Sexta-feira, Maio 29, 2009

The Taste Of Chaos Ensemble Performs Mastodon's Leviathan: The String Quartet Tribute

Existem diversos tributos deste gênero feitos para diversas bandas. Confesso que me interessei somente por poucos, pois, francamente, quem quer ouvir versões sinfônicas/orquestrais de Coldplay e Linkin Park?! Nunca, porém, algum despertou-me tanta curiosidade e vontade de ouvir quanto este ao magnânimo Leviathan, do Mastodon.
Esse álbum original é deveras interessante! A começar por seguir a "tradição" do Mastodon de abordar algum elemento da natureza (tudo fora muito bem explicado no post do Remission), depois por ser inspirado na obra Moby Dick, de Herman Melville e, finalmente, por possuir um instrumental classe A! Obviamente fiquei imaginando como seriam as versões suaves e de sonoridade clássica/erudita oriundas destes músicos mais "tradicionais", por assim dizer. Apesar de não ser um estilo em alta nos dias de hoje, fora um dos primeiros a surgir e a estudar a musicalidade, bem como a explorar bem o que uma banda pode fazer em grupo.
O tributo agrada - e muito! Reproduzem as músicas com fidelidade, mantendo o tempo e as notas conforme as originais. Um e outro leve arranjo são modificados, pois, como era de se esperar, os instrumentos são bem distintos e não há como executar tudo igual. "Seabeast" e "Naked Burn" são as melhores, pois arrepiam os cabelos do braço - algo inexplicável! Somente a audição pode fazer você senti-las, portanto despensam explicações. O único ponto negativo deve-se à faixa "Joseph Merrick", pois nela modificaram a estrutura da música, o que é inadmissível, visto que é desnecessário. Como se trata de uma das minhas faixas preferidas do álbum original, admito que isso pode ser um pouco de "birra de fã", mas, realmente, sendo ou não, mantenho a opinião, porque essa música é muito linda para ser alterada assim! No mais, tudo proveitoso e gostoso de apreciar.
Um álbum muito excepcional! Além de ser de um estilo incomum nos dias de hoje, fazem algo mais incomum ainda: Tributo a uma banda de metal, ou seja, composições metálicas numa roupagem clássica/barroca. Recomendadíssimo a quem não tem preconceitos! Ademais, muito interessante e bonito. Download.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Tombs - Winter Hours


Nome novo, todavia promissor, visto que surgiram apenas em 2007 e já nos apresentam um EP e este interessante full-lenght.
A banda descreve-se como "post-hardcore influenciado por black metal", mas me atrevo a contestá-los, porque isso é deveras limitado, apesar de já nos dar uma noção do que vem quando dermos o play em Winter Hours.
Num grosseiro resumo, é conveniente dizer que tratam-se de músicas recheadas de peso e distorção, lembrando os grandes nomes do sludge. Entre uma passagem e outra são incorporadas melodias atmosféricas - muito lindas, por sinal -, sombrias, melancólicas, depressivas... Feito isso, vários riffs de guitarra, escalas ríspidas e uma bateria pegada de black metal dão a cobertura, fora as demais influências de outros estilos presentes em menor escala. Os vocais variam de limpos em tom médio (cristalinos, mas nem agudos nem graves, lembrando muito bandas como Mastodon) a guturais fortes e marcantes (soam iguais aos do Isis, falando francamente), com o revezamento dependendo da faixa apreciada, pois não seguem os mesmos padrões em todas as canções.
Nossa atenção é sugada em vários momentos da obra, tais como em "Beneath the Toxic Jungle" (começa bem black metal e ao final apresenta melodias surreais, cadenciadas e memoráveis, penetrando direto na alma), "Merrimack" (excelente e sincera inerpretação vocal somada a mais melodias agradáveis) e "Story of a Room" (belíssima instrumental somente de guitarras com efeitos da produção de estúdio).
Em contrapartida, numa análise geral, a maioria das músicas carece de partes assim, completamente boas. Talvez por se tratar de um power-trio, a questão de não ir mais afundo nas composições pode ser compreendida.
Como já foi dito, Tombs é uma banda nova. Mesmo com seus músicos possuindo experiência, quem também é músico bem sabe como é difícil e demorado (na maior parte dos casos) rolar aquele entrosamento tão rapidamente, o qual rende ótimos frutos em termos de composição. Resta-nos aguardar, pois o tempo e a experiência certamente trarão um lançamento tão bom quanto este. Ah, e fazer tour ao lado do Pelican e do Isis para divulgar um lançamento deve render numa forte inspiração, não? Download.

B orn F rom P ain - Survival


Como escuto Born From Pain há alguns anos e até já tive o prazer de entrevistá-los, sinto-me à vontade para comentar acerca da história, da música e das atitudes destes holandeses.
Recentemente, a situação da banda estava um verdadeiro caos. Ché, o vocalista original, decidiu sair do grupo. Em plena tour a banda ficou na mão, recorrendo aos amigos Carl (First Blood) e Scott Vogel (Terror) para "quebrar um galho". Carl gostou tanto que gostaria de continuar na banda, mas é difícil abandonar tudo que se tem nos EUA (família, amigos, etc.) e ir morar na Europa. Certo tempo depois, conseguiram outro vocalista, Kevin Otto, todavia o mesmo não agüentou o "tranco" e teve que sair fora para não se complicar com sua garganta. Sem outra escolha, Rob, líder e baixista, decidiu abandonar as cordas e partir para o grito. Sob todas estas circunstâncias que criaram este álbum.
Survival fora lançado no final do ano passado. Marca - e muito! - pelo novo vocal. Como se trata de uma voz mais suja e menos encorpada, o instrumental teve que passar por uma mudança de afinação, ficando bem diferente do que era. A princípio, essa mudança causou grande estranheza, mas hoje já me soa bem melhor. Paira um clima bem mais old school, seja pela tonalidade ou por várias das músicas, as quais focam muito mais na velocidade do que nos breaks. "Sound of Survival" começa o disco com sons de uma corriqueira cidade grande. Não tarde e entra o instrumental típico do grupo, sendo que o ápice é dado no refrão. "Final Collapse" e seus aterrorizantes samples de depoimentos do governo falando sobre reduzir a população mundial criam um clima tenso. Além disso, é uma das mais variadas, focando na cadência e em uma interpretação vocal apocalíptica. "Zero Hour" é, sem dúvidas, a mais empolgante! São linhas instrumentais bem simples, contudo memoráveis, e há ainda a participação do já mencionado Scott Vogel, fazendo um belo "duelo" com Rob. Quanto às letras, continuam ferozes e protestantes, assim como no excelente War.
Nem melhor nem pior que os outros, apenas diferente. Um novo começo na carreira do Born From Pain, soando totalmente excelente, devido à experiência de mais de uma década de estrada que a banda carrega nas costas!
Fora isso, recentemente o grupo decidiu apoiar a Campact, uma organização alemã. Como só encontrei informações a respeito em alemão, não posso afirmar do que se trata, mas dá para ver que os membros realizam diversos tipos de protestos políticos/sociais em público, tudo muito bem organizado.
Escute os discos, leia os outros posts e entenda porque tenho uma enorme consideração por eles. No mais, hardcore oscilando entre velha e nova escola, bem porradão, pegado e, por conseqüência, empolgante! Download (faça antes que o blogger delete o post pela segunda vez).

Terça-feira, Maio 26, 2009

Kill The Client - Cleptocracy


Uma das bandas mais furiosas do grindcore contemporâneo atende pelo belo nome de Kill The Client e vem do Texas, fazendo da caoticagem o essencial de seu som, na contramão do clima interiorano do estado natal.
Arregaçando tudo com músicas que mais parecem uma competição interna entre os membros para ver quem toca mais velozmente, o terceiro full-lenght do grupo é um registro matador! Todas as faixas possuem menos ou um pouco mais de um minuto, todas são absolutamente brutais e a velocidade e a indelicadeza imperam acima de tudo! A sonoridade é suja e pesada, mas não como a da maioria das bandas grind. Possui um forte equilíbrio entre os estilos! As guitarras, por exemplo, têm uma tonalidade bem hardcore, enquanto os vocais alternam dos grunhidos death metal à gritaria enraivecida de um power violence. As letras, como era de se esperar, fazem um protesto político dos mais fortes. O mais interessante é que a introdução de várias músicas é composta somente de samples, num deles é dito: "They don't want the children to be educated! They don't want you to think too much!". Acredito que seja a realidade por trás da maioria destes governos aproveitadores e inescrupulosos, muito bem revelada pelas bandas com o espírito do hardcore. Citar destaques é difícil, pois é tanta paulada, uma após a outra, que não há mesmo como dizer! Vamos para o quesito de título, então: "Consumption is Intoxication", "Christian Pipebomb" e a faixa-título dão boas noções do que vem por aí.
Cleptocracy marca por ser um disco mais que veloz, incorpado, brutal, enraivecido e juntando o que há de melhor no mundo do grind com death, hc e tudo que está constantemente junto, de uma maneira ou de outra. Download só pra quem curte blast-beat nas orelhas por mais de 40 segundos e sem pausa!

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Zombi - Spirit Animal


Poucas são as informações que encontramos a respeito deste duo americano de música progressiva e instrumental, mas, em contrapartida, cheia de detalhes e de riqueza é a música deles.
Ambos os músicos tocam sintetizadores (vários modelos, mas todos são 'arquétipos', ou seja, dos primeiros modelos, aqueles que soam "levinhos" se comparados aos de hoje). Depois, um foca no baixo (Steve Moore, o qual inclusive tem ainda uma carreira solo) e o outro (A.E. Paterra) na bateria.
Por mais que a descrição dê uma ideia de limitação, a realidade ao reproduzir as músicas é bem ao contrário. Com faixas que vão de 6 a 17 minutos, conferimos muita variação de clima, progressão, criatividade e emoção. Exatamente isso: Emoção. Há uma questão mais forte envolvendo a musicalidade deles, e isso é até um tanto quanto difícil de descrever, entretanto leia títulos como "Cosmic Powers" e "Spirit Warrior" para ter uma ideia do que os inspira a compor. Algumas passagens melódicas, recehadas de atmosfera dos synths, acompanhadas da leve bateria e das boas levadas do baixo passam uma sensação tranquila e gostosa, tornando Spirit Animal um bom álbum para aqueles momentos em que queremos escutar apenas som instrumental! A priori, um lançamento muito interessante para quem aprecia bandas de rock progressivo e instrumental, bem como aquele clima de Pink Floyd, Yes, Rush...
A sensação final absorvida através da audição do álbum deve ser similar a de entrar num "buraco de minhoca" e cair no finalzinho dos anos 70, na era pré-digital, e se deliciar com as maravilhas "modernas". Download.

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Geir Jenssen - Cho Oyu 8201m: Field Recordings from Tibet


"Geir Jenssen" significa muito. Além do nome de batismo deste cidadão norueguês, é também o nome do responsável por um dos mais bem-sucedidos e memoráveis projetos de música ambient de todos os tempos. É a mente por trás de álbuns cheios de significado, como Autour de La Lune, Cirque e Substrata. De quem estamos falando? Do Biosphere, é claro. Um projeto além da música, o qual nos dá informações espaciais, botânicas e glaciais. Pesquise a respeito dos álbuns para compreender! Trabalhando com seu nome, porém, a questão é bem diferente, mas não por isso menos interessante.
Cho Oyu 8201m: Field Recordings from Tibet é, como supõe o nome, um álbum feito somente à base de "gravações de campo", ou seja, gravações de sons a céu aberto, sejam eles reproduzidos por animais, pessoas, vento, água, objetos e muito mais. Obviamente não se limita a 'tocar' somente o que é gravado, pois - raciocine comigo - se fosse apenas isso, qualquer indivíduo sem um mínimo conhecimento musical o faria e o material soaria entediante. É aí que reside o dom de Jenssen! O dom de manipular, fundir e dar vida aos sons. A abertura é dada por "Zhangmu: Crossing a Landslide Area". Nela, ouvimos percussões, pessoas conversando e um barulho de rio correndo fortemente. Pelo que pude compreender, Geir realizou um passeio pelo Tibet, indo em direção ao topo do monte, este do título do álbum, gravando tudo e depois montando a obra. Pois bem, essa introdução dá a idéia dos primeiros movimentos. Na seqüência, "Tingri: The Last Truck" vem com o som de pessoas caminhando com algo que vibra (parecem sinos, objetos metálicos), juntamente com o último caminhão (na chegada há um efeito de stereo muito legal). É aqui que conferimos já as manipulações de Geir! Repete os sinos, cria atmosferas obscuras e deixa pairando no ar um clima de dark ambient muito atucanante! "Jobo Rabzang", em contrapartida, vem bem relax, lembrando até o trabalho efetuado no álbum Shenzhou. "Chinese Base Camp: Near a Stone Shelter" e seus sons oceânicos são uma ótima demonstração da tranquilidade que há nesse lugar do planeta! Soa por ora um tanto quanto assustadora, pois o barulho do vento soando sem barreiras que o impeçam de prosseguir dá uma impressão de "deserto". "Palung: A Yak Caravan Is Coming" é uma das mais interessantes, visto que começa como um dia: Devagar, com pássaros cantando, bem amena. Logo surge uma voz deveras estranha! E a explicação está no título. Relembro da minha infância, quando ia ao interior e observava meu avô conduzindo as vacas por meio de gritos como "Oum, oum, oum...". Aqui, o homem conduz os Yaks (espécie de bisão) com um grito bem distinto. "Cho Oyu Base Camp: Morning", também como sugere o nome, apresenta um calmo dia nascendo. Pessoas conversam tranquilamente, pássaros cantam alegremente, animais irreconhecíveis reproduzem sons estranhos e há uma fria atmosfera ao fundo. Propicia-nos belas imagens mentais, caso fecharmos os olhos e deixar que o som nos guie! "Nangpa La: Birds Feeding on Biscuits" é uma das mais interessantes! Geir deve ter montado um esquema interessante: Largou alimentos em um local deserto, com microfones muito próximos. O resultado são sons de pássaros totalmente cristalinos! Percebe-se claramente o bater de asas e de cada som vocal emitido pelas aves. "Camp 1: Himalayan Nightflight" é como uma noite reclusa num campo em meio ao "nada". O ser presente tenta sintonizar rádios, mas nenhuma parece o agradar. O som do vento ecoando entre as montanhas e árvores é assustador! A natureza diz, através disso, que tem vida. "Camp 1.5: Mountain Upon Mountain" é uma continuação, mas desta vez o ouvinte encontrou música numa rádio. Parece-se, na real, com uma caixinha de música. Enfim, isso parece o agradar, pois ali fica sintonizado até a "Camp 2: World Music on the Radio", na qual o vento aumenta bruscamente - provavelmente em plena madrugada - e apreciamos mais música no rádio. Ela, contudo, não permanece por muito tempo, oscilando entre sumir e voltar. "Camp 3: Neighbours on Oxygen" pula diretamente ao momento da escalada! As respirações ofegantes, as conversas curtas e toda a atmosfera criada nos mostram como é escalar uma montanha recheada de neve! Lembrem-se, Geir é alpinista nos momentos de folga. Pelo que consta no encarte, antes de realizar o trabalho, Jenssen teve que assinar vários papéis e enfrentar várias questões burocráticas para realizar a experiência. Não sei bem o porquê, mas nem vem ao caso. É legal conferir o depoimento do próprio acerca de um tipo de medicina utilizado no alto do monte para cuidar das mais diversas enfermidades. Enfim, "Summit: Only Slight Breeze on the Summit at 8201m" completa a jornada. Trovejões, ventos e um clima de tranquilidade recheam a música, passando a mesma sensação de quando atingimos um objetivo tão almejado!
Curiosidade: A música "Birds Fly By Flapping Their Wings", do Dropsonde, de 2005, contém samples de gravações efetuadas anteriormente em Cho Oyu.
Este álbum é mais uma prova de toda a versatilidade de Geir Jenssen. Como se não bastassem todos os exemplos dados antes sob o nome Biosphere e todos seus discos distintos e interessantes, aventura-se num campo complicado que é o do "field recording", e consegue se dar bem. Depois dessa, resta só aguardar por mais algum material novo enquanto apreciamos dua vasta discografia. Download.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Pig Destroyer, Coldworker & Antigama - Split


Pacotão da desgraça "três em um"!
Dois covers (Integrity e Unsane) soco na cara por parte do Pig Destroyer, um som próprio esmagador pelo Coldworker (banda do ex-batera do Nasum) e outro mais louco que o Balduíno de cueca chupando limão e olhando pro sol pelos poloneses do Antigama.
São apenas nove minutinhos, tempo suficiente para sua mãe lhe xingar lá da cozinha, seu pai falar que o filho anda rebelde e a irmã reclamar do barulho!
Está esperando o quê? Aproveita que é de grátis!!! Download.

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Cause For Effect - Professional 300


Única - essa é a melhor palavra para descrever a música e a proposta desta dupla finlandesa de "jazzgrind". Fala aí, quantas bandas ou duplas você conhece que executam uma mistura muito forte e bem dividida entre jazz técnico com grindcore e death metal? Ah, e sem guitarra, diga-se de passagem.
Oriundos da Finlândia, os caras estão lançando discos desde 1997. Professional 300 fora lançado em 2004 e é provavelmente um dos melhores materiais já lançados por eles.
A gravação é primorosa! Bom, talvez nem tanto, visto que não é muito difícil mixar vocal, baixo e bateria. Mas em questão de tonalidade, realmente, tudo está de tirar o chapéu! Os pratos são cristalinos, o bumbo é pesado, a caixa notória; o baixo bem compreensível, mesmo nas passagens super velozes podemos entender cada nota; o vocal é podrão no melhor estilo Chris Barnes. Se você já se aventurou a explorar esse mundo mais extremo do fusion, deve ter percebido que a maioria das bandas preza por uma gravação "tosqueira", talvez para incorporar melhor aquele clima abafadão de jazz das antigas, talvez para soar mais experimental...
Pois bem, a maioria das músicas não passam de um minuto de duração e mesclam muito bem os blast-beats e escalas velozes do grindcore - algumas mais técnicas podem ser consideradas bem death metal - com quebradas bruscas de tempo para ritmos complexos, alternados e que incorporam todo o feeling do jazz técnico! O vocal sempre podrão não varia, o que deixa o disco soando um tanto quanto repetitivo em seu decorrer, visto que são 18 canções, mas nada que estrague a audição.
Um álbum único. Em toda a minha vida, em todos estes anos explorando os diversos gêneros de música, jamais encontrei banda (ou dupla, trio, o que for) fazendo um som assim como o deles. Obviamente não é a melhor coisa do mundo, mas com certeza se encaixa perfeitamente naquele dia em que você simplesmente quer escutar algo muito diferente. Aos amantes de fusões, aos apreciadores de jazz e aos grinders com mente aberta, eis aqui um material excelente! Download.

Terça-feira, Maio 19, 2009

The Faceless - Planetary Duality


Dando seqüência ao belo debut Akeldama (lançado no fim de 2006), o quinteto californiano lançou esse grandioso Planetary Duality no final do ano passado. Impressionante o fato de terem composto um álbum tão rico em tão pouco tempo, visto que passaram esse tempo - quase - todo efetuando turnês e demais compromissos.
A quem não os conhece, dá para afirmar que realizam uma mistura magnífica de death metal técnico - e um tanto quanto melódico - com passagens influenciadas por música do Oriente Médio e ainda com direito a severos breakdowns. Neste álbum em questão, há ainda uma tendência ao experimental futurista, vide os vocais robóticos e as passagens etéreas do teclado.
A pancadaria épica é iniciada com "Prison Born", música não muito longa e apresentando todos os elementos da sonoridade do grupo, ou seja, é a faixa exata para abrir o trabalho! Prosseguindo, "The Ancient Covenant" é uma das mais surreais, devido à exorbitante influência da música oriental, mais precisamente da egípcia, principalmente no arrepiante solo de guitarra. Há uma inegável influência do Nile, mas não espere um épico brutal, pois, como já fora bem expresso, eles pendem mais à melodia. Outra faixa diga de ganhar destaque é "XenoChrist", devido à extrema progressão contida em seus redondos 5 minutos. De fato, todas as músicas apresentam algo interessante, jamais caindo na mesmice ou aborrecendo o ouvinte, portanto chega de citar "destaques", logo que todas são. Só para completar o raciocínio, a última faixa, "Planetary Duality II (A Prophecies Fruition)", traz uma chuva de riffs massacrantes, bateria pegada, bastante variação de clima, mais um solo memorável e um final que deixa aquela impressão de "isso não é bem um final". Minha teoria? Em breve virá um álbum talvez tão potente quanto este, pois é exatamente esse clima que deixaram pairando sobre o ar.
Um dos prováveis motivos para tudo soar tão bom neste disco é que ele foi produzido por Michael Keene. Falando assim pode não comover, mas quando se sabe que além de produtor ele é o guitarrista do grupo, tudo faz sentido.
Dizer que The Faceless é um nome promissor é uma afirmação errônea. Sim, porque este álbum já soa excelente e muito avançado! Caso consigam aperfeiçoar, melhor. Se bem que "aperfeiçoar" não parece a palavra correta. Talvez se "extremizarem"... É, aumentar a influência egípcia e conseguir misturar isso com mais técnica e brutalidade seria um sonho! No momento, contudo, os dois discos já rendem várias agradáveis audições e por um longo período de tempo. Download.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Harlots - Betrayer


O nome da banda e do álbum podem criar falsas expectativas. De fato, através dessas duas palavras não há sequer como ter uma certa noção da sonoridade do grupo. Em contrapartida, ainda são úteis, pois podem ser utilizadas num breve resumo a respeito do grupo: Violento e sujo como a vida de uma prostituta, perturbador e caótico como ser traído ou ser o traidor.
Betrayer, originalmente lançado em 2007 e relançado em 2008, é o terceiro álbum do quarteto. Apresentam-nos uma proposta bem ousada, inclusive dentro dos "padrões" do mathcore. Obviamente esse é só um rótulo utilizado para descrever bandas caóticas, técnicas e com certa influência de jazz e/ou elementos de fusion, inclusive com outros estilos. O que quero lhes dizer é que Harlots, além disso, consegue ir mais além, seja pela produção mega-densa ou por incorporar traços de sludge e ambient - raridade, não? Pegamos como exemplo a matadora "Full Body Contortion". Apresenta enorme progressão e técnica, muita sujeira e alguns vocais limpos (porém desesperados). Logo no seu final, a atmosfera é emendada na "Dried Up Goliathan", a faixa que mistura a beleza das melodias com as bases distorcidas de um sludge, somadas ao vocal naquele ritmo longo típico do estilo citado anteriormente. São 8 minutos muito viajantes e que merecem ser apreciados por qualquer fã de música extrema - sim, pois ir das agradáveis melodias à sujeirada densa, sem soar forçado ou apelativo, é um ato extremo! "This Is A Test No Flesh Should Be Spared" é uma impressionante demonstração de bruscas mudanças em curto período de tempo! É também uma impiedosa mistura do trabalho de guitarra mais insano já efetuado pelo Dillinger Escape Plan com um deathgrind. Precisa algo mais?! Lógico que não, mas os caras ainda colocaram um dos breakdowns mais pesados e brutais que já escutei na vida, logo no finzinho do som. Encerrando a obra, temos "Suicide Medley". Com esse nome, não precisa ser grande conhecedor de música para entender que por aí vem algo longo e trabalhado. Sim, são 12 minutos mesclando, mais uma vez, ambient, noise, death metal e o escambau - inclusive zoações no estúdio. Tudo muito bem "montado", na ordem certinha, realizando as mudanças de clima/tempo com uma maestria descomunal! Uma faixa digna de encerrar esse atentado sonoro que é Betrayer.
É lamentável o fato de esta banda permanecer no underground do underground. Compreendo que talvez seja complexo e sujo demais para agradar a tanta gente, mas tem que agradar a um determinado número maior que o atual. Ao menos, para resolver isso existem "ferramentas" como o nosso blog. Download obrigatório, sem mais.

Domingo, Maio 17, 2009

Q And Not U - No Kill No Beep Beep


Preconceito com nomes de bandas foi sempre algo que me acompanhou vida a fora, mas é algo engraçado. Toda vez que eu ouço algo que eu achava com nome babaca, acabo achando algo interessante, e talvez esse seja um dos maiores exemplos: Q And Not U.
Nascidos em um dos melhores seleiros de bandas da américa, Washington DC, eles também fizeram parte do cast de uma das melhroes gravadoras independentes de lá, a Dischord, que moral hein? E como não podia ser diferente, são grandes seguidores do Fugazi.
Seguidores mas não copiões. Esse quarteto pega toda a energia do Fugazi e combina com várias dinâmicas ritmicas, dançantes, melodicas, guitarristicamente complicadas que resultam em quase um Math Rock. Realmente, é difícil de classificar o som do Q And Not U, mas até o rótulo Dance-Punk já foi usado, e apesar de soar besta, chega a fazer sentido: Uma banda de atitude punk, com uma puta energia, fazem um indie pop agressivo com batidas quebradas e dançantes, sem o uso de teclados e eletronicidades.
No Kill No Beep Beep tem um nome pior ainda que o da banda, mas foi o disco que me fez abrir os olhos para eles, pela honestidade e qualidade do trabalho; um amontoado de clichés que faz parecer com algo totalmente novo, uma sonoridade que gruda logo de cara e algo que tu vai adorar ou odiar, de fato.
Da curta carreira, de 98 a 2005, esse foi o primeiro de 3 discos e talvez seja o melhor deles, mesmo assim não é nenhum clássico. Apesar de ter várias músicas afudê, como a primeira e frenética "Line In The Sand", que por fim descamba pra um funk cheio de distorção ou então "Hooray For Humans", pós punk enérgico lotado de riffs complicadinhos e quebras de ritmo, tem a má companhia de outras nem tão legais quanto, como a número 5, "Kiss Distinctly American", uma calmaria que não só deixa a peteca cair, como ainda chuta ela longe. Mas por fim, acredito que as músicas boas ainda acabam por salvar o disco, e bem. Que me diz? Download.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Chet Baker - The Best Of Chet Baker Sings


Lembro-me claramente daquela noite na praia... Ia a Torres, apreciando uma bela lua cheia, quando meu tio dediciu escutar um som, como de costume. O mais curioso é que eu já o conhecia há anos, mas pela primeira vez ele decidiu apreciar Chet Baker em minha companhia. E lá fomos nós, rumo à belíssima Torres, numa noite de temperatura agradável e curtindo um jazz. Novidade para mim, pois só conhecia Miles Davis e John Coltrane.
Ao chegar, fui dar uma volta com uma mulher hippie. Havia a conhecido há dias atrás... Ela é dessas que vivem do artesanato e pulando de cidade em cidade. Conversamos bastante, não resistimos muito e fomos fumar uma cannabis à beira-mar. E eu olhando a lua e pensando "preciso voltar escutando aquele jazz!". Voltei, no efeito ainda, falei ao meu tio: "Tio, coloca aquele jazz de novo, por gentileza!". Colocou. Fiquei apreciando e contemplando a lua, absolutamente feliz e tranqüilo!
Hoje, escutar Chet Baker me traz uma surpreendente síntese entre felicidade, tristeza, surrealeza, compreensão e medo. Muitas das coisas que rolaram na minha vida nos últimos tempos (os quais parecem mais intensos do que vários dos anos anteriores) fora ocasionado pela música do senhor Chesney Henry Baker Jr.. Não as mencionarei aqui, pelo simples motivo de que não tem a ver com os ideais do blog. Ao menos posso dizer que tenho uma experiência de vida única em meu "currículo" devido à música dele...
"The Thrill Is Gone" é muito triste! Raramente a escuto, porque pulo diretamente para "But Not For Me", minha paixão desde a primeira audição. Voz suave de Chet, letra linda, solinhos memoráveis de trompete, contra-baixo rapidinho e a bateria abafada fazem dessa uma grande música! Que combo! Sou obrigado a mencionar esses adjetivos do instrumental.
Além disso, é minha trilha sonora para apreciar as luzes de São Leopoldo a uma enorme distância. "There Will Never Be Another You" é uma das composições cantadas com mais sinceridade! Percebemos durante todo o disco o quanto Chet é expressivo, mas aqui parece haver um motivo a mais. Alguma mulher, quem sabe? Leia a letra e reflita. "Daybreak" mais uma vez traz o trompete cativante! Poderia ficar aqui citando a maioria das músicas como destaque e ainda dando detalhes minuciosos do instrumental, mas acredito que seja desnecessário. Só essas já são o suficiente para lhe fazer escutar as outras e procurar a beleza delas por si mesmo.
Baker morreu em 1988, devido a uma queda de janela do apartamento. Nunca fora bem explicado o motivo, entretanto alguns alegam que foi suicídio; outros, acidente. O que realmente importa é o seu legado: Dezenas de álbuns lançados desde 1953 até o ano de sua morte, muitas turnês - inclusive visitando o Brasil numa dessas - e uma 'escola' a ser seguida para quem quiser se aventurar a tocar o estilo. A quem só aprecia, como eu, músicas ideais para escutar numa sexta-feira, completamente relaxado e sem preocupações aparentes! Downloads: Parte 1. Parte 2.

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Isis - Wavering Radiant

Eis aqui um exemplo de banda que prefere investir novamente em algo diferente a se repetir!
Ao contrário do que a maioria esperava, o Isis não fez mais um In The Absence of Truth. Calma! Isso não quer dizer que voltaram a fazer som completamente sujão na linha do The Red Sea, mas há algo que será dito logo de cara, mais a frente, e que possui semelhança, de certo modo, com essa época. Ainda a respeito deste "diferente", não é nada mais que um aprofundamento de determinados traços e a volta a outros, mais precisamente estou me referindo à grande exploração do lado harmonioso e a reutilização de muitos vocais agressivos, bem como certas passagens bem agressivas do instrumental e mais experimentalismo de estúdio que em qualquer outro disco deles.
O álbum abre com "Hall of the Dead", música dotada de várias passagens de teclado e com uma pincelada do que será apresentado bem mais a fundo pela frente - harmonia e agressividade numa fusão extrema. É estranho que ela soe "morna", não pendendo para nenhum dos lados, mas a idéia torna-se compreensível na faixa seguinte, "Ghost Key". A obra começa com suaves guitarras, muito agradáveis e memoráveis, explorando por muito tempo só as lindas melodias. Em seu decorrer, apresenta versos recheados do vocal grave de Aaron Turner, sendo que determinada parte possui muitos efeitos de estúdio, deixando principalmente o reverb no talo, efetuando, assim, um experimento que soa como "alguém a gritar numa caverna"! É mais um momento muito marcante da música, só não sendo mais que a já citada introdução. No decorrer do álbum a fórmula vai sendo repetida - bem repetida - o que causa certa estranheza, já que eles costumavam variar mais as músicas. Ainda temos, como nos álbuns anteriores, uma faixa puramente ambient. Ela é a faixa-título, emendada com a anterior e com a seguinte. Definitivamente não é a melhor deles, visto que é um tanto quanto monótona - as dos outros álbuns tinham vários elementos -, mas é bem relax e agradável, como dá para supor. "Threshold of Transoformation" encerra o álbum com maestria, envolvida com bastante peso na primeira parte (tem quase 10 minutos de duração), de uma maneira como não se ouvia desde Oceanic (lançado em 2002)! Além disso, enquanto o instrumental se aventura em diversas melodias nas guitarras e escalas ousadas no baixo, existem diversos vocais podrões - beirando o black metal - "ocultos" por filtros da produção, numa demonstração muito bem-sucedida de experimentalismo. Seu final apresenta um "estéreo" das guitarras competindo pela nota mais bonita.
Pois bem, apesar de se atreverem a irem bem afundo em misturar as melodias com mais agressividade, Wavering Radiant não tem o mesmo feeling dos outros álbuns, fato que nos impede daquele "apego" como há para com os outros. Refiro-me àquele "quê" épico e um tanto quanto inexplicável contido nos registros anteriores, os quais davam gosto de apreciar, sendo perceptíveis logo na primeira escutada.
Em contra-partida, Jeff Caxide é responsável por manter uma bela característica do Isis: Aquele contra-baixo destacado! Quem conhece sabe muito bem do que estou falando. Quem não conhece, deve, portanto, escutar o álbum ou tentar imaginar dois contra-baixos gravados: Um normal e outro mais "acústico", flutuante, com um som agudo e grave ao mesmo tempo, sempre tocando somente em passagens memoráveis! Mesmo tocando também no Red Sparowes e no Spylacopa, fica extremamente evidente que é no Isis onde ele despeja seu verdadeiro talento.
Percebe-se que temos em mão mais um CD excepcional! Possui mais prós do que contras, por assim dizer. Conforme fora bem expresso, não é aquele que agradará logo de cara, muito menos o melhor deles, todavia que tem seu enorme valor, revelando a cada audição vários detalhes novos e, com tempo, sendo absorvido com mais facilidade. Em decorrência disso, vai ficando mais agradável e atraente. Lembre-se: Para tanto são necessárias várias audições minuciosas. Dwnld.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Kylesa - Static Tensions


O que esperar de uma banda com dois bateristas? Aliás, além disso também há três vozes, duas masculinas e uma feminina. Mais ainda: O que será que uma banda desse porte faz em seu quarto CD? Pois saiba que somente escutando Static Tensions você compreenderá!
Notórios por essas características e também pela complexidade de suas criações, Kylesa surgiu em 2001, na cidade de Savannah, Georgia, EUA. Contando com membros já experientes da cena local nos anos 90 e tirando o nome de um ensinamento budista (kilesa mara), a banda sabe - e muito bem - o que faz!
Temos elementos de hardcore old-school, peso tradicional de sludge, vocais passando desde os agudos desesperados, furiosos graves e também os belos e suaves da guitarrista Laura, bem como muitos efeitos de rock psicodélico dos primórdios e stoner metal dos tempos modernos. Não obstante, o método de gravação das baterias é muito notável, pois cada uma toca em um lado - com fones de ouvido dá para perceber cada detalhe diferente, seja uma virada ou um kick a mais. A constante mudança de ritmos na bateria impõe um clima brusco, pois da pancadaria tudo pode tranquilamente mudar para batidas rítmicas e tribais! Em decorrência de tudo isso, podemos encaixar a banda no ramo do metal avant-garde, sem dúvida alguma. Todas as faixas são bem distintas umas das outras, o que vai prendendo à audição, pois jamais cai na mesmice. Como destaques, é justo mencionar a pegada faixa de abertura, "Scapegoat", devido à empolgação que passa com seu memorável verso de guitarra e pelo "duelo" dos bateristas na intro, sem esquecer o momento de experimentalismo psicodélico ocasionado por diversos efeitos de produção numa guitarra que se transforma em vento, voltando a ser guitarra, voltando a ser vento... "To Walk Alone" encerra o álbum em grande estilo! As baterias rítmicas e tribais servem como uma base para as guitarras limpas, na primeira parte da música, as quais deixam pairando um clima de música oriental. Em seguida, entra a distorção, mas não saem as batidas tribais, para o vocal chegar saturado de efeito e com uma guitarra flutuante sobre ele! Sempre é difícil descrever esses elementos de psicodelia, por isso nada como ouvi-los e experimentar das mais diversas sensações. Isso é só para você ter uma noção, pois todas as faixas apresentam algo interessante, em maior ou menor escala.
Dois bateristas, três vocalistas, diversos estilos musicais em síntese e... Ah! Já está mais que explícito o quanto essa banda merece ser conferida! Não perca tempo e vá atrás, pois vale a pena. Download.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Callisto - True Nature Unfolds


Poucas são as bandas que tem o dom de agradar em cheio logo numa primeira audição. Callisto é uma das que conseguem efetuar tal proeza - e olha que não digo isso isoladamente, visto que conheço mais pessoas cuja experiência foi idêntica a minha.
Pois bem, ela ocorreu com o álbum Noir. Nele, além de tocarem aquele sludge/doom saturadão com melodias atmosféricas - também feito com maestria por nomes como Rosetta e Intronaut -, incrementam diversos outros instrumentos, os quais ocasionam em um flerte com determinados estilos. O sax, por exemplo, deixa um clima de jazz pairando. A flauta, em contrapartida, recorda estilos musicais dos primórdios da humanidade. Ainda poderia citar minuciosamente vários outros fatores que os tornam uma excelente banda a se conhecer e explorar, porém vou diretamente a este álbum em questão.
True Nature Unfolds foi o primeiro full-lenght, lançado em 2004. Apresenta-nos uma parede sonora composta de uma euforia sentimental! Nas melodias melancólicas das guitarras, no desespero do vocal, através das pontes do teclado e dos maravilhosos solos de sax podemos sentir uma mistura de tristeza, romantismo, agonia, frustrações, amor e raiva! Após a intro, cujos samples lembram muito os projetos de música ambient de todo o mundo, temos "Blackhole", uma música bem pesada, na veia dos primeiros trabalhos deles (os quais eram mais hardcore e menos atmosféricos). Não tarda e "Limb Diasporas" já vem com uma introdução limpa, baseada em guitarras memoráveis, inegavelmente marcantes devido à facilidade com que penetram em nossas mentes! Essas simples palavras poderiam resumir, em suma, o que é a obra como um todo, todavia deve ser dito mais: "Storm" é um pedaço de arte! São 9 minutos muito viajantes, indo das mais arrastadas e melancólias melodias ao peso bruto do doom, com maravilhosos vocais femininos, depois substituídos por guturais completamente urrados e rasgados de doer a garganta! Como outro destaque, cito a intro de "Caverns of Kafka", bem como seu riff e a fascinante linha geral do teclado (linda em demasia). Ok, a música por completo é ótima.
Recentemente, após mudanças de membros, lançaram o álbum Providence. Notório por soar diferente do seu antecessor, mais ainda desse aqui em questão, é um álbum na "lista de espera" para ser postado.
No momento, contudo, True Nature Unfolds e Noir são ótimos discos para explorar! Não só por serem muito bons, mas porque ficam melhores conforme você vai se acostumando com as músicas, já que elas são longas e trabalhadas, a ponto de quando você "decorar" a linha de um instrumento, poder perceber alguma novidade vinda de outro. A quem preza por detalhes, mas não exatamente por música completamente detalhista, eis aqui um som de primeira qualidade. Quem procura por um som reflexivo, emocionante e capaz de realizar a catarse, deve mergulhar de cabeça! Download.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

LaZarus A.D. - The Onslaught


Originalmente batizada de Lazarus, em 2005, a banda não perdeu tempo e logo em 2006 já foi despejando thrash metal com uma demo. Para evitar problemas com outras bandas que já usavam o nome, acrescentaram o "A.D." e pouco tempo após isso lançaram este álbum, em 2007, que agora é lançado novamente devido a contrato com a Metal Blade.
The Onslaught é o thrash dos anos 80 sendo gravado com uma produção moderna. Há ainda um e outro toque de outros estilos, mas o que predomina é o thrash - e na melhor veia americana. Uma pena, contudo, que a banda careça fortemente de toques próprios, acabando por soar como uma junção de várias bandas clássicas, o que não é ruim, porém obviamente jamais será uma maravilha! Alguns minutos já são o suficiente para perceber a forte influência do Metallica primordial nas guitarras e o vocal à la Obituary. Os melhores momentos ficam por conta das passagens super velozes na bateria (escute "Lust", pois essa já começa arregaçando tudo) e dos solos exorbitantes em matéria de criar uma atmosfera empolgante ("Revolution" é o melhor exemplo)! Numa análise geral, todavia, o álbum soa bem repetitivo, o que tira a vontade de escutá-lo por inteiro ou mais do que uma vez, principalmente porque não são todas as músicas "aquele tesão", como as citadas acima.
Por se tratar de uma banda relativamente nova e cuja experiência tende a aumentar devido à divulgação do consagrado selo que é a Metal Blade, há a possibilidade de melhorarem fortemente e, por conseqüência, lançarem um álbum melhor. Por enquanto - verdade seja dita - um material até legal de conferir, mas que não causa nenhum impacto seminal ao ouvinte. Download.

Terça-feira, Maio 05, 2009

Rotten Sound - Murderworks


Se Exit, de 2005, remete à capa (um tiro de shotgun na cabeça), é porque antes dele essa idéia já era colocada em prática. Este feroz Murderworks, de 2002, corresponde ao que lhe mostram com o assassino em destaque: Música brutal, ríspida - principalmente nas questões líricas -, suja e encorpada, ou seja, um verdadeiro petardo!
Um dark ambient vai crescendo, não demora e o clima sepulcral é abruptamente massacrado pela veloz intro (tanto em tempo quanto em execução), cheia de viradas e logo alternando para os blast-beats, com mais viradas super-velozes, ênfase nos arranjos em determinados tipos de pratos e... Porra! Isso é só a bateria. Seria um equívoco imperdoável deixar de citar o contra-baixo saturadamente distorcido e as guitarras agudas e estridentes, bem como o ataque vocal de gutural, rasgados e aquele gritadão nervoso - fórmula utilizada no CD inteiro. Pois bem, esse leve resumo já seria o suficiente para se ter uma noção da sonoridade do grupo, todavia como eles prezam por certos detalhes, é minha obrigação também ir mais afundo e detalhar na resenha da obra. Como é notório nos demais trabalhos, as músicas são entituladas por uma só palavra. Uma atitude curta e grossa, nada diferente da sonoridade, é claro. Mas aí reside um grande mérito: Apesar de curta e grossa, como toda banda grindcore que se preze, o Rotten Sound possui seus arranjos metálicos, fato que leva muita gente a incluí-los no mundo do death metal. Esses pequenos detalhes (às vezes não ultrapassando dois segundos) fazem uma enorme diferença no final, visto que prendem à audição, fazendo de Murderworks - não diferente de Cycles - um daqueles álbuns que se escuta do início ao fim e ainda deixa a vontade de mais e mais! Para promovê-lo, foram "cabeça de cartaz" de uma longa tour européia realizada logo após o lançamento, assim como de muitas outras. Isso perdurou até 2004, quando ganharam um maior reconhecimento após shows com nomes como Circle of Dead Children e Phobia.
Pelo trabalho efetuado nesse e nos outros álbuns, hoje em dia o Rotten Sound é um dos ícones do grindcore mundial e uma das melhores evidências de que da Finlândia não sai só metal melódico e piegas! Para encerrar, "Agony" vem com cinco minutos e terroríficos samples de destruição. Não obstante, o ataque vocal é memorável! Praticamente impossível de ser executado ao-vivo, mas válido, pois essa faixa é um dos ápices do álbum (também foi daqui que deu-se a tradição de encerrar os álbuns com músicas mais longas e trabalhadas), fechando-o da mesma maneira com a qual inicia: Com um apocalíptico dark ambient. "Apenas" fenomenal!
Curiosidade: O engenheiro de som do álbum Exit foi o lendário ex-vocalista do Nasum, Mieszko Talarczyk (R.I.P.). Download.

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Xanopticon - Liminal Space


Procurava artistas de "glitch" e logo o Xanopticon apareceu. Foi, entre todos, o mais interessante!
Sua música vai além do glitch. A quem não sabe, esse estilo é caracterizado pela sua sonoridade de "erro", como um mal-funcionamento da CPU do seu computador, bugs em programas (o Winamp, por exemplo, quando trava começa a arranhar a música), distorção digital, entre vários outros. Pois bem, como se isso já não fosse pouco, Xanopticon incrementa atmosferas agradáveis e suaves de ambient que se unem a batidas em ritmo de breakcore/drill and bass (variante mais pesada e trabalhada do drum and bass). O mais interessante é que todas as batidas, sem exceções, têm a sonoridade 'glitch'. Portanto, é como escutar um monte de falhas ou sons futuristas com um ritmo super veloz e indefinido, somando ainda as atmosferas agradáveis, tudo isso em longos minutos, sem pausa alguma!
Liminal Space fora lançado em 2003. É o segundo CD de Ryan Friedrich ( 14 de Julho de 1980, Pennsylvania) sob esse nome. Antes dele, foram lançados um single e dois ep's, bem como, obviamente, o full de estréia. Suas músicas são tão intensas, variadas e extensas que fica difícil reter algo na memória. Alguns momentos despertam mais atenção - a intro de "Symphwrak" é o melhor caso -, por terem uma sonoridade mais compreensível (acredite, quase ninguém está acostumado a escutar música assim), mas, numa visão geral, não há como "decorar", visto que a complexidade é assustadora e a cada audição um detalhe acaba por ficar mais notório que outro.
O cara está na ativa, tendo lançado seu último EP em 2007. Maiores informações não são encontradas com facilidade. Acredita-se que ele utiliza alguma versão do Fruity Loops para criar as músicas e tem-se a certeza de que ele utiliza esse programa na versão 4 em seus shows ao-vivo (muito elogiados pela crítica especializada da Europa, devido à tamanha energia).
Se você tem a mente aberta a novos estilos de sons, tem interesse em escutar algo bem distinto, sabe que música eletrônica não se limita àquela coisa horrível, monotônica e manjada que toca nas rádios; então, baixe e confira um trabalho de primeira qualidade! E se aceita uma recomendação mais que honesta, escute com fones de ouvido de qualidade e sem preocupações ou demais ocupações. Foque sua atenção somente na música e boa viagem! Download.