
Basicamente, a música deveria ser feita para causar emoções no seu ouvinte, as mais diversas possíveis. Muitas vezes ela acaba passando longe daquela que o próprio autor tinha intenção, algo como ficar super feliz ouvindo uma música lenta que algum cantor tenha escrita quando se lembrava da morte de sua família em um campo de concentração. A música de Bonnie 'Prince' Billy é simples: música triste que te deixa triste, mais ou menos como enfiar o dedo mais fundo na ferida.
Seu nome real é Will Oldham e I See a Darkness é seu primeiro disco com o artístico de Bonnie. Já adianto de imediato que este é também seu grande disco e te poupo o trabalho de ler o resto. Artista daqueles que já se aventurou de diversas maneiras, começou a carreira com diversos nomes variando de Palace: Palace Brothers, Palace Songs, Palace Music ou apenas Palace. Trabalha também em filmes, fazendo "bico" de ator e acaba envolvendo-se em diversos projetos musicais e participações especiais. Foi nessa última que conheci o rapaz, a foto da capa do clássico Spiderland do Slint foi tirada por ele mesmo, Will Oldham.
Seu som pode ser caracterizado genericamente por folk, mas vai além disso em certas vezes. Canções melancólicas acompanhadas por um violão, flerte com o country (alt-country) e arranjos mínimos que dão um toque tristonho. De tristonho passa a desesperador quando prestamos atenção em suas letras que pecam em esperança e sobram em dor. Incrivelmente essa mistura acaba resultando em um dos mais belos discos que eu já ouvi. Ok, eu não sou um grande ouvinte do estilo, mas esta constatação é mais que evidente.
A primeira canção, "A Minor Place", é talvez a música mais "charmosa" do disco, ou então "bonitinha", é capaz de fugir até um sorriso entre seu piano e melodia tranquila, mas não vai muito longe. "Nomadic Revery (All Around)" é a segunda canção e também um dos destaques, classificada como Appalachian, adjetivo em inglês de uma música tipicamente regional, das mais profundas raízes da música americana, impossível ficar indiferente ouvindo-a. Ainda temos a música que leva o nome do disco que acabou ficando famosa quando o mestre Johnny Cash regravou em seus últimos discos (e que teve participação de Oldham), só isso já bastaria pra tu ouvir esse disco.
Mais algumas belas músicas como "Death To Everyone", poesia amarga e sombria e "Madeleine-Mary" que chamam a atenção pela sua produção, esta última principalmente, uma música folk tipicamente Celta com guitarras com ecos de Dub. Para fechar o disco, "Raining In Darling" é a única música que podemos considerar "de amor", mas bem, ela é a menor música de todo o disco. Download.