sábado, abril 14, 2007

Karl Sanders - Saurian Meditation


Faltam-me conhecimentos lingüísticos e culturais para fazer uma resenha decente e
a nível dessa grande obra feita por Karl Sanders.
Para quem não sabe, Karl Sanders é guitarrista do Nile, banda de death metal brutal e técnico com algumas passagens épicas. Entretanto não fique pensando que você vai encontrar um trabalho metálico por aqui, pois a música executada nesse CD é algo muito distante do metal, algo muito distante mesmo, algo que deve ser apreciado com calma e atenção.
O metal surgiu, aproximadamente, alguns 1980 anos depois de Jesus Cristo, e o estilo que aqui é executado existe há milhares de anos ANTES de Jesus Cristo. Creio que seja um dos primeiros estilos musicais a serem criados.
Provavelmente todo mundo aqui já cursou ou vai cursar o primeiro ano do Ensino Médio, e lá eu e vocês estudamos sobre o Egito Antigo e as primeiras civilizações do Planeta.
Sim, você vai encontrar aqui um trabalho que retrata fielmente a música egípcia da Antigüidade! Uma obra genial e totalmente épica tocando esse estilo que foi, praticamente, dizimado pelas outras culturas que se infiltraram no Egito e pelo tempo, o mesmo tempo que é capaz de tornar coisas imortais é capaz de destruí-las num piscar de olhos que para nós pode ser uma eternidade, mas a ele nunca será algo, pois ele é infinito.
Karl Sanders não é um humano qualquer, creio que ele talvez nem seja um ser humano, ou então ele é um ser humano muito avançado dos outros. No Nile, Karl compõe todo o material de guitarras e letras, canta e ainda toca teclado. Aqui ele toca quase todos os instrumentos. Os de cordas, pelo menos, eu tenho certeza que são executados por ele, tais como violões, cítaras, banjos e guitarras. Alguns desses, como a cítara, por exemplo, foram instrumentos criados pelos próprios egípcios, e são também alguns dos primeiros instrumentos musicais a serem criados pela humanidade.
Eu, particularmente, sou aficionado por cultura egípcia, apesar de ser leigo no assunto. Penso que foi uma das mais (se não a mais) rica civilização que já viveu na Terra, pois os caras fizeram coisas que muita gente não consegue explicar até hoje, muito menos refazer, pirâmides são um exemplo disso.
Mas sem se desviar muito do CD, existem aqui muitos outros instrumentos, tais como flauta, teclados e diversos estilos de percussão, sem esquecer dos vocais no estilo de "coros épicos". Cara, falar sobre esses vocais é algo muito difícil, pois não tem como dizer como eles são através de palavras. As vozes de "espíritos" também, não que eu creia em espíritos, mas essas vozes realmente parecem de almas vagando solitárias e sofrendo por aí. Chego a me arrepiar quando escuto isso! :O
Sinto-me na obrigação de resenhar todas as músicas, porque são dotadas de um material muito rico e extremamente raro nos dias de hoje! Este CD é muito mais que uma obra-prima, é algo que está acima de ser 100% compreendido por um humano, e não me surpreenderei se alguém falar "Este CD é um porre! Não consigo escutar uma música inteira" ou se outro alguém falar "Julio, nunca ouvi algo parecido! Concordo com tudo que você disse!".
A primeira faixa chama-se "Awaiting The Vultures", é uma música ambiente bem dark! Imagino-me caminhando em um templo escuro e cheio de inscrições na parede, iluminado apenas por algumas tochas que existem no decorrer do caminho. O ritmo hipnótico do violão me assusta, e as vozes de fundo parecem-se com alguns espíritos a me rodear e dizendo "Não avance, não há retorno!", mas, mesmo assim, eu insisto em prosseguir, e vou indo até chegar à segunda música, "Of The Sleep Of Ishtar", que não é tão sombria, é algo mais calmo, faz eu me sentir como se eu estivesse saído do templo. Para ser sincero, tive uma ascensão e agora caminho pelas nuvens numa noite estrelada, observando o rosto dos faraós desenhados pelas estrelas. A linha vocal é linda, ela me leva diretamente a ver a imagem da Deusa íris, e, em seguida, o solo de flauta é algo tão lindo e marcante que não existem palavras que descrevam como eu me sinto ao escutá-lo. Os solos de guitarra me fazem lembrar bruscamente de todas as coisas que eu deixei de fazer na minha vida, também muitas coisas erradas que eu fiz, muita gente que eu machuquei por motivos bestas e diversas outras coisas que não precisavam ser como hoje são. A linha de cítara é como a flauta, ou seja, não há como explicar. Essa música possui 9 minutos e meio de duração, mas, para mim, passam tão rápidos que nem parecem serem 9.
"Luring The Doom Serpent" é uma das músicas que mais tem ligação com o título, pois o modo como a cítara é executada lembra muito o som de uma serpente que está prestes a atacar, balançando aquelas espécies de "chocalhos" que só algumas espécies possuem. Os tambores são hipnóticos, e as vozes de espíritos aparecem novamente, parecem os escravos do faraó vagando por aí e sofrendo eternamente.
“Contemplations of the Endless Abyss“ é composta apenas por vozes e ventos, parece até cena de filme épico! Me lembrou muito o jogo God Of War, nas partes em que o herói Kratos está dentro dos templos entrando em contato com diversas divindades do além.
“The Elder God Shrine” criou a cena de um ritual em minha mente, um ritual em homenagem a algum deus com muita bebida, fornicação e escravas fazendo aquelas danças pra lá de sensuais. As percussões são bem rápidas e intensas, os instrumentos de cordas fazem um trabalho excepcional e os coros cantam algo, provavelmente, no idioma egípcio ou árabe. Uma guitarra distorcida aparece incrivelmente para fazer uns riffs sujos e um solo estridente, tornando essa uma das mais surpreendentes do CD.
“Temple of Lunar Ascension” traz novamente um clima de ambiente bem dark, parece um ritual de sacrifício, com percussões bem lentas e umas vozes bem graves, digo que até soam muito mórbidas. Os instrumentos de cordas fizeram eu me lembrar de um jogo que eu joguei muito no Playstation 1, o Yu-Gi-Oh!, que também tinha muito conteúdo egípcio.
“Dreaming Through the Eyes of Serpents” me espanta com a sua tonalidade, a música parece estar sendo tocada dentro de uma pirâmide cheia de ecos, é um som que faz vir em minha mente a imagem de várias pessoas num estado avançado de meditação, todas sentadas e iluminadas pelas tochas e cheirando uma espécie de incenso. Como essas coisas aparecem na minha cabeça eu não sei explicar, mas é realmente essa a imagem que vejo quando escuto a música.
“Whence No Traveler Returns” começa só com instrumentos de cordas, um fazendo uma base e outros 2 solando, algo realmente muito lindo e uma prova da versatilidade e feeling de Karl. Um teclado faz um fundo meio macabro, fazendo algo totalmente a surreal; a beleza suave com o medo pesado e obscuro.
“The Forbidden Path Across the Chasm of Self-Realization” me faz ter a visão de uma pirâmide totalmente retirada no deserto, algo que pode ser a salvação um homem que caminha lentamente, totalmente torturado pelo sol e quase morrendo de sede. Ela parece estar próxima, mas quanto mais ele caminha, mais ela se afasta, até que ele cai e morre, enquanto vem à noite para esfriar tudo de vez. Essa música tem também uma narração em inglês, algo bem diferente e que ainda não havia sido usado.
Para fechar o CD, "Beckon the Sick Winds of Pestilence" vem com umas percussões que também não haviam sido usadas e umas vozes altamente terroríficas! Às vezes até dá para confundi-las com o barulho de uma ventania, mas são realmente apenas vozes. A guitarra de Karl Sanders chega gritando, parece com uma daquelas almas que caminham sem destino apenas para sofrer. Com um efeito que deixa ela dobrada, a percussão vai perdendo o volume até que ficam apenas as guitarras soando de forma assustadora juntamente com alguns pratos para acabar ao som dos teclados.
Sobre o título do disco, segundo o que li na net, foi uma idéia que Karl teve enquanto passeava com seu filho no zoológico. Observando atentamente todos os animais, Karl reparou que alguns répteis (o Saurian vem daí, pois os répteis são uma espécie de "saurinos") estavam totalmente imóveis, paralisados, sem ao menos piscar, como se estivessem num estado de transe e meditação profundo. Coincidencialmente ou não, a música executada nesse CD pode servir como base para uma boa meditação.
Também segundo o próprio Karl, essas músicas ele compôs para relaxar, geralmente quando estava em casa e longe da correria das turnês do Nile.
É um CD que, assim que possível, estarei comprando original.
Detalhe: Demorei mais de 2 horas para escrever esse post.
Então, meus caros, escutem essa grande obra feita por esse gênio multi-instrumentista e cultural clicando aqui.
Ps: Escutem com calma e atenção, de preferência dediquem toda a atenção somente à audição desse CD.
Esqueça MSN, Orkut, problemas caseiros, escola, faculdade e etc...
Boa audição!

7 comentários:

Nails disse...

nossa mermão... esse CD chapa, parece que libera THC pelas caixinhas... fiquei viajando no som, muito louco arregaço nesse post julião

Julio disse...

Eu já havia conseguido esse cd a algum tempo atrás mas infelizmente nunca o tinha escutado como ele realmente merece, mas depois dessa resenha do Julio fui prestar atenção melhor :p
E é realmente tudo isso ae que ele disse, som muito louco quem baixar não irá se arrepender, material de altissímo nivel.
Parabéns pelo post xará :)

Julio disse...

Valeu, Du!
Valeu, Julio!
Nesse eu realmente me puxei! xD

Nilson disse...

Dessa vez meu elogio e agradecimento vai ser duplo, um pro excelente CD que o Júlem io nos colocou em mãos e outro pela muito bem escrita resenha. Ambos foram muito apreciados e só tenho a agradecer por mais esses presentes. Valeu Júlio, abraço.

samurai de guitarra disse...

eh isso ae conhecimento nunca eh demais ainda mais qndo o tema envolve musica, o resto a gente aprende pra crialas

Anônimo disse...

naum consigi baixar ,,,,,,o link esta quebrado.......

Luciferian Darkness Lux Occulta disse...

Deusa IRIS?
Não seria Ísis?