Quarta-feira, Julho 01, 2009

Sunn O))) - Monoliths & Dimensions


Não sou o maior fã de Sunn O))) e talvez nem seria a pessoa mais indicada aqui a fazer esse serviço sujo de descrever o novo trabalho do duo drone doom americano, porém fiquei extremamente impressionado com a qualidade do trampo e mais ainda, como uma banda tão anticomercial conseguiu - e consegue - um êxito tão grande com a mídia e crítica e ainda mais com os diversos ouvintes.
O grupo já não é mais novidade pra ninguém que está atualmente ligado ao mundo da música hoje e pelo peso de seu som, e toda essa estética dark envolvida em seus discos e shows, o primeiro rótulo a vir a cabeça é o famigerado "metal", mas acabei me enganando um pouco.
Tá certo que o rótulo mais correto para se designar o Sunn seria o Doom, ou seu subgênero, Drone Doom, mas o "real" som do grupo origina-se do cultuado e revolucionário Earth, uma banda que estava ligado diretamente ao rock alternativo. Acho que essa é a única razão que eu encontro para explicar porque eu encontro mais resenhas e menções desse discos em sites de rock alternativo e indie do que em sites e blogs mais "do mal" e é por isso que eu acho o Sunn O))) um dos grupos mais interessantes de nossa época.
Monoliths & Dimensions já é o sexto disco de estúdio do duo que consiste em Stephen O'Malley (que participa também do Khanate e Burning Witch) e Greg Anderson (do Goatsnake) lançado este ano pela Southern Lord, um selo referencial no estilo. O álbum conseguiu um destaque ainda maior que seu antecessor, Black One, e levou em torno de 2 anos até estar completo. Várias participações especiais, como da lenda Dylan Carlson do Earth, o compositor Eyvind Kang, que já trabalhou com John Zorn, Mike Patton, Beck e Secret Chiefs 3, o húngaro Attila Csihar, vocalista do Mayhem, entre outros músicos, de arpa e flauta, piano, contrabaixo, cordas e vozes femininas pra lá de macabras.
Mais que notável, o grande destaque do disco ficou por conta da inovação do grupo e a quebra de barreiras, por misturarem o seu som monolítico e denso com a música clássica, resultando em quatro sons realmente apocalípticos. E dentro as quatro músicas, é a faixa número dois que carrega todo esse frisson, "Big Church" é uma das músicas mais geniais dentro do repertório do grupo e dentro do estilo. Aliando o peso e andamento tradicional com guitarras levemente dedilhadas, vocais femininos horripilantes, uma narração rouca e monstruosa, criam a sensação do ouvinte estar preso em alguma catedral realmente assustadora, cercado de fantasmas e espíritos, te levando ao desespero ao longo de seus quase 10 minutos.
Mas eu também destaco a faixa número um, batizada de "Aghartha". Ponto forte na construção desse disco foi o grupo ter deixado a parte conceitual nas mãos de Attila, que fez um trabalho fantástico (quem quiser mais detalhes, aqui vai uma entrevista longa e detalhada sobre todo o trabalho do cara e sobre cada canção - em inglês). Esta primeira faixa fala sobre a lenda de um continente chamado de Agharta, que estaria situado entre o núcleo do terra e nossa superfície, e o único meio de se chegar até lá, seria através dos pólos. Nesta entrevista ele explica que ninguém nunca conseguiu chegar perto, e quem foi, nunca mais voltou. Devido ao magnetismo presente nestas áreas, marinha e aeronáutico proibem qualquer tipo de tentativa de visita a estes pontos, fazendo que cresce ainda mais a dúvida e a curiosidade.
Na canção, essa idéia é trabalhada severamente mais forte do que neste texto, logicamente. Além do lirismo, a interpretação vocálica assustadora, aliados aos efeitos de som, como água e barulho de cordas, criam um clima de viagem em um barco fantasma em direção ao fim do mundo. Difícil de se escrever é dificilmente igual criar alguma conclusão para fechar este texto, mas independente de tudo que se diz a respeito do grupo, das diversas críticas aos elogios, fizeram algo mais acessível, em comparação a trabalhos anteriores, e ao mesmo tempo criaram um disco ímpar, abrindo um novo horizonte pro grupo. Ouça em alto e bom som. Download.

Terça-feira, Junho 30, 2009

Converge - Jane Doe


Converge, resumidamente falando, é uma super banda. Não, não estou falando de uma banda formada por músicos de diversas outras bandas e cuja reunião resulta em algo grandioso - embora o som deles, principalmente neste álbum em questão, seja deveras grandioso. Digo isso porque todos seus integrantes são dotados de diversos talentos!
Jacob Bannon, além de ter uma voz rara e muita expressão, é consagrado artista visual - efetuando até algumas capas do próprio Converge -, ativista pró-vegetariano e muito mais. Algumas bandas para as quais ele realizou trabalhos (desde capas a logos ou algum tipo de design): Disfear, Poison The Well, Modern Life Is War, Goatwhore e dezenas de outras. Kurt Ballou, além de dominar a guitarra e o teclado, canta em certas ocasiões e já é um consagrado produtor! Bandas com as quais trabalhou: Torche, Misery Index, Genghis Tron, Trap Them e muitas outras. Nate Newton, o baixista, também é guitarrista e vocalista em outros dois projetos: Old Man Gloom (com Aron Turner, do Isis, e Jay Randall, do Agoraphobic Nosebleed) e Doomriders. Ben Koller, baterista, pode ser o enigmático baterista do United Nations.
A banda surgiu em 1990 e, de lá para cá, já lançou sete álbuns (fora as várias demos, um EP e diversos splits com nomes do calibre de Brutal Truth)! O oitavo é planejado para ser lançado em vinil neste mesmo ano em que estamos vivendo pelo selo Deathwish Inc. (pertencente a Jacob) e em CD pela Epitaph. Jane Doe é o quinto e fora lançado em 2001.
É completamente difícil fazer uma resenha minuciosa acerca da musicalidade e dos demais fatores que influenciaram o álbum. Há uma presença predominante do hardcore punk, mas há também arranjos bem complexos, quebradas de tempo e uma caoticagem tradicional do mathcore. O vocal de Jacob é extremamente gritado e chega a soar distorcido, dando um certo ar de noise. As composições são dotadas de muito sentimento! E independente do tipo, seja algo raivoso ou um profundo lamento, a síntese de todos eles contribui para o bom decorrer das canções. Cada vez que escuto, uma atmosfera diferente é abosrvida. Acredito que seja devido à enorme quantidade de "informação" aqui presente. Por isso, visto que são alguns meses escutando o disco, recuso a fazer algum tipo de julgamento ou algo mais minucioso. Prestou atenção em tudo que foi dito logo acima? Pois bem, acredito que isso lhe dará uma base do talento dos músicos. Só acrescentando, andei escutando o álbum You Fail Me e não senti a mesma intensidade de Jane Doe. De fato, esse foi considerado por muitos dos fãs como o ápice do Converge! Sem mais, baixe (ou compre) e seja feliz! Download.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Suffocation - Blood Oath


Poucas bandas possuem uma experiência comparável a do Suffocation. São vários discos embrionários - alguns clássicos, como Effigy of the Forgotten - do death metal no currículo e mais de 200 shows realizados em toda carreira! O fato de terem surgido em uma época na qual o metal atingia sua forma mais encorpada e maligna também é digno de menção, visto que hoje em dia as coisas são mais fáceis e não vemos muitas das bandas atuais fazendo algo comparável ao que eles fazem e já fizeram. Pior ainda: A maioria acaba antes de alguns anos de vida ou perdem seus membros originais. Blood Oath elimina qualquer dúvida acerca do reconhecimento dado a eles e ainda solidifica:É Suffocation com todas as características originais!
A estrutura musical é a mesma de todos os discos, ou seja, possui muita variação de clima, um bom equilíbrio entre técnica e simplicidade (em todos os instrumentos), extrema alternância de velocidades, solos apocalípticos, vocal sempre gutural e breakdowns trabalhados. A parte lírica não é diferente, portanto já dá para ter noção que por aí vem temas anti-religião e muito obscuros. Em suma, é a típica banda que não possui dois guitarristas para questões estéticas, em decorrência de cada um geralmente "seguir seu caminho". Dá prazer escutar o álbum com fones de ouvido, porque cada guitarra fora colocada em um lado. Portanto, é perceptível cada mudança em cada uma! Além do mais, quando ambas se propõe a executar as mesmas notas, sentimos uma parede sonora! Junte a estes dois guitarristas um baterista forte (caso você procure fotos de Mike Smith e preste atenção nos braços, certamente entenderá porque ele trucida o instrumento com tanta facilidade e freqüência) e um baixista ousado (foque a atenção nos slaps mega velozes da faixa-título em sua passagem mais ousada) que o vocal dá o complemento. Os melhores momentos ficam para o breakdown apavorante de "Undeserving", à toda trabalhada "Pray for Forgiveness" (a parte mais memorável é onde a guitarra segue uma escala de harmônicas, das graves às agudas) e à regravação matadora de "Marital Decimation" (originalmente lançada no Breeding the Spawn, de 1993).
Blood Oath, como era de se esperar, é mais um álbum marcante na carreira do grupo. Não é o mais veloz, nem mais trabalhado, tampouco o mais empolgante numa análise geral, porém carrega consigo a atmosfera mais macabra de todos! É denso demasiadamente, não só em decorrência da produção, mas pelo clima sombrio e brutal gerado nas músicas. Ideal a quem procura por isso! Além do mais, serve de aula para essa molecada que está começando a tocar mais seriamente (Job For A Cowboy, Graves of Valor e diversas bandas vestem a camiseta do Suffocation e andaram a absorver certa influência em seus trabalhos mais recentes). Download.

Sábado, Junho 27, 2009

Graves Of Valor - Salarian Gate


Originalmente batizada de "From Graves Of Valor" e tocando um som deveras mediano, a banda oriunda da Carolina do Sul (terra do Nile) e criada por três ex-membros do Through The Eyes Of The Dead e mais dois rapazes revigorou toda sua sonoridade e postura com Salarian Gate!
Escancara-se a mudança logo nos primeiros acordes da primeira música - também faixa-título -, onde o peso e a sujeira da produção apresentam uma sonoridade similar àquela utilizada por bandas mais antigas da Escola Death Metal americana, tais como Deicide e Cannibal Corpse - esses influenciam até as vestes. Em seguida, a estrutura das composições, então, eliminam as dúvidas sobre este álbum ter ou não relação com a agressiva capa: Sim! Ele tem. "To Breathe Blood" e sua mórbida introdução podem ser comparadas à visão de alguém na mira daquele cavaleiro: Morte certa. Obviamente, como fica perceptível no decorrer da mesma canção, manteram alguns traços utilizados quando a banda ainda usava o "From" no nome - principalmente o vocal, embora o timbre está um pouco diferenciado. São características de bandas mais modernas, com as quais não vejo problema algum, embora devo falar que se o álbum fosse feito só delas, a capa seria ilusória e, por lógica, causaria repulsão ao ouvinte que o procurasse esperando um massacre sonoro. Retomando, eles vão criando uma atmosfera atraente durante todo o disco, tendo como destaques as rifferamas técnicas em "Suffocation of the Last King", os solos de guitarras presentes em várias das faixas e um final matador com "No Gods Left", muito resumidamente falando. Acrescentando, esta última música destoa um pouco das demais, pois é muito cadenciada. Apesar de diferente das demais, é digna das explicações e apreciação por incrementar um dark ambient ao seu início e fim, também manipulando alguns vocais urrados e deixando-os totalmente macabros, sufocados, mortais... A síntese disso tudo torna o fim memorável, criando uma vontade de escutar o álbum novamente.
Além disso, o conceito geral é muito interessante! Vai além das músicas, pois houve toda uma pesquisa sobre a Porta Salaria (muita história para comentar aqui; por favor, pesquise a respeito) e seus diversos acontecimentos. Em decorrência disso, absorvem da história para retratar sonoramente uma cena de violência perpetrada por diversos tipos de poderes que dominaram (e dominam, de certo modo) o poder no mundo atual.
Confesso que jamais esperava o fato de Salarian Gate ser tão bom. Duas audições foram necessárias para mostrar o quanto os rapazes evoluíram desde seu primeiro EP! As músicas ficaram bem mais criativas, menos apelativas, bem pesadas e geralmente bem velozes! E quando cadenciadas, conforme fora apresentado acima, são domadas com maestria. Um bom sinal de que a gurizada lá dos EUA está expandido conhecimentos ao prestar tributos às bandas mais antigas e tradicionais do gênero. Em decorrência disso tudo, soam bem mais cativantes e quase nada monótonos (e monotônicos). Dê o play e aprecia o massacre! Download.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Lay Down Rotten - Gospel of the Wretched


Lay Down Rotten é uma banda alemã cuja musicalidade foca naquele death metal característico da Europa, mais precisamente da Suécia, com direito também a riffs e solos melódicos em meio à pancadaria e à mistura da modernidade com o tradicionalismo mórbido.
Gospel of the Wretched é o quinto álbum dos tiozões, com 9 faixas em 44 minutos. É não mais que regular e nem menos que mediano, ou seja, é um disco "na metade". Possui boas intenções, mas "afunda" na hora de aplicá-las, visto que (quase) tudo soa bem genérico. Poucos são os highlights, o que não é bom num álbum onde a maioria das músicas possui mais de 5 minutos, visto que a audição torna-se entediante. Afirmo-lhe que de pouco servem solos inspirados ou demonstrações de um pulmão com grande capacidade de armazenar ar para soltá-lo lentamente através de um gutural profundo e que perdura por tantos segundos, se as introduções, os versos e a maior parte do que é tocado já foi feita tantas vezes que acaba por soar como uma má reciclagem. Em contrapartida, merecem elogios pelo balanço dos "climas" em algumas das faixas. Criam uma atmosfera mórbida e densa bem repentina, como em "Conditioning the Weak", a qual altera de riffs modernos e bateria hardcore para um tradicional death metal dos anos 90, com escalas rápidas e de sonoridade inquietante. É o que deveria ser feito em todo ou em grande parte do disco, mas ocorre somente em poucos momentos. Em decorrência disso, poucas músicas são realmente aproveitáveis. No mais, ganham mais alguns pontinhos pela ótima gravação e produção, pois ela deixou tudo bem alto, perceptível e sujo sem saturação.
Vale mais a pena conferir algum outro disco deles, como o debut Paralyzed By Fear, que soa um tanto quanto o clássico At The Gates. Download.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Carbon Based Lifeforms - World of Sleepers


Primeiro de tudo: Leia bem a proposta da dupla sueca, segundo os próprios: "... é combinar a terra e o espaço de um modo suave, mas ainda sólido, numa ampla visão musical, sem esquecer o TB-303*".
Talvez por isso que são um dos mais lindos e relaxantes projetos de ambient/chill out/downtempo. Como fica perceptível pelo nome, trata-se de uma música calma e relaxante, somada ainda com batidas (portanto o "downtempo") e, no caso do CBL, muitos samples vocais e até uma certa dose de experimentalismo em matéria de dominar/manipular as atmosferas e outros sons de teclado.
World of Sleepers é o terceiro álbum e foi lançado em 2006. Inicia com "Abiogenesis", faixa dotada do "DNA" dos CBL, visto que possui todas as qualidades marcantes que eles juntam na obra como um todo. Nela, atmosferas finas vão surgindo, acompanhadas de lindas vozes femininas puxadas do fundo da alma. Depois, entram as batidas num ritmo meio quebrado, recheadas de um tom pesado, embora jamais massacre a leviana textura dos demais elementos sonoros. "PhotoSynthesis" é uma das minhas preferidas, pois possui samples 'glitcheados', um ótimo revezamento entre suavidade absoluta (pura atmosfera) e suavidade acelerada (com batidas constantes), mas principalmente porque essa música - assim como quase todas - parece-se com um filme, devido ao modo como juntam todos os elementos e os montam estrategicamente em determinadas passagens - também é importante avisar que todas as canções são emendadas umas às outras. E mesmo dando um duro danado na produção dos sons, que como já ficou claro são bem ricos, ainda me fizeram pesquisar a respeito dos títulos das obras, tais como "Betula Pendula" (tipo de árvore encontrada na Europa e em certos lugares da Ásia, cujas folhas são usadas em saunas para relaxar os músculos) e "Proton / Electron" (obviamente todo mundo sabe o que são prótons e elétrons, mas aqui o interessante é associá-los ao nome artístico da dupla).
Carbon Based Lifeforms é um dos nomes mais presentes em minhas playslists noturnas (juntamente com Biosphere e Bluetech) - aquelas que deixo rolando para dormir e viajar tranqüilamente pelo mundo onírico. Não obstante, há outros casos além de mim. Basta observar que são muito apreciados por pessoas de todo o globo terrestre e muito adorados no mundo do "chill", tanto pela abordagem psicodélica quanto pelo ótimo trabalho das batidas. Uma recomendação bem sincera a quem já aprecia ou pretende conhecer esse gênero eletronicamente relax! Download.

*Tipo de sintetizador criado nos anos 80 e muito utilizado até os dias de hoje.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

The Number Twelve Looks Like You - Mongrel


De uns tempos para cá, mathcore (por mais que muitos digam que isso não existe ou chamem do que quiserem, o fato é que, sim, o termo serve para agrupar um considerado número de bandas que fazem um som similar, focando principalmente numa caoticagem ou complexidade, não excluindo a tranquilidade ou passagens mais alternativas, tendo como origem Botch e The Dillinger Escape Plan) - tanto o "antigo" como os mais modernos (esses, por vez, fundindo-se a muitos outros estilos, vide Test Switch Isolator - tem sido um estilo muito presente em meu cotidiano! Nas últimas semanas tem crescido um interesse por bandas mais marcantes, tanto por um modo positivo quanto negativo, e The Number Twelve Looks Like You é muito marcante para minha mente! E será para a tua também.
Entraremos na questão de preferências e recomendações depois. No momento, contudo, vamos explorar essa qualidade "marcante": Devido à extrema junção de estilos diversos, seja por um vocal de screamo original (agudo, sofrido, rasgado e por ora desafinado) a gritar no mesmo momento em que um baterista despeja blast-beats na caixa enquanto os pratos são socados do mesmo modo ou por guitarras progressivas e matemáticas a seguir escalas técnicas e velozes mudando bruscamente para notas repetidas e em tempo quebrado ou até por diversas outras tentativas de descrever as criações do sexteto do condado de Bergen... O que importa no núcleo da questão é que por diversos fatores como os citados acima eles irão marcar a tua mente, ocasionando em um contentamento absurdo seguido de euforia ou por um aversão tão grande quanto aquela ocasionada pelo odor disparado pelo sistema defensivo de um gambá!
Recomendo o material a quem aprecia som progressivo, transitando entre grindcore, jazz, ambiente e muito mais.
Mongrel é o terceiro álbum dos garotos. A palavra significa algo como "mistura de raças", principalmente, embora denomina ocasionalmente (e) somente "mistura". Esse é o conceito do disco: Soar indefinido, como algo nunca feito antes - por eles e pelos outros. Escute "Paper Weight Pigs" e suas cordas em ritmo de salsa! Depois, aprecie suavemente a escala matemática da guitarra soando como uma atmosfera de música ambient em "Cradle in the Crater". Imagine um filme de guerra chamado "Weekly Wars". Nele há um momento muito memorável em que os soldados expõem suas mágoas em ritmo de música de pelotão, cujo coro é altamente grave e encorpado! Algo similar a isso é feito na música de nome idêntico ao do filme do exemplo acima. O começo oceânico de "El Piñata De La Muerte" faz uma linda síntese entre som e escrita. Poderia falar de todas, bem honestamente, porém se não quer explicação alguma, escuta do início ao fim, visto que cada música é rica em detalhes!
Uma das melhores descobertas que fiz nos últimos tempos, juntamente com Ephel Duath. Experimental resumiria muito imprecisamente o verdadeiro significado da música do #12, pois até aonde vai sua noção - e por quê não a minha? - de experimentalismo? Vamos defini-los então como Mongrel - ou a ele como The Number Twelve Looks Like You. Download - e completamente legal, visto que a própria banda deixou o álbum vazar na net antes do lançamento.

Future Of The Left - Travels With Myself And Another


Surgido das cinzas do Mclusky, uma das bandas mais geniais e desconhecidas dos anos 2000, e que cometeram um dos maiores acertos musicais deste tempo, o matador Mclusky Do Dallas, o Future Of The Left também vem de Cardiff, País de Gales e faz um som bem parecido, o que deve ser encarado como algo bom. Muito bom.
Esse aí já é o segundo disco do grupo, que mudou apenas de baterista, de uma encarnação para a outra, que resultou em pequenas mudanças, botando um pouquinho de melodia e um pouco mais de polidez ao Noise Rock chute na cara.
Que a verdade seja dita, esse disco é uma maravilha, eu poderia resumir apenas em "Pegue essa merda logo e escuta BEM ALTO!".
Ironia e humor negro é pouco pra esses três magrões loucos. Eu poderia passar o dia escutando "Throwing Bricks At Trains", e eu até já tentei, não consegui por que tive que sair. só mais uma coisa: YOU NEED SATAN MORE THAN HE NEEDS YOU. Aqui.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Scott Kelly - The Wake


Um músico de mão cheia! A frase resume tranquilamente quem é Scott Kelly, mas obviamente não deixarei por isso. Há diversos músicos de mão cheia no mundo, porém nem todos detêm o talento e a experiência de Scott.
Envolvido com a música desde os anos 80, o titio é vocalista e guitarrista de uma das bandas mais influentes dos últimos anos, a Neurosis. Também tem um projeto paralelo com todos os companheiros do Neurosis e outros músicos tradicionais, chamado Tribes of Neurot - em suma, um tipo de som bem ambient e experimental com ritmos tribais. Não podemos esquecer que também há outro projeto com alguns dos companheiros do Neurosis e com o baterista Vinny Signorelli (Unsane, Swans, A Storm of Light - essa última é projeto de Josh Graham, também do Neurosis e Red Sparowes), batizado de Blood & Time.
Outro fator especial é que ele participou em 3 grandes álbuns do Mastodon, dando um toque extra nas músicas devido à agressividade do seu timbre vocal. Finalmente vamos ao seu trabalho totalmente a solo, que é o mais importante na postagem de hoje.
Spirit Bound Flesh foi o primeiro registro, lançado em 2001. É composto por canções acústicas e fortemente influenciadas por Johnny Cash. The Wake veio muito tempo depois, mais precisamente em 2008. Um pouco na contramão do primeiro registro, mantém o clima acústico e somente de voz e violão, mas toca e canta uma música deveras triste e pessoal. É um daqueles álbuns em que se percebe um tipo raro de catarse! Pegamos como exemplos as belíssimas "Catholic Blood" e "In My World". Dotado de uma voz rouca e densa, Scott também foi agraciado com o dom de dominá-la, e é isso que faz, nessas duas faixas principalmente. Mesmo com todo o peso e atrito da voz, canta suavemente, de uma maneira rara e tranqüilizante. As melodias oriundas de seu violão são melancólicas, vivas e marcantes. Elas encontrarão - talvez mínimo, contudo existente - eco até no mais gélido dos corações! E jamais quero dizer que são as únicas boas do disco, apenas enfatizar o quanto são boas!
Bonito, calmo, depressivo, sincero... Diversos são os adjetivos presentes em The Wake - um álbum cuja audição é obrigatória àqueles que se interessam por música feita com honestidade, não se prendendo a rótulos. Além disso, é um disco feito por quem carrega um enorme conhecimento e experiência nas costas (e nas barbas). Download.

Sábado, Junho 13, 2009

Ephel Duath - Pain Necessary To Know


Um excelente exemplo de criatividade e conhecimento gerando complexidade! Estilos progressivamente calculados são somados de um modo muito agressivo - e com delicadeza extra - a uma produção tão experimental (obviamente só poderia ser assim se fosse de um membro... e é deste: Ricardo Pasini, dominador do sintetizador e também creditado pelas "manipulações" - nada mais são do que essa produção já citada) que o resultado só poderia ser muito Avant-Garde ao nosso tempo!
Isso e muito mais é o que encontramos na proposta dos italianos Ephel Duath, ao misturarem principalmente jazz com metal - mas há realmente muito mais, sendo que grande parte do que é tocado é indefinido, levando em consideração também que a estrutura é totalmente inortodoxa e abre passagens para os músicos viajarem sozinhos em longas escalas e arranjos, via quebras de tempo muito bruscas.
Pain Necessary To Know é o terceiro disco da carreira. Dotado de um conceito de difícil compreensão, o disco vai tão afundo nas letras quanto na musicalidade (e ela realmente vai afundo). É difícil de compreender, primeiramente, porque não apresenta uma ordem. As letras estão misturadas e a primeira dica disso é a trilogia "Vector", iniciada pelo terceiro movimento, indo ao primeiro e depois ao segundo. Não obstante, devemos nos guiar também pelo som. Há uma parada inesperada em "Vector: Second Movement" para dar corda em uma caixinha de música, a qual começa a reproduzir tudo ao contrário, e como se já não fosse um efeito de produção muito interessante, devemos parabenizá-los também pelo modo como dão vida e enredo às músicas. Essa caixinha é só um dos tantos efeitos especiais que dão um ar teatral e cinematográfico ao álbum! Geralmente costumo empregar essa característica de um modo pejorativo (vide Carach Angren), mas nesse caso aqui é no melhor sentido possível. Fazem as músicas de uma maneira tão estranha que após algumas audições cuidadosas há como criar imagens mentais, baseadas no que se escuta. Confesso agora algo de seminal importância: Escutei esse álbum duas vezes e desisti. Faz aproximadamente um ano, e lembro-me de ter pensado: Parece realmente interessante, mas não é o momento. Pode ser que foi preguiça também, visto que o álbum só passa a ser entendido com o tempo! E muitos podem não querê-lo por isso, contudo já advirto: O esforço compensa! Com o tempo se passa a memorizar alguns pedaços das músicas e isso se torna um exercício dos mais agradáveis e desafiantes. Cada audição - assim como a de qualquer outro álbum rico em detalhes - vai revelando algo ou fazendo sentir melhor uma mudança de clima ou estilo. "Crystalline Whirl" repentinamente pára para a guitarra se aventurar num jazz, e mesmo que ela decida quebrar o clima agitado para algo totalmente leve, o instrumental pega 2 segundos para respirar e já volta lentinho, no mesmo clima, recheado de maestria. Outro fator difícil é o vocal: Agudo e rasgado, na veia Painkiller, passa uma impressão de que está deslocado. Mais uma vez repito: Com o tempo fica mais compreensível. Por tudo isso que não paro de escutar o disco! Cada vez mais e mais! Difícil de entender, mas quando se entende, ah... É lindo!
Atualmente "encontram-se" com mais de 10 anos de estrada e divulgando o álbum Through My Dog's Eyes - enfatizo com aspas pois Davide Tiso, guitarrista e compositor, é o único membro original.
Ephel Duath é um prato cheio para quem quer um som incomum e criativo - e através de Pain Necessary To Know existe uma ótima maneira de conhecê-los! Se você já conhece alguma banda mais ou menos na mesma linha (Yakuza me veio à mente, apesar de não ser 100% compatível), prepare-se para um próximo estágio! Download.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Children of Gaia - Demo


Uma das bandas mais ferozes do Brasil! Apesar de não ter atingido o mesmo patamar de nomes como Sepultura, Krisiun e Ratos de Porão, o Children of Gaia foi um dos melhores grupos a fazer uma bela mistura entre metal e hardcore - assim como Retturn, Confronto, Severa e Paura -, com músicas realmente empolgantes e sinceras!
Esta demo, num frio e grosseiro resumo, não possui grandes atributos. Somente traços que foram muito bem aprimorados no álbum I Pray To Watch You Bleed - petardo que reside em minha estante de CD's originais. É um tanto quanto injusto e justo falar isso, ou seja, é um fato ambígüo. Pode ser que existam traços bem interessantes nas composições, contudo a gravação é tão ruim que mal entendemos o que é tocado. Admito que não levaria fé na banda se tivesse escutado primeiramente (ou somente) a demo.
Infelizmente, após tantos anos tocando em território nacional e internacional, a banda acabou. Obtiveram certo reconhecimento, tanto aqui como em outros países, porém não fora o que eles realmente mereciam. Lamento o fato de que jamais os verei ao-vivo! Sorte de quem viu...
A verdadeira intenção em postar essa demo é criar uma boa expectativa acerca do CD, o qual realmente é um belo disco! Portanto, sem mais delongas, escute-o! Download.

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Mumakil - Behold the Failure


O Senhor dos Anéis, Grindcore e Suíça. Aparentemente, nada mais que uma saga de livros, um estilo musical deveras brutal e um país cheio de alpes e chocolates - os quais não possuem semelhança alguma. Ao escutar e pesquisar acerca do quarteto Mumakil, porém, a situação é completamente revertida! O nome da banda fora tirado dos elefantes gigantes da já citada obra literária (hoje conhecida por muitos somente como película cinematográfica), os quais injetavam medo a quem lhes encarasse no fundo do olho. Detonam grindcore contemporâneo na mesma veia de bandas como Rotten Sound e Kill The Client. São provenientes da Genebra.
Unidos desde 2004, ganharam certa notoriedade na cena internacional devido à enorme quantidade de splits que lançaram com nomes do calibre de Misery Index.
Behold the Failure é o segundo full-lenght (e bota full nisso, visto que são 27 voadeiras nas costelas, digo, músicas) e vem recheado de uma impiedosa mistura de ódio com velocidade! A maioria das canções têm um minuto ou poucos segundos, sendo que nenhuma chega aos dois minutos. A partir daí já fica claro o espírito grindcore, mas não se limita a isso. Devido à esmagadora sonoridade, bem como pela execução recheada de outros elementos e técnicas mais precisas, é aceitável considerá-los, também, como um grupo de brutal death metal. Esses são fatores perceptíveis em todas as músicas, contudo até surpreendentes em faixas como "Let There Be Meat", em decorrência do uso de guturais no estilo "slamming". Já em outras, maestricamente dominam ritmos empolgantes, vide "Wish You The Worst". E assim vai, com cada música apresentando um ou outro detalhe diferente, embora todas soem muito parecidas ao final do disco. Nuamente descrevendo, nada único ou que cause um impacto severamente diferente da maioria dos álbuns da maioria das bandas de grind. Mesmo assim, é muito bom no que se propõe a ser - rápido, pesado e sem frescuras!
Outro fato interessante acerca da banda é o modo como os próprios descrevem a parede sonora que executam: "Blastcore". Talvez por ter muitos blast-beats, possivelmente pelas "arrancadas" velozes e certamente por ser nada indiferente de uma chuva de tiros nos seus ouvidos! Download.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Car Bomb - Centralia


Estava em dúvida se iniciava dizendo "banda" ou "coletivo de músicos técnicos, surpreendentes, não-convencionais e agressivos" oriundos dos EUA. Como não sabia, iniciei assim mesmo, porque independente de qualquer coisa que eu escreva, a realidade é que Car Bomb é uma das mais insanas bandas de mathcore que apareceram nos últimos tempos!
Centralia fora lançado em 2007 e é o debut do grupo, o qual já estava compondo desde 2004, sendo que seus músicos já estavam em outras bandas desde 2000. O disco abusa da velocidade do grind, bebe direto na fonte dos breakdowns NY, utiliza técnicas tão extremas que poderiam tranquilamente estar em um álbum de uma banda de technical death metal, além de uma dosagem de experimentalismo incomum em questão de quebrar tempos, misturar vocais distintos e ir afundo na produção de estúdio e seus mirabolantes efeitos, tais como delays, ecos, flangers, chorus e o demônio da Tasmania. Muita coisa, hein?! Todavia tem mais - e algo mais incomum ainda. Declaram ter influências de Aphex Twin, Autechre e Squarepusher - todos 'grupos' (duplas, one man, enfim...) de som ambient e eletrônico. Obviamente vai além de declarações, pois caso fosse somente isso, nada mais seria que uma falácia das brabas! Vários traços do disco são realmente bem ambient e desconexos da caoticagem predominante na maior parte do tempo. É similar ao que o DEP fez em algumas músicas do Ire Works, no mesmo ano de 2007. Para comprovar, escute "Best Intentions" e "Gum Under The Table". A respeito da parte lírica, músicas como "Cielo Drive" e "H5N1" são inspiradas em casos reais. Respectivamente, tratam da estrada e número onde a pejorativamente famosa família Manson morou - 10050 Cielo Drive - e do nome científico do vírus da gripe aviária.
Acertaram em cheio na escolha do nome da banda, pois é exatamente algo como um carro bomba que podemos esperar quando dermos o play em Centralia.
Em suma, um disco muito brutal e às vezes calmo, deveras técnico e um tanto quanto incomum inclusive dentro do estilo a que pertence. Em decorrência de tudo isso, é surpreendente e excelente! Precisa mais? Pule de cabeça, fã de mathcore! Download.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Jesu - Why Are We Not Perfect?


Ao escutar este EP do Jesu, muitos pensamentos bons transitam em minha mente. O que me deixa mais feliz é saber que o grande cérebro por trás da banda é Justin Broadrick - um dos primeiros membros do Napalm Death e posteriormente do Godflesh. Mas por quê tanta felicidade? Pelo 'simples' fato de que aprecio em demasia tanto grindcore e som extremo em geral quanto som extremamente leve, mais precisamente música ambient. Portanto, fico feliz de ver que os caras de bandas assim também demonstram interesse em outras áreas da música, como eu, arriscando-se numa carreira assim. É uma maneira de se sentir menos isolado deste mundo, acredite...
Why Are We Not Perfect? contém as mesmas músicas que foram lançadas no split EP com o Eluvium, sendo que a única diferença é a adição de versões alternativas para duas das três faixas. Dizem que esse é o registro mais "acessível" da banda. Admito que só conheço esse material (no momento) e, em decorrência disso, não posso opinar sobre a questão. As únicas afirmações que posso fazer são: Sim, é um material acessível a um público grande, pois é bem leve e deveras agradável de apreciar. A outra é que, independente de tudo isso, temos em mãos um dos materiais de ambient mais cativantes dos últimos tempos! Há muitas atmosferas, vocais oníricos, suaves linhas de bateria e muito experimentalismo na manipulação do som em geral. Como audição obrigatória, indico a faixa título, visto que é tão serena que dá sono (no bom sentido, obviamente).
Justin é quem faz tudo, acredito eu. Somente para a apresentação ao-vivo que necessita de outros músicos. Garanto que todos conhecem o ditado "Quer bem feito? Faça você mesmo!". É, faz sentido. Muitas das "one man band" de hoje em dia executam algo muito interessante...
Frizo novamente: Jesu é uma dessas e é extremamente cativante! O EP em questão agradará de cara, sendo que a tendência é melhorar com o tempo. Download.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

United Nations - United Nations


Um caso muito curioso. Isso é United Nations!
Sabe-se que a banda fora criada por Geoff Rickly, vocalista e compositor lírico do Thursday (não sou chegado nessa banda e, portanto, não sou grande conhecedor da mesma, bem como de seus respectivos membros). Aí vem o que intriga: Ninguém sabe ao certo quem são os caras que compõem o restante do grupo. Há rumores de que sejam Ben Koller (baterista do Converge), Daryl Palumbo (Glassjaw) e o outro membro poderia ser de bandas como Isis e The Number Twelve Looks Like You. Por mais que lendo assim pareça besta e infundado, na audição do disco é diferente. Só para complementar essa questão curiosa antes de entrar na musicalidade, a banda sempre aparece usando máscaras com a face de Ronald Reagan. Por todos os possíveis membros possuirem contratos com gravadoras, cujas escritas dizem que eles não podem participar de outras bandas ou projetos, para realizar as apresentações ao-vivo os músicos são desconhecidos e contratados. Isso também explica o anonimato e as máscaras.
Em suma, a sonoridade do grupo é bem abrangente, podendo gerar grande confusão na hora da classificação. Há traços de screamo real (o instrumental e alguns vocais lembram muito nomes como La Quiete e Orchid), grindcore, post-hardcore, experimental e pop (aqueles vocais horríveis e apelativos). As músicas são variadas no decorrer do álbum, indo da mais pegada e ríspida ("The Spinning Heart Of The Yo-Yo Lobby") em direção a algo mais maduro e trabalhado ("Say Goodbye To General Figment Of The Uss Imagintation" tem cinco minutos que transitam por todos os estilos do álbum, incrementando ainda um lindo solo de saxofone ao seu final), mas não sem aquela dose apelativa de pop (prefiro nem citar o exemplo). Numa análise geral, contudo, é um álbum muito bom e que chuta bundas com prazer!
Outro caso 'curioso' é que os fãs de Thursday e Glassjaw nem demonstraram interesse pelo projeto, em sua grande maioria. Em contrapartida, fãs de bandas grind mais modernas, como o grandioso Trap Them, mostraram enorme apreciação pelo material, vide páginas das bandas no Last FM.
Como muitos já devem estar imaginando, a banda teve problemas, sim, com a Organização das Nações Unidas, devido não só ao fato de utilizar o mesmo nome, mas até por utilizar o mesmo logotipo. A Organização mandou deletar o facebook da banda no ato, sendo que posteriormente deletaram o myspace e tentaram impedir o selo de lançar mais cópias do disco. Além disso, fãs extremos de Beatles repudiaram a capa (ahuehuahuehua!).
Como pretendo postar mais material deles, acabo o post por aqui. No mais, baixe e escute uma das super bandas mais bizarras de todos os tempos. Download.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Fukt MP3 Storage recomenda: Horns Up #7

Entrevistas: Chimaira, The Devil Wears Prada, Hatesphere, Ramp, Dollar Llama, Project 46, Anomally, Unlife, Eu Serei A Hiena, Razor Of Occam, Jeffrey Dahmer e Malefice.
Resenhas de CDs: 52
Ao vivo: Opeth, Confronto, Garage Fuzz, Hellxis Fest, Heaven And Hell, Sepultura/Angra e Caliban.

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Sexta-feira, Maio 29, 2009

The Taste Of Chaos Ensemble Performs Mastodon's Leviathan: The String Quartet Tribute

Existem diversos tributos deste gênero feitos para diversas bandas. Confesso que me interessei somente por poucos, pois, francamente, quem quer ouvir versões sinfônicas/orquestrais de Coldplay e Linkin Park?! Nunca, porém, algum despertou-me tanta curiosidade e vontade de ouvir quanto este ao magnânimo Leviathan, do Mastodon.
Esse álbum original é deveras interessante! A começar por seguir a "tradição" do Mastodon de abordar algum elemento da natureza (tudo fora muito bem explicado no post do Remission), depois por ser inspirado na obra Moby Dick, de Herman Melville e, finalmente, por possuir um instrumental classe A! Obviamente fiquei imaginando como seriam as versões suaves e de sonoridade clássica/erudita oriundas destes músicos mais "tradicionais", por assim dizer. Apesar de não ser um estilo em alta nos dias de hoje, fora um dos primeiros a surgir e a estudar a musicalidade, bem como a explorar bem o que uma banda pode fazer em grupo.
O tributo agrada - e muito! Reproduzem as músicas com fidelidade, mantendo o tempo e as notas conforme as originais. Um e outro leve arranjo são modificados, pois, como era de se esperar, os instrumentos são bem distintos e não há como executar tudo igual. "Seabeast" e "Naked Burn" são as melhores, pois arrepiam os cabelos do braço - algo inexplicável! Somente a audição pode fazer você senti-las, portanto despensam explicações. O único ponto negativo deve-se à faixa "Joseph Merrick", pois nela modificaram a estrutura da música, o que é inadmissível, visto que é desnecessário. Como se trata de uma das minhas faixas preferidas do álbum original, admito que isso pode ser um pouco de "birra de fã", mas, realmente, sendo ou não, mantenho a opinião, porque essa música é muito linda para ser alterada assim! No mais, tudo proveitoso e gostoso de apreciar.
Um álbum muito excepcional! Além de ser de um estilo incomum nos dias de hoje, fazem algo mais incomum ainda: Tributo a uma banda de metal, ou seja, composições metálicas numa roupagem clássica/barroca. Recomendadíssimo a quem não tem preconceitos! Ademais, muito interessante e bonito. Download.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Tombs - Winter Hours


Nome novo, todavia promissor, visto que surgiram apenas em 2007 e já nos apresentam um EP e este interessante full-lenght.
A banda descreve-se como "post-hardcore influenciado por black metal", mas me atrevo a contestá-los, porque isso é deveras limitado, apesar de já nos dar uma noção do que vem quando dermos o play em Winter Hours.
Num grosseiro resumo, é conveniente dizer que tratam-se de músicas recheadas de peso e distorção, lembrando os grandes nomes do sludge. Entre uma passagem e outra são incorporadas melodias atmosféricas - muito lindas, por sinal -, sombrias, melancólicas, depressivas... Feito isso, vários riffs de guitarra, escalas ríspidas e uma bateria pegada de black metal dão a cobertura, fora as demais influências de outros estilos presentes em menor escala. Os vocais variam de limpos em tom médio (cristalinos, mas nem agudos nem graves, lembrando muito bandas como Mastodon) a guturais fortes e marcantes (soam iguais aos do Isis, falando francamente), com o revezamento dependendo da faixa apreciada, pois não seguem os mesmos padrões em todas as canções.
Nossa atenção é sugada em vários momentos da obra, tais como em "Beneath the Toxic Jungle" (começa bem black metal e ao final apresenta melodias surreais, cadenciadas e memoráveis, penetrando direto na alma), "Merrimack" (excelente e sincera inerpretação vocal somada a mais melodias agradáveis) e "Story of a Room" (belíssima instrumental somente de guitarras com efeitos da produção de estúdio).
Em contrapartida, numa análise geral, a maioria das músicas carece de partes assim, completamente boas. Talvez por se tratar de um power-trio, a questão de não ir mais afundo nas composições pode ser compreendida.
Como já foi dito, Tombs é uma banda nova. Mesmo com seus músicos possuindo experiência, quem também é músico bem sabe como é difícil e demorado (na maior parte dos casos) rolar aquele entrosamento tão rapidamente, o qual rende ótimos frutos em termos de composição. Resta-nos aguardar, pois o tempo e a experiência certamente trarão um lançamento tão bom quanto este. Ah, e fazer tour ao lado do Pelican e do Isis para divulgar um lançamento deve render numa forte inspiração, não? Download.

B orn F rom P ain - Survival


Como escuto Born From Pain há alguns anos e até já tive o prazer de entrevistá-los, sinto-me à vontade para comentar acerca da história, da música e das atitudes destes holandeses.
Recentemente, a situação da banda estava um verdadeiro caos. Ché, o vocalista original, decidiu sair do grupo. Em plena tour a banda ficou na mão, recorrendo aos amigos Carl (First Blood) e Scott Vogel (Terror) para "quebrar um galho". Carl gostou tanto que gostaria de continuar na banda, mas é difícil abandonar tudo que se tem nos EUA (família, amigos, etc.) e ir morar na Europa. Certo tempo depois, conseguiram outro vocalista, Kevin Otto, todavia o mesmo não agüentou o "tranco" e teve que sair fora para não se complicar com sua garganta. Sem outra escolha, Rob, líder e baixista, decidiu abandonar as cordas e partir para o grito. Sob todas estas circunstâncias que criaram este álbum.
Survival fora lançado no final do ano passado. Marca - e muito! - pelo novo vocal. Como se trata de uma voz mais suja e menos encorpada, o instrumental teve que passar por uma mudança de afinação, ficando bem diferente do que era. A princípio, essa mudança causou grande estranheza, mas hoje já me soa bem melhor. Paira um clima bem mais old school, seja pela tonalidade ou por várias das músicas, as quais focam muito mais na velocidade do que nos breaks. "Sound of Survival" começa o disco com sons de uma corriqueira cidade grande. Não tarde e entra o instrumental típico do grupo, sendo que o ápice é dado no refrão. "Final Collapse" e seus aterrorizantes samples de depoimentos do governo falando sobre reduzir a população mundial criam um clima tenso. Além disso, é uma das mais variadas, focando na cadência e em uma interpretação vocal apocalíptica. "Zero Hour" é, sem dúvidas, a mais empolgante! São linhas instrumentais bem simples, contudo memoráveis, e há ainda a participação do já mencionado Scott Vogel, fazendo um belo "duelo" com Rob. Quanto às letras, continuam ferozes e protestantes, assim como no excelente War.
Nem melhor nem pior que os outros, apenas diferente. Um novo começo na carreira do Born From Pain, soando totalmente excelente, devido à experiência de mais de uma década de estrada que a banda carrega nas costas!
Fora isso, recentemente o grupo decidiu apoiar a Campact, uma organização alemã. Como só encontrei informações a respeito em alemão, não posso afirmar do que se trata, mas dá para ver que os membros realizam diversos tipos de protestos políticos/sociais em público, tudo muito bem organizado.
Escute os discos, leia os outros posts e entenda porque tenho uma enorme consideração por eles. No mais, hardcore oscilando entre velha e nova escola, bem porradão, pegado e, por conseqüência, empolgante! Download (faça antes que o blogger delete o post pela segunda vez).

Terça-feira, Maio 26, 2009

Kill The Client - Cleptocracy


Uma das bandas mais furiosas do grindcore contemporâneo atende pelo belo nome de Kill The Client e vem do Texas, fazendo da caoticagem o essencial de seu som, na contramão do clima interiorano do estado natal.
Arregaçando tudo com músicas que mais parecem uma competição interna entre os membros para ver quem toca mais velozmente, o terceiro full-lenght do grupo é um registro matador! Todas as faixas possuem menos ou um pouco mais de um minuto, todas são absolutamente brutais e a velocidade e a indelicadeza imperam acima de tudo! A sonoridade é suja e pesada, mas não como a da maioria das bandas grind. Possui um forte equilíbrio entre os estilos! As guitarras, por exemplo, têm uma tonalidade bem hardcore, enquanto os vocais alternam dos grunhidos death metal à gritaria enraivecida de um power violence. As letras, como era de se esperar, fazem um protesto político dos mais fortes. O mais interessante é que a introdução de várias músicas é composta somente de samples, num deles é dito: "They don't want the children to be educated! They don't want you to think too much!". Acredito que seja a realidade por trás da maioria destes governos aproveitadores e inescrupulosos, muito bem revelada pelas bandas com o espírito do hardcore. Citar destaques é difícil, pois é tanta paulada, uma após a outra, que não há mesmo como dizer! Vamos para o quesito de título, então: "Consumption is Intoxication", "Christian Pipebomb" e a faixa-título dão boas noções do que vem por aí.
Cleptocracy marca por ser um disco mais que veloz, incorpado, brutal, enraivecido e juntando o que há de melhor no mundo do grind com death, hc e tudo que está constantemente junto, de uma maneira ou de outra. Download só pra quem curte blast-beat nas orelhas por mais de 40 segundos e sem pausa!