terça-feira, julho 07, 2009

Bongzilla - Amerijuanican


Seguidamente, ao escutar ou analisar qualquer gênero musical com guitarras pesadas, lembro-me da banda que me introduziu nestes mundos: Black Sabbath. Depois, relembro a história e, mais uma vez, o embrião veio com eles: Black Sabbath é a raiz de uma árvore repleta de galhos. Hoje, já nem escuto com a mesma freqüência, pois são tantas as bandas e os estilos apreciados que não há como passar o dia do mesmo modo que eu passava quando tinha 12 anos, ou seja, escutando Black Sabbath. Contudo, confesso que é muito lindo e animador botar a tocar este CD do Bongzilla e logo nos primeiros acordes já sentir a influência e - por que não? - o tributo aos mestres! Mais pesado, mais ofensivo, mais chapado, muitos "mais", sem perder a essência. Diversos são os casos similares, tais como o grandioso Soilent Green, mas o Bongzilla chuta demais o balde na hora de relembrar o embrião.
Amerijuanican, lançado em 2005 e também o último material do grupo até o presente momento, como dá para notar pela síntese dos nomes (banda, disco, músicas) e pela capa, fora criado sob a influência da Cannabis e dedicado à mesma. Enquadra-se tanto na classificação de um disco de heavy metal dos primórdios quanto um do não tão velho sludge ou pelo termo mais comum empregado às bandas mais chapadas, ou seja, stoner metal. Suas faixas são recheadas de riffs e linhas de guitarra memoráveis, vocais vomitadões, muito groove e swing, contra-baixo muito perceptível e bateria variadona. Resumidamente falando, é o Sabbath de um Vol. 4 (ou qualquer um dos primeiros discos) muito mais extremo! Ainda há também uma certa dose de experimentalismo na canção "Stonesphere". São 12 minutos de muita tosse, muitos solos de guitarra, barulhos de bong e esqueiro... Enfim, é uma faixa extremamente agradável e no mínimo risível (no melhor sentido) caso você escute na mesma situação em que os músicos da banda se encontram na maior parte do tempo (inclusive quando escreveram e gravaram o disco). Fica difícil também dizer o que é melhor: O começo, meio ou o fim. Pois visto que inicia extremamente marcante com a faixa-título, encerra-se com "Champagne & Reefer" - faixa dotada de todas as características já citadas, mas desta vez acrescentando uma levada de blues bem na manha, extremamente digna de elogios!
Como ocorre com alguns outros álbuns, dependendo da condição melhora mais ainda! Já é muito bom por si só, mas admito que... Então, meu (minha) caro(a) leitor(a), chame os amigos (ou alguém com quem você se sinta bem), roll on a big joint, burn it and be happier! Download.

PS: Reflita acerca da capa. O mundo seria absurdamente melhor se as pessoas parassem de matar umas às outras através de guerras ou qualquer tipo de terrorismo, se ficassem fumando Cannabis. Se a erva fosse legalizada, crianças não precisariam pegar em armas para o tráfico abastecer as cidades. Se qualquer cidadão podesse plantar seu pé (aliás, proibir o cultivo da planta é contra a natureza, visto que maconha não se faz em laboratório como o crack ou o pó da cocaína), dificilmente haveria o tráfico e a grande teia de corrupção e marginalidade que o envolve. Mas, né, as pessoas preferem acreditar que Cannabis destrói e leva à degradação do invíduo, por causa de toda essa falácia dos governos (os mesmos que dão hospitais e escolas podres à população, isso quando dão, e que estupram seus bolsos com impostos ridículos cujas verbas são desviadas sabe-se lá para onde) ou de qualquer outro meio de manipulação das massas (a mesma religião que diz que o todo poderoso Deus criou tudo, mas depois diz que a maconha é criação do demônio, é um bom exemplo). Mas eu ainda tenho esperanças de poder algum dia sentar numa praça pública e queimar um escutando música ou lendo um livro... Não quero dizer, com tudo isso, que todo usuário é um cidadão de bem. Sempre houve e provavelmente sempre haverá algum mal intencionado se aproveitando das propriedades do fumo, mas pense nisto: Michael Phelps (o maior nadador de todos tempos), Giba (um dos melhores ateltas do vôlei mundial), inúmeros escritores, músicos, médicos, psiquiatras e até advogados são usuários. "Ah, mas é na maconha que se inicia o uso de drogas pesadas!" - já advirto ao indíviduo que quer ver dragões ou qualquer anomalia que a maconha não lhe dará isso. Está mais do que óbvio que o problema não está na planta! O problema está na cabeça do indivíduo.

8 comentários:

tony disse...

vlw pelo post... a crítica (como sempre) muito boa tb

Felipe Melo disse...

O problema é que a maconha não é viável do ponto de vista econômico, pois caso seja "liberada", qualquer um pode plantá-la e consumi-la, diferentemente do cigarro e da bebida alcoólica, por exemplo, que são industrializadas e comercializadas com alta margem de lucro. Só dá dinheiro ao tráfico porque (ainda) é de difícil acesso, uma vez que se te pegarem plantando você vai preso. Isso, e apenas isso, torna a maconha "rentável" para quem a vende. Mas claro que o maior ganho deles está em outras drogas...Resumindo: a justificativa da não-legalização é, por fim, o capitalismo, pois não há interesse em "liberar o baseado" para todos, pois não trará retorno financeiro para ninguém. E não porque o governo é "bonzinho", pois as bebidas estão aí nas prateleiras, vendidas sem lei alguma no Brasil, e que causa muito mais estrago que fumar uma erva... (acho q falei até demais.. foi mal ae.. hehehehe)


obs: não, não jogo na seleção...

João disse...

Concordo até certo ponto com o que o Patrick disse em relação à violência e ao uso da maconha, é só citar como exemplo o Brasil, que vive um monte de gente se matando nas favelas por causa da tal erva, mas discordo em relação ao que ele disse ao falar que a maconha não leva ao consumo de outras substâncias, eu particularmente conheço diversos colegas de faculdade que hoje infelizmente penderam à usar substâncias mais nocivas tendo como porta a maconha, eu particularmente me abstenho de tais substâncias tendo em mente os seus efeitos maléficos a longo prazo, (Cá prá nós todo mundo aqui sabe que tanto drogas lícitas e ilícitas se tornam maléficas com o passar do tempo) mas entretanto não sou contra quem usa, e sou a favor da legalização para certos usos como medicamento por exemplo, mas mesmo assim prefiro viver sem consumir maconha e derivados, ou como já dizia o bom e velho Ian McKaye, Eu tenho mais o que fazer do que usar drogas.

PS: Quase esqueci, o disco é incrível e parabéns pelo excelente blog.

Patrick disse...

Primeiramente, obrigado a todos pela participação e pelos elogios! Gostaria que mais gente comentasse aqui, pois sempre é bom saber a opinião dos leitores.
Concordo com muito do que vocês evidenciaram, mas enfatizarei a discordância: Não necessariamente que a maconha seja a porta de entrada para drogas. Vamos supor que deixasse de ser proibido. Em decorrência, muita gente sequer experimentaria, pois há quem vá atrás justamente pela falácia, pelo fato de ser proibido e ser uma "droga". Muitos se decepcionam com o resultado! Como já disse, tem gente que quer ver dragão se mexendo e isso a maconha não dá. Daí vão pro ácido. Se querem ficar muuito eufóricos, é pó no nariz. Se querem algo realmente pesado e barato, crack. E por aí vai... Não há dúvida de que a planta, então, "seja" a porta de entrada, pois é a mais barata e acessível de todas as substâncias proibidas. Como foi dito pelo Felipe, legalizar não daria lucro ao governo - não como dá na ilegalidade. Fora as questões de que remédios como tilenol e qualquer outro para dor de cabeça, dores gerais, enjôos e etc, seriam substituídos pela erva. Digo isso por experiência própria! É um sagrado remédio para enfermidades do tipo, e os doentes de câncer, AIDS e diversas outras doenças e que residem na Califórnia, onde o uso medicinal fora liberado, que o digam! Um abraço.

Anônimo disse...

Droga é uma droga e deve ser proibida. Sou totalmente contra a legalização.

fabio rrocha disse...

eu não tô nem aí se legalizam ou não. na real, não muda porra nenhuma - vai continuar morrendo gente, sempre haverá algo para marginalizar e criminalizar aqueles que tiram o sustento graças ao poder paralelo. é só lembrar que essa discussão sobre uma possível legalização já ocorria no século XIX com o periculoso CAFÉ. quer proibir alguma coisa, proibam a pinga de 1 real que mata mais gente que o H1N1. e, sinceramente, nunca vi droga nenhuma botar algo na cabeça de ninguém, na minha opnião funciona apenas como um filtro do que você realmente é.

no mais, cito OSBOURNE,Ozzy: "And soon the world will love you, sweet leaf"

Anônimo disse...

Tudo o que eu li foram só teorias e justificativas comum da molecada que fuma maconha...pelo amor de deus, dá uma olhada na Holanda e na cagada que eles fizeram, os caras estão arrependidos por juntar tantos junkies num só país. E outra Patrick, na boa, médico e psiquiatra fumando um? Nada contra quem fuma, mas já é provado os efeitos desencadeadores da maconha em quem é propenso a ter distúrbios do comportamento, além da síndrome amotivacional..pode procurar na scielo ou pubmed artigos médicos relacionados.
E essa conversa de mundo cor-de-rosa, onde a erva vai unir os povos, acabando com a guerra e a tristeza....meu...pará com isso.

Anônimo disse...

Tynenol é antipirético, substitui-lo por maconha é uma idéia e tanto!! (fui irônico)