sexta-feira, agosto 29, 2008

Red Sparowes - Aphorisms


Red Sparowes, até onde sei, foi a primeira super banda do estilo que chamam de post-rock, mas, para mim, isso aqui vai além de rótulos, e caso fosse para dar-lhes um, eu diria tranqüilamente: Atmosférico. E por quê uma super banda? Porque foi fundada por membros do Isis e Neurosis, em 2003. Infelizmente, há pouco tempo atrás, Josh Graham, do Neurosis, deixou o grupo, e Aphorisms foi todo composto sem o mesmo.
Havia escutado um EP deles com outra banda do gênero, a Gregor Samsa, e achei muito lindo. Não exitei antes de conferir este Aphorisms, pois, pelo que tinha lido a respeito, a sonoridade e as músicas estavam ótimas, e realmente estão. Apesar de possuir somente 3 faixas, todas tem uma boa duração, e nada é encheção de lingüiça, acabando com uma duração de 17 minutos. Fisicamente falando é isso, todavia, se você já conhece as bandas da raiz e as demais do gênero, certamente sabe que dá para ir muito além ao ouvir essas músicas, e o desprendimento com a percepção do tempo ocorre logo nos primeiros acordes. Não é à toa que posto esse álbum numa sexta-feira, porque sei que todo mundo chega cansado do trabalho, ou cansado de qualquer coisa que tenha ocorrido no decorrer da semana, e escutar uma banda como essas serve de remédio. "We left the apes to rot, but find the fang grows within" (não se assustem com os títulos, pois são apenas títulos) abre em grande estilo, com linha de guitarra lembrando muito o espetacular e último álbum do Isis, In The Absence Of Truth. Reina uma calmaria absoluta, mesmo com a execução dos instrumentos sendo "intensa". A guitarra é limpa, há uma atmosfera tranqüila de ambient ao fundo (similar às do Oceanic), e todos os instrumentos fazem algo bonito. Quanto aos outros sons, não sei o que falar, apenas digo que os títulos são apavorantes! "Error has turned animals into men, and to each the fold repeats" (o que pode, no fundo, ser verdade) e "The fear is excruciating, but therein lies the answer".
Certamente um daqueles materiais em que nada se compara à audição. E se você é como eu e o Lincoln Hawk, que aprecia essas bandas e mais outras do naipe de Explosions In The Sky, aqui está um presente. Download.

Motörhead - Motörizer


Mesmo se o Motörhead tivesse acabado em 83, ou 84, eles ainda seriam uma das bandas mais importantes dentro da história da música pesada. Pra quem não tem idéia do que é representa a instituição Motörhead, eu primeiro pergunto; de onde tu vem? e sabendo que a reposta é "de outro planeta", e que ainda não é uma desculpa muito razoável, te digo que o Motör foi a banda responsável por aproximar o Punk do Metal, escrevendo as primeiras linhas do que seria chamado de Thrash e Speed Metal, que continuou ao redor do mundo com Venom, Metallica e Slayer.
O que acontece é que desde que começaram, já se passaram alguns anos... alguns 30 e tantos anos, e ao contrário de outros, que consideram "estar na ativa" como lançar coletâneas e ao vivos, fazer shows comemorativos, a filosofia bêbada de Lemmy e cia. é outra; gravar cd's e pé na estrada, chutando o que vier pela frente, afinal, Lemmy é O cara e sabe o que faz.
Refrescando a memória, Motörizer é o vigésimo disco de estúdio da banda, e posso dizer que ele não nem melhor, e nem pior que os útlimos 5 álbuns, é o mesmo álbum. Então tu me pergunta "qual a graça em ouvir sempre a mesma coisa?". Entendo muito bem tua pergunta, é justamente por que tu não gosta de Motörhead. Desde os anos 80, a sonoridade pouco mudou e isso só ajudou a consolidar mais a carreira; se tu diz que gosta de Motörhead é sinônimo de bom gosto musical e além disso, te dá uma certa credibilidade nas ruas.
Caso tu seja fã do bom e velho metal, iria quere ver o Iron Maiden tocando Metalcore, ou quem sabe o Judas Priest fazendo um Rap Metal? Bom... a resposta serve aqui também. O que se espera do Motör é barulho, confusão e doses de Whisky, ou seja; o de sempre, nenhuma pretensão de criar algo novo, quebrar paradigmas ou inventar novos rótulos, o que a gente quer é Heavy Metal bem feito, e sim, nós conseguimos.
Pra quem começou a acompanhar o processo de gravação do disco, rolou um certo frio da barriga logo no início, quando o trio anúnciou que: Faria toda a gravação no estúdio de Dave Grohl, na Califórnia; o produtor seria Cameron Webb, que trabalhou com Limp Bizkit, Orgy e Monster Magnet e por final, que a arte da capa não seria de autoria de Joe Petagno.
Eis que o resultado acabou com qualquer chance do disco novo sôar um pouco pop ou alternativinho, porra nenhuma, Rockão classudo, rápido, pesado e básico, cheio de solos blues-rock e o vocal mais rabujento do rock, o bom e estúpido metal motoqueiro. E acontece a mesma "lenga lenga" dos últimos anos; todo dizem que é um baita disco mas que não se compara com clássicos como Ace Of Spades ou Overkill, mas ninguém se arrisca a sentar o cacete, justamente pois são discos bons e que provavelmente irão ser a trilha sonora da sua próxima briga de bar.
A única coisa que eu me arrisco a dizer é que perderam muito, foi no quesito "capa", e perderam pra caralho. Famosos por sempre terem artes sinistras, a capa de Motörizer é uma idéia simplista e meio sem graça, a maioria sabe da relação entre Lemmy e sua adoração por guerras, e por isso o uso dos brasões dos países dos integrantes: Inglaterra (Lemmy), Suécia (Mikkey "alemão loco" Dee) e País de Gales (Phil Campbel), que é completo pelo nosso querido Snaggletooth, como a última nação, nação Motörhead.
"ô magrão, para de papo furado um pouco e me diz um pouco sobre as músicas". Ok, acredito que isso é o que mais interessa, e tu tá lendo isso só pra ver o que outras pessoas acharam do novo disco antes de baixar, digo, comprar. Se prepare para o chute na cara, "Runaround Man", a faixa que começa o disco é um convite pra uma bebedeira desenfreada, o tipo de festa que toca Motörhead. "English Rose" é talvez o ponto alto do disco, e serviria muito bem para o primeiro single, se a SPV estive procurando por uma. Só para não perder o costume, "The Thousand Names Of God" é a música rebelde sociopolítica, que junta com a primeira citada, foram as escolhidas pela banda para tocar no programa de música de Bruce Dickinson na BBC, mês passado.
Qualquer review que disser que Motörizer é melhor ou pior que o útlimo álbum, ou então decepcionante e até maravilhoso, estão enganados. Motörizer é exatamente o mesmo que o útlimo disco e é o mesmo que o próximo (se isso chegar a se concretizar, levando em conta que Mr. Kilmister está com 62 aninhos) álbum, e isso é algo bom, a não necessidade de mudar.
"Se não mudam, pra que gravar disco novo?" Duas boas respostas: Uma banda deve encher o saco de tocar a mesma música há 20 anos, no caso a imoral "Ace Of Spades", uma música que com certeza, eu, tu e todo mundo gostaria de ver num show deles e é sobre isso a segunda resposta: "Quando eles não tiverem mais aqui, tu vai sentir falta, então não critique o álbum por ser o mesmo que os outros; é o mesmo que criticar o sol por brilhar todo dia." disse o sábio da Thrash Hits.
Já sabem que dificilmente irão se decepcionar, a não ser que você leitor, seja um bunda mole, e pra comprovar isso, basta entrar no last.fm e escutar todo o disquinho na íntegra, se não gostar, já sabe. Download.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Clutch - From Beale Street To Oblivion


Clutch é uma banda relativamente conhecida, dentro dos limites do underground, e desde o início dos anos 90 vem juntando cada vez mais um número maior de fãs, ou devotos, graças a uma mistura musical boa e funcional.
Dentro da vala comum do gênero Stoner Rock, onde atualmente o maior nome em atividade são os putos do QOTSA, o Clutch tem uma proposta diferente, e vem surpreendendo nos últimos lançamentos, pegando a veia Rockeira e misturando com um clima Blues e algum coisa do Funk, aquela quebrada e o groove, mais umas letras estranhas, e altas doses de adrenalina.
From Beale Street To Oblivion, saíu ano passado e me fez abrir o sorriso já de cara, fiquei surpreso com a qualidade e como eles ainda podiam fazer um disco tão bom quanto o Robot Hive/Exodus, a influência da música sulista americana mais forte que nunca (tecladinhos bagaçeiros e harmônicas), resultam num Stoner Hard Blues Rock, saca?
Um disco desses só podia ter dedo de algum nome forte, alguém que entende do barulho, e nesse caso, o culpado foi Joe Barresi. Produtor que já trabalhou com do naipe de Kyuss e Melvins, preciso dizer algo mais? Se ainda quer mais, tem o Tool, Fu Manchu e o último do Bad Religion.
Usando uma frase muito bem sacada da all musica guide; "se você tem saudade dos tempos que o Soundgarden era uma banda funcional, o Kyuss patrolava o deserto e o Black Sabbath não precisava fazer as pazes com Ozzy, o Clutch definitivamente não vai te desapontar com Beale Street", termino por aqui, afirmando que esse é um disco foda e leva jeito de Classic Rock. Babação de ovo a parte, a audição é obrigatória para fãs de Rock bem feito, é dar o play e botar o pé na estrada. Download.

Sunn O))) - Flight Of The Behemoth


Muitos classificam a sonoridade do Sunn O))) como simples barulho ou "musiquinhas para assustar e fazer pose". Engano grave! Se pensar bem, e analisar a maioria dos fãs que só querem saber de fazer pose de mal, ser do underground e os caralhos, é bem isso! Mas para quem se interessa por música, isso aqui com certeza é uma longa e sinistra viagem pelo mundo dos sons graves, basta ter um reprodutor de som muito potente.
Flight Of The Behemoth é o segundo full da dupla americana. O som nem era tão diferente como dizem (após muita gente conhecer o Black One, parece que os malvadinhos se revoltaram e disseram apenas curtir essa fase aqui). O som é drone/doom, brutalmente sujo e encorpado, tanto que - repito - sem um sistema de som forte tudo parecerá barulho. Há leves toques de dark ambient também, resultando em algo desconfortável, mas gracioso justamente por isso. Outros instrumentos aparecem também, como piano e "samples".
Pegamos, por exemplos, as duas primeiras faixas: "0))) Bow 1" e "0))) Bow 2". Na primeira parte, parece um massacre de serra elétrica, que alterna entre soterrar o piano mórbido ou deixá-lo tocar. Na segunda parte, a atmosfera de dark ambient se junta a isso e você confere uma música agoniante de quase 13 minutos, com um andamento que progride e regride, sem estrutura musical definida.
O resto cabe a quem ouvir, pois garanto que as sensações variam de pessoa para pessoa. A mim, pelo menos, é algo cabuloso de escutar em ambiente fechado e escuro, para sentir aquele frio na espinha e calafrios momentâneos. Download.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Aereogramme - My Heart Has A Wish That You Would Not Go


Se eu usasse a definição que a banda usa para o seu som, começaria que o Aereogramme é uma banda de rock experimental, hum.. algo que não deixa de ser verdade, mas não chegar a ser assiiiim, tão complicado quanto o gênero propõe.
Formado em 98, na cidade de Glasgow, na Escócia, começaram com uma proposta bem legal, que ia de dois extremos, em segundos, pois havia uma influência metálica e uma vontade enorme em usar vocais gritados, em contraponto, usavam elementos eletrônicos e melodias usadas no indie rock, de forma pop.
My Heart Has A Wish... foi o último disco da banda, um pouquinho antes deles acabarem de vez, no ano passado, por problemas financeiros e um pior, saúde: a voz do vocalista Craig B. já não aguentava mais o trampo; gritaria, festa, whisky e shows, mas felizmente, deixaram 4 discos de estúdio e alguns EP's, sem contar a parceria "felômenal" com o Isis, no projeto Fishtank, de número 14.
Este disquinho talvez seja o melhor trabalho da banda, ou pelo menos, é o que todo mundo costuma dizer, e dessa vez não vou discordar. O legal são os traços de post-rock, diminuíram o vigor e investiram na melodia. Relaxante, reflectivo, melancólica e cortêz, ótimo trabalho com músicas que podemos até chamar de "doces", e faz eu até tentar escrever um texto bonitinho. Mas não rola, não.
A banda não chegou a ficar muito conhecida, mas existe um culto muito fiél de fãs, e quem viu show, diz que é algo único. Não custa tentar, mudar um pouco o que anda sendo postado por essas bandas. Download.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Doom - Fuck Peaceville


O Doom foi uma das primeiras bandas de hardcore mais extremo. Na época, lá no fim dos 90, isso significava crust/grind. Outra banda que emergia nessa época - e inclusive era amiga dos caras do Doom - era o Terrorizer, a qual mandou saudações ao Doom no "encarte" do seu clássico disco de estréia (World Downfall - comprei pela bagatela de R$10,00, vinilzão meio mofado, mas a sensação foi extremamente prazerosa).
Naturais de Birmingham, estão na ativa até hoje, porém tiveram uma leve parada nos anos 90. Uma das coisas que mais desperta a atenção neste álbum é o título. Que eu saiba, "Peaceville" foi o primeiro selo dos caras. Se alguém souber qual a moral do nome, poste nos comentários, por gentileza.
Hoje não é um bom dia para mim e eu certamente não sei muito mais que isso sobre o Doom, portanto, se você curte Disrupt e Extreme Noise Terror, não exite em baixar, pois é tudo na mesma linha de som bruto, sujo, veloz e empolgante.
Download.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Intronaut - Void


Intronaut é uma banda relativamente nova, já que seus primeiros trabalhos são datados de 2006.
Eles começaram com um EP/Demo chamado Null, lançado por eles próprios. Depois, arrumaram um selo e relançaram o mesmo EP.
Void veio na seqüência, sendo o primeiro full-lenght. Sua sonoridade é complexa. Ouvimos de metal lentamente progressivo a alguns toques de drone/dark ambient, atmospheric sludge e toques experimentais, portanto, não se surpreenda caso ouça alguém os chamando de post-metal. Isso tudo resulta num álbum de difícil aceitação na primeira audição, porém muito prazeroso com o tempo. Das bandas que já passaram aqui pelo blog, creio que o The End Of Six Thousand Years é a que mais se assemelha, para vocês terem noção. Mesmo assim, Intronaut é bem mais rico em elementos.
Por ser uma banda formada por um ex-membro do Impaled e do Exhumed, também fico abismado, pois não há traços de death na musicalidade do Intronaut, se tirarmos alguns vocais guturais.
Escutar "Nostalgic Echo" é até um pouco triste, pois, sabe-se lá porque, o som é nostálgico, mesmo. "Iceblocks" consegue soar limpa, suja, caótica e harmoniosa ao mesmo tempo, portanto, tiro o chapéu pros caras e recomendo o álbum como um todo.
Download.

terça-feira, agosto 05, 2008

Brutal Truth - Sounds Of The Animal Kingdom

O Brutal Truth é mais uma banda da mente insana do ex-baixista do Anthrax, ex-baixista do S.O.D., baixista do Nuclear Assault (puta lista longa, hein... isso que só falei dos projetos principais dele), Dan Lilker. Não vou falar o quanto respeito o Dan Lilker. Resumindo, vou dizer que o cara é foda, e só gravou coisa boa até hoje... Com o Brutal Truth não foi diferente.
A primeira vez que ouvi falar de Brutal Truth, foi procurando mais sobre o titio Dan, e numa página com a discografia da banda, as capinhas e as listagens das músicas, me impressionou a quantidade de músicas nesse cd (22), e a CAPA. Foi o primeiro cd que ouvi do Brutal Truth, e tenho que dizer que a capa por si só já foi motivo pra ouvir o álbum. Que músicas teriam num cd com um meio-homem-capitalista/meio-macaco-selvagem na capa? Enfim, esse cd é uma prova, do início ao fim, que grindcore não é música de "músico que não sabe tocar". Com elementos de death, thrash, rock experimental, e uma bateria vinda diretamente do INFERNO, o cd é um dos melhores da banda.
Ouça por exemplo, "Jemenez Cricket", que é um death/rock muito experimental... fugindo um pouco do grindcore. Ou a "Blue World", com sua introdução apocalíptica. "It's After The End of The World" é outra que me assombrou a mente por semanas. A ultima musica, "Prey", e recomendada apenas aos fortes de ouvido... repetição incessante por mais de 20 minutos. Curiosidade: Em 2001, o Brutal Truth apareceu no Guiness Book, com o recorde de MENOR VÍDEO DE MÚSICA, pro clipe de "Collateral Damage", de outro álbum da banda, Extreme Conditions Demand Extreme Responses, que também é um puta discão! A duração do clipe? 2.18 segundos. Download.

PsyOpus - Our Puzzling Encounters Considered


Puta que pariu! Ai, meu caralho! Boceta! Bala na testa! ... Por mais que a expressão tenha um sentido forte, não há uma sequer que se encaixe aos pensamentos na primeira audição dessa obra do PsyOpus! Lembro-me claramente: Passei o CD para o MP3, coloquei os fones, dei o play e... Creeeeedo! Já tinha ouvido falar que eles eram do mathcore, mas, repito, não há expressão que sirva para descrever isso. Logo no primeiro som, "The Pig Keeper's Daughter", com intro mega-técnica-mais-que-trabalhada-sem-noção-insana-sabe-se-lá-de-onde... Fiquei com os cabelos do braço arrepiados. Os caras não tocam mathcore, eles avacalham no mathcore! Para provar que não estou forçando, pesquise sobre o guitarrista da banda - ele teve que provar que conseguia tocar as músicas ao-vivo para ganhar patrocínio, e conseguiu.
O som dos caras é gritado de uma maneira exagerada, sem um estilo definido, pois passeia pelo rasgado, gutural, gritado sem técnica e até umas coisas bem indefinidas, enquanto a guitarra faz o semi-impossível, o baixo acompanha com maestria e o batera deve ser descendente do Goro. Mas é mais que isso! Muitas bandas podem ser descritas assim, mas os caras são isso e mais... Cacete! Não consigo mais digitar nada, porque "Scissor Fuck Paper Doll" não me deixa escrever bem, apenas escutá-la com atenção, pois, nossa, o que é esse breakdown acelerando para introduzir o arranjo de fim de mundo?!?!? Oh, não... Uma criança gritando sobre um gravity blast-beat em "Whore Meet Liar"?!???! Ufa, há uns minutos para tomar fôlego em "Siobhanis Song", menos mal. Por falar nela, é relaxante e atmosférica, ou seja, é também uma prova de versatilidade. Depois disso, como diria um amigo meu: "Paaaau e paaaau!".
Não é um álbum composto de músicas memoráveis, e nem haveria modo de ser. Como já foi dito: Não possui estrutura, não possui estilo definido, e ainda trambita pelo jazz técnico e a caoticagem. A única certeza é que isso aqui é único! E olha que conheço outras bandas do estilo (The Tony Danza Tapdance Extravaganza, Virulence, Monogono), e nenhuma é tão ousada.
Procurar vida extra-terresstre em Marte ou qualquer outro planeta é perda de tempo! Os caras do PsyOpus são desumanos e estão bem aqui, na Terra. Escute alto e fique apavorado! Download.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Carnifex - Dead In My Arms


Da onda de bandas recentes do estilo death metal/hardcore que surgiram nos EUA, o Carnifex é uma das menos interessantes, mas não chega a ser ruim.
O som dos caras é extremamente bruto e sujo, arrisco a dizer que é de uma maneira que deixa muitas bandas consagradas no chinelo - porém, como todos sabem, só isso não forma uma banda extraordinária. Falta muita criatividade no som deles, pois, em 90% das músicas, o andamento é totalmente genérico, não mostrando sequer um tracinho próprio. Lógico que é destruidor, mas há bandas melhores e mais empolgantes para escutar. Por falar em empolgação, há aumentos da mesma em alguns breakdowns. Dead In My Arms foi o primeiro CD deles, e tudo dito ali em cima se deve a ele. Hoje, já estão com um álbum novo, o qual deve estar melhor, pelo que ouvi no MySpace.
Tudo pode ser questão de gosto. Esse álbum é só mais um entre tantos, para mim. Para outros, é excelente! E para você? Baixe e descubra, caso não conheça.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Dropdead - Discografia


Dropdead é uma banda curta e grossa! Influenciados pelas vertentes mais sujas e podres do hc, como powerviolence, grind e crust (estilos muito próximos, se você escutar bem), os caras continuam na ativa até hoje, desde a formação em 1992.
Adeptos da política do "faça você mesmo", gritando enraivecidamente pelos direitos dos animais, anti-autoritarismo, pacifismo e outros motivos de luta, lançaram diversos álbuns e splits.
Esse "CD" aqui em questão deve ser realmente a discografia, pois possui 95 músicas, sendo as iniciais diferentes em andamento e produção/mixagem das últimas. Isto é, se você gostar, terá material deles até enjoar - isso se enjoar, pois o som é altamente empolgante, gritado desesperadamente, com baixo e guitarra ultra-sujos, bateria socada sem dó algum, cheia de blast-beats, e tudo mais que você imaginar.
Quanto ao nome da banda, tiraram de um material do Siege, outra banda das antigas e de estilo bem semelhante.
Quer fazer um circle pit violento em sua própria casa, curtir um som de bater cabeça e sair socando tudo, ou apenas curtir um bom hc bem raw? Então, não exite e baixe clicando aqui.

quarta-feira, julho 30, 2008

Ion Dissonance - Minus The Herd


O Despised Icon mudou a vida de muita gente. Não falo só dos ouvintes que ficaram obcecados pelo som, pois falo mais precisamente de bandas que mudaram seu estilo de som para algo totalmente similar ao Despised Icon atual.
Coincidência ou não, as duas bandas que mais absorveram são conterrâneas: Cryptopsy (difícil de acreditar, mas aconteceu - postarei em breve) e Ion Dissonance.
Nesse último caso, particularmente, considero uma mudança não muito boa. Eles eram uma das poucas bandas insanas de mathcore à la DEP, Botch e similares, e agora são hardcore moderno e grooveado, com poucos traços progressivos e experimentais. Bom... na verdade não são poucos. Eles existem em quantidade considerável, mas são todos colados a pedaços monotônicos, repetitivos, bruscos e grooveados, balançados, ou como você preferir.
Minus The Herd, de 2007, é o álbum que marca essa mudança. Deve-se ressaltar, primariamente, que apesar da mudança, o som não é ruim, mas era melhor. Logo nas primeiras faixas você já poderá conferir o peso bruto e seco das bandas mais recentes, bem como o vocal gritado e sujo, com alguns rasgados. Se você gosta de hardcore da nova escola, esse é um material de audição obrigatória! E quem não gostar de "Kneel" tem ouvidos frágeis. Em suma, bem empolgante em diversas passagens e altamente funcional naquilo que se propõe a ser - uma nova proposta de som, para eles, principalmente pela mudança do vocalista.
Quanto à história da criação e da melhor fase dos músicos (obviamente na minha opinião), fica para um próximo post, não remoto, provavelmente do álbum Solace. Todavia não pense que esse álbum seja ruim, pois, caso fosse, não estaria aqui. Há materiais melhores por parte deles, de fato, mas não dá para jogar esse fora. Download.

Consumed - Breakfast At Pappa's

Hardcore rápido e legal de se ouvir! Coisa que empolga mesmo, te dá vontade de pegar um skate e sair andando (ok, eu nunca andei de skate, mas quando ouço Consumed, sinto vontade =D). Pra quem já jogou Tony Hawk's Pro Skater 2, vai reconhecer a primeira música, "Heavy Metal Winner"(que de heavy metal não tem nada...), que estava na trilha sonora do jogo... Aliás, trilha sonora fodida aquela. Apesar de curto, esse EP é melhor que muito cd por aí. Tem solos muito legais (não que sejam solos difíceis, ou virtuosos, mas sim legais, pô). No fim das contas é isso aí mesmo, muito curto. Não cheguei a ouvir os outros cds da banda, mas creio que em breve eles estarão aqui no Fukt.
Por enquanto, ouçam esse registro de 6 das melhores músicas de hardcore que eu já ouvi. Download.

terça-feira, julho 29, 2008

Aeon - Rise To Dominate


Aqui está um grande exemplo de banda que se deu bem em tudo num único álbum. Por quê? Porque o Aeon vem de um dos principais países a revelar bandas de death e black metal, a Suécia (Entombed, Unleashed, Amon Amarth). Também porque a produção é uma jóia, feita por quem já produziu Dark Funeral e Marduk. Não há como deixar de citar o vocal altamente compreensível - o que conta pontos, já que sempre há alguém para dizer "só não entendo/não gostei do vocal".
Rise To Dominate é um ótimo álbum! Essa introdução acima já seria mais que necessária, mas há tanta coisa na musicalidade da banda, mas tanta, que eu prefiro ir mais além. Por partes: Pegue tudo aquilo citado. Depois, imagine andamentos criativos e nada monótonos, beirando uma grande progressividade. Quer saber bem honestamente? É algo que parece aquele andamento "imperial" e negro do Behemoth com diversas bandas de death dos EUA (Cannibal e Deicide) e solos de guitarra com feelings exorbitantes. Recuso-me a citar faixas principais, pois esse aí agradou do início ao fim em cheio. E apesar de ser uma banda nova (o primeiro EP saiu em 2001 e o primeiro CD em 2005, sendo que este é o segundo), já vem influenciado e agradando muita gente. Quem? Alex Webster, do Cannibal Corpse, declarou-se fã número 1 (ele que gravou o baixo no último álbum do Hate Eternal), e um cara do TBDM (sim, não sei o nome dele e nem me interesso, já que não é uma banda que me atrai).
Bem criado, bem gravado, bem produzido... Dispensa mais comentários! Baixe e confira um som de primeira qualidade, em todos os quesitos. Download.

segunda-feira, julho 28, 2008

Motörhead - Snake Bite Love


Se existe uma banda que é um grande exemplo de perseverança, essa banda é o Motörhead.
Tio Lemmy e cia já foram chamados de pior banda do mundo (isso antes do On Parole), perderam gravadora (tiveram de lançar um disco por conta própria, mesmo após a fama), tiveram altos e baixos, mas, no fim das contas, estão aí, tocando seu rock sujo e original até os dias de hoje.
Snake Bite Love, lançado em 1998, é um dos álbuns mais criativos. Ao contrário da maioria, a qual era composta basicamente só de sons que beiravam um único estilo, esse CD passa daquele rock animado e oldschool altamente influenciado por Chuck Berry até a um metalzão com pitadas de hardcore ("Dogs of War", além de melhor música do CD, é a prova disso). Há também excelentes interpretações vocais de Lemmy ("Assassin" é como ouvir um assassino falando de si, com voz de mal e citando suas características monstruosas), belos arranjos criativos de Mikkey Dee em todas sua bateria, sem esquecer da guitarra suja e do baixo mais sujo ainda, que parecem até um único instrumento, pois, se você conhece Motörhead, sabe que isso existe em qualquer álbum, independente do guitarrista. Lemmy gosta de sujeira e velocidade, e isso é o básico para ser guitarrista do Motörhead! E para finalizar: "Joy of Labour" é um dos sons mais marcantes da banda! Dotado de uma rifferama atraente e recheado de um ótimo clima, é mais uma prova da versatilidade do disco.
Pode não ser conhecido como um Ace of Spades ou Overkill, mas, de fato, é a nível ou tão bom quanto os mesmos. Duvida? Baixe e comprove!

sexta-feira, julho 25, 2008

Discordance Axis - The Inalienable Dreamless


Discordance Axis é uma das bandas mais estranhas que eu já escutei dentro do gênero grindcore.
Talvez por seus vocais extremamente agudos, imagino. Não é algo que se escuta todo dia ou em qualquer banda por aí. Apesar de ser claramente grindcore, há algumas características diferentes também na guitarra. Algo que parece destoar um pouco, mas não soa mal. Alguns vocais extremamente guturais e arrastados aparecem aqui e ali, mas o agudo - às vezes nem é rasgado - soa caótico, tenso e até agoniante.
Olhe para a capa. Qual banda de grind que lança um álbum com capa assim? Aí já está uma amostra de que eles são diferentes. Capa bonita e tranqüila, som sujo e caótico pra cacete!
Possuem uma discografia semelhante às das bandas do estilo: Diversos EP's (um com as japas do Melt Banana), mais de meia-dúzia de CD's, vídeos, DVD's e etc, mas não existem mais. Acabaram no ano de lançamento desse CD aqui - uma porradaria insana e espancada sem dó através de 17 músicas (tapas) na orelha.
Recomendadíssimo para quem curte bandas como Pig Destroyer, Destroyer Destroyer, SYNT e congêneres. Download.

quinta-feira, julho 24, 2008

Ambassador 21 - Ambassador 21 vs. The World


Quando as pessoas são DJ's, revoltam-se contra as FM's e perdem seus empregos, há fortes motivos para criar uma banda de digital hardcore. No caso do duo de Belarus (país cercado pela Rússia e Ucrânia), Natasha e Alexey foram mais além, pois criaram um som que mistura metal, breakcore, noise e o já citado DH.
O início de tudo pode ser dado após a publicação de um artigo de Alexey, o qual se chama "FM's devem morrer!". Passado isso e as demissões, começaram a compor as músicas, para, na seqüência, criar um selo próprio. Até hoje os álbuns são lançados por esse selo, o "Invasion Wreck Records". Eles possuem diversos álbuns, mas o assunto de hoje é Ambassador 21 vs. The World, sem dúvida alguma é um dos melhores exemplos de terrorismo eletrônico.
Logo na primeira faixa já dá para curtir as viagens dos dois, algo meio inexplicável, um tipo de som eletrônico bem futurista. No decorrer das músicas, muito barulho, distorção, batidas hiper-densas e sujas, mais aquelas distorções de doer o ouvido, fora as paradas repentinas e mudanças típicas de breakcore.
Para quem curte Atari Teenage Riot, EC8OR, Lolita Storm e derivados, mas acha que falta um pouco mais de peso nos mesmos, esse CD aqui é um presente. Mas caso você não se interesse por nada assim, nem perca tempo, porque tudo vai soar como barulho puro e desnecessário. Um álbum para poucos, francamente. Download.

quarta-feira, julho 23, 2008

Unleashed - Hammer Battalion


Em seus quase 20 anos de carreira, o Unleashed chegou ao seu nono álbum de estúdio (fora um ep e dois ao-vivo). Hammer Battalion é o nome da nova obra, e foi lançada oficialmente em meados de Junho desse ano.
O álbum é muito bom, todo com seus pontos altos e médios - porém sequer um ruim. Certamente é fruto de toda experiência de Johnny Hedlund e companhia, cuja união está quase intacta, possuindo apenas um membro não-original. A porradaria começa com uma das melhores - se não a melhor - faixas do álbum, a empolgante "The Greatest Of All Lies", dotada de bases velozes, guitarras poderosas e tudo de bom que faz uma grande música. No decorrer do disco, vamos percebendo solos extraordinários como o de "Entering The Hall Of Slain", riffs muito trabalhados como o de "Carved In Stone", uma bela intro em "Warriors of Midgard". Poderia finalizar com "Home Of The Brave" - mais uma que quebra tudo para terminar o álbum em grande estilo. A única coisa desnecessária e feia foi usar a mesma intro vocal na primeira faixa e na "Black Horizon". Creio que Johnny sequer gravou outro grito, pois ambos soam idênticos, bem de boa. Tirando isso, tudo muito recomendado.
Para quem é fã do death mais old-school, esse é um ótimo álbum, ainda mais levando em consideração a produção moderna. É para curtir a "velharia" soando mais produzida. Ótimo disco para agradar a todos os tipos de fãs dentro do estilo, também, sem exceção. Download.

Asian Dub Foundation - Community Music


Pra quem acha a revolução musical é feito através do Rock, nunca ouviu falar do coletivo Asian Dub Foundation, a mistura entre dub, punk, funk, dancehall, Bollywood, world music, e usam as batidas e-music (breakbeat) para destilar todos os letras polêmicas de política.
Formado na Inglaterra, o conjunto é um coletivo multi-étnico, com decendentes dos mais diversos locais do globo (Asian? Oi?), e que se uniram com ideal de fazer música para se expressar, atitude Punk? atitude Hip-Hop? Simplesmente atitude.
A mistura de ritmos também surge essa idéia, misturando sons do oriente com leste europeu, mais vocais rap, fazem do sonoridade um atrativo tão grande quanto a sua posição política e suas ações, anti capitalista, mas não da forma planfetária e clichê, de maneira inteligente e engajada.
Community Music foi o disco que botou o ADF no mapa, lançado em 2000, por um selo de música eletrônica, FFRR, subsidiária da London. O leque de influências e de temas aberto nesse disco é imenso, das guitarras punk até grooves dançantes, do reggae dub sossegado até batidas de breakbeat alucinadas, revisitando capítulos da história, e te chamando para a dança da luta contra a injustiça, instigando a auto-defesa e auto-consciência, provando que a música eltrônica pode fazer muito mais que dança.
Além de Clash e Public Enemy, ainda existem bandas que lutam pela diferença, e fazem música de qualidade, ao contrário da "falação" de outros (leia-se U2). Download.

terça-feira, julho 22, 2008

Biosphere - Cirque


Cirque... Primeiramente, questionei a mim mesmo se isso seria um circo ou algo similar. Vindo do Biosphere, seria bem provável que não fosse, e, de fato, não é. Cirque (que significa circo em francês) geograficamente falando é um "vale" formado em frente a uma montanha de gelo, por motivos de erosão. Após ler isso, fica evidente que este trabalho possui forte ligação com o clima polar. Aí está o início da obra!
O álbum foi inspirado em um pedaço da história da vida de Christopher McCandless, um americano que decidiu trocar sua vida já formada (tinha dinheiro, casa, graduou em universidade) por uma vida selvagem e nômade, vivendo sozinho e retirado. Antes de fazer isso, doou 24 mil dólares a uma instituição de caridade e alegou que não agüentava mais a sociedade materialista da época. Sua história é longa. O álbum é inspirado na parte em que ele isolou-se no Alaska, em meio ao gelo, sem muitos equipamentos e comida. Esse período foi extremamente complicado, e notamos certas referências nos títulos das músicas. Christopher morreu dentro de um resto de ônibus, não muito longe do Alaska, em uma floresta, na qual alguns caçadores de alce encontraram um pedido de socorro escrito na porta do resto do ônibus. Nele estava escrito algo como "estou aleijado, continuem me procurando", entre outras frases - mas tudo isso pode ter sido alucinação, pois o corpo encontrava-se dentro de um saco de dormir e a causa da morte foi dada como fome (há rumores também de que ele possa ter comido frutos venenosos, sem saber). A música que fecha o álbum é a referência mais explícita ao caso: "Too Fragile To Walk On".
Além de possuir essa história inspiradora (que inspirou também um escritor, cujo livro inspirou um filme com a atuação de Sean Penn), Cirque é, sem dúvidas, um dos mais relaxantes
e trabalhados álbuns do Biosphere. Ele soa como um resgate a certas características dos primeiros discos com a continuação dos trabalhos mais recentes. Isso quer dizer que há baterias ou batidas, mas bem camufladas. As atmosferas existem em enorme grau, os samples vocais (creio que a maioria esteja em francês) dão um toque a mais... Bom, os trabalhos de Jensen realmente possuem um plus, totalmente difícil de explicar, mas que você perceberá ao escutar outros artistas considerados do estilo.
Biosphere, com absoluta certeza, tornou-se um artista muito original com o passar dos anos, fato esse que resultou em parcerias com The Higher Intelligence Agency, Pete Namlook, entre outros músicos. Sem se desviar de Cirque, escute "Iberia Eterea" e sinta o frio eletrônico, com um incrível sax de jazz ao fundo, o qual é somado a baterias do mesmo estilo, com o passar dos minutos. Se isso não for o suficiente, "Moistened & Dried" parece uma caverna de gelo sendo derretida. E as outras músicas? Todas boas, todas com suas particularidades, todas agradáveis.
Escute com fones, num volume pouco mais que médio, e perceba a riqueza de elementos.
Cirque: Uma viagem ártica de 47 minutos! Biosphere: Música viva. Download.