gente de respeito, até que resolvi engolir o orgulho e ouvir que que esses caras tinham pra oferecer...
Songs For The Deaf foi o terceiro disco do coletivo de Josh Homme, lançado em 2002 após o aclamado Rated R, que fez bastante barulho na mídia na época, principalmente por causa do Rock In Rio 3 e a vinda do grupo pra cá. Acredito que a formação do grupo fez com que esse álbum fosse considerado a obra definitiva da banda: Josh Homme frontman, guitarra e voz, Nick Olivieri, que formou o Mondo Generator, no baixo e voz, Dave Grohl, ex-Nirvana e Foo Fighters, na bateria e ainda Mark Lanegan, do Screaming Trees com voz e guitarras adicionais, além de outros vários convidados como Dean Ween, do Ween e Chris Goss, do stoner Masters Of Reality.
A verdade é que o QOTSA avançam um estágio, em comparação ao Kyuss. Saem do Stoner, que eles mesmo "criaram" e partem para uma mistura entre garage rock, hardcore punk, prog metal, hard rock que acaba sendo taxado de rock, ou metal, alternativo. O álbum é uma grande piada, onde existe a possibilidade de ser até conceitual - pela músicas passarem como uma rádio, com direito a DJ's e apresentadores - surgiu a hipótese que seria uma viagem de carro pela Califórnia. Ou de camionete, como sugere o clipe de "Go With The Flow".
Um disco cheio de músicas empolgantes, desde o chute no cu inicial de nome bem bolado "You Think I Ain't Worth A Dollar, But I Feel Like A Milionaire", o hit pop vencedor de Grammy "No One Knows", a porrada "First It Giveth" e a psicodélica com bateria Black Flag "A Song For The Dead". Mas pra quem não gosta muito, lá pelo fim do disco começa a ficar enjoativo, mas nada que atrapalhe.
Ao lado das grandes bandas do anos 2000, o QOTSA é a que melhor representa o rock chute na bunda, divertido e empolgado e esse é para mim, e para muitos outros, o grande trabalho. Download.

Fucked Up - The Chemistry Of Common Life


Em 2008, passei mais da metade do ano reclamando que não havia nenhum bom lançamento de Punk Rock. Digamos que, todas bandas do estilo que eu gostava ou conhecia, me decepcionaram. Bom, isso aconteceu até eu conhecer os Canadenses do Fucked Up.
Uma das gratas surpresas do ano passado, o Fucked Up, fez para mim um dos melhores álbuns do estilo em anos e não é para pouco. Hoje em forma de quinteto, a banda tem uma mistura perfeita entre o hardcore oitentista nervoso, lembrando nomes mais extremos como Neggative Approach e Negative FX, com noise-rock e enormes progressões, de músicas enormes e improvisações barulhentas, com senso melódico e ritmico, levando tudo a um novo nível.
Tanto o som quanto o grupo têm uma estética Anarquista e nihilista, desde shows arrazadores com direito a vocalista peladão, ao pseudo-nomes adotados como Pink Eyes (conjuntivite), Mustard Gas (gás de mostarda), Concentration Camp (campo de concentração) e Young Governor (jovem regulador), letras que atravessam aquele campo reinvindicativo e reclamão, são substituídos por letras inteligentes, puramente irônicas e ácidas, que lidam com questões filosóficas e históricas.
The Chemistry Of Common Life é um disco quase épico, eu chego até me emocionar ao falar. Lançado em Outubro do ano passado, pelo selo indie Matador, me surpreendeu pela capacidade de conseguir inovar e agradar, sem forçar a barra e soar de forma natural. Músicas monstruosas como a abertura "Son The Father" fazem fãs do velho hardcore ficar de boca aberta e ao mesmo tempo impressionados com a mistura com o noise-rock, das longas passagens de pura distorção. Passagens estilo "interlúdio" fazem o disco soar como uma grande obra progressiva, mas ao mesmo tempo Punk e agressiva, ao mesmo nível, lembrando o impactante e clássico Zen Arcade do Hüsker Dü, primeiro banda punk a se atravar fazer isso.
Eu podeira escrever muito mais a cerca da banda, que hoje já é um dos grandes hypes na América do Norte, aparecendo em programas de TV, fazendo shows com Jello Biafra e membros do Cro-Mags e Dinosaur Jr, mas prefiro deixar pra ti tirar próprias conclusões. Uma banda que é muito mais além do hype. "No Epiphany", "Days Of Last", "Black Albino Bross", a mistura perfeita entre melodia, barulho e cacetadas, porra! Porra! Download, PORRA!

Oasis - (What's The Story?) Morning Glory


Quem diria, Oasis aparecer por aqui um dia, hein? Quem diria, eu ouvir Oasis um dia? Então que as coisas mudam, e esse disco acabou caindo na minha mão e numa escutada descompromissada acabei descobrindo o porquê do Oasis já ter sido a maior banda do mundo, apesar disso ter durado pouco.
Se um dia eles chegaram a esse posto, muito eles devem a esse cdzinho. Com o primeiro disco, de 94, conseguiram firmar o nome no cenário underground britânico, tá ligado, anos 90 e britpop, né? O golpe de misericórdia veio no ano seguinte e este Morning Glory é um disco onde metade das músicas são singles, e o melhor, bem sucedidos.
O som do Oasis não é a coisa mais gênial (e original) do mundo, e tu já deve ter notado isso, mesmo que tenha escuta apenas uma vez. Influência de rock sessentista pode ser confundido com cópia ou falta de criativdade, e isso depende do ponto de vista. Acho que o grande mérito deles foi fazer algumas músicas simples musicalmente, com algumas letras que fazem o pessoal cantar junto, num pop/rock que empolga e um senso de melodia sem igual.
Gosto da produção desse disco e da composição. Ele tem um som diferente, uma atmosfera típica de uma banda inglesa, um som "nublado". As vezes acho que a equalização do meu som está definida como "banheiro", mas não está. Também é legal a mudança do estilo "rockstar" do outro disco, pra algo mais refinida, uso de cordas, teclados e gaita de boca.
"Roll With It", "Some Might Say", "Don't Look Back In Anger" e "Champagne Supernova". Tu pode não gostar de Liam ou Noel Gallagher, mas tem que admitir que eles mandaram em metade dos anos 90, para alguns com a música, ou para outros, só com as declarações e cobertura midiática 24 horas. Só mais uma informação que pode ser crucial na hora de decidir ouvir esse disco: "Wonderwall" é desse cd. Donwload.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Primal Scream - XTRMNTR


Se David Bowie é conhecido como camaleão pelas suas diversas versões de visuais, o Primal Scream seria um equivalente se tratando de música e não aparência. Tendo Bobby Gillespie como figura central, ele formou o grupo logo após sair da bateria do Jesus & Mary Chain e desde então vem contando com várias formações, várias colaborações e comanda uma das bandas mais fantásticas dos últimos 20 anos.
Começando num indie pop oitentista genérico, muito semelhante a sua ex-banda, o Primal Scream ganhou reconhecimento com o lançamento do clássico dos clássicos Screamadelica. Captando o movimento que vinha de Manchester no final dos anos 80, o início das raves, esse disco marcou o encontro do rock independente com a música eletrônica, acid house e muito ecstasy. Em 91, no Reino Unido, quem não tinha Screamadelica, tava por fora de tudo.
Pois bem, agora é hora de falar do meu preferido, ao invés do clássico-mor. XTRMNTR ou Exterminator, foi uma guinada brusca no som. Após passarem pelo funk e melodias americanas (Give Out But Don't Give Up) e o eletro dub com krautrock atmosférico cheio de perseguições e paranóias (Vanishing Point), Bobby Gillespie contou com o ex-baixista dos Stone Roses, Mani, na parte criativa e do mestre Kevin Shields, do My Bloody Valentine, que entrou quase como membro fixo do grupo.
A banda publicou que havia parado com o uso pesado de drogas, mas paz foi a última coisa que tivemos. O resultao foi um disco predominantemente eletrônico e agressivo. Não só musicalmente, pois as letras também eram pra encomodar, de forma política, atacando o governo britânico. Participações especiais fizeram parte do disco; além de Kevin Shields, os Chemical Brothers e Bernard Sumner do New Order.
"Kill All Hippies" inicía o disco de maneira vindicativa, dando o mood que o disco vai ter daqui pra frente. "Accelerator" é a junção do MBV com o Primal Scream, nos primeiros três segundos tu já sabe que aquela guitarra tem dono, sir. Kevin Shields. Para quem tem ouvidos fortes, distorção fora do comum. "Swastika Eyes" é o motivo de eu amar esse disco. Ritmo acelerado, barulhos, samples, loucuras. Enfim, um baita disco pra uma noitada perigosa. Download.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Sonic Youth - Murray Street


O Sonic Youth é há tempos uma das minhas bandas preferidas e Murray Street acabou sendo o meu primeiro disco "de verdade" deles e por isso tem um valor maior pra mim (não para venda), por ter me acompanhado por vários lugares e por muito tempo.
Lançado em 2002, na época em que eles eram um quinteto, as gravações do álbum tiveram uma pausa devido aos ataques ao World Trade Center, que teve um impacto brutal na banda e no processo de gravação. Primeiro que o estúdio do grupo era(é) localizado muito perto do atentado (Murray é o nome da rua) e deu um choque enorme dos integrantes, que no dia ficaram trancados, cada um em localidades diferentes.
Sendo assim, o impacto na parte criativa, fez com que o o grupo acalmasse um pouco as loucuras e barulheiras presentes do anterior, NYC Ghosts and Flowers e Murray Street fosse aclamado pela crítica como a volta a boa forma. Bom, a primeira vez que eu escutei, não sabia nada disso e fiquei pensando como que, mesmo num álbum calmo, eles conseguiam ser barulhentos e experimentais.
São apenas 7 músicas mas parece que levam uma eternidade para acabar. "Radical Adults Lick Godhead Style" fala sobre os artistas do anos 60/70 e é a que mais lembra a época dourada do início dos 90's, com riffs desestruturados e ao mesmo tempo, hipnotizantes e 1 min de pura improvisação, que é puro barulho. Tempo depois, fui ver no encarte que essa música teve participação de ninguém menos que Neil Young como co-compositor.
Destaque também para a punk "Plastic Sun", cantada por Kim num ritmo Riot Grrrl, que dura pouco mais de 2 minutos contrastando com "Karen Revisited" e "Sympathy For The Strawberry" que juntas, contabilizam em torno de 20 minutos ao total. A boa recepção do álbum resultou na boa sequência chamada Sonic Nurse.
Outro fato que faz tanto gostar desse disco é a capa. É um dos poucos discos que consegue me passar uma sensação. É como uma propaganda de Mentos, passa um gosto de.. menta. Não sei explicar. Só sei explicar que a capa não tem nada a ver com o título, e que uma das crianças na capa, era Coco Hayley, filha de Thurston e Kim. Download.

Editors - An End Has A Start


O Editors vêm do Inglaterra, da midland Birmingham e praticam o melhor do Pós-Punk. O "melhor do Pós-Punk" pois foram capazes de pegar o melhor de cada parte de suas influências, que passam pelos conterrâneos do Echo & The Bunnymen e Joy Division, e que não podia ser diferente, e um pouco do movimento do outro lado do Pacífico, seja o antigo do R.E.M. início de carreira, ou do revival nova iorquino dos Strokes e The Walkmen.
O quarteto surgiu em 2002 quando estudavam Tecnologia da Música na Universidade e já tiveram outros nomes antes de chegar no atual, como: Pilot, The Pride e Snowfield. Ainda com os outros nomes tiveram um certo reconhecimento dentro da mídia inglesa e em 2004 mudaram de vez para Editors, um ano de lançar o aclamado The Back Room, primeiro disco do grupo.
An End Has A Start veio em 2007 e foi um grande destaque do ano. Lembro que eu via em todo lugar na Irlanda e em milhares de blogs. o primeiro contato que eu tive foi na viagem de volta para o Brasil, onde escutei o cd inteiro no avião e realmente achei sem sal. Que bom que eu tive uma segunda chance.
Eles conseguiram chegar em um outro nível, aplicando mais camadas e mais atmosfera na música, com riffs realmente viciantes e sintetizadores grudentos, fazendo um meio termo entre melancolia e melodia, conseguiram resumir em um disco reflexivo e noturno. A voz de Tom Smith lembra muito a de Ian Curtis e com certeza, deixaria ele orgulhoso.
Um álbum que dividiu opiniões, encontram-se reviews chineleando e outros, assim como o meu, exaltando a produção mais caprichada e o avanço musical do grupo. Cada um acha o que quer, como deveria ser em todos os casos. Download.

F ranz Ferdinand - Tonight


Em 2004 surgiu o Franz Ferdinand para o mundo, com seu disco auto-intitulado. Como a maioria das bandas “cool” dos anos 2000 (Strokes, Hives, Artic Monkeys, White Stripes), os escoceses de Glasgow também acabaram entrando no “seleto” grupo de salvadores do Rock, que era revezado de meio em meio ano. Porém a proposta do Franz era um pouco diferente, surgiam ao lado do Bloc Party e Kaiser Chiefs (que também já foram salvadores), e o revival pós-punk “alegre”, e faziam música dançante, ou vai dizer que tu não ficava batendo o pézinho ao ritmo de "Take Me Out"?
Se os dois primeiros discos deles foram um rock dançante, chicletão e cheio de lalala, agora investiram de vez no rock para pista de dança, sem mudar radicalmente. Tonight: Franz Ferdinand é o terceiro disco do grupo e vem após um intervalo de 4 anos desde o segundo álbum You Could Have It So Much Better e entra na mesma, e nova, categoria de “dilema do terceiro disco”.
Bloc Party e The Killers tentaram se reinventar e acabaram com um grande tiro no pé, e o Kaiser Chiefs tentando exatamente a mesma fórmula dos discos anteriores, acabou passando batido. A grande malandragem do Franz foi inovar sem forçar a barra. O resultado é um disco que não fez feio, mas “poderiamos ter algo muito melhor”.
O lance é o seguinte; deixar de lado as guitarras e empunhar sintetizadores e fazer a galera se jogar na pista. Na teoria funciona muito bem, afinal Tonight… nos é apresentado como um disco conceitual sobre uma puta noitada, com caminhadas noturnas (do’oh), baladas alternativas, putaria e bebedeiras. Esse é o espírito na suja e maravilhosa capital escocesa, mas o disco se mostra meio perdido nessa direção.
Não que o primeiro single seja ruim, "Ulysses" é uma baita música, mas ao contrário dos singles inaugurais dos anteriores, não empolga logo de cara, e chega ser “prog” até chegar no seu auge groove funk quando Kapranos chama “I found a new way, baby” e a cozinha pega fogo e todos cantam lalala alegremente. Não é ruim, mas não tem a mesma intensidade que esperavamos.
O disco tem mais altos do que baixos, e a dobradinha "No You Girls" e "Send Him Away" com seu espírito oitentista dançante. Flertando com o pós punk de raíz, do Gang Of Four e Devo, com um Synth-Pop cafona fazem "Twilight Omen" uma das músicas mais estranhas do disco, e uma das mais interessantes. As influências também passam pelo funk carioca em “Can’t Stop Feeling”, mas nada que possa soar mal. "Live Alone" é a personificação da Disco Music e "Lucid Dreams" é um eletro experimental, destaque do disco.
Há maus momentos, onde o grupo quase deixa a peteca cair, principalmente no final do disco, a balada “Katherine Kiss Me”, que faz parte do conjunto da obra e a viajante “Dream Again”, mas também, lá pro final do álbum. Em suma, boas músicas e um grande desafio que se mostra melhor a cada audição, nada que mudará a música, mas que dá boa credibilidade ao quarteto. Download.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Kiss - Alive III


Kiss sempre foi uma das bandas mais energéticas da história! Seus shows eram mais que shows... Na real, eram espetáculos!
Há quem diga que eles nem são músicos, como Carlos Santana, que causou polêmica ao declarar que "Gene Simmons é só um animador de palco"; há também quem diga que eles são músicos, atores, dançarinos e tudo mais. Por fim, considero-os grandes e inteligentes artistas.
Alive III é de 1993. Como supõe, é o terceiro álbum ao-vivo do grupo. Não é um ao-vivo na íntegra, para ser sincero. As músicas foram gravadas em diversos shows da turnê Revenge. Chegou a Disco de Ouro! A maioria das músicas aqui são clássicos absolutos, de várias épocas da banda. Temos lá dos primórdios, como "Deuce" e "Watchin' You", passando pela época do Creatures of the Night, sem esquecer a indispensável "Rock and Roll All Nite", entre outras. Como também não poderia faltar, há as baladinhas que levavam as mulheres à loucura - provavelmente elas também são a razão do Gene alegar já ter comido milhares-, tais como "Forever" e "I Was Made For Lovin' You".
Enfim, não precisa ser grande conhecedor da banda para constatar que esse é um puta álbum! Mais: Além das músicas, há toda uma atmosfera por parte do público, o qual esteve presente do início ao fim, sempre gritando muito.
Essencial para fâs de rock! Riffs marcantes, refrãos grudentos, solos animadores e tudo mais. Isso é KISS! E ao-vivo, ainda por cima - pura energia! Download.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Ignite - Our Darkest Days


Hardcore é um tipo de som relativamente simples de ser feito, mas suas ramificações são complexas. Um grande exemplo é a diferença mais que notável das bandas da Califórnia e de NY. Dessas regiões saíram grupos que estabeleceram os termos, e hoje tem banda da Califórnia fazendo um som na linha NY e vice-versa. Esse papo que todos já ouviram é só para apresentar o Ignite, da Califórnia, cujo som é totalmente na linha de lá (dããã).
Guitarras sujas e não muito pesadas, coros agressivos e gritando expressões em ritmo de ordem, bateria pegadinha e vocal limpo. Limpo demais, até! E isso acaba por ser um diferencial da banda. Semana passada, conversei com um amigo sobre uns sons, e quando surgiu o assunto Ignite, ele disse: "Olha, CD deles eu nunca ouvi. Mas curti muito a parte deles no tributo ao Sick Of It All! Apesar do vocal ser meio metal melódico, ficou foda!". E é a mesma impressão que tenho! O vocal é tão limpo, mas tão limpo, que acaba por trazer lembranças daquelas bandas de metal melódico, as quais, como a maioria de vocês já deve saber, não agradam muito aqui. Diversas bandas boas de hardcore tem vocais limpos, como o Pennywise, por exemplo. Fato é que acaba por ser bem chato de escutar mais que 3 músicas do Ignite, já que minha preferência é vocal agressivo na linha Terror. Como todos podem ver, há um ônus e um bônus em possuir um grande diferencial. Ao menos é marcante, tenho que reconhecer...
Postando mais para atender a um pedido feito no ano passado. Sinsta-se à vontade para baixar e conferir, bem como para fazer algum pedido. Dentro do que for possível, estaremos atendendo. Download.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Motörhead - On Parole


Simplesmente o debut dessa banda que já foi chamada de "a pior do mundo", mas hoje é altamente cultuada, influenciadora, importante e blá blá blá dentro do universo do rock!
E quando se diz rock, não é só porque o termo engloba tudo que há de som que surgiu depois dele (como o metal, por exemplo) aumentando sua potência. Se diz rock justamente porque o Motörhead era um grupo de rock! E aqui, em On Parole.
Criado e gravado em 1975, mas só lançado em 1979, nunca chegou ao ouvido de todos os fãs. O sucesso - provavelmente pelo desenvolvimento da originalidade do conjunto - de Ace of Spades e Overkill sempre deixaram a impressão de que o início da banda foi naquela época, mas realmente não podemos ignorar o passado. Por mais que seja um álbum diferente daquilo que costumamos ouvir do Motörhead, não significa que é ruim. É rock and roll, baby, e com uma forte influência e sonoridade de blues. Aquele estradeiro, sabe? Que devia tocar nos bares de beira da estrada entre o Texas e o Mississippi, na época em que as músicas começavam a ganhar mais velocidade e demais elementos.
A primeira, "Motorhead", começa com um barulho de moto, e não tarda para vir a guitarra suja somada do vocal marcante de Lemmy. Por ser dos primórdios, não era aquele vocal rouco, rasgado e sujo. Era algo mais "gurizão" mesmo, com aquele ar juvenil. A letra e o nome da banda, que são originados de uma gíria, significam algo como "um viciado em speed" (a droga). Entre as demais faixas, "City Kids" é bem empolgante e possui um solo totalmente no feeling do rock! "The Watcher" mostra algo que iria se tornar comum: Introduções de contra-baixo. Nesse som, as linhas de guitarra também são marcantes, principalmente pela produção, a qual incrementou um chorus e um reverb bem notáveis. "Leaving Here" é a mais criativa, com quebradinhas de tempo, arranjos imprevisíveis - e em todos os intrumentos, ainda por cima - e um refrão que não sai da cabeça.
Um fato engraçado envolvendo o álbum: Taylor "Philty Animal" regravou todas as linhas de bateria do ex-baterista Lucas Fox, com exceção de "Lost Johnny", pois estava preso por mau comportamento e desordem (bebendo por aí, aposto...) no dia em que a gravação deveria rolar. Como eles eram ninguém e não havia arrego por parte de qualquer pessoa envolvida no esquema, ficou por isso.
On Parole não é um clássico do rock, muito menos um álbum seminal. Mas foi o primeiro do Motörhead, e os demais só existiram por causa dele. Acredito que merece, ao menos, uma audição cuidadosa, por parte de qualquer um que se considere fã de Motörhead e de outras bandas que surgiram com influência deles, como o Metallica, e até das que surgiram por influência do Metallica, e daí a lista vai longe... É aquele lance: Do Homo Herectus até o Homo Sapiens Sapiens rolou muita coisa, e antes do Herectus ainda teve aquele outro, e aquele outro... Viva Motörhead! Download.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

R.E.M. - Monster


Monster foi o nôno disco do R.E.M. e é até hoje um dos discos mais injustiçados. Após a grande explosão dos anos 90 com Out Of Time e Automatic For The People, o quarteto de Athens resolveu parar um pouco com baladinhas acústicas, piano e bandolim para um disco de "Rock", com aspas mesmo, foi assim que o guitarrista Peter Buck o definiu antes do lançamento.
Gravado de maneira mais xucra, com sessões ao vivo mesmo e um espírito mais esporrento, aumentaram o volume e partiram pra diversão, mas diversão foi a útlima coisa que tiveram. De 92 a 94, período que passaram em estúdio, eles resolveram intercalar com turnês que acarretou em diversos problemas de saúde para os integrantes: aneurisma cerebral para Bill Berry, Mike Mills com cirurgia no intestino e Michael Stipe com hérnia (tudo isso já na turnê do disco).
Durante a gravação do disco, receberam a notícia do falecimento de Kurt Cobain e do ator River Phoenix, dois grandes amigos de Stipe e cia. Monster foi dedicado a Phoenix e a tristonha "Let Me In" em homenagem a Cobain (a guitarra Jag-Stang acabou ficando com Buck).
Falando propriamente do disco, podemos dizer que apenas a primeira canção teve algum sucesso; "What's The Frequency, Kenneth?" figurou em algumas paradas e normalmente compões setlist dos shows do grupo. Temos grandes faixas, "Crush With Eyeliner" rock de guitarra tremolo; "King Of Comedy" experimental mas nem tão pé no saco como as eletro inventices futuras; "Star 69" diretaça e sem frescuras; "Bang and Blame" nervosa e empolgante e "I Took Your Name", um dos grandes destaques do disco.
A grande furada são as músicas vagarosas, herança de experiências passadas, retardam o andamento do disco e te deixa confuso. Com exceção de "Strange Currencies" que é uma balada muito bem feita, pecaram na mistura Pop com texturas distorcidas, mas é em geral um grande disco, uma mudança que foi muito lembrada com o lançamento de Accelerate, ano passado. Download.

The Dismemberment Plan - Emergency & I


O que faz de simples disco a um grande clássico? Milhares de vendas? 3 grandes singles que estouram nas rádios, todo mundo sabe cantar e ainda fazem uma gigantesca turnê? 5 em cada 10 casas tem esse álbum? Mudaram o modo das pessoas pensarem sobre música? Influenciaram meio mundo depois de seu lançamento?
Bom, cada álbum tem sua maneira característica de ser considerado clássico - ou não - e isso depende de várias variáveis (essa foi foda). Independente do que digam, Emergency & I é um clássico, jovens.
Formado em um dos melhores celeiros musicais dos EUA, o D-Plan surgiu em Washington DC., terra natal de Bad Brains, Fugazi e Jawbox. Pegando influência desses três aí, o Plan é um bixo um pouco diferente, e um pouco mais complicado.
O grande mérito do grupo é fazer música experimental, com várias quebradas de ritmo, sessões esporrentas e agitadas, eufórico e nervoso, a ainda assim, conseguindo ter uma acessibilidade pop absurda, deixando se abater pela melancolia momentaneamente. Um verdadeiro disco de rock moderno, super bem acabado e altamente inflamável, chama a anteção por dinâmicas ritmicas cabulosas e uma versatilidade de fugir de rótulos.
Lançado em 99 pela saudosa DeSoto, Emergency & I alcançou proporções gigantes dentro do cenário underground americano, o que garantiu uma turnê com o Pearl Jam, que tal? Outra coisa que esqueci de dizer, é que muitos discos podem ser classificados como "clássicos" quando ninguém os conhece. Estou dando uma chance. Download.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

The Jesus And Mary Chain - Automatic


The Jesus And Mary Chain é uma banda que ficou conhecida pelo barulho. Na verdade, o JAMC é conhecido pelo publico geal mais por nome do que por som, fato. Mas aqueles que já se deram o trabalho de saber o que se trata, acabaram descobrindo que o maior fato na carreira do grupo foi o disco de estréia, um clássico absoluto dentro da música alternativa underground independente caralho a quatro, chamado Psychocandy.
Falar que Psychocandy (85) é um clássico é quase como chuver úmido. Uso excessivo de ditorção e feedback, devido ao uso excessivo de LCD e anfetamina, combinaram com lindas melodias e um clima sinistro, "Just Like Honey" pode ser que seja a música conhecida do disco.
O álbum que seguiu foi chamado de Darklands (87) e algumas coisas mudara. O baterista Bobby Gillespie resolveu largar a barca a se concentrar 100% na sua nova banda Primal Scream (e que banda hein) e o irmãos Reid desaceleraram tudo e o mais incrível, fizeram um disco limpo! Sem barulho! Com baladinha! E o pior de tudo: ficou muito bom!
Toda essa histórinha foi para poupar o serviço de ir até a Wikipedia e dar uma lida mais detalhada até o momento do lançamento de Automatic, terceiro disco do grupo, lançado em 89. Se a formação já tinha ficada capada no disco anterior, aqui eles foram mais longe: apenas a guitarra de William Reid era um instrumento de verdade, baixo e bateria foram gravados com sintetizadores - no maior estilo anos 80 - o que foi um choque maior ainda para o público e crítica.
O que eu posso fazer? é meu disco preferido. A trinca fantástica de abertura, "Here Comes Alice" e seu ritmo sonolento, "Coast To Coast" põe ânimo e doses de distorções massivas, e logo após, "Blues From A Gun", música original de Dylan e como não é novidade, todo cover do homem fica melhor que a original. Uma das músicas mais conhecidas da banda também figura na tracklist, "Head On" foi um dos melhores trabalhos do grupo, que ficou conhecida quando os Pixies resolveram fazer cover, e em terras tupiniquins, foi o Legião Urbana quem gravou, naquele famoso acústico MTV.
20 anos após seu lançamento, o senso comum sobre esse disco mudou muito. Mal entendido na época, é um dos melhores trabalhos da discografia da banda e conseguiu boas notas em críticas de redenção. Aproveite o disco, pois ao vivo é uma bosta. Download.

sábado, dezembro 20, 2008

Napalm Death - Time Waits For No Slave


Napalm Death é o nome que sempre será lembrado pela maioria como o de "banda criadora do grindcore". Apesar de alguns alegarem que já havia uma banda japonesa fazendo isso, ou até que o Terrorizer já tocava antes deles, o Napalm leva o trunfo, e ainda rodeado de alguns fatos estranhos. Por exemplo: lançaram o álbum Scum com duas formações diferentes, uma em cada lado do LP. E nesse clima seguiram... Hoje, já não há sequer um membro original!
Times Waits For No Slave chega 2 anos após Smear Campaign. Na contramão do que muitos imaginavam, ele não segue inteiramente a mesma linha dos álbuns anteriores, que foi de repetir a mesma fórmula constantemente. De início, com a matadora "Strongarm" (porrada do início ao fim em todos os instrumentos, com direito a um ótimo revezamento do vocal gutural com rasgado) e as duas faixas seqüenciais a ela, pode até ser essa impressão dos anteriores. Todavia, do meio ao fim, fica claro que há elementos incomuns na história do grupo, como a adição de breakdowns e de umas passagens mais cadenciadas. A mistura entre os andamentos lentos, mornos ou velozes também é notável, e, francamente, isso não soa bem, pois torna as músicas indefinidas e bem medianas, sem aquele pique que deixa cada vez com mais vontade de escutar, encontrado na maioria dos demais álbuns. E como possui 50 minutos de duração, a maioria deles sem nada demais a acrescentar, o álbum acaba por se tornar demasiadamente decepcionador, vindo do Napalm. Escute "Downbeat Clique" e "Life and Limb" para entender. Lá no fim, ao menos, há mais um pico de empolgação, com "A No-sided Argument", dotada de um dos solos mais legais já registrados por eles.
Infelizmente, esse acaba por ser mais um na lista dos poucos álbuns do Napalm que não serão tão cultuados. É uma pena, pois tenho certeza de que a maioria aqui gostaria de poder presenciar um grandioso lançamento e vê-los tocando pelas terras brazucas, mas fazer o quê se a época do Scum e do Harmony Corruption já passaram? Download.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

It's All Red - Vicious Words From The Heart


Vermelho é a cor que vem à mente quando qualquer tipo de emoção intensa toma conta.
Certamente foi pensando nisso que nomearam banda. Os porto-alegrenses chegam com uma atitude enérgica, ousada e interessante com o debut Vicious Words From The Heart.
Prepare-se para gostar ou repulsar o som deles, porque as referências aos sentimentos não estão só no nome da banda e das músicas, mas nas melodias e estruturas em si, sejam de ódio ou frustração (ao menos soam com essa tonalidade). O lance aqui é recheado de influências, com predominância do death metal, do NY HC e do alternativo. Tudo muito extremo, para lhe deixar com pensamentos extremos. Pegamos, por exemplo, "Poisonous (His darkest wishes made flesh)". Tem uma forte pegada hardcore, passagens com blast-beats, vocal super podrão, coros no melhor estilo gangueiro e um refrão muito limpo, levemente chorado e emotivo. Parece até uma aperfeiçoação de It Dies Today com Throwdown. Para muitos é o fim; a outros, porém, é excelente! Encontro-me na segunda das opções, pois eles conseguiram juntar coisas bem distintas sem agredir os nossos ouvidos. "Inventory Of The Missing Things" possui um refrão super viciante, uma letra excelente e um final contagioso, de tão empolgante! Vão mantendo o clima dessas no CD inteiro, tendo como outro pico a faixa "Crime Room", na qual há a participação de uma excelente vocalista, dividindo tudo na dose exata com o vocalista. A única coisa estranha desse som são uns barulhos que parecem ser uma caixa de "bateria eletrônica". Meio ocultos, mas presentes em vários momentos. "A party is not a party unless someone gets home devastated" é outro destaque, recheada de atraentes linhas de guitarras e um refrão no estilo "hey hey hey", em coro. Para finalizar, "The Arrival Of Ages" dá uma parada para dar mais uma pincelada do grande talento dos guitarristas, onde tocam algumas notas limpas e marcantes. É o mesmo esquema de bandas como o Callisto, ou seja, excelente (na "... And So On" também rola um lance assim).
Atualmente, passaram por uma mudança de formação: Troca do vocalista. Segundo a maioria dos ouvintes, foi para melhor. E o segundo álbum será melhor ainda!
Mesmo com a produção bem crua e levemente abafada, Vicious Words From The Heart mostra uma banda promissora! E isso não é só dito por aqui, como na edição #2 da revista HORNSUP, mas em vários sites gringos. Quer saber mais? Procure, então. Download.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Aphex Twin - Windowlicker


Richard D. James, vulgo Aphex Twin, é um dos mais bem-sucedidos artistas do ramo eletrônico. Considerado por muitos como o criador do "IDM" (isso já foi explicado em um post do Monolake), além de um dos principais criadores do "ambient techno" (escute o álbum Selected Ambient Woks), foi eleito "a mais influente e criativa figura da música eletrônica contemporânea - pelo jornal inglês The Guardian.
Windowlicker, EP lançado em 1999, é uma boa amostra de tudo isso. Começamos pela faixa-título: Temos de tudo aqui! Ambient, glitch, experimentalismo, IDM e até algo futurístico! Sim, futurístico! Já se vão quase 10 anos, mas a sonoridade continua mais que atual. Essa faixa será a trilha sonora do meu verão. Predomina um clima sexy, graças às vozes femininas que sussuram em coro, com leves batidas e uma linha de baixo eletrônico bem charmosa. Como é uma música super-progressiva, logo vão aparecendo os "glitches" (barulhos estranhos, como se fossem 'erros' de algum programa ou equipamento, distorção digital, reverse, etc), que ficam até o fim, e na última parte temos uma sonoridade distorcida ao extremo, com batidas camufladas e altamente viciante! Sem dúvida alguma, é um clássico da discografia dele! Mas não pára por aí, não. "ΔMi−1 = −αΣn=1NDi[n][Σj∈C{i}Fij[n − 1] + Fexti[n−1]]" (vai saber o que é isso?! Seria a fórmula dele para compor?!) é uma mistura de drum and bass bem rápida, com muitos glitches, vozes e sons indescritíveis. Por fim, "Nannou" é como uma viagem ao passado, mais precisamente até o dia em que você abriu uma caixinha de música e ouviu aquele sonzinho limpo, como o de um piano, a tocar.
Foi criado um vídeo para a faixa-título, dirigido por Chris Cunningam (esse cara faz cada obra!), que rendeu um prêmio de melhor vídeo no Brit Awards 2000. Esse vídeo é uma paródia para com os artistas de rap que vivem naquele estilo 'rico'. No clipe, dois rappers estão passeando até encontrar duas mulheres, as quais se recusam a entrar no carro deles. Discussão vai e vem, o carro deles acaba atropelado pela limusine de 38 janelas, onde está Richard, que logo sai do carro e começa a dançar. Se eu for contar o clipe inteiro, vai longe! Procure no youtube que vale a pena! Além disso, diversas imagens são perturbadoras, e há também cenas bem picantes - fatos que levaram o vídeo a ser censurado.
Windowlicker soa como um trabalho original e ousado, muito adiantado para a época em que foi feito, permanecendo assim até os dias de hoje. Download.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Boards Of Canada - The Campfire Headphase


Hoje, a postagem será alternativa. Faz tempo que não rola uma assim, então decidi traduzir as opiniões dos ouvintes que postaram na página do BoC, na Last fm, alguns comentários sobre as minhas faixas favoritas:

Chromakey Dreamcoat: "Meu irmão não tem nada em comum comigo quando o assunto é música - ele escuta hardcore e metal. Mas quando escutei essa música no Ipod dele, tive que sorrir".

Satellite Anthem Icarus: "Eu adoro essa música! Passei um mês em uma pequena ilha, e eu e meu amigo Charles deitávamos na praia durante a noite e ficávamos escutando essa música várias vezes, refletindo sobre nossas vidas. Ela tem um lugar especial no meu coração!".

'84 Pontiac Dream: "Música para fumar... E da melhor!"

Slow This Bird Down: "Meu filho de 6 anos gosta dessa música porque 'tem sons que parecem dinossauros' ".

Essas são só alguns exemplos. O álbum todo é bem longo e agradável, com uma sonoridade meio 70/80 nas baterias, atmosferas super relaxantes, algumas guitarras, violões e muito mais! Vale a pena baixar ou comprar! Download.