sexta-feira, novembro 30, 2007

Raimundos – Raimundos


Eu tenho que admitir que tão importante quanto a década de 1980 foi a de 1990. Devido a sérias restrições geográficas, monetárias e de faixa etária, só pude acompanhar uma parte da década de 1980 via televisão e revistas. Mal a década de 1990 começou eu já comprava vinis, revistas e fanzines, recebia catálogos de gravadoras e procurava novidades... tudo isso morando no interior de Pernambuco. Por volta de 92 a música brasileira tornou-se mais popular e variada graças a uma leva de artistas como Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp e Mundo Livre SA. Claro que existiam várias bandas mais underground e outras que só estouraram depois, mas foi uma época muito boa.
O Raimundos surgiu da união de quatro amigos que gostavam basicamente dos mesmos estilos musicais e, criativamente, montaram uma banda cover dos Ramones. Tudo era muito parecido. O estilo do nome, o estilo do som , a quantidade de músicos, a atitude. Por volta de 93 eles alcançaram mais destaque e o selo Banguela, que pertencia a alguns membros dosTitãs resolveu investir nessa nova leva de músicos. Foi desse selo que grande parte dessa moçada lançou seus discos. Em 94 saiu “Raimundos”, um disco divisor de águas, pois quebrava muitos paradigmas. Infelizmente em algumas partes ele ficou meio esteriotipado, graças as forçadas de barra de algumas músicas, mas no geral é um cd de punk rock, hardcore e forró!
Já na abertura, o sanfoneiro Zénilton, um maluco que canta forró de qualidade com letras de duplo sentido, avisa que quer rock e que os “meninos” estão abusando dele por tocarem um sonzinho bobo. Depois da reclamação começa “Puteiro em João Pessoa”, que fala das aventuras de um virgem (para nós, nordestinos, donzelo) na primeira noite que foi a um famoso puteiro (cabaré, zona, casa de putas) da Paraíba (hoje extinto). O som tem uma certa levada Suicidal Tendencies e quase não flerta com forró. Já “Palhas do Coqueiro” é lapada na orelha! Falando da história de um corno que espera a mulher embaixo das palhas de um coqueiro enquanto a sujeita está “debaixo de um teto de espelhos a o chifrar”. Em “MM’s” tem a participação de João Gordo nas partes com palavras delicadas. “Rapante” tem uns riffs muito pesados que até soam diferente do restante do disco. É a primeira faixa do cd que toca no assunto das drogas (que um dia acabaria a banda). No final, o hardcore come solto. “Carro forte” e “Minha cunhada” tem letras bastante sexistas e me fazem pensar que na época que os caras moravam em Brasília conviviam demais com o povo do DFC! A primeira vez que ouvi e vi os caras foi no clipe pra lá de tosco de “Nega Jurema”. Essa música parece não mudar com o tempo e é um clássico dos caras. A pobre da Nega da música era uma traficante presa no interior!
No lado B o forró come solto! Já começa com “Deixei de fumar cana caiana”, uma música do Trio Nordestino que aqui virou um Hardcore ultra rápido. Uma vez eu li alguém que se impressionou com Jello Biafra cantando num dos cds do Dead Kennedys, mas em algumas músicas Rodolfo canta tão rápido quanto o punk americano! “Cajueiro & Rio das Pedras” tem letra bisonha, levada porrada e termina com Zenilton cantando em cima de uma base que mistura sanfona, guitarra, triângulo e bateria! Frases como “abra as pedras, meu amor! É aí que o peixe se esconde quando vê o pescador” ainda me fazem rir! “Beabá” fala dos efeitos “positivos” das drogas e “Bicharada” fala do sabiá, que segundo eles é um passarinho viado! A seqüência “Marujo” e “Cintura Fina” é minha favorita. Muito forró, muito hardcore e letras hilárias. O cd fecha com a descarada “Selim”, onde o desejo do cara era ser o banquinho da bicicleta, pra ficar bem no meio das pernas e sentir o ânus da menina suar. Pura putaria adolescente. Muito bom ter vivido essa época. Depois desse cd, ainda veio o Lavô, Tá Novo e o Lapadas Do Povo que ainda tem muita coisa legal, mas o sucesso subiu pra cabeça dos caras e, praticamente atiram no próprio pé, se vendem ao estrelismo, lançam um cd fraco "Só no Forevis” e acabam após um MTV ao vivo. Segundo meu irmão, tem bandas que lançam MTV ao vivo e, ou acabam (infelizmente o Ira, o Barão) ou não vendem porra nenhuma e não fazem o menor sucesso e continuam na mesma merda (graças a Deus, Jota Quest, Skank).
Depois de tudo isso só resta você clicar na capa pra curtir um forrozim!

3 comentários:

Breck disse...

tu mora em pernambuco é porra? kkkkkkkkk eu acompanho essa joça aqui faz um tempão e não sabia. Sou de Recife porra!

Abraçoo!

Rafael Bauer disse...

CD fudido, e por falar em Roda Viva, eu pisei naquela porra, pulgueiro brabo!, auedhauhdaed, falou!

Richard disse...

valeu cara, esse cd eu queria baixar a algum tempo. vou lá arrastar a chinela nesse forrozim, rsss
abraço